{"id":38858,"date":"2009-05-14T11:20:45","date_gmt":"2009-05-14T11:20:45","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/05\/14\/congresso-encerra-centenario-do-nascimento-de-francisco-marto\/"},"modified":"2009-05-14T11:20:45","modified_gmt":"2009-05-14T11:20:45","slug":"congresso-encerra-centenario-do-nascimento-de-francisco-marto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/congresso-encerra-centenario-do-nascimento-de-francisco-marto\/","title":{"rendered":"Congresso encerra centen\u00e1rio do nascimento de Francisco Marto"},"content":{"rendered":"<p>A um m\u00eas do encerramento das comemora\u00e7\u00f5es do Centen\u00e1rio do Nascimento de Francisco Marto (11.06.1908), o Santu\u00e1rio de F\u00e1tima prepara a iniciativa final: o Congresso \u201cFrancisco Marto: crescer para o dom\u201d.  Este congresso, com um programa que prop\u00f5e uma variedade de temas que possibilitar\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o de pessoas com diferentes forma\u00e7\u00f5es e interesses, ser\u00e1 portanto ocasi\u00e3o para aprofundar a figura desta crian\u00e7a e tamb\u00e9m para reflectir sobre o papel da inf\u00e2ncia nas mais diversas \u00e1reas, tais como m\u00fasica, literatura, espiritualidade, catequese, protec\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, teologia, pastoral.  As inscri\u00e7\u00f5es continuam abertas e podem ser efectuadas para os seguintes contactos:   Santu\u00e1rio de F\u00e1tima \u2013 Congresso Francisco Marto \u2013 2496-908 F\u00e1tima  Tel: 249 539 600 \u2013 e-mail congressos@fatima.pt \u2013 www.fatima.pt  <b>Crescer \u00e9 acrescentar vida aos anos<\/b> Convidado a falar sobre esta iniciativa do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, o Padre Emanuel Silva, moderador e participante no Congresso, sublinha em Francisco Marto as express\u00f5es de amor e a entrega a Deus. Na mesma entrevista destaca a pertin\u00eancia da realiza\u00e7\u00e3o deste congresso enquanto momento que procurar\u00e1 colocar em di\u00e1logo diferentes \u00e1reas do saber relacionadas com a inf\u00e2ncia. <br \/> <i>Justifica-se um congresso sobre Francisco Marto?<\/i> Francisco Marto, uma das tr\u00eas crian\u00e7as (pastorinhos) que testemunharam as apari\u00e7\u00f5es de Nossa Senhora em F\u00e1tima, \u00e9 uma figura extremamente rica e que, por isso mesmo, desperta imensas interroga\u00e7\u00f5es e desafios nos mais diversos quadrantes.  Partindo dos seus nove anos de idade e do seu contexto existencial, passando pela sua personalidade ou temperamento e admirando a sua f\u00e9, deixando-nos cativar pelas suas express\u00f5es de amor, concluindo na sua total entrega (capacidade de dom) a Deus pelas m\u00e3os de Maria, a figura deste \u201cPastorinho\u201d \u00e9 de uma intensidade extraordin\u00e1ria. \u00c9 imposs\u00edvel seguir de perto a sua hist\u00f3ria sem se deixar interrogar. \u00c9 imposs\u00edvel acompanhar o seu percurso sem deixar que, da sua inf\u00e2ncia feita \u201coferta agrad\u00e1vel a Deus\u201d, surjam interroga\u00e7\u00f5es e implica\u00e7\u00f5es para todos os tempos e a muitos n\u00edveis.   \u00c9 a multiplicidade das interroga\u00e7\u00f5es, inquieta\u00e7\u00f5es e implica\u00e7\u00f5es que a figura de Francisco desperta, que me parece justificar inteiramente um Congresso. Colocar em di\u00e1logo diversos \u00e2mbitos do saber, partindo de diversas perspectivas e \u00e1reas, permite um maior aprofundamento da riqueza daquele que algu\u00e9m definiu como tendo \u201cum ar desempenado quando respondia \u00e0s perguntas\u201d. O Francisco que se deixar \u201cinterrogar\u201d com ar \u201cdesempenado\u201d \u00e9 o mesmo Francisco que, com o mesmo \u201car desempenado\u201d levanta interroga\u00e7\u00f5es. Suas e tamb\u00e9m de todas as crian\u00e7as.   Da fenomenologia \u00e0 espiritualidade, passando por \u00e1reas como o direito, a pedagogia e a educa\u00e7\u00e3o, a arte e a pr\u00f3pria vida em Igreja, este Congresso ser\u00e1 ocasi\u00e3o segura de aprender de uma crian\u00e7a a fazer da vida um dom para Deus.   <br \/> <i> O que nos diz Francisco Marto sobre a espiritualidade das crian\u00e7as?<\/i>  Diz-nos \u201cespontaneidade\u201d, \u201cautenticidade\u201d e \u201cconfian\u00e7a\u201d! Se colocarmos uma crian\u00e7a e um adulto diante de uma casa enorme e esteticamente impressionante pela beleza, colheremos seguramente duas reac\u00e7\u00f5es diferentes. O adulto falar-nos-\u00e1 do pre\u00e7o da casa (\u201cQue casa car\u00edssima!\u201d). A crian\u00e7a, por sua vez, referir-se-\u00e1 \u00e0 beleza da casa e, por conseguinte, ao seu valor (\u201cQue casa bonita!\u201d). Talvez isso aconte\u00e7a porque, como diz um poeta, os adultos j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam tempo para dar de comer aos p\u00e1ssaros.   Mas, de facto, a simples observ\u00e2ncia das crian\u00e7as nos mostra como t\u00eam uma incr\u00edvel facilidade em passar do terreno do mundo material e f\u00edsico para o mundo e \u201cexperi\u00eancia\u201d do Sobrenatural. E, mais do que apenas isso, falam-nos desse mundo com uma proximidade cativante, uma convic\u00e7\u00e3o imensa e uma desenvoltura desconcertante.   \u00c9 evidente que se torna necess\u00e1rio, e a educa\u00e7\u00e3o \u2013 para o bem e para o mal \u2013 tamb\u00e9m o promove, passar da \u201cmetaf\u00edsica apenas pessoal\u201d para o campo da \u201cf\u00edsica universal\u201d. A passagem n\u00e3o deve, contudo ser t\u00e3o r\u00e1pida que nos impe\u00e7a de reparar no essencial j\u00e1 que, \u00e0 priori n\u00e3o tem de existir contradi\u00e7\u00e3o nem oposi\u00e7\u00e3o entre a metaf\u00edsica pessoal e a f\u00edsica universal. A espiritualidade radica as suas origens no mais profundo do ser. Quase poder\u00edamos dizer que \u00e9, como o \u201crir\u201d e como a \u201clinguagem\u201d um dado humano fundamental.   Sobre a espiritualidade das crian\u00e7as, Francisco dir-nos-\u00e1 seguramente que \u00e9 necess\u00e1rio crescer (\u201cfazer-se um homem\u201d como se costuma dizer na linguagem dos \u201cadultos\u201d) sem perder aquilo que d\u00e1 sentido \u00e0 vida. A hist\u00f3ria das apari\u00e7\u00f5es e da vida de Francisco fala-nos de uma crian\u00e7a pac\u00edfica, d\u00f3cil, bondosa, condescendente, com sentido de humor, brincalh\u00e3o, de f\u00e1cil rela\u00e7\u00e3o e amizade, atento e perspicaz, reservado, destemido, contemplativo, sincero, transparente, delicado, paciente. Tantas coisas boas que, mais ou menos naturalmente, podem despertar e ser alvo de pedagogias para se fazerem mais realidade existencial. Nessas atitudes est\u00e3o todas as linhas com que se \u201cdesenha\u201d e faz um Homem.   <br \/> <i> Esta crian\u00e7a pode ser inspiradora para uma espiritualidade crist\u00e3 adulta?