{"id":38830,"date":"2009-05-13T11:08:37","date_gmt":"2009-05-13T11:08:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/05\/13\/homilia-na-peregrinacao-internacional-aniversaria-do-13-de-maio\/"},"modified":"2009-05-13T11:08:37","modified_gmt":"2009-05-13T11:08:37","slug":"homilia-na-peregrinacao-internacional-aniversaria-do-13-de-maio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-na-peregrinacao-internacional-aniversaria-do-13-de-maio\/","title":{"rendered":"Homilia na peregrina\u00e7\u00e3o internacional aniversaria do 13 de Maio"},"content":{"rendered":"<p>\t \u201cA 13 de Maio na Cova da Iria apareceu brilhando a Virgem Maria&#8230;\u201d Com quanto gozo e alegria, F\u00e1tima e todo o mundo se alegram, desde h\u00e1 noventa e dois anos, por esta grande d\u00e1diva imerecida da presen\u00e7a amorosa de Nossa Senhora!  \tAgrade\u00e7o a honra que me d\u00e1 o Senhor Bispo D. Ant\u00f3nio Augusto dos Santos Marto, para presidir a esta solene celebra\u00e7\u00e3o, e quero, em primeiro lugar, trazer-vos as sauda\u00e7\u00f5es e o amor do povo de Deus que peregrina nas Honduras, a minha p\u00e1tria de origem, um pa\u00eds pequeno de somente 112.000 quil\u00f3metros quadrados e sete milh\u00f5es de habitantes, mas onde se ama tamb\u00e9m intensamente a Virgem Maria sob a invoca\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora de Suyapa, precisamente porque Maria caminha com os nossos povos.  \tNa vida da Igreja, destaca-se a figura da Virgem Maria, venerada como M\u00e3e de Jesus e M\u00e3e da Igreja. Desde o come\u00e7o da evangeliza\u00e7\u00e3o, s\u00e3o incont\u00e1veis as comunidades que encontraram nela a inspira\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima para aprender como ser disc\u00edpulos e mission\u00e1rios de Jesus.  \tCom alegria constatamos que Ela se fez parte do caminhar de cada um dos nossos povos, entrando profundamente no tecido da sua hist\u00f3ria e recebendo os tra\u00e7os mais nobres e significativos das suas gentes. As diversas invoca\u00e7\u00f5es e os santu\u00e1rios, espalhados, ao longe e ao largo, por todo o mundo, testemunham a presen\u00e7a pr\u00f3xima de Maria aos povos e, ao mesmo tempo, manifestam a f\u00e9 e a confian\u00e7a que os devotos sentimos por ela.  \tA Virgem pertence-nos e sentimo-la como m\u00e3e e irm\u00e3. A hist\u00f3ria da maioria dos santu\u00e1rios de todas as partes testemunha o carinho especial de Maria pelos pequenos e insignificantes deste mundo. A devo\u00e7\u00e3o mariana com a sua multiplicidade de express\u00f5es culturais, diz-nos que o Evangelho se inculturou nas fei\u00e7\u00f5es brancas, \u00edndias, crioulas, negras e mesti\u00e7as com que se apresenta a Virgem, revelando nisso o rosto compassivo e materno de Deus para com o seu povo.  \tJo\u00e3o Paulo II chamou-lhe \u201cM\u00e3e e Evangelizadora do mundo, Estrela da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d e convidou a implorar dela \u201ca for\u00e7a para anunciar com valentia a Palavra na tarefa da nova evangeliza\u00e7\u00e3o, para corroborar a esperan\u00e7a no mundo\u201d.  \tNa primeira apari\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora de F\u00e1tima, parecia que estava perdida toda a esperan\u00e7a. Amea\u00e7as terr\u00edveis espreitavam o mundo. Ela veio trazer-nos a esperan\u00e7a que brota da Divina Provid\u00eancia de um Deus que \u00e9 amor e que n\u00e3o abandona a obra das suas m\u00e3os. A esperan\u00e7a de que nos falou tanto o Papa Bento XVI, na sua segunda enc\u00edclica \u201cSpe salvi\u201d, com as seguintes palavras: \u201cA vida humana \u00e9 um caminho. Para que meta? Como encontramos o rumo? A vida \u00e9 como uma viagem pelo mar da hist\u00f3ria, ami\u00fade obscuro e borrascoso, uma viagem em que esquadrinhamos os astros que no indicam o caminho. As verdadeiras estrelas da nossa vida s\u00e3o as pessoas que souberam viver rectamente. Elas s\u00e3o luzes de esperan\u00e7a. Jesus Cristo \u00e9 certamente a luz por antonom\u00e1sia, o sol que brilha sobre todas as trevas da hist\u00f3ria. Mas para chegar at\u00e9 Ele necessitamos tamb\u00e9m de luzes pr\u00f3ximas, de pessoas que d\u00e3o luz, reflectindo a luz de Cristo, oferecendo assim orienta\u00e7\u00e3o para a nossa travessia. E quem melhor que Maria poderia ser para n\u00f3s estrela de esperan\u00e7a, Ela que com o seu \u201csim\u201d abriu a porta do nosso mundo ao pr\u00f3prio Deus, Ela que se converteu na Arca vivente da Alian\u00e7a, em que Deus se fez carne, se fez um de n\u00f3s, implantou a sua tenda entre n\u00f3s (cf. Jo 1, 14)? (SS 49).  \tTamb\u00e9m agora o nosso mundo se encontra submerso em profundas crises de f\u00e9, de \u00e9tica, de humanidade e parece ter perdido a orienta\u00e7\u00e3o moral. J\u00e1 n\u00e3o sabe onde est\u00e1 a fronteira entre o bem e o mal. Pode ser que tenha uma pr\u00f3spera bolsa de valores, mas sem valores. A crise financeira que estamos a viver \u00e9 simplesmente um sinal disto. A m\u00e3o invis\u00edvel que supostamente teria que guiar o mercado, tornou-se uma m\u00e3o desonesta e cheia de cobi\u00e7a.  \tHoje tamb\u00e9m, com o exemplo e o aux\u00edlio da Virgem, as comunidades crist\u00e3s continuam a miss\u00e3o de conduzir ao encontro com Cristo e, por isso, a invocamos novamente como Estrela da nova evangeliza\u00e7\u00e3o.  \tAos olhos e ao cora\u00e7\u00e3o dos crentes, Maria aparece como:  \ta) Mulher de f\u00e9: Aceita e faz seu o projecto de Deus Pai. Com o seu \u201csim\u201d, convida a abrir o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 confian\u00e7a em Deus e ao abandono confiado na sua prudente condu\u00e7\u00e3o. \tNela aprendemos a descobrir o rosto materno de Deus, rico em piedade e miseric\u00f3rdia, e a confiar no seu amor paternal. \tA M\u00e3e de Jesus, mostra-nos o \u201cfruto bendito do seu ventre\u201d, \u201cCaminho, Verdade e Vida\u201d, do qual queremos ser disc\u00edpulos, e, cheia do Esp\u00edrito Santo, ensina-nos a transformar os diversos momentos da vida humana na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o.  \tb) Mulher servi\u00e7al e solid\u00e1ria: Com os olhos postos nos seus filhos e nas suas necessidades, como em Can\u00e1 da Galileia, Maria ajuda a manter vivas as atitudes de aten\u00e7\u00e3o, de servi\u00e7o, de entrega e de gratuidade que devem distinguir os disc\u00edpulos do seu Filho. Indica, al\u00e9m disso, qual \u00e9 a pedagogia para que os pobres, em cada comunidade crist\u00e3, \u201cse sintam como em sua casa (NMI 50).  \tc) Mulher de esperan\u00e7a: Junto \u00e0 cruz de Jesus, onde nos gerou novamente como filhos, continua a acompanhar a dor dos nossos povos sofredores, convidando os disc\u00edpulos do seu Filho a percorrer com maior coer\u00eancia e aud\u00e1cia o caminho de se tornarem pr\u00f3ximos, para construir mais justi\u00e7a e solidariedade e desenvolver uma nova \u201cimagina\u00e7\u00e3o da caridade\u201d.  d) M\u00e3e e formadora de comunidades de disc\u00edpulos mission\u00e1rios: Cria comunh\u00e3o e educa para um estilo de vida partilhada, em fraternidade, em