{"id":385073,"date":"2025-07-23T09:04:16","date_gmt":"2025-07-23T08:04:16","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=385073"},"modified":"2025-07-23T16:52:26","modified_gmt":"2025-07-23T15:52:26","slug":"lusofonias-angola-50-anos-de-luzes-e-sombras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-angola-50-anos-de-luzes-e-sombras\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Angola, 50 anos de luzes e sombras"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/LusofoniasAngola50anos28-7-2025.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-385074 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/LusofoniasAngola50anos28-7-2025-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/LusofoniasAngola50anos28-7-2025-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/LusofoniasAngola50anos28-7-2025-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/LusofoniasAngola50anos28-7-2025-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/LusofoniasAngola50anos28-7-2025-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/LusofoniasAngola50anos28-7-2025.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Huambo, 21 de janeiro de 2025. No fim de uma sess\u00e3o no Instituto Cat\u00f3lico (ISPOCAB), abriu-se o espa\u00e7o de debate. Um mission\u00e1rio anci\u00e3o, latino-americano, disparou-me esta pergunta: \u201950 anos depois, o que pensa da independ\u00eancia de Angola?\u2019. A minha resposta foi clara: \u2018a independ\u00eancia \u00e9 um direito dos povos, s\u00f3 posso alegrar-me e felicitar os angolanos por serem independentes\u2019. Pouco satisfeito com a resposta, avan\u00e7ou com outra: \u2018E como portugu\u00eas, como v\u00ea a independ\u00eancia de Angola?\u2019. Eu brinquei um pouco, agradeci a \u2018armadilha\u2019 e reafirmei: \u2018como portugu\u00eas, como padre, como cidad\u00e3o do mundo, s\u00f3 me posso alegrar e associar \u00e0 festa!\u2019. As centenas de pessoas que enchiam o audit\u00f3rio brindaram-me com uma prolongada e animada salva de palmas, mas eu n\u00e3o disse o que disse com o objetivo de agradar. Penso mesmo que todas as independ\u00eancias s\u00e3o um direito inalien\u00e1vel e celebrar 50 anos de uma independ\u00eancia deve ser motivo de muita festa. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 que avaliar.<\/p>\n<p>Come\u00e7o assim esta cr\u00f3nica para saudar a feliz iniciativa da Confer\u00eancia Episcopal de Angola e S. Tom\u00e9 (CEAST) de escrever e publicar, a 17 de julho, uma longa e bem trabalhada mensagem para celebrar os 50 anos da independ\u00eancia deste pa\u00eds lus\u00f3fono. Tem sido muito citada, ora para apoiar ora para contestar algumas das perspetivas ali gravadas. Com 48 densos pontos, acho o esquema feliz e provocador. Come\u00e7a por referir todos os ganhos de uma vit\u00f3ria frente ao colonialismo. E, depois de deixarem claro que a independ\u00eancia \u00e9 uma gra\u00e7a a celebrar, os Bispos t\u00eam a coragem de p\u00f4r o dedos em algumas das feridas abertas e ainda n\u00e3o cicatrizadas. Falar de \u2018imperativos para mudan\u00e7a\u2019 \u00e9 assumir a miss\u00e3o prof\u00e9tica de corrigir erros e propor caminhos de futuro assentes nos valores que constroem um pa\u00eds com cidad\u00e3os livres, respons\u00e1veis e comprometidos. A parte final consta de dez apelos, todos a apontar para um futuro de justi\u00e7a, paz, democracia e respeito pelos direitos humanos. S\u00e3o interessantes e desafiantes as compara\u00e7\u00f5es entre colonialismo e neocolonialismos, as cita\u00e7\u00f5es das interven\u00e7\u00f5es dos Papas Jo\u00e3o Paulo II e Bento XVI em Angola, a liga\u00e7\u00e3o ao Jubileu da Igreja e seus valores, bem como as refer\u00eancias a algumas das mensagens mais marcantes da CEAST ao longo destas \u00faltimas cinco d\u00e9cadas de Angola.<\/p>\n<p>Lembram os Bispos que \u2018a independ\u00eancia foi o culminar de uma resist\u00eancia permanente contra o regime colonial portugu\u00eas e proporcionou a liberdade aos filhos de Angola, resultando em incont\u00e1veis benef\u00edcios\u2019.\u00a0 Jo\u00e3o Paulo II, na sua visita em 1992, num tempo de paz e de elei\u00e7\u00f5es, referiu a import\u00e2ncia da \u2018consolida\u00e7\u00e3o de Angola como um estado de direito, assente nos valores e nos princ\u00edpios da vida, da justi\u00e7a social e do respeito m\u00fatuo\u2019. Esta Mensagem refere, numa primeira parte, aspetos positivos evidentes: \u2018s\u00e3o luzes que aplaudimos e de que nos orgulhamos\u2019.<\/p>\n<p>Com esp\u00edrito cr\u00edtico e construtivo, a CEAST aponta alguns \u2018imperativos para a mudan\u00e7a\u2019 que se imp\u00f5em, para bem do povo. Falam de \u2018estender a justi\u00e7a social em favor de todos (\u2026), com igualdade de oportunidades\u2019, \u2018prestando mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 exig\u00eancias da justi\u00e7a social\u2019. \u00c9 importante e necess\u00e1rio reconhecer \u2018os nossos erros, as nossa sombras e insufici\u00eancias\u2019. Falam os Bispos do \u2018pouco apoio \u00e0 agricultura familiar\u2019; do \u2018contrabando e purga de minerais, inertes, combust\u00edveis e outros recursos p\u00fablicos\u2019; deficiente pol\u00edtica educativa\u2019; \u2018falta de sa\u00fade de qualidade\u2019; \u2018aberrante e alarmante desvio de fundos p\u00fablicos, escandalosa expatria\u00e7\u00e3o de capitais\u2019, \u2018degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente\u2019; \u2018escandalosa l\u00f3gica de oportunismo\u2019; \u2018crescimento desordenado das cidades\u2019; \u2018falta de estradas, pontes e v\u00e1rias outras infraestruturas p\u00fablicas\u2019\u2026e a convic\u00e7\u00e3o de h\u00e1 restri\u00e7\u00f5es \u00e0 liberdade de express\u00e3o, o sistema pol\u00edtico \u00e9 centralizado e autocr\u00e1tico\u00a0 e os conflitos herdados do passado mant\u00eam reflexos nefastos nas rela\u00e7\u00f5es hoje entre partidos\u2026<\/p>\n<p>Tudo somado, a independ\u00eancia foi um ganho enorme. \u00c9 importante que \u2018Angola seja cada dia mais independente, auto determinada e soberana\u2019. Entre os Apelos Finais, saliento o \u00faltimo que diz que \u2018\u00e9 fundamental a educa\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es nos valores sociais, culturais, \u00e9ticos e crist\u00e3os para que elas percebam que s\u00e3o o presente o futuro da Na\u00e7\u00e3o\u2019.<\/p>\n<p><em>Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - Angola, 50 anos de luzes e sombras\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" 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