<\/i>  Se n\u00e3o vos tornardes crian\u00e7as n\u00e3o entrareis no Reino \u2026 (Mc 10, 15). O Reino \u00e9 para crian\u00e7as. As palavras de Jesus n\u00e3o deixam lugar a d\u00favidas. Mas o apelo de Jesus n\u00e3o \u00e9, de todo, um convite ao infantilismo ou \u00e0 imaturidade. A possibilidade de inspira\u00e7\u00e3o de uma espiritualidade crist\u00e3 adulta na crian\u00e7a que \u00e9 o Pastorinho Francisco surge, precisamente, das qualidades da inf\u00e2ncia de Francisco e de todas as crian\u00e7as e j\u00e1 acima referidas. A experi\u00eancia da maturidade crist\u00e3 faz do adulto n\u00e3o apenas uma \u201cpessoa grande\u201d mas sim, e sobretudo, uma \u201cpessoa crescida e a crescer\u201d! Crescer n\u00e3o significa apenas, deste ponto de vista, acrescentar anos \u00e0 vida. \u00c9 sim acrescentar vida aos anos. Espontaneidade, autenticidade e confian\u00e7a s\u00e3o ent\u00e3o, entre muitas outras, tr\u00eas notas que se testemunham em Francisco e que s\u00e3o marcos incontorn\u00e1veis de uma espiritualidade crist\u00e3 adulta.   \u00c9 necess\u00e1rio, por isso, transfigurar a inf\u00e2ncia para se ser crist\u00e3o adulto: Jesus \u00e9 o mesmo ontem, hoje e sempre, mas o homem muda e a hist\u00f3ria altera-se. Para al\u00e9m de todas as mudan\u00e7as e de todas as altera\u00e7\u00f5es, em cada tempo o desafio permanece o mesmo: amar a Deus e aos irm\u00e3os. Ent\u00e3o o desafio permanente da inf\u00e2ncia, em cada tempo que passa, \u00e9 passar para Aquele que n\u00e3o passa. E isso \u00e9 poss\u00edvel em todas as culturas e em todos os enquadramentos. Ent\u00e3o \u201cser crian\u00e7a\u201d, no desafio destas palavras de Jesus, \u00e9 uma experi\u00eancia de plenitude, uma experi\u00eancia de maturidade crist\u00e3, uma express\u00e3o do homem \u201c\u00e0 estatura de Cristo\u201d que confia, \u00e9 aut\u00eantico e espont\u00e2neo! N\u00e3o se trata, portanto, de construir \u201chomens infantis\u201d, mas sim de reparar nos dinamismos da maturidade crist\u00e3 como express\u00f5es de uma inf\u00e2ncia transfigurada que se manifesta e reage com base na simplicidade, alegria, espontaneidade e, sobretudo, confian\u00e7a filial.   <br \/> <i> Que aspectos da experi\u00eancia de Francisco Marto parecem interessantes para um maior aprofundamento teol\u00f3gico?<\/i>  O amor a Deus e a confian\u00e7a nos caminhos por Deus indicados para chegar at\u00e9 Ele. A hist\u00f3ria das apari\u00e7\u00f5es e da vida de Francisco fala-nos, como j\u00e1 referi, de uma crian\u00e7a pac\u00edfica, d\u00f3cil, bondosa, condescendente, com sentido de humor, brincalh\u00e3o, de f\u00e1cil rela\u00e7\u00e3o e amizade, atento e perspicaz, reservado, destemido, contemplativo, sincero, transparente, delicado, paciente.   As mem\u00f3rias em que nos \u00e9 narrada a hist\u00f3ria de Francisco merecem, e t\u00eam j\u00e1 superiormente elaborado, um estudo cr\u00edtico. Mas nunca deixar\u00e1 de impressionar a confian\u00e7a absoluta de Francisco em Deus e a capacidade de relativiza\u00e7\u00e3o do que ele considerava \u201ccoisas sem import\u00e2ncia\u201d. Nunca deixar\u00e1 de impressionar o seu amor e a sua entrega a \u201cJesus escondido\u201d.   