{"id":38844,"date":"2009-05-13T12:35:30","date_gmt":"2009-05-13T12:35:30","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/05\/13\/a-igreja-caminha-com-os-pobres\/"},"modified":"2009-05-13T12:35:30","modified_gmt":"2009-05-13T12:35:30","slug":"a-igreja-caminha-com-os-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-igreja-caminha-com-os-pobres\/","title":{"rendered":"A Igreja caminha com os pobres"},"content":{"rendered":"<p>A situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica do pa\u00eds, somada \u00e0 realidade econ\u00f3mica global, tem levado muitas pessoas e muitas fam\u00edlias para experi\u00eancias de pobreza extrema. As causas s\u00e3o de todos conhecidas. A Igreja \u00e9 m\u00e3e e, como tal, deve estar atenta \u00e0 vida concreta dos seus filhos. E, quando se coloca a realidade da fome e da pobreza, a Igreja reconhece que todos s\u00e3o seus filhos, procura estar atenta e oferecer a todos das suas poucas possibilidades.  Mas o milagre acontece. Atrav\u00e9s da partilha dos bens materiais, dos dons da intelig\u00eancia, do tempo, em atitude de generosidade e de amor fraterno, implorando do Esp\u00edrito de Deus a luz para uma criatividade empenhada na edifica\u00e7\u00e3o da causa comum, a Comunidade crist\u00e3 sente a alegria da multiplica\u00e7\u00e3o dos seus poucos recursos, dando, deste modo, resposta a tantas situa\u00e7\u00f5es que ferem a mais leg\u00edtima dignidade humana. Se estivermos atentos, n\u00e3o h\u00e1 diocese, par\u00f3quia ou grupo apost\u00f3lico que n\u00e3o tenha sido motivado para esta causa. Em tempo de Quaresma, mais sens\u00edvel para a partilha, ou em outras \u00e9pocas do ano, a Igreja em Portugal tem manifestado, com gestos concretos, n\u00e3o s\u00f3 que acredita na for\u00e7a da pastilha, do amor e da generosidade, mas que estes passam pela actua\u00e7\u00e3o real em favor dos que mais sofrem. Recordemos algumas iniciativas. Na diocese do Porto, o Senhor Bispo, Dom Manuel Clemente, alertou, em diversas ocasi\u00f5es, para a situa\u00e7\u00e3o de fome que estava a grassar na Regi\u00e3o Norte, a mais atingida pelo desemprego. Convidou os Sacerdotes, membros do Conselho Presbiteral, e os Vig\u00e1rios da Vara, os membros do Conselho Pastoral e outros organismos a uma reflex\u00e3o cientificamente aprofundada, n\u00e3o s\u00f3 das causas, mas da extens\u00e3o do problema, incentivou as respostas imediatas que come\u00e7aram a surgir de grupos, par\u00f3quias e organismos. Reuniu com os organismos diocesanos coordenadores das diversas \u00e1reas da Pastoral Social diocesana para o estudo e a proposta de solu\u00e7\u00f5es que respondam \u00e0 situa\u00e7\u00e3o dos diocesanos mais carenciados e afectados pela realidade social e econ\u00f3mica presente. Promoveu-se um fundo econ\u00f3mico de ajuda a crian\u00e7as carenciadas em idade escolar. Valorizou-se e apoiou-se positivamente algumas respostas imediatas de matar a fome aos que dela padecem. N\u00e3o h\u00e1 Regi\u00e3o Pastoral, Vigararia, par\u00f3quia ou organismo apost\u00f3lico que n\u00e3o tenha sido sensibilizado para esta causa que deve atingir a todos. Foi bastante noticiado o que se est\u00e1 a fazer a n\u00edvel do Patriarcado de Lisboa e em muitas outras dioceses do Pa\u00eds. A Associa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 de Empres\u00e1rios e Gestores (ACEGE) realizou, a meados do m\u00eas de Abril, umas Jornadas de reflex\u00e3o sobre