{"id":38650,"date":"2009-05-05T11:19:25","date_gmt":"2009-05-05T11:19:25","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/05\/05\/o-cristo-rei-o-evangelho-e-a-crise\/"},"modified":"2009-05-05T11:19:25","modified_gmt":"2009-05-05T11:19:25","slug":"o-cristo-rei-o-evangelho-e-a-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-cristo-rei-o-evangelho-e-a-crise\/","title":{"rendered":"O Cristo Rei, o Evangelho e a crise"},"content":{"rendered":"<p>A est\u00e1tua de Cristo Rei, frente a Lisboa, foi conclu\u00edda h\u00e1 meio s\u00e9culo, com o dinheiro dos cat\u00f3licos, que assim quiseram agradecer a Deus ter Portugal sido poupado aos horrores da II Guerra Mundial. Como \u00e9 evidente, foram manobras pol\u00edticas e diplom\u00e1ticas que mantiveram o pa\u00eds fora da guerra. Mas com certeza muita gente rezou ent\u00e3o para que tal acontecesse. O Deus crist\u00e3o n\u00e3o \u00e9 impass\u00edvel e long\u00ednquo.  Voltada para o futuro, a Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa assinala os 50 anos do Cristo Rei com um simp\u00f3sio sobre &#8220;reinventar a solidariedade&#8221;. Tamb\u00e9m aqui se pode perguntar o que tem o Evangelho a ver com a crise que atravessamos. Decerto que n\u00e3o se encontram nele programas pol\u00edticos, econ\u00f3micos ou sociais. E que, na pol\u00edtica, os cat\u00f3licos se distribuem por v\u00e1rios partidos ou por partido nenhum. Mas o Evangelho tem uma palavra decisiva a dizer sobre a crise, porque a tem sobre a vida. N\u00e3o \u00e9, com certeza, uma palavra t\u00e9cnica &#8211; \u00e9 mais do que isso. A f\u00e9 crist\u00e3 imp\u00f5e uma atitude de base, o empenhamento de cada um no bem-estar dos outros, sobretudo dos que sofrem. Uma atitude muito diferente daquela que tem predominado nas sociedades ricas, onde se acentuaram as tend\u00eancias ego\u00edstas, centradas no prazer pessoal e ignorando os outros. Claro que tend\u00eancias dessas sempre existiram e existir\u00e3o na humanidade. S\u00f3 que nas \u00faltimas d\u00e9cadas elas generalizaram-se e passaram a ditar o comportamento de muita gente com altas responsabilidades econ\u00f3micas e financeiras. Assim se compreende a irresponsabilidade de numerosos gestores financeiros, que colocaram poupan\u00e7as de clientes em aplica\u00e7\u00f5es pouco transparentes, quando n\u00e3o enganosas. Ou o escandaloso espect\u00e1culo de gestores respons\u00e1veis pelo desastre das empresas que dirigiam (com o desemprego da\u00ed decorrente) reclamarem pr\u00e9mios e b\u00f3nus valendo fortunas. \u00c9 hoje consensual que na raiz da presente crise global (uma crise financeira que rapidamente se tornou, tamb\u00e9m, numa crise econ\u00f3mica e social) est\u00e1 um enorme desprezo por valores \u00e9ticos de fundo. Tenho desde h\u00e1 anos defendido que o d\u00e9fice \u00e9tico das nossas sociedades tem alguma rela\u00e7\u00e3o com o colapso do comunismo. N\u00e3o que o comunismo fosse bom, mas porque a decep\u00e7\u00e3o que o seu fim gerou em quem nele acreditou e a inexist\u00eancia de uma alternativa ao capitalismo incentivaram uma atitude triunfalista de &#8220;vale tudo&#8221; para ganhar dinheiro, muito dinheiro e depressa.   Pois se o comunismo at\u00e9 partira de um interesse em mudar a situa\u00e7\u00e3o dos explorados, e no entanto deu no que deu, n\u00e3o valer\u00e1 mais a pena cada um de n\u00f3s deixar de se preocupar com a sorte dos outros, indo tratar da sua vida? Pobres sempre os teremos entre n\u00f3s&#8230; Depois, a ideologia marxista (\u00e0 semelhan\u00e7a, ali\u00e1s, de certas e ultrapassadas interpreta\u00e7\u00f5es do pecado original) reconduzia todo e qualquer mal a uma culpa e a culpados: se havia pobres, \u00e9 porque os ricos os exploravam. Acabe-se com a explora\u00e7\u00e3o e o mundo ser\u00e1 um para\u00edso. Desacreditado o marxismo, e tomando muita gente consci\u00eancia de que n\u00e3o era directamente culpada pelo sofrimento dos pobres e exclu\u00eddos, desvaneceu-se uma motiva\u00e7\u00e3o para a solidariedade. Tenho muita pena da fome que existe nos pa\u00edses subdesenvolvidos ou nos &#8220;ghettos&#8221; das nossas cidades, mas n\u00e3o me sinto respons\u00e1vel por isso, logo deixo andar. \u00c9 aqui que entra o Evangelho, a exigir uma outra e radicalmente diferente atitude. Tenho obriga\u00e7\u00e3o de ajudar o pr\u00f3ximo que sofre, n\u00e3o por causa de quaisquer culpas (que at\u00e9 podem ter existido e ser\u00e3o um motivo adicional para o ajudar), mas simplesmente porque se trata de uma pessoa, de um irm\u00e3o. \u00c9 este comprometimento na solidariedade que o cristianismo imp\u00f5e. O Evangelho pro\u00edbe a resigna\u00e7\u00e3o face \u00e0 injusti\u00e7a. Por isso dele brota um impulso \u00e9tico de preocupa\u00e7\u00e3o pelo bem comum e pela situa\u00e7\u00e3o dos mais desprotegidos, que o individualismo ego\u00edsta em que temos vivido ignora. Est\u00e1 a\u00ed o essencial. <i>Francisco Sarsfield Cabral, R\u00e1dio Renascen\u00e7a <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A est\u00e1tua de Cristo Rei, frente a Lisboa, foi conclu\u00edda h\u00e1 meio s\u00e9culo, com o dinheiro dos cat\u00f3licos, que assim quiseram agradecer a Deus ter Portugal sido poupado aos horrores da II Guerra Mundial. Como \u00e9 evidente, foram manobras pol\u00edticas e diplom\u00e1ticas que mantiveram o pa\u00eds fora da guerra. 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