{"id":38756,"date":"2009-05-09T15:19:58","date_gmt":"2009-05-09T15:19:58","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/05\/09\/crentes-e-politicos-na-transicao-da-monarquia-para-a-republica\/"},"modified":"2009-05-09T15:19:58","modified_gmt":"2009-05-09T15:19:58","slug":"crentes-e-politicos-na-transicao-da-monarquia-para-a-republica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/crentes-e-politicos-na-transicao-da-monarquia-para-a-republica\/","title":{"rendered":"Crentes e Pol\u00edticos na transi\u00e7\u00e3o da Monarquia para a Rep\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p>A Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa acolhe durante dois dias as Jornadas de Estudo Crentes e pol\u00edticos: protagonistas s\u00f3cio-pol\u00edticos na sociedade portuguesa contempor\u00e2nea. S\u00e3o dias de aprofundamento sobre as personalidades que na vida portuguesa foram determinantes no contexto da viragem da Monarquia para a Rep\u00fablica, sem esquecer o Estado Novo at\u00e9 aos dias da Democracia.  Na tarde de Sexta-feira, as personalidades do C\u00f3nego Jos\u00e9 de Almeida Correia, Ant\u00f3nio Lino Neto, Joaquim Dinis da Fonseca e Manuel Ribeiro, foram apresentados como vision\u00e1rios no seu tempo e personalidades cimeiras no posicionamento dos cat\u00f3licos no regime republicano.   \u201cPerceber a rela\u00e7\u00e3o as motiva\u00e7\u00f5es religiosas e interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, como exerc\u00edcio de cidadania\u201d, foi um dos objectivos tra\u00e7ados por Ant\u00f3nio Matos Ferreira, membro da Comiss\u00e3o Organizadora e do Centro de Estudos de Hist\u00f3ria Religiosa (CEHR) da UCP.   Estas jornadas \u201cpretendem prosseguir o trabalho iniciado em 2008, em torno da \u00abPolitiza\u00e7\u00e3o dos cat\u00f3licos e motiva\u00e7\u00f5es religiosas\u00bb.  Num campo mais amplo, a reflex\u00e3o das jornadas v\u00e3o ainda inserir-se na investiga\u00e7\u00e3o que decorre sobre os cat\u00f3licos portugueses na pol\u00edtica do S\u00e9c. XX, entre duas gera\u00e7\u00f5es \u2013 \u201cAnt\u00f3nio Lino Neto e Francisco Lino Neto\u201d.   Ant\u00f3nio Matos Ferreira indicou as jornadas como um \u201ctrabalho conjunto\u201d. Para al\u00e9m de personalidades que integram o CEHR, outros investigadores foram convidados para \u201cn\u00e3o dizer tudo, mas dispondo-se \u00e0 discuss\u00e3o sobre o que estudamos\u201d.  O C\u00f3nego Jos\u00e9 de Almeida Correia foi recordado por Paulo Alves como um \u201chomem de Igreja, jornalista e pol\u00edtico, e um defensor dos ideais mon\u00e1rquicos e valores nacionalistas\u201d. Esta figura do S\u00e9c. XX esteve em Coimbra, \u201cnuma altura em que fervilhavam as ideias pol\u00edticas, e onde estas mesmas ideias se digladiavam nas p\u00e1ginas dos diferentes jornais\u201d.   Jos\u00e9 Correia de Almeida esteve na origem e na direc\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios t\u00edtulos cat\u00f3licos. \u201cQuando encerrava um, logo na semana seguinte surgia outro t\u00edtulo\u201d, conta.   A Coimbra forma \u201cbeber os fundadores do Centro Cat\u00f3lico Portugu\u00eas\u201d, local de \u201cref\u00fagio dos nacionalistas depois de terminada a monarquia\u201d.   Paulo Alves, investigador do Centro de Estudos Interdisciplinares do S\u00e9c. XX da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, destacou o C\u00f3n. Jos\u00e9 de Almeida Correia como uma figura \u201c\u00edmpar do nacionalismo cat\u00f3lico e um fervoroso construtor do Centro Cat\u00f3lico Portugu\u00eas\u201d.  