{"id":385952,"date":"2025-07-28T08:59:30","date_gmt":"2025-07-28T07:59:30","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=385952"},"modified":"2025-07-28T08:59:30","modified_gmt":"2025-07-28T07:59:30","slug":"despertar-nas-almas-o-sentido-de-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/despertar-nas-almas-o-sentido-de-igreja\/","title":{"rendered":"Despertar nas almas o sentido de igreja"},"content":{"rendered":"<p><em>D. Manuel Pelino, Bispo em\u00e9rito de Santar\u00e9m\u00a0<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_353514\" aria-describedby=\"caption-attachment-353514\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/manuel-pelino2024.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-353514 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/manuel-pelino2024-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/manuel-pelino2024-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/manuel-pelino2024-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/manuel-pelino2024-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/manuel-pelino2024-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/manuel-pelino2024.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-353514\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Observava Romano Guardini, te\u00f3logo que no in\u00edcio do seculo XX antecipou e preparou a teologia do Vaticano II, que \u201ca Igreja desperta nas almas\u201d. De facto, os crentes cat\u00f3licos come\u00e7avam a tomar consci\u00eancia de que n\u00e3o eram apenas clientes dos servi\u00e7os religiosos, mas chamados a participar ativamente na vida e na miss\u00e3o eclesial. Para esta identifica\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is com a Igreja muito contribuiu o movimento \u201cA\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica\u201d. O Conc\u00edlio Vaticano II veio confirmar e fortalecer esta vis\u00e3o da igreja, apresentando-a como o \u201cpovo de Deus\u201d em que todos os fi\u00e9is s\u00e3o enriquecidos pelo Esp\u00edrito Santo com variados dons ou carismas. Assim, todos s\u00e3o capacitados com \u201co sentido da f\u00e9 e o dom da palavra\u201d (LG 12), para que participem na miss\u00e3o prof\u00e9tica e sejam cidad\u00e3os ativos na igreja. Os fi\u00e9is come\u00e7aram ent\u00e3o a considerar: \u201cA igreja somos n\u00f3s, todos somos igreja\u201d. A express\u00e3o \u201ccorresponsabilidade\u201d entrou no vocabul\u00e1rio dos fi\u00e9is. A pr\u00e1tica demorar\u00e1 mais tempo a verificar-se.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina o Conselho Episcopal Latino Americano (CELAM) apresentava, entretanto, a identidade dos fi\u00e9is crist\u00e3os com a express\u00e3o \u201cdisc\u00edpulos mission\u00e1rios\u201d. Disc\u00edpulos que seguem o caminho do Mestre, progridem na f\u00e9, na esperan\u00e7a e na caridade; e mission\u00e1rios enviados pelo Senhor a construir a justi\u00e7a, a paz e a fraternidade, tornando-se fermento do reino de Deus no mundo. A express\u00e3o \u201cdisc\u00edpulos mission\u00e1rios\u201d real\u00e7a o rosto de Cristo como refer\u00eancia de cada crist\u00e3o e da igreja e contribuiu a desenvolver e a amadurecer a sinodalidade que atualmente se tornou a prioridade pastoral. Os dois Papas recentes, Francisco e Le\u00e3o XIV, s\u00e3o frutos vis\u00edveis e eloquentes desta eclesiologia muito inspirada pelo estilo concreto de Jesus de Nazar\u00e9 e fundamentada no Conc\u00edlio Vaticano II.<\/p>\n<p>Outro contributo importante para o despertar do sentido de Igreja nos fi\u00e9is veio dos \u201cMovimentos Eclesiais\u201d que criaram nos seus membros a consci\u00eancia de perten\u00e7a e do dinamismo mission\u00e1rio da Igreja. Neste contexto pastoral, o S\u00ednodo de 1987 sobre a voca\u00e7\u00e3o e a miss\u00e3o dos f\u00e9is leigos na igreja e no mundo, referia-se a uma \u201cnova era agregativa dos leigos\u201d e considerava este fen\u00f3meno como um dom do Esp\u00edrito Santo para o nosso tempo. Podemos verificar que as par\u00f3quias que conjugaram a sua miss\u00e3o global com a\u00e7\u00e3o destes Movimentos, encontraram uma valiosa ajuda para o desenvolvimento da comunh\u00e3o eclesial e da orienta\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria.<\/p>\n<p>Viveu-se assim, na segunda metade do s\u00e9culo XX, fruto do Conc\u00edlio e da teologia renovada, uma onda de otimismo sobre a participa\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is na vida e miss\u00e3o da igreja. Os papas p\u00f3s-conciliares, desde Jo\u00e3o XXIII at\u00e9 Francisco e agora Le\u00e3o XIV, animaram e guiaram esta renova\u00e7\u00e3o. Ter\u00e1 chegado \u00e0s bases, \u00e0s par\u00f3quias, aos grupos e fi\u00e9is em geral? A forte onda de seculariza\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XXI parece ter afastado muita gente e gerado a moda do agnosticismo. Os pastores que orientam as comunidades diminu\u00edram tamb\u00e9m. Mas, embora sejamos menos, temos a for\u00e7a do Esp\u00edrito, o poder da gra\u00e7a da Palavra e dos Sacramentos e o momento oportuno para progredir na comunh\u00e3o e na miss\u00e3o da Igreja. O ambiente de individualismo e de solid\u00e3o geram um sentimento de desamparo e de vazio e sensibilizam as pessoas para a experi\u00eancia de vida comunit\u00e1ria. Por outro lado, toda a gente deseja ter uma miss\u00e3o, ou seja, uma vida irradiante, com sentido e conte\u00fado. Deste modo, a identidade da Igreja real\u00e7ada pelo Conc\u00edlio como comunh\u00e3o de fi\u00e9is orientada \u00e0 miss\u00e3o, corresponde aos anseios profundos do cora\u00e7\u00e3o humano. A esta situa\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel acresce a pedagogia amadurecida da sinodalidade. Temos pernas para andar e gente com vontade de fazer caminho.<\/p>\n<p>Os cinquenta anos da cria\u00e7\u00e3o da Diocese que estamos a celebrar em Santar\u00e9m tornam-se um desafio a progredir no desenvolvimento da renova\u00e7\u00e3o conciliar. O Jubileu \u00e9 motivo de celebra\u00e7\u00f5es e de encontros festivos que despertam alegria, aproximam, criam e avivam la\u00e7os fraternos. Mas seria pobre permanecer nos encontros festivos e celebrativos. Tenhamos presente a recomenda\u00e7\u00e3o muito oportuna do Papa Francisco para \u201cprivilegiar o tempo e n\u00e3o os espa\u00e7os\u201d (EG 222-225). \u00c9 gratificante ter os espa\u00e7os com muita gente nas celebra\u00e7\u00f5es, na igreja, nos encontros. Mas pode ser, e muitas vezes \u00e9, um cristianismo exterior, lisonjeiro para quem preside mas vazio, sem chama interior, sem for\u00e7a de transforma\u00e7\u00e3o, sem vigor mission\u00e1rio. N\u00e3o basta ter muita gente na festa ou bastantes que ainda pedem os sacramentos. \u00c9 importante promover percursos de forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 que amadure\u00e7am uma experi\u00eancia de encontro com Cristo e de perten\u00e7a ativa e esclarecida \u00e0 Igreja.<\/p>\n<p><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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