O que torna uma crian\u00e7a de nove anos capaz de um amor assim? E o que lhe d\u00e1 for\u00e7a para se tornar desta forma uma \u201coferenda agrad\u00e1vel a Deus\u201d? O amor e a dispers\u00e3o s\u00e3o experi\u00eancias em sentido contr\u00e1rio. O amor unifica sempre. E, embora n\u00e3o limite nunca a extens\u00e3o, o amor valoriza sobretudo a intensidade (n\u00e3o muitas coisas ao mesmo tempo, mas as coisas mais importantes). O amor a Deus e o amor de Deus, suas possibilidades, seus caminhos, parecem-me aspectos teol\u00f3gicos a desenvolver juntamente com o facto de que se aprende a amar a Deus deixando que Deus nos ame. <br \/> <i>Ter crian\u00e7as como modelos da f\u00e9 n\u00e3o poder\u00e1 indicar uma infantiliza\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia religiosa?<\/i>  Um carro de m\u00e3o puxa-se ou empurra-se?! Responder-me-\u00e3o, seguramente, que \u201cdepende\u201d. E, de facto, depende do que se pretende, do \u201cpara onde\u201d se pretende ir, do tipo de \u201ccarro de m\u00e3o\u201d. \u00c9 o mesmo que acontece em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 possibilidade das crian\u00e7as como modelos de f\u00e9 poderem indicar uma infantiliza\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia religiosa. Depende de muitas condicionantes. Tratar-se-ia de infantiliza\u00e7\u00e3o se no horizonte da caminha da crist\u00e3 se perdesse a no\u00e7\u00e3o da finalidade de tudo o que se faz.   Quando um adulto olha para uma crian\u00e7a como modelo de f\u00e9, contempla, sobretudo, a \u201cinoc\u00eancia\u201d dos dinamismos e n\u00e3o tanto a efic\u00e1cia das situa\u00e7\u00f5es. A crian\u00e7a, objectivamente, \u00e9 aquele que se est\u00e1 a fazer, que est\u00e1 em estado de constru\u00e7\u00e3o. Porque est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o tem tamb\u00e9m de saber o que pretende construir. O factor importante na f\u00e9 \u00e9 o acesso \u00e0 Pessoa de Jesus Cristo. E isso tem caminhos e dinamismos pr\u00f3prios.   Acolher a crian\u00e7a como modelo de f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 padronizar a realidade a partir de uma crian\u00e7a e reduzindo o \u00e2mbito da pr\u00f3pria realidade. A isso chamar-se-ia ilus\u00e3o. Acolher a crian\u00e7a como modelo de f\u00e9 \u00e9 ser capaz de purificar as percep\u00e7\u00f5es, \u00e9 ser capaz de abordar o complicado e complexo com a simplicidade superior de quem confia e n\u00e3o alimenta suspei\u00e7\u00f5es.  Quando sorrio para uma crian\u00e7a de meses, regra geral ela corresponde-me (se n\u00e3o a assustar!) com um sorriso. Se brinco com ela, a crian\u00e7a, regra geral, brinca comigo. Se n\u00e3o a assustar. Seguro \u00e9 que n\u00e3o se p\u00f5e a pensar se o meu sorriso \u00e9 ou n\u00e3o verdadeiro, se a minha alegria \u00e9 ou n\u00e3o aut\u00eantica. Corresponde ou n\u00e3o corresponde mas n\u00e3o desconfia nem suspeita.   Acolher a crian\u00e7a como modelo de f\u00e9 \u00e9 reflectir a possibilidade de ser adulto e manter a \u201cinoc\u00eancia\u201d que faz amar sem desconfiar, que faz confiar sem suspeitar. \u00c9 n\u00e3o deixar envelhecer a refer\u00eancia da vida a Deus. E, por isso, com a propriedade que a pr\u00f3pria vida acarreta consigo, ser pac\u00edfico, d\u00f3cil, bondoso, condescendente, com sentido de humor, brincalh\u00e3o, de f\u00e1cil rela\u00e7\u00e3o e amizade, atento e perspicaz, etc, etc, \u00e0 maneira de Francisco.   <br \/> <i> O estudo da figura de Francisco Marto pode levar-nos a reflectir sobre o papel das crian\u00e7as na Igreja. Em que \u00e9 que as crian\u00e7as podem constituir um desafio \u00e0 vida eclesial?<\/i>  Na capacidade de um maior optimismo metaf\u00edsico e, ao mesmo tempo, de um pungente realismo hist\u00f3rico.   A vida eclesial necessita constantemente de se refontalizar em Jesus Cristo e na comunidade apost\u00f3lica. Quando n\u00e3o o faz como exerc\u00edcio quotidiano deixa-se cair em estruturas de \u201cpoliticamente correcto\u201d e acaba sempre limitada na sua miss\u00e3o. A espontaneidade da crian\u00e7a \u00e9 aqui uma li\u00e7\u00e3o enorme. Faz lembrar aquela hist\u00f3ria em que uma m\u00e3e, saindo de casa com o seu filho pequeno para visitar a tia o preveniu de que n\u00e3o devia dizer que tia estava gorda. Ao chegar a casa da tia o mi\u00fado foi o mais espont\u00e2neo poss\u00edvel: \u201c\u00d3 tia, olha, a m\u00e3e disse para eu n\u00e3o dizer que tu estavas gorda!\u201d.  Esta espontaneidade (que n\u00e3o usa para proveito pr\u00f3prio, mas como acesso \u00e0 realidade) e suas implica\u00e7\u00f5es evocam a vida da Igreja, na sua identidade e miss\u00e3o, como servi\u00e7o da salva\u00e7\u00e3o para os homens de hoje, como experi\u00eancia e express\u00e3o de comunh\u00e3o, como anunciadora da Verdade que Cristo \u00e9 e tem para toda a humanidade. A Igreja \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, um Povo novo. Diz\u00ea-lo com desvelo e naturalidade, sem se render a ambientes e modas, \u00e9 o dom do Esp\u00edrito que nos mostra amadurecidos e cativa outros para comungarem connosco. Sempre a Igreja se definiu por esses caminhos. \u00c9 enquanto anuncia que denuncia. A Igreja pode falar da sua miss\u00e3o com alegria e entusiasmo porque, sabendo em Quem coloca a sua confian\u00e7a, tem muito para dar ao mundo. <br \/> <i> Porqu\u00ea o conceito de \u201cdom\u201d para falar de uma crian\u00e7a e da sua experi\u00eancia religiosa?<\/i>  Dom \u00e9 o que melhor a traduz a gratuidade, o prazer (mesmo que, depois, pe\u00e7a esfor\u00e7o) e a liberdade que a crian\u00e7a coloca como \u201cexig\u00eancia\u201d em tudo o que faz. Aquilo que resistir \u00e0s exig\u00eancias de gratuidade, prazer (ser feito com prazer que \u00e9 diferente de ser feito para dar prazer) e liberdade obt\u00e9m da crian\u00e7a a colabora\u00e7\u00e3o e o empenho.   A experi\u00eancia religiosa tamb\u00e9m \u00e9 uma experi\u00eancia de gratuidade total, uma rela\u00e7\u00e3o pessoal com o Mist\u00e9rio de Deus que n\u00e3o possu\u00edmos mas ao qual n\u00e3o conseguimos escapar. Relativiza-nos, mas ao mesmo tempo, sustenta-nos.  S\u00f3 existe o amor e o amor perfeito onde a pessoa se disp\u00f5e a realizar-se como abertura ao outros, como em Cristo. Amar \u00e9 dar a vida. E, antes de tudo, faz\u00ea-lo em gratuidade porque vale a pena querer que o outro seja por si mesmo e n\u00e3o apenas por depend\u00eancia de o pensarmos ou determinarmos.  O Cristianismo parte precisamente desta experi\u00eancia \u2013 a experi\u00eancia de que \u201cDeus ama\u201d cada pessoa, cada homem e cada mulher. E, de facto, o amor \u00e9 o que h\u00e1 de mais real em Deus. Toda a revela\u00e7\u00e3o nos diz que Deus \u00e9 amor. Ali\u00e1s, a mensagem fundamental de Jesus \u00e9 de que Deus \u00e9 amor.   