{"id":38761,"date":"2009-05-11T10:16:09","date_gmt":"2009-05-11T10:16:09","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/05\/11\/homilia-na-missa-de-accao-de-gracas-pela-canonizacao-de-sao-nuno-de-santa-maria\/"},"modified":"2009-05-11T10:16:09","modified_gmt":"2009-05-11T10:16:09","slug":"homilia-na-missa-de-accao-de-gracas-pela-canonizacao-de-sao-nuno-de-santa-maria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-na-missa-de-accao-de-gracas-pela-canonizacao-de-sao-nuno-de-santa-maria\/","title":{"rendered":"Homilia na Missa de Ac\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as pela canoniza\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Nuno de Santa Maria"},"content":{"rendered":"<p>\u201cAcreditar e amar, itiner\u00e1rio da santidade crist\u00e3\u201d <!--more--> 1. Nestes domingos do tempo pascal a Palavra de Deus conduz-nos \u00e0 compreens\u00e3o da exist\u00eancia crist\u00e3, enquanto viv\u00eancia, desde j\u00e1, da plenitude de vida, inaugurada para a humanidade na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. N\u2019Ele foi-nos revelada a vida; mais, n\u2019Ele foi-nos oferecida a vida. Unindo-nos a Ele, pelo baptismo, somos novas criaturas. Na sua P\u00e1scoa, Cristo afirmou-se definitivamente como a fonte da vida, que n\u00f3s recebemos e experimentamos unidos a Ele. Se vivermos cada momento da nossa exist\u00eancia unidos a Ele, seremos santos, porque a santidade \u00e9, em Deus e em n\u00f3s, a plenitude da vida. Reunimo-nos hoje, aqui, para agradecermos a Deus a santidade de S\u00e3o Nuno de Santa Maria. Viveu e morreu nesta cidade, amou Portugal, viveu profundamente essa radicalidade pascal. Foi santo porque foi um crist\u00e3o fiel. Com a sua intercess\u00e3o e com o seu exemplo, desafia-nos a percorrermos, tamb\u00e9m n\u00f3s, o caminho da santidade na fidelidade. O Ap\u00f3stolo S\u00e3o Jo\u00e3o, no texto que agora escut\u00e1mos, apresenta-nos uma s\u00edntese deste caminho de santidade: \u201c\u00c9 este o Seu mandamento: acreditar no nome de Seu Filho, Jesus Cristo, e amar-nos uns aos outros como Ele nos mandou\u201d. Acreditar e amar, eis o caminho da fidelidade crist\u00e3, que tem a santidade como objectivo.  2. Estas duas atitudes constitutivas da fidelidade crist\u00e3, acreditar e amar, encontram-se na sua ess\u00eancia. A f\u00e9 aut\u00eantica \u00e9 a primeira express\u00e3o da caridade. A f\u00e9 exprime a ousadia da caridade e inclui a obscuridade do amor crist\u00e3o, que n\u00e3o encontra a sua for\u00e7a na alegria humana de amar e de se sentir amado, mas no abandono confiante ao amor gratuito e misterioso com que Deus nos ama em Jesus Cristo. Podemos ser tentados a considerar a nossa f\u00e9 como atitude humana, dif\u00edcil e exigente, mas control\u00e1vel pela nossa intelig\u00eancia e liberdade, porventura como o mais generoso dom que podemos oferecer a Deus. Mas a f\u00e9 aut\u00eantica n\u00e3o radica na nossa generosidade humana, mas no amor misericordioso de Deus, que nos convida e atrai para experi\u00eancias de vida fora do alcance das nossas capacidades humanas. A f\u00e9 n\u00e3o \u00e9, apenas, a atitude humana que nos ajudar\u00e1 a viver bem as nossas capacidades de vida impressas no nosso ser, pelo Criador, mas feridas pelo pecado. A f\u00e9 \u00e9 a experi\u00eancia de viver do ressuscitado, abre-nos a manifesta\u00e7\u00f5es da vida que v\u00e3o muito para al\u00e9m da nossa natureza e nas quais acabamos por identificar a plenitude da vida humana, experi\u00eancia de eternidade vivida j\u00e1 neste mundo. Segundo o Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o, que acab\u00e1mos de escutar, esta experi\u00eancia da f\u00e9 consiste em viver unido a Jesus Cristo, um s\u00f3 com Ele, como a vide est\u00e1 unida \u00e0 cepa. A vida nova do ressuscitado n\u00e3o se imita, partilha-se, a f\u00e9 \u00e9 uma conviv\u00eancia, \u00e9 experi\u00eancia de comunh\u00e3o de amor. Esta uni\u00e3o vital a Jesus Cristo \u00e9 o dom que recebemos no nosso baptismo. Tentar viver a f\u00e9, mesmo com generosidade, como atitude que depende da nossa vontade, sem esta uni\u00e3o total, ao n\u00edvel do ser, com Cristo ressuscitado, \u00e9 abrir as portas da fragilidade da f\u00e9: as d\u00favidas, a coer\u00eancia nas atitudes, na correspond\u00eancia da nossa maneira de viver \u00e0 f\u00e9 que professamos, a dificuldade de celebrar a f\u00e9. Se ela n\u00e3o \u00e9, em n\u00f3s, essa experi\u00eancia de conviv\u00eancia total com Cristo ressuscitado, que nos conhece, nos ama e nos salva, o que \u00e9 que celebramos quando nos reunimos em assembleia?  