perspectivas a abrir pelos empres\u00e1rios, norteados pela doutrina social da Igreja, para responderem, de forma criativa e inovadora, \u00e0 situa\u00e7\u00e3o social e econ\u00f3mica actual. A Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa ir\u00e1 realizar uma Jornada, no dia 15 de Maio, na FIL, em Lisboa, para uma reflex\u00e3o sobre novos caminhos para a \u00abfantasia da caridade\u00bb e novas propostas para uma solidariedade mais efectiva, ajudando a dignificar o ser humano, n\u00e3o apenas pela partilha material, mas pela oferta de trabalho, reconhecendo que este \u00e9 uma dimens\u00e3o integrante da sua dignidade como pessoa humana. Por\u00e9m, a Igreja, como M\u00e3e, com estes gestos concretos, quer oferecer a realidade que mais atinge a sensibilidade e o cora\u00e7\u00e3o humano, a esperan\u00e7a. Por isso, quer convidar a todos a recolocarem-se nos caminhos, muita vezes dif\u00edceis, duros e a exigirem um redobrado esfor\u00e7o, que conduzem \u00e0 esperan\u00e7a fundamentada. A Igreja, enquanto Comunidade crist\u00e3, reconhece que entre os seus membros e na sua ac\u00e7\u00e3o no meio do mundo, a partilha n\u00e3o \u00e9 de alguns para os outros, mas \u00e9 entre todos. Ela acredita que cada um e todos em conjunto t\u00eam algo a partilhar. O ser humano quando motivado pelo Amor tem capacidades nunca imaginadas. S\u00f3 no exerc\u00edcio do Amor as reconhece. Recordemos as palavras de Bento XVI:\u00abA Igreja nunca poder\u00e1 ser dispensada da pr\u00e1tica da caridade enquanto actividade organizada dos crentes, como ali\u00e1s nunca haver\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o onde n\u00e3o seja precisa a caridade de cada um dos crist\u00e3os, porque o ser humano, al\u00e9m da justi\u00e7a, tem e ter\u00e1 sempre necessidade do amor\u00bb (DCEst, 29). E, numa outra passagem, referindo-se \u00e0 linguagem eloquente do Amor, sublinha o seguinte: \u00abDeus \u00e9 amor e torna-se presente precisamente nos momentos em que nada mais se faz a n\u00e3o ser amar. Sabe (\u2026) que o desprezo do amor \u00e9 desprezo de Deus e do ser humano, \u00e9 a tentativa de prescindir de Deus. Consequentemente, a melhor defesa de Deus e do ser humano consiste, precisamente, no amor\u00bb (ib.,31). E, voltando-se para os crist\u00e3os e para as organiza\u00e7\u00f5es caritativas da Igreja, incentiva-as a refor\u00e7ar de tal modo esta consci\u00eancia que, os seus membros, atrav\u00e9s do seu agir, como atrav\u00e9s do seu falar, do seu sil\u00eancio e do seu exemplo, se tornem testemunhas cred\u00edveis de Cristo (cfr. ib., 31). S\u00f3 Deus julga o mundo, as suas inten\u00e7\u00f5es e os seus actos. Pela ac\u00e7\u00e3o do Amor estamos a oferecer a verdadeira inst\u00e2ncia do julgamento da verdade, da justi\u00e7a, do belo e do bem. Vem a prop\u00f3sito lembrar as palavras de S. Paulo: \u00abJulguei n\u00e3o dever saber coisa alguma entre v\u00f3s a n\u00e3o ser Jesus Cristo, e Este crucificado\u00bb (1Cor. 2, 2).  <i>D. Jo\u00e3o Lavrador, Bispo Auxiliar do Porto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica do pa\u00eds, somada \u00e0 realidade econ\u00f3mica global, tem levado muitas pessoas e muitas fam\u00edlias para experi\u00eancias de pobreza extrema. As causas s\u00e3o de todos conhecidas. A Igreja \u00e9 m\u00e3e e, como tal, deve estar atenta \u00e0 vida concreta dos seus filhos. 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