{"id":385181,"date":"2025-07-23T09:22:45","date_gmt":"2025-07-23T08:22:45","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=385181"},"modified":"2025-08-28T17:02:18","modified_gmt":"2025-08-28T16:02:18","slug":"do-passado-um-presente-sao-vicente-de-paulo-e-a-liturgia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/do-passado-um-presente-sao-vicente-de-paulo-e-a-liturgia\/","title":{"rendered":"DO PASSADO, UM PRESENTE \u2013 S\u00e3o Vicente de Paulo e a Liturgia"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Jos\u00e9 Alves, Congrega\u00e7\u00e3o da Miss\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/10-Jubileu-CM-Julho-2025.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-385183 \" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/10-Jubileu-CM-Julho-2025-722x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"639\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/10-Jubileu-CM-Julho-2025-722x1024.jpg 722w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/10-Jubileu-CM-Julho-2025-198x280.jpg 198w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/10-Jubileu-CM-Julho-2025.jpg 762w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a>Para o Padre Vicente de Paulo, a Eucaristia \u00e9 o centro de toda a a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica e como que compendia todos os mist\u00e9rios da nossa Salva\u00e7\u00e3o. Depois de propor os <em>\u201cinef\u00e1veis mist\u00e9rios da Sant\u00edssima Trindade e da Incarna\u00e7\u00e3o como centro de toda a nossa devo\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>, acrescenta: \u201c<em>para venerar estes mist\u00e9rios nenhum meio \u00e9 mais excelente do que o devido culto e bom uso da Sagrada Eucaristia quer enquanto Sacramento, quer enquanto Sacrif\u00edcio, pois cont\u00e9m em si como que a s\u00famula dos outros mist\u00e9rios da f\u00e9 e, por si mesma, santifica e, finalmente, glorifica as almas dos que comungam e devidamente celebram, resultando da\u00ed ampl\u00edssima gl\u00f3ria a Deus, uno e trino, e ao Verbo Encarnado\u201d<\/em> (1). Desta centralidade da Eucaristia, na a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, resulta um comportamento, uma atitude a tomar que ele recomenda aos seus confrades: <em>\u201ctrabalharemos com todo o desvelo para que, por todos, lhe seja dada a mesma honra e rever\u00eancia\u2026 impedindo, quanto puder ser, que acerca dele (Sacramento Eucar\u00edstico) algo se fa\u00e7a ou se diga irreverentemente e, ensinando com dilig\u00eancia aos outros o que devem crer acerca deste t\u00e3o soberano mist\u00e9rio e de que modo devem vener\u00e1-lo\u201d<\/em> (2).<\/p>\n<p>Para tentar perceber esta preocupa\u00e7\u00e3o de Vicente de Paulo \u00e9 preciso recordar a situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica em que se encontrava a liturgia, em Fran\u00e7a, nos primeiros anos da sua vida sacerdotal. Por raz\u00f5es pol\u00edticas, os decretos do Conc\u00edlio de Trento, 50 anos ap\u00f3s a sua conclus\u00e3o, ainda n\u00e3o tinham sido publicados em Fran\u00e7a, com for\u00e7a de lei. Isto aconteceu, apenas, em 1615, com a publica\u00e7\u00e3o da \u201cPragm\u00e1tica San\u00e7\u00e3o\u201d de Lu\u00eds XIII. Numa confer\u00eancia\u00a0 aos seus confrades sobre uma certa uniformidade na maneira de pregar e de exercer o minist\u00e9rio, para n\u00e3o criar confus\u00e3o e desorienta\u00e7\u00e3o nos fi\u00e9is, lembra os disparates na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia: <em>\u201cse tiv\u00e9sseis visto, nem falo de como era esteticamente desagrad\u00e1vel, mas apenas da diversidade das cerim\u00f3nias da missa, h\u00e1 40 anos, v\u00f3s sentir\u00edeis vergonha; julgo n\u00e3o haver nada no mundo t\u00e3o feio como a diversidade com que se celebrava: uns come\u00e7avam a celebra\u00e7\u00e3o pelo \u201cPater noster\u201d; outros levavam a casula no bra\u00e7o e vestiam-na depois do \u201cIntro\u00edbo altare Dei\u201d. Certa ocasi\u00e3o, em S. Germain, contei sete ou oito sacerdotes celebrando cada um ao seu jeito: uns faziam umas cerim\u00f3nias, outros, faziam outras; uma variedade digna de lamenta\u00e7\u00e3o. Bendito seja Deus que se foi pondo um pouco de ordem nisto; \u00e9 certo que ainda se nota muita diferen\u00e7a na celebra\u00e7\u00e3o dos sagrados mist\u00e9rios. Quantos sacerdotes ainda est\u00e3o nesta situa\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o estudam ou n\u00e3o querem seguir as normas das rubricas <\/em>(3).