Jo\u00e3o Almeida, mestre sobre o Centro Cat\u00f3lico Portugu\u00eas, tra\u00e7ou a personalidade de Joaquim Dinis da Fonseca, um \u201cmilitante cat\u00f3lico de integra\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d, e o centrista que \u201cmais interviu no parlamento, depois de Ant\u00f3nio Lino Neto\u201d.   Joaquim Dinis da Fonseca \u00e9 o \u201crepresentante do catolicismo social\u201d. Personalidade que passou por Coimbra, fundou, na Guarda, o Centro Cat\u00f3lico e tamb\u00e9m, nesta cidade foi director do jornal \u00abA Guarda\u00bb.  Jo\u00e3o Almeida relembrou a figura que no Parlamento, se debateu pela quest\u00e3o social, nomeadamente na assist\u00eancia aos pobres e na causa social do Centro Cat\u00f3lico Portugu\u00eas. \u201cFoi o CCP que primeiro se preocupou com os mutilados da Primeira Guerra Mundial\u201d.   Joaquim Dinis da Fonseca escreveu um editorial de \u00abA uni\u00e3o\u00bb \u201cmanifestando reservas quanto ao parlamentarismo, n\u00e3o o condenado, mas pedindo uma forma diferente de trabalhar\u201d.   \u201cTinha a clara percep\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m a Portugal chegaria uma ditadura tal como acontecera em Espanha e It\u00e1lia\u201d. Em 1924, Joaquim Dinis da Fonseca condena no Parlamento todas as ditaduras.   A personalidade de Ant\u00f3nio Lino Neto, foi apresentada por Marco Silva, mestrando em Ci\u00eancia Pol\u00edtica. A figura que durante 15 anos foi presidente do Centro Cat\u00f3lico Portugu\u00eas, foi destacada como um vision\u00e1rio do seu tempo, pois \u201ca actualidade apresenta in\u00fameras situa\u00e7\u00f5es do debate pol\u00edtico portugu\u00eas, condenados no in\u00edcio do S\u00e9c. XX\u201d.  Marcos Silva referiu a exist\u00eancia de cargos p\u00fablicos por nomea\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, a falta de sobriedade legislativa que conduz a leis confusas e contradit\u00f3rias, e o debate entre a centraliza\u00e7\u00e3o e a descentraliza\u00e7\u00e3o como quest\u00f5es discutidas por Ant\u00f3nio Lino Neto e seus contempor\u00e2neos.  O mestrando em Ci\u00eancia Pol\u00edtica destacou a \u201cac\u00e7\u00e3o parlamentar e a defesa da f\u00e9 cat\u00f3lica\u201d na vida de Ant\u00f3nio Lino Neto. \u201cO seu pensamento pol\u00edtico foi baseado na doutrina crist\u00e3\u201d, esclarece.   Jos\u00e9 Manuel Quintas, Major da For\u00e7a A\u00e9rea, apresentou a figura de Hip\u00f3lito Raposo e usou da express\u00e3o que o pr\u00f3prio escreveu na sua obra \u201cFolhas do Meu Cadrastro\u201d para apresentar o seu percurso de vida, na forma de \u201csonho, sacrif\u00edcio e desengano\u201d.   Hip\u00f3lito Raposo \u201cteve uma curta passagem pelo Semin\u00e1rio da Guarda\u201d, local onde se constituiu \u201co grupo dos 13, n\u00facleo fundador do nacionalismo lusitano\u201d.   \u201cEra um grupo de jovens precocemente literados, que juntos iniciaram o projecto do integralismo lusitano\u201d.   \u201cEste projecto nasce por correspond\u00eancia\u201d, destaca Jos\u00e9 Manuel Quintas, pelas m\u00e3os de Hip\u00f3lito Raposo, e apresentava o municipalismo e o povo como principais fundamentos deste projecto.   