{"id":38798,"date":"2009-05-12T11:16:20","date_gmt":"2009-05-12T11:16:20","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/05\/12\/novas-tecnologias-novas-relacoes\/"},"modified":"2009-05-12T11:16:20","modified_gmt":"2009-05-12T11:16:20","slug":"novas-tecnologias-novas-relacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/novas-tecnologias-novas-relacoes\/","title":{"rendered":"Novas tecnologias, novas rela\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Foi no Concilio Vaticano II que a Igreja assumiu com decis\u00e3o a import\u00e2ncia dos Meios de Comunica\u00e7\u00e3o Social (MCS) no mundo contempor\u00e2neo. Do Conc\u00edlio saiu n\u00e3o s\u00f3 um documento (o decreto Inter Mir\u00edfica) como a institui\u00e7\u00e3o de um organismo (a Pontif\u00edcia Comiss\u00e3o para as Comunica\u00e7\u00f5es Sociais) e de um dia especialmente dedicado aos MCS (o Domingo da Ascens\u00e3o), escrevendo cada ano o Papa uma carta sobre um tema neste \u00e2mbito. \u00c9 neste contexto que surge esta Mensagem do Papa para o 43\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, com o t\u00edtulo &#8220;Novas tecnologias, novas rela\u00e7\u00f5es. Promover uma cultura de respeito, de di\u00e1logo, de amizade&#8221;. J\u00e1 no ano de 2002 Jo\u00e3o Paulo II tinha falado da Internet como &#8220;novo foro para a evangeliza\u00e7\u00e3o&#8221;. Quis Bento XVI regressar a este tema, por causa das &#8220;mudan\u00e7as fundamentais nos modelos de comunica\u00e7\u00e3o e nas rela\u00e7\u00f5es humanas&#8221; que o desenvolvimento t\u00e9cnico tem provocado. Mudan\u00e7as que afectam cada vez mais pessoas (em particular os jovens, a quem o Papa chama &#8220;gera\u00e7\u00e3o digital&#8221;) e de um modo cada vez mais profundo. A sua influ\u00eancia n\u00e3o se fica pelas novas formas de comunica\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00e3o (como refere o t\u00edtulo da mensagem), mas chega \u00e0 pr\u00f3pria auto-percep\u00e7\u00e3o que sobretudo os mais novos t\u00eam de si mesmos e do mundo \u00e0 sua volta (pense-se nos sms que os adolescentes se enviam uns aos outros, e cujo n\u00famero acaba por definir a sua &#8220;popularidade&#8221; e influenciar a sua auto-estima).  No texto constata-se uma vis\u00e3o muito positiva do &#8220;potencial extraordin\u00e1rio das novas tecnologias&#8221;, &#8220;verdadeiro dom para a humanidade&#8221;. O &#8220;alcance global e omnipresen\u00e7a da Internet&#8221; permite uma velocidade de comunica\u00e7\u00e3o &#8220;impens\u00e1vel para as gera\u00e7\u00f5es anteriores&#8221;, e s\u00e3o in\u00fameros os benef\u00edcios desta &#8220;nova cultura da comunica\u00e7\u00e3o&#8221;, seja o acesso ao conhecimento ou o contacto entre amigos e familiares geograficamente separados. Bento XVI sublinha que este impulso n\u00e3o \u00e9 novo, pois &#8220;est\u00e1 radicado na nossa pr\u00f3pria natureza: [\u2026] quando nos abrimos aos outros, damos satisfa\u00e7\u00e3o \u00e0s nossas car\u00eancias mais profundas e tornamo-nos de certa forma mais plenamente humanos&#8221;. E n\u00e3o esquece enumerar o uso das redes digitais para &#8220;promover a solidariedade humana, a paz e a justi\u00e7a, os direitos humanos e o respeito pela vida e o bem da cria\u00e7\u00e3o&#8221; (as campanhas da Amnistia Internacional s\u00e3o disso um bom exemplo). O Papa n\u00e3o deixa no entanto de alertar com acerto para os perigos envolvidos. H\u00e1 que cuidar os conte\u00fados, pois \u00e9 de &#8220;excluir aquilo que alimenta o \u00f3dio e a intoler\u00e2ncia, envilece a beleza e intimidade da sexualidade humana&#8221;. Deve-se procurar manter a &#8220;busca da verdade&#8221;, em contraposi\u00e7\u00e3o ao &#8220;mercado de possibilidades indiscriminadas&#8221; (cada vez mais se recorre \u00e0 Internet para aceder \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, sem preocupa\u00e7\u00e3o ou sequer possibilidade de confirmar a veracidade e imparcialidade das fontes). Outros perigos identificados s\u00e3o o af\u00e3 de novidade, onde &#8220;a escolha em si mesma se torna o bem&#8221;; a &#8220;banaliza\u00e7\u00e3o do conceito e da experi\u00eancia da amizade&#8221; e a &#8220;obsess\u00e3o&#8221; pelo virtual que provoca o isolamento no mundo real (quando jovens sem amigos na escola passam depois horas em &#8220;conversa&#8221; no chat ou assumindo uma identidade alternativa no Second Life). O que &#8220;acaba por perturbar as formas de repouso, de sil\u00eancio e de reflex\u00e3o necess\u00e1rias para um s\u00e3o desenvolvimento humano&#8221; (da\u00ed a maior necessidade nas novas gera\u00e7\u00f5es de est\u00edmulos constantes e a dificuldade em lidar com o sil\u00eancio). H\u00e1 ainda um alerta para que os pa\u00edses mais pobres n\u00e3o fiquem exclu\u00eddos do uso destes meios. Em s\u00edntese, a mensagem de Bento XVI revela uma Igreja atenta a este novo fen\u00f3meno, sem cair num fasc\u00ednio acr\u00edtico nem num temor a entrar nele (express\u00e3o dessa aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a recente cria\u00e7\u00e3o de um canal do Vaticano no YouTube). Curiosa \u00e9 a humildade revelada pelo Papa, ao falar dos jovens que &#8220;sentem-se \u00e0 vontade num mundo digital que entretanto para n\u00f3s adultos [\u2026] muitas vezes parece estranho&#8221;. Da\u00ed o convite final que lhes \u00e9 dirigido, a &#8220;assumir com entusiasmo&#8221; a &#8220;evangeliza\u00e7\u00e3o do continente digital&#8221;. Tarefa que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, dada a enorme quantidade de conte\u00fados dispon\u00edveis e a &#8220;luta&#8221; pela aten\u00e7\u00e3o sempre fugaz dos cibernautas. Num mundo pouco favor\u00e1vel a comunica\u00e7\u00f5es mais longas, ter-se-\u00e1 que encontrar outros modos de levar \u00e0 profundidade. E a\u00ed &#8211; como mais uma vez acerta Bento XVI &#8211; a beleza e a criatividade ter\u00e3o o seu papel, seja pela simples presen\u00e7a (o caso dos blogs e sites de inspira\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica), seja pela maneira simples e directa de expressar a Boa Nova (o exemplo dos v\u00eddeos do D. Manuel Clemente).  <i>Pe. Filipe Martins, SJ essejota.net <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi no Concilio Vaticano II que a Igreja assumiu com decis\u00e3o a import\u00e2ncia dos Meios de Comunica\u00e7\u00e3o Social (MCS) no mundo contempor\u00e2neo. 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