aten\u00e7\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o do pr\u00f3ximo, especialmente se \u00e9 pobre ou necessitado. Nas nossas comunidades, a sua forte presen\u00e7a enriqueceu e continuar\u00e1 a enriquecer a dimens\u00e3o materna da Igreja na sua atitude acolhedora, que a converte em \u201ccasa e escola da comunh\u00e3o\u201d (NMI 43), e em espa\u00e7o espiritual que prepara para a miss\u00e3o. Maria, m\u00e3e dos disc\u00edpulos mission\u00e1rios, tamb\u00e9m caminha connosco. Ela f\u00e1-lo como disc\u00edpula, porque acreditou firmemente que o anunciado por Cristo se cumprir\u00e1. F\u00e1-lo como mission\u00e1ria porque \u2013 diferentemente dos ap\u00f3stolos que proclamam a Palavra \u2013 d\u00e1 \u00e0 luz Jesus, Palavra de Deus, conte\u00fado da proclama\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica. Caminha connosco como mulher solid\u00e1ria, porque oferece o seu ser, a sua intercess\u00e3o e os seus santu\u00e1rios para atender as nossas necessidades. Caminha como nova Arca da Alian\u00e7a, habitada pela Palavra viva de Deus, e como serva do Senhor que, pela sua escuta e obedi\u00eancia, tem a experi\u00eancia de grandes coisas que o Poderoso faz nela e com ela. Ela \u00e9 sobretudo modelo do disc\u00edpulo mission\u00e1rio que abre a sua vida ao acontecimento salv\u00edfico trinit\u00e1rio.  Maria, a m\u00e3e da Igreja, acompanha os ap\u00f3stolos e disc\u00edpulos em Pentecostes. Com eles espera a luz plena que prov\u00e9m do Esp\u00edrito (cf. Jo 14, 25; 16, 13). Como eles, realiza o processo caracter\u00edstico de uma f\u00e9 que cresce na compreens\u00e3o e pr\u00e1tica do projecto salvador do Pai (cf. Lc 8, 15.21).  Mas h\u00e1 outro aspecto muito importante que n\u00e3o posso deixar de mencionar: a Virgem de F\u00e1tima trouxe-nos a mensagem do Santo Ros\u00e1rio que n\u00e3o passou de moda, como pensam alguns.  O ros\u00e1rio abrevia o essencial do Evangelho e coloca-o profundamente em n\u00f3s, at\u00e9 que no cora\u00e7\u00e3o se sinta o eco da Boa Nova de Deus. \u00c9 como uma semente que se coloca no sulco e germina, cresce, amadurece, at\u00e9 que d\u00e1 frutos de vida: os frutos do Reino. O ros\u00e1rio \u00e9 uma ora\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se limita \u00e0 simples repeti\u00e7\u00e3o, como se estivesse carecida de criatividade, \u00e9 antes como uma roda de moinho de \u00e1gua, que em cada movimento sempre traz algo de novo. O ros\u00e1rio \u00e9 como o b\u00fazio marinho que capta em si o eco de todo o canto do mar. Nunca nos cansamos de ouvi-lo, quando o colocamos nos nossos ouvidos. O ros\u00e1rio \u00e9 como a coroa de flores que os pr\u00edncipes colocavam na fronte das suas amadas. Cada rosa e cada gesto \u00e9 uma bela poesia de amor. \u00c9 assim como n\u00f3s tomamos esse ros\u00e1rio \u2013 ou coroa de rosas \u2013 para ir ao encontro de Jesus e de Maria, no amor da Sant\u00edssima Trindade. Por isso, Paulo VI dizia que, \u201cse o ros\u00e1rio n\u00e3o for uma ora\u00e7\u00e3o contemplativa, \u00e9 um corpo sem alma, um cad\u00e1ver\u201d (Marialis Cultus, 47).  Por isso, orar com o ros\u00e1rio \u00e9 muito mais do que parece \u00e0 primeira vista. O importante do ros\u00e1rio \u00e9 que, limitando a ora\u00e7\u00e3o a poucas palavras, repetidas lentamente, o cora\u00e7\u00e3o vai absorvendo no seu interior a luz de Deus que brilhou em Maria e somos assim conduzidos ao servi\u00e7o ao mundo que a caracterizou.  