<\/p>\n<p>A grande preocupa\u00e7\u00e3o do Padre Vicente \u00e9 evitar confus\u00e3o nas pessoas. Viviam-se tempos de rutura, por vezes muito agressiva. Era preciso criar alguma uniformidade para que se identificasse a Comunidade cat\u00f3lica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras confiss\u00f5es crist\u00e3s. \u00c9 interessante notar que ele, implicitamente, faz alus\u00e3o aos debates do Conc\u00edlio de Trento, quando diz: <em>\u201cainda que alguns criticassem a celebra\u00e7\u00e3o feita numa l\u00edngua inintelig\u00edvel, todavia para se conservar certa uniformidade de esp\u00edrito, depois de tudo bem pesado e de se ter avaliado esta dificuldade em compara\u00e7\u00e3o com os inconvenientes que resultariam se cada pa\u00eds celebrasse a Santa Missa na sua pr\u00f3pria l\u00edngua, decidiu-se pela uniformidade em todas estas coisas. Decidiu-se que todas as na\u00e7\u00f5es se acomodariam aos usos que se determinaram, apesar das queixas em contr\u00e1rio. E porqu\u00ea? Porque, com esta pr\u00e1tica, se cria uniformidade e se evitam grandes abusos\u201d <\/em>(4).<\/p>\n<p>\u00c9 interessante notar que o princ\u00edpio que esteve na origem da revis\u00e3o do Missal Romano, aprovado por S\u00e3o Pio V, \u00e9 o mesmo princ\u00edpio que presidiu \u00e0 Revis\u00e3o do Missal Romano ap\u00f3s o Vaticano II, publicado por S\u00e3o Paulo VI, e bem expresso na constitui\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica \u201cMissale Romanum\u201d: \u201c<em>N\u00e3o se deve pensar que esta renova\u00e7\u00e3o do Missal Romano tenha sido feita de modo improvisado, pois o seu caminho foi preparado pelo progresso das disciplinas lit\u00fargicas nos \u00faltimos quatro s\u00e9culos. Se, de facto, ap\u00f3s o Conc\u00edlio Tridentino, o estudo dos antigos manuscritos da Biblioteca Vaticana e de outros recolhidos de toda parte, como se exprime a Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0\u201cQuo Primum\u201d\u00a0de nosso predecessor S\u00e3o Pio V, muito contribuiu para a revis\u00e3o do Missal Romano, de ent\u00e3o para c\u00e1 tamb\u00e9m foram descobertas e publicadas as mais antigas fontes lit\u00fargicas\u201d<\/em> (5).<\/p>\n<p>Os instrumentos de investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e arqueol\u00f3gica de hoje trouxeram ao nosso conhecimento elementos que n\u00e3o estavam ao alcance dos investigadores do s\u00e9culo XVI.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o era isto que preocupava o Padre Vicente; ele n\u00e3o tem uma posi\u00e7\u00e3o de princ\u00edpio, mas uma posi\u00e7\u00e3o pastoral. Reconhece que houve debate; que esse debate era razo\u00e1vel, mas nas circunst\u00e2ncias da altura, pareceu pastoralmente mais aconselh\u00e1vel optar pela uniformidade, sem p\u00f4r em causa tradi\u00e7\u00f5es diferentes legitimamente constitu\u00eddas, como seja os ritos ambrosiano, bracarense, mo\u00e7\u00e1rabe, dominicano.<\/p>\n<p>Para o Padre Vicente de Paulo, \u00e9 importante n\u00e3o criar confus\u00e3o na cabe\u00e7a das pessoas nem nas comunidades cat\u00f3licas a bra\u00e7os com muitas for\u00e7as divisionistas. As Comunidades luteranas e calvinistas tinham criado as suas liturgias em vern\u00e1culo. Era importante que, nos v\u00e1rios pa\u00edses da Europa e nas novas terras, em que a atividade mission\u00e1ria estava a desenvolver-se, houvesse uniformidade e que as n\u00e3o confundissem com as novas Comunidades crist\u00e3s em rutura com a Igreja cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>Em vista do crescimento espiritual do povo crist\u00e3o, o Padre Vicente de Paulo sentia a urg\u00eancia no cora\u00e7\u00e3o, a pressa na a\u00e7\u00e3o e a clareza nas palavras.<\/p>\n<p><strong><em>P. Jos\u00e9 Alves, CM<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/p>\n<p>(1) San Vicente de Pa\u00fal, <em>Obras Completas<\/em>, X, 508.<br \/>\n(2) San Vicente de Pa\u00fal, <em>Obras Completas<\/em>, X, 508.510.<br \/>\n(3) San Vicente de Pa\u00fal, <em>Obras Completas<\/em>, XI, 550.<br \/>\n(4) San Vicente de Paul, <em>Obras Completas<\/em>, XI, 550.<br \/>\n(5) Paulo VI, <em>Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cMissale Romanum\u201d<\/em>, 03 de abril de 1969.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Jos\u00e9 Alves, Congrega\u00e7\u00e3o da 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