Saber que Deus \u00e9 amor \u00e9, portanto, decisivo para o homem poder tamb\u00e9m amar a Deus: quem n\u00e3o faz a experi\u00eancia de ser amado, na maioria das vezes n\u00e3o sabe nem aprende a amar; muitas das atitudes inacredit\u00e1veis de muitas pessoas acontecem precisamente por causa de nunca terem feito a experi\u00eancia de serem amadas.  Falar do conhecimento de Deus como Amor \u00e9, portanto, reflectir um conhecimento que s\u00f3 se realiza por rela\u00e7\u00e3o e no horizonte da liberdade interpelada. E, de facto, se olharmos bem, toda a Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o pode ser lida \u00e0 luz desta gram\u00e1tica do amor para dizer Deus. Amar, ent\u00e3o, \u00e9 viver para o outro (dom) e \u00e9 viver do outro e pelo outro (acolhimento). O amor sup\u00f5e a alteridade. Francisco descobriu Deus e entregou-se-Lhe totalmente. Que realidade melhor do que o conceito de \u201cdom\u201d para expressar essa entrega?!  Agora, na sua vida, depois da descoberta de Deus, o amor torna-se cuidado do outro e pelo outro. J\u00e1 n\u00e3o se busca a si pr\u00f3prio \u2013 como dizia o Santo Padre, o Papa Bento XVI &#8211; n\u00e3o busca a imers\u00e3o no inebriamento da felicidade; procura, ao inv\u00e9s, o bem do amado: torna-se ren\u00fancia, est\u00e1 disposto ao sacrif\u00edcio, antes procura-o (Cf. DCE 6). \u00c9 dom.   <br \/> <i> Que expectativas tem em rela\u00e7\u00e3o a este Congresso sobre Francisco Marto?<\/i>  A grande expectativa \u00e9 ver valorizada a pessoa e figura de Francisco Marto, das express\u00f5es de santidade por ele vividas e exercitadas e que, desta forma, se mostrar\u00e3o ainda mais como experi\u00eancias acess\u00edveis e actuais para todo e qualquer tempo.   Al\u00e9m disso, e na medida em que o Congresso ser\u00e1 ocasi\u00e3o de comungar e fazer comungar os diversos saberes e \u00e1reas da vida real em que as crian\u00e7as vivem e crescem, alimento tamb\u00e9m a expectativa de uma contribui\u00e7\u00e3o efectiva do Congresso para a percep\u00e7\u00e3o da necessidade de lutar por condi\u00e7\u00f5es que ajudem a preservar para toda a humanidade a oportunidade de, no momento pr\u00f3prio, todos podermos ser crian\u00e7as, termos tempo de brincar e termos tempo de crescer para o dom.  <i>Sala de Imprensa do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A um m\u00eas do encerramento das comemora\u00e7\u00f5es do Centen\u00e1rio do Nascimento de Francisco Marto (11.06.1908), o Santu\u00e1rio de F\u00e1tima prepara a iniciativa final: o Congresso \u201cFrancisco Marto: crescer para o dom\u201d. Este congresso, com um programa que prop\u00f5e uma variedade de temas que possibilitar\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o de pessoas com diferentes forma\u00e7\u00f5es e interesses, ser\u00e1 portanto [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[120,127,154,193,199,207],"class_list":["post-38858","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-bento-xvi","tag-catequese","tag-crianca","tag-educacao","tag-espiritualidade","tag-fatima"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38858","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38858"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38858\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38858"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38858"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38858"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}