{"id":3874,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/as-memorias-de-o-tempo-e-o-modo\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"as-memorias-de-o-tempo-e-o-modo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/as-memorias-de-o-tempo-e-o-modo\/","title":{"rendered":"As mem\u00f3rias de &#8220;O Tempo e o Modo&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>A Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian tem patente ao p\u00fablico desde o passado dia 15 de Dezembro a mostra \u201cO Tempo e o Modo. 40 anos (1963-2003), um espa\u00e7o onde se pode ir desde a g\u00e9nese da revista at\u00e9 \u00e0s p\u00e1ginas da mesma que foram cortadas pela censura. Quando o presidente Jorge Sampaio referiu na inaugura\u00e7\u00e3o da iniciativa que \u201cO Tempo e o Modo foi um lugar \u00fanico de di\u00e1logo e de confrontos dos nossos mitos e dos nossos dogmas&#8221; resumia com mestria o esp\u00edrito da revista, criada por um grupo de antigos activistas e dirigentes da Juventude Universit\u00e1ria Cat\u00f3lica, entre os quais se inclu\u00edam Ant\u00f3nio Al\u00e7ada Baptista, B\u00e9nard da Costa, Nuno Bragan\u00e7a, Pedro Tamen e Alberto Vaz da Silva.  A auto-intitulada \u201crevista de pensamento e ac\u00e7\u00e3o\u201d est\u00e1 presente nesta exposi\u00e7\u00e3o mesmo antes de ter nascido, ou seja, a mostra apresenta uma s\u00e9rie de acontecimentos e obras que est\u00e3o na g\u00e9nese da revista, seja o II Conc\u00edlio do Vaticano seja o decl\u00ednio do regime de Salazar. Os antecedentes hist\u00f3ricos est\u00e3o retratados nas p\u00e1ginas do \u201cNovidades\u201d, da \u201cInformations Catholiques Internationales\u201d ou da inspiradora revista \u201cEsprit\u201d. Aos cat\u00f3licos de percurso v\u00e1rios, inquietos, juntaram-se outros colaboradores ampliando vozes e express\u00f5es. O editorial do primeiro n\u00famero reconhece que \u201cgostar\u00edamos que um pensamento orientado para as preocupa\u00e7\u00f5es deste tempo fosse suficientemente forte para abalar muitos anos de apatia e descren\u00e7a\u201d. Nas montras da exposi\u00e7\u00e3o patente na Gulbenkian encontr\u00e1mos os esquemas de v\u00e1rios n\u00fameros, feitos \u00e0 m\u00e3o e riscados vezes sem conta, al\u00e9m de alguns textos censurados pelo l\u00e1pis azul do Exame Pr\u00e9vio salazarista &#8211; um dos quais \u00e9 uma breve, aludindo \u00e0 enc\u00edclica &#8220;Pacem In Terris&#8221; do Papa Jo\u00e3o XXIII. &#8220;O Tempo e o Modo&#8221; teve seis mil p\u00e1ginas editadas, mas outras tantas foram cortadas pela censura.  Guilherme d`Oliveira Martins, presidente do Centro Nacional de Cultura (CNC), dedica a sua reflex\u00e3o semanal de 15 de Dezembro a estes 40 anos de \u201cO Tempo e o Modo\u201d, que qualifica de \u201cmomento extraordin\u00e1rio da nossa vida cultural do s\u00e9culo XX\u201d. \u201cAfinal, usando uma express\u00e3o cara a Jo\u00e3o B\u00e9nard, a revista foi \u00abo piano de uma gera\u00e7\u00e3o que rejeitava simultaneamente a ditadura, o velho republicanismo jacobino e o PC\u00bb. E Vasco Pulido Valente, activ\u00edssimo membro da redac\u00e7\u00e3o da revista, recorda ainda que &#8220;a censura e o PC, pelo menos, achavam-nos \u00e0 altura merecedores da sua execra\u00e7\u00e3o&#8221;, relata o ex-ministro. Artes e Letras, como \u00e9 poss\u00edvel ver na exposi\u00e7\u00e3o, foram motivos de pol\u00e9micas, confronto e disc\u00f3rdias, mas a revista cresceu e abalou a sociedade portuguesa. A correspond\u00eancia dos leitores permite mesmo tra\u00e7ar esse cen\u00e1rio dos anos \u201960. O presidente do CNC confirma que \u201cpara al\u00e9m das situa\u00e7\u00f5es e dos debates, dos momentos de arrufos e das zangas, os animadores da revista tiveram, como poucos, uma l\u00facida compreens\u00e3o de que o futuro seria radicalmente diferente e que todos se deveriam preparar para ele&#8230; A revista preparou a abertura. Lan\u00e7ou as bases de uma cultura aberta e democr\u00e1tica. Nas linhas e nas entrelinhas disse-se tudo ou quase tudo o que havia para dizer. Foi uma sementeira de ideias e de projectos ao encontro da liberdade!\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian tem patente ao p\u00fablico desde o passado dia 15 de Dezembro a mostra \u201cO Tempo e o Modo. 40 anos (1963-2003), um espa\u00e7o onde se pode ir desde a g\u00e9nese da revista at\u00e9 \u00e0s p\u00e1ginas da mesma que foram cortadas pela censura. 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