O percurso de tr\u00e2nsito de Manuel Ribeiro foi apresentado por S\u00e9rgio Pinto, do Centro de Estudos de Hist\u00f3ria Religiosa da UCP. \u201cUma vida de tr\u00e2nsito entre o partido comunista portugu\u00eas e o catolicismo deram a Manuel Ribeiro no nome de o convertido\u201d. Com Manuel Ribeiro, autor da trilogia social, percebe-se a \u201cinterpenetra\u00e7\u00e3o da realidade pol\u00edtica, social e religiosa e o m\u00fatuo condicionamento entre as tr\u00eas\u201d.   A p\u00fablico vieram percurso de personalidades \u201cde crentes em diversas conjecturas pol\u00edticas, desde finais do S\u00e9c. XIX, aos processos recentes de democratiza\u00e7\u00e3o das sociedades peninsulares\u201d, destacou Matos Ferreira.   \u201cN\u00e3o queremos hiper-valorizar uns em detrimento de outros\u201d, avisou, indicando que as sociedade e a hist\u00f3ria \u201cexistem porque forma constru\u00eddas por pessoas. As ideias, as institui\u00e7\u00f5es e as pr\u00e1ticas s\u00e3o sempre corporizadas por algu\u00e9m\u201d.   <b>CEHR e o Centen\u00e1rio<\/b>  No seguimento do trabalho que tem vindo a ser realizado pelo Centro de Estudos de Hist\u00f3ria Religiosa (CEHR) nos \u00faltimos anos, e considerando as exig\u00eancias do debate historiogr\u00e1fico existente sobre o final da Monarquia Constitucional e a instaura\u00e7\u00e3o do regime republicano em Portugal, estabeleceu-se uma programa\u00e7\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o, de grupos de trabalho e de iniciativas cient\u00edficas.  Considerou-se que esta programa\u00e7\u00e3o se deveria articular com diversos \u00e2mbitos de car\u00e1cter oficial eclesial e acad\u00e9mico, respondendo tamb\u00e9m \u00e0s necessidades de participa\u00e7\u00e3o p\u00fablica no decorrer de iniciativas das Comemora\u00e7\u00f5es Nacionais referentes aos 100 anos da Rep\u00fablica. Esta programa\u00e7\u00e3o, pr\u00f3pria do CEHR, constitui-se exclusivamente com car\u00e1cter cient\u00edfico, no \u00e2mbito da historiografia.  A programa\u00e7\u00e3o \u00e9 constitu\u00edda por quatro n\u00edveis de realiza\u00e7\u00e3o: 1) a investiga\u00e7\u00e3o, com a constitui\u00e7\u00e3o de um grupo de trabalho envolvendo os colaboradores na execu\u00e7\u00e3o dos diferentes encargos assumidos pelo CEHR; 2) a publica\u00e7\u00e3o de estudos e de fontes documentais in\u00e9ditas; 3) a realiza\u00e7\u00e3o de um Semin\u00e1rio continuado e aberto para investigadores, de 2009 a 2011, de balan\u00e7o historiogr\u00e1fico sobre \u00abReligi\u00e3o, Cristianismo e Republicanismo\u00bb; e, 4) a organiza\u00e7\u00e3o do Congresso Internacional sobre \u00abReligi\u00e3o, Estado e Sociedade: 100 anos de Separa\u00e7\u00e3o\u00bb, em abril de 2011.  Nessas circunst\u00e2ncias foi tamb\u00e9m aceite o convite da Comiss\u00e3o Nacional para as Comemora\u00e7\u00f5es do Centen\u00e1rio da Rep\u00fablica (CNCCR) para que o CEHR participasse no seu programa oficial, com o contributo cient\u00edfico pr\u00f3prio.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa acolhe durante dois dias as Jornadas de Estudo Crentes e pol\u00edticos: protagonistas s\u00f3cio-pol\u00edticos na sociedade portuguesa contempor\u00e2nea. S\u00e3o dias de aprofundamento sobre as personalidades que na vida portuguesa foram determinantes no contexto da viragem da Monarquia para a Rep\u00fablica, sem esquecer o Estado Novo at\u00e9 aos dias da Democracia. 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