{"id":38590,"date":"2009-04-30T16:59:28","date_gmt":"2009-04-30T16:59:28","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/04\/30\/dignidade-e-seguranca-dos-trabalhadores\/"},"modified":"2009-04-30T16:59:28","modified_gmt":"2009-04-30T16:59:28","slug":"dignidade-e-seguranca-dos-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/dignidade-e-seguranca-dos-trabalhadores\/","title":{"rendered":"Dignidade e seguran\u00e7a dos trabalhadores"},"content":{"rendered":"<p>O 1.\u00ba de Maio \u00e9 vivido como uma \u00abFesta do trabalho\u00bb, um dia de reivindica\u00e7\u00f5es pela promo\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria. A Igreja sempre se mostrou sens\u00edvel aos problemas do mundo do trabalho, colocado num patamar que ultrapassa, em muito, uma concep\u00e7\u00e3o economicista, inserindo-o na &#8220;condi\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria&#8221; do ser humano, meio para a sua realiza\u00e7\u00e3o enquanto tal.  Desde a enc\u00edclica &#8220;Rerum Novarum&#8221; (Le\u00e3o XIII, 1891), a Igreja nunca deixou de considerar os problemas do trabalho no contexto de uma quest\u00e3o social que foi progressivamente assumindo dimens\u00f5es mundiais sendo este, ali\u00e1s, um tema marcante da Doutrina Social cat\u00f3lica.  A enc\u00edclica &#8220;Laborem Exercens&#8221; (Jo\u00e3o Paulo II, 1981) enriquece a vis\u00e3o personalista do trabalho caracter\u00edstica dos documentos sociais precedentes, indicando a necessidade de um aprofundamento dos significados e das tarefas que o trabalho comporta, tendo presente o facto de que &#8220;surgem sempre, na verdade, novas interroga\u00e7\u00f5es e novos problemas, nascem novas esperan\u00e7as, como tamb\u00e9m motivos de temor e amea\u00e7as, ligados a esta dimens\u00e3o fundamental da exist\u00eancia humana&#8221;.  No Comp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja pode ler-se que &#8220;o trabalho deve ser honrado porque fonte de riqueza ou pelo menos de condi\u00e7\u00f5es de vida decorosas e, em geral, \u00e9 instrumento eficaz contra a pobreza&#8221;.   Esta \u00e9 uma indica\u00e7\u00e3o que a actual crise internacional tem vindo a fazer esquecer, colocando a s\u00edlaba t\u00f3nica apenas na exist\u00eancia ou n\u00e3o dos postos de trabalho e abrindo a porta a chantagens sobre os trabalhadores por parte de quem lhes pode fechar a porta, sem aviso, e lan\u00e7\u00e1-los para o drama cada vez mais doloroso do desemprego.  Temas como o emprego, a protec\u00e7\u00e3o social, os sal\u00e1rios, o di\u00e1logo social, os direitos laborais fundamentais, a qualidade de vida no trabalho e a flexisseguran\u00e7a fazem parte do dia-a-dia desta crise, em que os trabalhadores aparecem muitas vezes, quase sempre, como o elo mais fraco.  Num discurso dirigentes da Confedera\u00e7\u00e3o Italiana Sindical dos Trabalhadores, Bento XVI defendia que &#8220;para superar a crise econ\u00f3mica e social que estamos a viver, sabemos que \u00e9 necess\u00e1rio um esfor\u00e7o livre e respons\u00e1vel da parte de todos, ou seja, \u00e9 necess\u00e1rio ultrapassar os interesses particularistas e sectoriais, de maneira a enfrentar em conjunto e unidos as dificuldades que investem todos os \u00e2mbitos da sociedade, de modo especial o mundo do trabalho&#8221;.   O equil\u00edbrio entre a iniciativa das pessoas e dos grupos e a ac\u00e7\u00e3o do Estado \u00e9 um dos principais desafios que se apresentam nesta situa\u00e7\u00e3o. Na sua enc\u00edclica &#8220;Centesimus Annus&#8221;, Jo\u00e3o Paulo II frisava que &#8220;o trabalho \u00e9 um bem de todos, que deve estar dispon\u00edvel para todos aqueles que s\u00e3o capazes de trabalhar&#8221;.   O &#8220;pleno emprego&#8221;, que hoje aparece como uma miragem em pleno deserto de crise(s) \u00e9, segundo a Igreja Cat\u00f3lica, um &#8220;objectivo obrigat\u00f3rio para todo o ordenamento econ\u00f3mico orientado para a justi\u00e7a e para o bem comum&#8221;.  <b>Seguran\u00e7a<\/b> A Igreja Cat\u00f3lica em Portugal tem vindo a demonstrar uma aten\u00e7\u00e3o particular em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es da seguran\u00e7a no trabalho.  O Secretariado Nacional da Pastoral Social (SNPS) assinalou, com um comunicado, a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Internacional de Luto pelas v\u00edtimas de acidentes de trabalho e doen\u00e7as profissionais (28 de Abril), afirmando que \u201ca Igreja, atrav\u00e9s do seu testemunho em m\u00faltiplas obras sociais, tem um papel importante a desempenhar\u201d.  \u201cPortugal \u00e9 um pa\u00eds maioritariamente cat\u00f3lico e a import\u00e2ncia dos movimentos crist\u00e3os na din\u00e2mica do trabalho tem sido amplamente reconhecida para o desenvolvimento do pa\u00eds e da democracia\u201d, indicava a nota.  O SNPS pediu aos p\u00e1rocos, aos respons\u00e1veis por movimentos e a todos os agentes de pastoral para que nas celebra\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas do dia 28 de Abril se recordassem os trabalhadores que perderam a vida vitimados por acidentes de trabalho ou doen\u00e7as profissionais.  Esta comemora\u00e7\u00e3o, afirmava-se, \u00e9 \u201cuma importante medida para alertar tanto os empregadores como os trabalhadores a fim de que haja maior seguran\u00e7a no mundo do trabalho\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O 1.\u00ba de Maio \u00e9 vivido como uma \u00abFesta do trabalho\u00bb, um dia de reivindica\u00e7\u00f5es pela promo\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria. 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