{"id":38620,"date":"2009-05-04T09:32:53","date_gmt":"2009-05-04T09:32:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/05\/04\/homilia-de-d-manuel-clemente-na-bencao-de-finalistas\/"},"modified":"2009-05-04T09:32:53","modified_gmt":"2009-05-04T09:32:53","slug":"homilia-de-d-manuel-clemente-na-bencao-de-finalistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-manuel-clemente-na-bencao-de-finalistas\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Manuel Clemente na ben\u00e7\u00e3o de finalistas"},"content":{"rendered":"<p>Na Avenida dos Aliados o Bispo do Porto indicou \u00abUma espl\u00eandida b\u00ean\u00e7\u00e3o para o mundo!\u00bb <!--more--> Car\u00edssimos finalistas, amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, e muito especialmente todas as m\u00e3es aqui presentes, neste dia que lhes \u00e9 dedicado, bem como \u00e0 ora\u00e7\u00e3o pelas voca\u00e7\u00f5es:  Celebramos um Domingo pascal, o que significa que estamos na presen\u00e7a de Cristo, ouvido na Palavra, celebrado na Eucaristia e pressentido no rosto de cada irm\u00e3o e na grande comunidade que formamos agora nesta bela pra\u00e7a central da nossa cidade do Porto.  Enunciei-a depressa, mas levaremos muito mais anos do que levou o vosso curso superior a saborear e a entender esta grande verdade da nossa vida, s\u00f3 por isso crist\u00e3. Cristo est\u00e1 vivo e \u00e9 n\u2019Ele que vivemos e convivemos tamb\u00e9m. \u00c9 exactamente como disse e prometeu h\u00e1 dois mil\u00e9nios: \u201cOnde dois ou tr\u00eas estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles\u201d.  N\u00e3o levantemos os olhos a sond\u00e1-lo acima das nuvens. Nem sequer precisamos de fech\u00e1-los, para o imaginarmos porventura. Olhemo-nos uns aos outros e a todos como um s\u00f3. Mais do que para receber a b\u00ean\u00e7\u00e3o das pastas, mais do que para festejarmos de modo solene e festivo a conclus\u00e3o dos cursos, estamos aqui porque a promessa de Cristo foi cumprida, e Ele nos congrega pela atrac\u00e7\u00e3o do seu Esp\u00edrito, para louvar o seu e nosso Pai celestial. Reunimo-nos, pois, e escut\u00e1mos a Palavra. Fixemo-nos brevemente nalguns trechos, entre muitos outros que podiam ser. Perguntemo-nos, por exemplo, donde vinha tanta certeza a Pedro, para dizer o que ouvimos na 1\u00aa leitura: \u201cEm nenhum outro [sen\u00e3o em Jesus] h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o existe debaixo do c\u00e9u outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos\u201d!? Dita assim, a afirma\u00e7\u00e3o pode espantar. \u2013 Como encarar tantos homens e mulheres, das mais diversas tradi\u00e7\u00f5es e sabedorias, antigas e actuais, que n\u00e3o conheceram Jesus, nem o reconhecem ainda como Cristo e salvador? Mas a resposta a esta poss\u00edvel objec\u00e7\u00e3o sabemos bem qual seja, n\u00f3s que encontramos n\u2019Ele a correspond\u00eancia universal \u00e0s interroga\u00e7\u00f5es e expectativas que transportamos, por n\u00f3s e pelos outros. \u00c0s interroga\u00e7\u00f5es e expectativas que, por n\u00e3o serem relativas e epis\u00f3dicas, mas essenciais e eternas, j\u00e1 est\u00e3o na ordem da \u201csalva\u00e7\u00e3o\u201d propriamente dita. N\u00f3s, que mantemos com Jesus uma rela\u00e7\u00e3o sempre surpreendente, t\u00e3o ampla \u00e9 a sua proposta, t\u00e3o fecunda a subst\u00e2ncia.  