O ros\u00e1rio, em s\u00edntese, centra-se na contempla\u00e7\u00e3o do Evangelho em comunh\u00e3o com Aquela que guardava todas estas coisas, meditando-as no seu cora\u00e7\u00e3o (Lc 2, 19).  Em cada dezena do ros\u00e1rio repousamos amorosamente as agita\u00e7\u00f5es da nossa respira\u00e7\u00e3o at\u00e9 que suscite no nosso cora\u00e7\u00e3o orante uma din\u00e2mica interior que remova da nossa vida as suas in\u00e9rcias e nos ponha a voar alto nas profundidades de Deus.  Por \u00faltimo: no mais recente S\u00ednodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus na vida da Igreja, somos exortados a dar cada vez mais import\u00e2ncia \u00e0 leitura orante da Palavra de Deus. Aqui, tamb\u00e9m encontramos a ora\u00e7\u00e3o b\u00edblica da Ave-Maria, como uma escola de ora\u00e7\u00e3o que acompanha o exerc\u00edcio espiritual da \u201cLectio Divina\u201d.  A \u201cAve-Maria\u201d \u00e9 uma escola de ora\u00e7\u00e3o b\u00edblica.  Se tomamos consci\u00eancia do valor de cada uma das suas palavras, a nossa ora\u00e7\u00e3o crescer\u00e1 mais pelas rotas do Esp\u00edrito.  N\u00e3o necessitamos de uma palavra que sirva de \u201cmanancial\u201d inicial, porque esta j\u00e1 foi dada no \u201cPai-Nosso\u201d, com o grito \u201cAbb\u00e1\u201d, o qual permanece no horizonte de toda a ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3.  Com a \u201cAve-Maria\u201d o que fazemos \u00e9 um aprofundamento.  Como o \u201cPai-Nosso\u201d, a \u201cAve-Maria\u201d tem dois movimentos que reproduzem o palpitar do cora\u00e7\u00e3o: o duplo movimento oracional do louvor e da s\u00faplica.  O primeiro movimento \u00e9 de louvor e come\u00e7a com o \u201cAve Maria\u201d. O segundo movimento \u00e9 de s\u00faplica e come\u00e7a com o \u201cSanta Maria, M\u00e3e de Deus\u201d.  O mais belo \u00e9 que, enquanto nos dirigimos a Maria em louvor e s\u00faplica, ao mesmo tempo, juntamente com Ela, nos dirigimos a Jesus, que \u00e9 o motivo do nosso louvor e o fundamento de toda a invoca\u00e7\u00e3o. Revivemos com Maria os mist\u00e9rios salv\u00edficos do seu Filho e com Ela os meditamos no nosso cora\u00e7\u00e3o.  Ao mesmo tempo, juntamente com Ela, podemos pedir juntos a interven\u00e7\u00e3o do Senhor pelas nossas necessidades particulares.   \u00c9 interessante e sempre novo: trata-se de um exerc\u00edcio espiritual tremendo. Com este tipo de ora\u00e7\u00e3o t\u00e3o privilegiado, o nosso cora\u00e7\u00e3o vive uma tripla aten\u00e7\u00e3o: a Maria, a Jesus e \u00e0s necessidades actuais de todas as pessoas. Por isso, \u00e9 algo actual e nunca passar\u00e1.  Que Nossa Senhora de F\u00e1tima, que concebeu primeiro a Jesus Cristo no cora\u00e7\u00e3o e depois nas suas entranhas, continue sendo m\u00e3e e modelo de fecundos disc\u00edpulos mission\u00e1rios na Igreja de Portugal e de todo o mundo e nos guie nos novos caminhos pastorais e espirituais para que de todos n\u00f3s, que tanto veneramos a sua Sant\u00edssima M\u00e3e, tenhamos vida em Jesus Cristo. \u00c1men.  \t Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, 13 de Maio de 2009.  <i>\u00d3scar Andr\u00e9s Rodriguez Maradiaga, S. D. B., Cardeal Arcebispo de Tegucigalpa, Honduras<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA 13 de Maio na Cova da Iria apareceu brilhando a Virgem Maria&#8230;\u201d Com quanto gozo e alegria, F\u00e1tima e todo o mundo se alegram, desde h\u00e1 noventa e dois anos, por esta grande d\u00e1diva imerecida da presen\u00e7a amorosa de Nossa Senhora! Agrade\u00e7o a honra que me d\u00e1 o Senhor Bispo D. 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