{"id":38799,"date":"2009-05-12T11:18:30","date_gmt":"2009-05-12T11:18:30","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/05\/12\/um-pulpito-para-escutar\/"},"modified":"2009-05-12T11:18:30","modified_gmt":"2009-05-12T11:18:30","slug":"um-pulpito-para-escutar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-pulpito-para-escutar\/","title":{"rendered":"Um <i>p\u00falpito<\/i> para escutar"},"content":{"rendered":"<p>Tradicionalmente, o p\u00falpito serviu para o sacerdote transmitir o seu serm\u00e3o aos fi\u00e9is. Actualmente, \u00e9 o amb\u00e3o o lugar de que ele se serve para fazer a sua homilia. Na Liturgia da Igreja, celebramos a f\u00e9 atrav\u00e9s de palavras e gestos organizados em favor de uma comunidade que se re\u00fane. A Liturgia \u00e9, sobretudo, de e para a comunidade, onde cada crente se integra. Desde o in\u00edcio da minha experi\u00eancia pela Internet ressoou a pergunta: \u2013 Onde \u00e9 que est\u00e1 o \u201cp\u00falpito\u201d para dar voz aos fi\u00e9is, uma voz que n\u00e3o seja generalizadora, mas que seja a voz real de quem se dirige a Deus desde o seu profundo, muitas vezes sintomatizada em dramas que nem sempre encontram eco incisivo na \u201cvoz lit\u00fargica\u201d? Esta cis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um problema da Liturgia! Talvez seja um dos efeitos da rara disponibilidade que hoje os ministros de Deus t\u00eam para escutar os indiv\u00edduos. \u201cMuitas vozes, poucos ouvidos\u201d poder\u00e1 ser a caracteriza\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica de novos \u201cmutantes\u201d em que se poder\u00e3o estar a transformar os homens na sociedade em que vivemos. \u00c9 aqui que me parece que as novas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o nos v\u00eam dar um aux\u00edlio precioso no servi\u00e7o de acompanhamento humano, preenchendo uma lacuna existente entre a rela\u00e7\u00e3o entre pastores e fi\u00e9is. Hoje, para sublinhar o encontro humano de qualidade n\u00e3o frequente entre os padres e as multid\u00f5es de fi\u00e9is, incluindo as multid\u00f5es de n\u00e3o crentes, defende-se que n\u00e3o h\u00e1 nada que substitua o encontro pessoal. E nesta verdade se descansa, mesmo se n\u00e3o se d\u00e1 muito tempo para acolher pessoalmente, t\u00e3o atarefados que estamos, os presb\u00edteros, com actividades e estruturas. E, aqui mesmo, paro para perguntar: \u2013 O que \u00e9 mesmo o \u201cencontro humano\u201d? Quais s\u00e3o as suas caracter\u00edsticas principais? Ser\u00e1 s\u00f3 o encontro \u201cem carne e osso\u201d? E como definir a voz do \u201ceu\u201d profundo, capaz de verbalizar o que presencialmente \u00e9 sempre dif\u00edcil, a n\u00e3o ser pela amb\u00edgua apar\u00eancia dos gestos e disposi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas? Esta defesa do encontro humano tamb\u00e9m costuma protelar o real encontro cara-a-cara que as pessoas tanto esperam. Este encontro \u00e9 mesmo muito importante, seja na forma presencial, porventura a mais marcante, seja noutras formas hoje possibilitadas atrav\u00e9s das novas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o. Partilho a minha experi\u00eancia: Em www.padretojo.net, para al\u00e9m da partilha de subs\u00eddios, apontadores \u00fateis e conte\u00fado tem\u00e1tico, encontra-se \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o um \u201cp\u00falpito para escutar\u201d. A ideia de desenvolver este discreto \u201cp\u00falpito\u201d aconteceu quando, nas estat\u00edsticas experi\u00eancia inicial daquele s\u00edtio, observei que as pessoas que me escreviam (mais de 50 %!) procuravam a palavra \u201cpadre\u201d atrav\u00e9s do Google. Eram, na maioria, pessoas desconhecidas que procuravam um representante de Deus para desabafar os seus dramas mais profundos, sem crivos de preconceito. Desde ent\u00e3o, leio as quest\u00f5es que me apresentam. Tento responder com a poss\u00edvel rapidez e brevidade. Se \u00e9 necess\u00e1ria uma resposta mais qualificada, anuncio a mesma atrav\u00e9s de um \u201col\u00e1\u201d simples que promete uma resposta mais qualificada.  Depois de alguns anos, esta experi\u00eancia \u201camarra-me\u201d ao computador. Compaginando esta aventura da rela\u00e7\u00e3o humana com muitas outras responsabilidades, acolho pessoas quer em encontros presenciais, quer atrav\u00e9s da Internet, umas vezes em tempo real (Instant Messenger, Skype\u2026), outras, a maioria, atrav\u00e9s do \u201cp\u00falpito\u201d, via e-mail. Este \u00e9 o meio mais frequente para quem tem tido necessidade de p\u00f4r quest\u00f5es dram\u00e1ticas, muitas vezes dif\u00edceis de apresentar em tempo real. Devo dizer tamb\u00e9m que este meio \u00e9 o mais profundo, porque a pessoa \u00e9 capaz de p\u00f4r as quest\u00f5es de forma mais descritiva, que muitas vezes n\u00e3o se tem em directo. Podemos dizer que a verbaliza\u00e7\u00e3o como ponto de partida psicol\u00f3gico para a resolu\u00e7\u00e3o de problemas est\u00e1 hoje tamb\u00e9m na ponta dos nossos dedos.  A possibilidade que estes novos meios oferecem de comunicar sem ser em tempo real possibilita-nos n\u00e3o estar sempre diante do computador, de forma a poder integrar este meio e a comunica\u00e7\u00e3o que com ele se desenvolve com a vida quotidiana, procurando e oferecendo em profundidade. Assim o centro da comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 tanto o computador e a Internet, mas a pessoa e as suas circunst\u00e2ncias. Enfim, estou certo de que estas novas formas de rela\u00e7\u00e3o proporcionadas pelos novos meios de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o um \u201clugar proped\u00eautico\u201d do encontro humano e sacramental que n\u00e3o se deve pastoralmente desaproveitar.  <i>Pe. Ant\u00f3nio Jorge, padretojo.net <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tradicionalmente, o p\u00falpito serviu para o sacerdote transmitir o seu serm\u00e3o aos fi\u00e9is. Actualmente, \u00e9 o amb\u00e3o o lugar de que ele se serve para fazer a sua homilia. 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