Sabemos que a quest\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o se resolve do nosso lado, como se a tiv\u00e9ssemos de forjar com m\u00e1ximo engenho e suma arte, mas do lado de Deus, que no-la oferece assim, na humanidade de Cristo onde a pr\u00f3pria divindade se entrega. S\u00f3 n\u2019Ele encontramos a salva\u00e7\u00e3o, porque &#8211; mais al\u00e9m do que contra qualquer express\u00e3o elevada da sabedoria ou da indaga\u00e7\u00e3o religiosa da humanidade &#8211; em Jesus nada fica de fora do amor de Deus, pois n\u2019Ele est\u00e1 todo o c\u00e9u como oferta e toda a terra como acolhimento e retorno. Quem ainda n\u00e3o O conhe\u00e7a s\u00f3 espera que lh\u2019O comuniquemos, pois o que temos \u201cem vez\u201d dos outros \u00e9 tamb\u00e9m o que temos para os outros. Isto pela vida em geral e pela aptid\u00e3o particular de cada um. Tamb\u00e9m por isso o vosso curso \u00e9 aben\u00e7oado, pois nada fica fora do Cristo que vos totaliza, para o Pai e para os outros, no seu Esp\u00edrito de amor, t\u00e3o universal como concreto. E com isto, car\u00edssimos finalistas, continuareis o vosso percurso, com a aptid\u00e3o que adquiristes e agora agradeceis a Deus, aos professores e aos vossos familiares e amigos. Atrav\u00e9s da actividade que criardes ou conseguirdes, ser\u00e1 a vossa pr\u00f3pria realiza\u00e7\u00e3o que acontecer\u00e1. E, inclu\u00edda essa realiza\u00e7\u00e3o na vossa rela\u00e7\u00e3o com Cristo, tem o nome espec\u00edfico de \u201csalva\u00e7\u00e3o\u201d. Com Cristo, o sentido do trabalho, o esfor\u00e7o dispendido, a obra feita, tudo se torna \u201creligi\u00e3o\u201d, ou seja, rela\u00e7\u00e3o com Deus e com os outros a partir de Deus. Isto significa que nada se perder\u00e1 ao longo da vida, por maior ou menor que seja o \u00eaxito, por mais largo ou minguado que seja o reconhecimento dos outros, por mais generosa ou pequena que seja a retribui\u00e7\u00e3o material. Trabalho feito com Deus, para realiza\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e alheia, \u00e9 trabalho ganho de antem\u00e3o. Como grandes arquitectos e humildes pedreiros levantaram catedrais, como grandes cientistas e ignotos pesquisadores alargaram o conhecimento, como grandes compositores e simples m\u00fasicos sublimaram a sua arte, todos, absolutamente todos, se eternizaram com Cristo, o pr\u00f3prio Filho de Deus feito o mais humilde dos oper\u00e1rios.  Pouco a pouco e mais e mais, nos anos todos que somardes duma exist\u00eancia crente e aplicada, crescer\u00e1 em v\u00f3s a semelhan\u00e7a divina. Diz sabiamente o nosso povo: \u201cDiz-me com quem andas, dir-te-ei quem \u00e9s\u201d. Mais sabiamente nos disse S\u00e3o Jo\u00e3o na 2\u00aa leitura o que seremos, permanecendo e crescendo com Cristo: \u201cCar\u00edssimos, agora somos filhos de Deus e ainda n\u00e3o se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque O veremos como Ele \u00e9\u201d.  N\u00e3o \u00e9 prometer muito da parte do Ap\u00f3stolo, porque tudo nos foi dado em Cristo, da parte de Deus. Tendes a\u00ed o caminho aberto, em realiza\u00e7\u00e3o plena que \u00e9 salva\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. Outros caminhos existiriam, como sabeis\u2026 Caminhos ou descaminhos, propondo duas coisas sumamente contr\u00e1rias a uma realiza\u00e7\u00e3o verdadeiramente humana: que fosse imediata ou que fosse parcial. Uma satisfa\u00e7\u00e3o imediata, geralmente ego\u00edsta e alienante, negaria a vossa vida como trabalho e continuidade, caracter\u00edsticas indispens\u00e1veis do ser humano, que s\u00f3 no tempo se desdobra e consegue. Uma realiza\u00e7\u00e3o parcial valorizaria apenas a maior ou menor habilidade, o maior ou menor sucesso neste ou naquele aspecto da exist\u00eancia. Com Cristo e no Esp\u00edrito de Cristo, tudo ganhar\u00e1 sentido como crescimento integral e pessoal: integral, porque abarcar\u00e1 todas as dimens\u00f5es do vosso ser, das mais t\u00e9cnicas \u00e0s especulativas, das mais laboriosas \u00e0s afectivas; pessoal, porque em tudo, mesmo nos obst\u00e1culos e revezes, encontrareis oportunidades de crescimento como seres em rela\u00e7\u00e3o, com Deus e com o pr\u00f3ximo.     \u201cSereis semelhantes a Deus\u201d: acreditai que \u00e9 isso mesmo que esta b\u00ean\u00e7\u00e3o vos promete. Tomai a vossa vida, profissional e geral como um caminho de semelhan\u00e7a divina, no Esp\u00edrito de Cristo, para realiza\u00e7\u00e3o integral vossa e para felicidade de todos os que dar\u00e3o gra\u00e7as a Deus por vos terem conhecido. O Evangelho deste Domingo \u201cdo Bom Pastor\u201d, traz-vos directamente a palavra de Cristo, que desse modo se apresenta. Creio at\u00e9 que, da vossa vida crist\u00e3 at\u00e9 aqui, antes e durante os anos escolares que agradeceis, o que ficou de mais decisivo foi precisamente a experi\u00eancia forte de que, venha o que vier, nunca estareis s\u00f3s, antes acompanhados por Aquele que se aproximou para sempre da natureza e da aspira\u00e7\u00e3o de cada ser humano: Cristo, Deus Filho e homem verdadeiro, \u201cBom Pastor\u201d da humanidade inteira. Que importante \u00e9 reter na mem\u00f3ria e saborear no cora\u00e7\u00e3o as palavras ouvidas: \u201cEu sou o Bom Pastor: conhe\u00e7o as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-Me\u201d. E isto mesmo com toda a subst\u00e2ncia que o \u201cconhecer\u201d b\u00edblico encerra. Cristo conhece-vos, car\u00edssimos finalistas, conhece cada um de v\u00f3s, fez de algum modo sua as vossas vidas, estar\u00e1 convosco em cada momento delas, com a voz serena e calorosa que deveis ouvir cada vez melhor, aprendendo-lhe a for\u00e7a ou o sussurro, mas ouvindo-O sempre. Meus amigos, que o barulho difuso e atordoador que tantas vezes nos envolve n\u00e3o supere nem apague a voz de Cristo Bom Pastor, que fala no \u00edntimo dos vossos cora\u00e7\u00f5es e no mais fundo das vossas consci\u00eancias. \u00c9 muito importante que encontreis da parte da sociedade a abertura devida \u00e0 vossa vontade de a servir, em vidas profissionais consent\u00e2neas com a vossa prepara\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Mas tamb\u00e9m \u00e9 importante \u2013 e important\u00edssimo! \u2013 que nunca deixeis de ouvir a Cristo que, convosco e em v\u00f3s, quer realizar o pr\u00f3prio mundo, como mesa copiosa e fraterna da partilha universal. Mais, muito mais importante do que saber como vai ser a vossa vida \u00e9 saberdes com Quem vai ela ser, haja o que houver: &#8211; Ser\u00e1 com Cristo, o Bom Pastor, que vos d\u00e1 a sua vida, essa mesma em que se encerram o c\u00e9u e a terra! Deixai-me finalmente particularizar as vossas m\u00e3es e todas as m\u00e3es aqui presentes, neste dia que tamb\u00e9m leva o seu nome. \u2013 Deus as recompense a cem por um por toda a generosidade com que criaram os seus filhos e filhas, por todo o carinho que lhes devotaram e sempre devotar\u00e3o! Tamb\u00e9m Cristo teve uma M\u00e3e neste mundo, que tanto O acompanhou com o amor que d\u2019Ele mesmo recebera, pois n\u2019Ele tudo foi criado. Pelas m\u00e3es passam muito especialmente os sentimentos de Cristo Bom Pastor, que nos cora\u00e7\u00f5es amigos encontra o melhor reflexo e media\u00e7\u00e3o para chegar a todos n\u00f3s! &#8211; Deus vos aben\u00e7oe, car\u00edssimos finalistas. E fa\u00e7a de cada um de v\u00f3s uma espl\u00eandida b\u00ean\u00e7\u00e3o para o mundo!  <i>Porto, Avenida dos Aliados, 3 de Maio de 2009 + Manuel Clemente, Bispo do Porto <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Avenida dos Aliados o Bispo do Porto indicou \u00abUma espl\u00eandida b\u00ean\u00e7\u00e3o para o mundo!\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[187],"class_list":["post-38620","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-porto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38620","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38620"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38620\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38620"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38620"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38620"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}