{"id":388740,"date":"2025-08-21T15:23:45","date_gmt":"2025-08-21T14:23:45","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=388740"},"modified":"2025-08-21T15:26:23","modified_gmt":"2025-08-21T14:26:23","slug":"no-interior-do-pais-o-calor-aperta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/no-interior-do-pais-o-calor-aperta\/","title":{"rendered":"No Interior do pa\u00eds, o Calor aperta"},"content":{"rendered":"<p><em>Paula Pimentel, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-388744 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Paula-Pimentel-braganca-400x267.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Paula-Pimentel-braganca-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Paula-Pimentel-braganca-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Paula-Pimentel-braganca-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Paula-Pimentel-braganca-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Paula-Pimentel-braganca.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/>Ano ap\u00f3s ano, no nordeste transmontano, somos visitados por duradouras ondas de calor. Costuma ouvir-se, entre os mais velhos que, \u201co que tira o frio, tira o calor\u201d. Mas, na realidade, o ver\u00e3o de temperaturas extremas tem vindo a tornar-se uma constante e as nossas casas, as nossas institui\u00e7\u00f5es ainda n\u00e3o se encontram adaptadas a este fen\u00f3meno que, cada vez mais, se faz sentir de forma mais acentuada. A desertifica\u00e7\u00e3o e a escassez de recursos s\u00e3o realidade h\u00e1 d\u00e9cadas. As pessoas com mais idade, muitas vezes a viver sozinhas e com mobilidade reduzida, tornam-se alvos silenciosos deste fen\u00f3meno.<\/p>\n<p>As ondas de calor afetam tamb\u00e9m os utentes das respostas sociais que as nossas institui\u00e7\u00f5es desenvolvem, sobretudo as Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas. O receio de desidrata\u00e7\u00e3o e o consequente agravamento de doen\u00e7as cr\u00f3nicas, os riscos cardiovasculares e os epis\u00f3dios de exaust\u00e3o t\u00e9rmica multiplicam-se. Tal situa\u00e7\u00e3o leva, obrigatoriamente, a que se encontrem solu\u00e7\u00f5es algo milagrosas, para se evitar as \u201ccorridas\u201d para as unidades de sa\u00fade locais, sendo que, algumas destas unidades distam da resid\u00eancia, centenas de km. A ingest\u00e3o de l\u00edquidos nos mais velhos, \u00e9 sempre um desafio para as equipas de profissionais uma vez que, o processo de envelhecimento traz consigo a diminui\u00e7\u00e3o da perce\u00e7\u00e3o de sede bem como a capacidade de o organismo manter o equil\u00edbrio eletrol\u00edtico. Assim, \u00e9 fundamental encontrar estrat\u00e9gias adaptadas a cada realidade: desde o aumento do consumo de gelatinas sem a\u00e7\u00facar, \u00e1guas aromatizadas, sumos naturais, entre outras bebidas mais apelativas aos sentidos e que de certa forma \u201cquebrem\u201d a resist\u00eancia dos mais velhos \u00e0 ingest\u00e3o de l\u00edquidos. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil combater a resist\u00eancia e a biologia da perda de sensa\u00e7\u00e3o de sede, consequ\u00eancia do envelhecimento.<\/p>\n<p>No que respeita \u00e0s estruturas f\u00edsicas, muito h\u00e1 a (re)fazer, alterar e melhorar, pois, muitos destes espa\u00e7os, no interior, n\u00e3o est\u00e3o preparados: estrutura f\u00edsica dos edif\u00edcios, falta de ventila\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica, sistemas de ar condicionado, aus\u00eancia de pessoal com forma\u00e7\u00e3o adequada para lidar com epis\u00f3dios de stress t\u00e9rmico.<\/p>\n<p>Os planos de conting\u00eancia e as orienta\u00e7\u00f5es enviados \u00e0s nossas institui\u00e7\u00f5es pelas entidades competentes, nesta altura do ano, s\u00e3o alertas e formas de sensibilizar para o problema ou de fornecer orienta\u00e7\u00f5es para a a\u00e7\u00e3o. Mas a quest\u00e3o \u00e9 estrutural e exige respostas adequadas e a implementa\u00e7\u00e3o de medidas eficazes, a m\u00e9dio e longo prazo.<\/p>\n<p>Os dirigentes e gestores sociais v\u00eaem-se confrontados com or\u00e7amentos limitados e que n\u00e3o d\u00e3o espa\u00e7o de manobra para melhor apetrechar as estruturas f\u00edsicas. As medidas ou possibilidades de candidatura que v\u00e3o surgindo s\u00e3o extremamente exigentes em termos burocr\u00e1ticos e desfasadas da realidade. Logo, n\u00e3o s\u00e3o solu\u00e7\u00e3o para o nosso setor, para a nossa realidade n\u00e3o conseguindo, assim dar resposta \u00e0s nossas dificuldades.<\/p>\n<p>Apesar da muita insist\u00eancia de quem tem responsabilidades na mat\u00e9ria e nas institui\u00e7\u00f5es, as respostas estruturais s\u00e3o quase que invis\u00edveis. \u00c9 urgente repensar medidas eficazes de preven\u00e7\u00e3o, refor\u00e7o das equipas de apoio domicili\u00e1rio e planos de conting\u00eancia espec\u00edficos para os lares e para respostas de apoio a pessoas vulner\u00e1veis. Precisamos de mais apoio do Governo para melhorar o conforto e a seguran\u00e7a dos nossos utentes, em per\u00edodos de calor extremo pois trata-se, para al\u00e9m de uma necessidade urgente, de uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica e tamb\u00e9m de humanidade.<\/p>\n<p>As desigualdades territoriais t\u00eam, igualmente que ser tratadas com outra aten\u00e7\u00e3o. Mesmo os utentes de Centro de Dia, muitas vezes s\u00e3o transportados em viaturas com condi\u00e7\u00f5es pouco adequadas pela dificuldade de investir em novas frotas autom\u00f3veis e, consequentemente, em novas comodidades, em determinados casos havendo a necessidade de percorrer dist\u00e2ncias longas.<\/p>\n<p>Temos total consci\u00eancia que n\u00f3s, respons\u00e1veis pelo bom funcionamento das institui\u00e7\u00f5es sociais fazemos, certamente, o melhor atendendo aos recursos dispon\u00edveis, mas gostar\u00edamos muito que o Estado e os munic\u00edpios pudessem atuar em coordena\u00e7\u00e3o para refor\u00e7ar as estruturas existentes, melhorar edif\u00edcios, financiar sistemas de climatiza\u00e7\u00e3o e conforto t\u00e9rmico.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos aceitar que o calor continue a ser desculpa para trag\u00e9dias. Que o ver\u00e3o traga sempre os mesmos alertas, as mesmas promessas e os mesmos esquecimentos.<\/p>\n<p>\u00c9 hora de agir. N\u00e3o no pr\u00f3ximo ver\u00e3o, mas agora!<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 do ver\u00e3o vive o homem e, n\u00f3s, por c\u00e1, temos \u201cnove meses de inverno e tr\u00eas de inferno\u201d. Desejamos que esse \u201cinferno\u201d curto, mas potencialmente nocivo para os mais vulner\u00e1veis, seja olhado com especial aten\u00e7\u00e3o e se torne numa \u00e9poca de encontro, partilha, festa e sobretudo, sa\u00fade!<\/p>\n<p><em>Paula Pimentel, Presidente da Dire\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o das IPSS do distrito de Bragan\u00e7a, e Vice-Presidente da Funda\u00e7\u00e3o Bet\u00e2nia.<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)\u00a0<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paula Pimentel, Diocese de 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