3. Amar porque se acredita, acreditar sempre que se ama, eis o segredo da unidade e da harmonia da exist\u00eancia crist\u00e3. O que distingue a caridade, a maneira crist\u00e3 de amar, do amor de que todo o ser humano \u00e9 capaz, \u00e9 que a caridade brota dessa uni\u00e3o \u00edntima com Jesus Cristo, qual fruto abundante e diversificado de um mesmo tronco. \u00c9 por isso que quando o crist\u00e3o ama \u00e9 tamb\u00e9m Cristo que ama. A caridade crist\u00e3 \u00e9 sempre express\u00e3o misteriosa do amor trinit\u00e1rio, o amor do Pai pelo seu Filho Jesus Cristo, amor t\u00e3o pessoal que \u00e9 Pessoa, t\u00e3o forte que tudo recria e transforma. A caridade \u00e9 a mais perfeita express\u00e3o da f\u00e9. Em cada acto de amor confessamos a nossa f\u00e9. \u00c9 por isso que nas cartas apost\u00f3licas, tanto S\u00e3o Jo\u00e3o como S\u00e3o Tiago insistem que a f\u00e9 professada, mas n\u00e3o expressa em actos de caridade, \u00e9 falsa. No texto desta Liturgia, S\u00e3o Jo\u00e3o afirma: \u201cquem observa os Seus mandamentos permanece em Deus e Deus nele\u201d, ou seja, \u00e9 a generosidade do amor que exprime a uni\u00e3o vital com Cristo e, por Cristo, com Deus. \u00c9 por isso que a primeira express\u00e3o do amor crist\u00e3o \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o, o saborear silencioso dessa uni\u00e3o de vida com Cristo. O amor a Deus \u00e9 de todas as express\u00f5es do amor crist\u00e3o a que mais exige a f\u00e9: ama-se acreditando e acredita-se amando. Acreditar \u00e9 o \u00fanico caminho, na nossa situa\u00e7\u00e3o de peregrinos, para permanecermos unidos a Cristo, na intimidade do amor divino. \u00c9 viver toda a vida com Deus e em Deus. Escutemos o pr\u00f3prio Jesus: \u201cSe permanecerdes em Mim e as minhas palavras permanecerem em v\u00f3s, pedireis o que quiserdes e ser-vos-\u00e1 concedido\u201d. \u00c9 no seio desta intimidade confiante que somos chamados a amar cada um dos nossos irm\u00e3os como Cristo os ama. Esse \u00e9 o rosto novo da caridade crist\u00e3, comparada com a solidariedade humana. A for\u00e7a e a exig\u00eancia do amor dos irm\u00e3os brota do cora\u00e7\u00e3o de Deus: \u00e9 generosidade gratuita, exprime-se de forma mais pura no amor daqueles que ningu\u00e9m ama, que n\u00e3o apetece amar, de quem n\u00e3o esperamos nada como retribui\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m ent\u00e3o se acredita, amando, porque \u00e9 aceitar que o \u00fanico pr\u00e9mio do amor \u00e9 o amor.  4. Acreditar e amar, este \u00e9 o caminho da santidade. E porque s\u00e3o as atitudes constitutivas da exist\u00eancia crist\u00e3, significa que Deus, ao dar-nos o dom da f\u00e9, nos chama \u00e0 santidade. O risco de uma canoniza\u00e7\u00e3o \u00e9 levar-nos a pensar que os santos como tais reconhecidos pela Igreja, s\u00e3o casos de excep\u00e7\u00e3o; ao contr\u00e1rio, acordam-nos para a meta decisiva do chamamento que Deus nos fez, \u00e0 f\u00e9, ao amor, \u00e0 santidade. Olhemos assim para a proclama\u00e7\u00e3o solene da santidade de um portugu\u00eas, nosso concidad\u00e3o. Em Nuno Alvares Pereira, numa longa vida, variada nas responsabilidades e nas miss\u00f5es a que foi chamado, sempre se evidenciaram a profundidade da sua f\u00e9 e a grandeza da caridade, que levou ao extremo do apagamento humano para que s\u00f3 ficasse o amor. Ele continua a dizer-nos que \u00e9 poss\u00edvel viver com f\u00e9 todas as realidades humanas, sociais, pol\u00edticas, militares, familiares, religiosas; continua a dizer-nos que \u00e9 poss\u00edvel ser santo em todas elas, que se pode viver toda a vida com Deus, que nos vai sugerindo, em cada momento e em cada circunst\u00e2ncia, a maneira de acreditar e de amar. Lisboa, Par\u00f3quia de Santo Condest\u00e1vel, 10 de Maio de 2009 <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAcreditar e amar, itiner\u00e1rio da santidade crist\u00e3\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[246,261,275,300,314],"class_list":["post-38761","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-liturgia","tag-missoes","tag-pascoa","tag-santo-condestavel","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38761","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38761"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38761\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38761"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38761"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38761"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}