{"id":384820,"date":"2025-07-20T09:22:29","date_gmt":"2025-07-20T08:22:29","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=384820"},"modified":"2025-07-18T12:24:31","modified_gmt":"2025-07-18T11:24:31","slug":"clientes-ou-discipulos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/clientes-ou-discipulos\/","title":{"rendered":"Clientes ou Disc\u00edpulos?"},"content":{"rendered":"<p>Pe. V\u00edtor Pereira,\u00a0Diocese de Vila Real<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_268285\" aria-describedby=\"caption-attachment-268285\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-268285\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-268285\" class=\"wp-caption-text\">Padre Vitor Pereira, Diocese de Vila Real<\/figcaption><\/figure>\n<p>No Angelus do dia 6 de julho, o Papa Le\u00e3o XIV afirmou: \u201cA Igreja e o mundo n\u00e3o precisam de pessoas que cumprem os seus deveres religiosos mostrando a sua f\u00e9 como um r\u00f3tulo exterior; precisam, pelo contr\u00e1rio, de oper\u00e1rios desejosos de trabalhar no campo da miss\u00e3o, de disc\u00edpulos apaixonados que testemunhem o Reino de Deus onde quer que estejam. Talvez n\u00e3o faltem os \u201ccrist\u00e3os de ocasi\u00e3o\u201d, que s\u00f3 de vez em quando d\u00e3o lugar a algum sentimento religioso ou participam em algum evento; mas poucos s\u00e3o aqueles que est\u00e3o prontos a trabalhar todos os dias no campo de Deus, cultivando no seu cora\u00e7\u00e3o a semente do Evangelho para depois lev\u00e1-la \u00e0 vida quotidiana, \u00e0 fam\u00edlia, aos locais de trabalho e de estudo, aos v\u00e1rios ambientes sociais e \u00e0queles que se encontram em necessidade.\u201d<\/p>\n<p>Infelizmente, temos muitos crist\u00e3os de ocasi\u00e3o, que s\u00f3 t\u00eam f\u00e9 para certas ocasi\u00f5es, que andam desaparecidos durante todo o ano da vida da comunidade e aparecem agora nas festas, nos batizados e casamentos de Ver\u00e3o. Todos s\u00e3o bem-vindos, certamente, e a Igreja \u00e9 de todos e para todos, sem d\u00favida, mas h\u00e1 que dizer a estes crist\u00e3os que n\u00e3o \u00e9 assim que se \u00e9 crist\u00e3o e est\u00e1-se a viver de forma errada a condi\u00e7\u00e3o de disc\u00edpulo de Cristo e membro da Igreja. O primeiro cap\u00edtulo da Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica Lumen Gentium do Conc\u00edlio Vaticano II sublinha um dado fundamental: a Igreja \u00e9 um mist\u00e9rio de comunh\u00e3o com a Sant\u00edssima Trindade. A Igreja \u00e9 uma comunidade de irm\u00e3os alicer\u00e7ada e unida a Jesus Cristo, no mesmo Esp\u00edrito, que aceita viver num mesmo amor, caminhar num mesmo sentido e num mesmo caminho e partilhar a vida e os bens da vida para bem de todos, \u00e0 imagem da comunh\u00e3o profunda e santa que reina no seio da Trindade. Assim sendo, aceitar ser crist\u00e3o \u00e9 abandonar o individualismo e o ego\u00edsmo (eis a verdadeira convers\u00e3o) e abrir-se \u00e0 comunh\u00e3o com Deus e com a Igreja, \u00e9 assumir livremente a condi\u00e7\u00e3o de batizado e comprometer-se a seguir Jesus Cristo, na e com a Igreja, vivendo como seu disc\u00edpulo e membro ativo e participativo da Igreja.<\/p>\n<p>Muitos crist\u00e3os, ou por falta de forma\u00e7\u00e3o, ou incapazes de se desligarem da cultura e da mentalidade deste tempo, marcadamente individualista, ou at\u00e9 por comodismo, manifestam n\u00e3o entender a dimens\u00e3o comunit\u00e1ria da sua f\u00e9 crist\u00e3. S\u00f3 tem sentido aceitar ser crist\u00e3o se se est\u00e1 disposto a viver em comunh\u00e3o com a Igreja e a caminhar em Igreja. Infelizmente muitos crist\u00e3os julgam que se podem chamar de crist\u00e3os s\u00f3 porque tem o seu nome no livro de batismos ou porque concordam formalmente com os princ\u00edpios e os valores da doutrina e da pr\u00e1xis da Igreja, sem se importarem minimamente com a vida da Igreja e de viverem em comunh\u00e3o com a Igreja, querendo viver sempre ao sabor dos seus interesses, gostos e conveni\u00eancias. Quem assim pensa e vive n\u00e3o tenha d\u00favidas de que vive numa rela\u00e7\u00e3o ilus\u00f3ria com Jesus Cristo e vive erradamente a sua f\u00e9 crist\u00e3.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma consequ\u00eancia clara desta mentalidade que se entranhou no esp\u00edrito de um bom n\u00famero de crist\u00e3os estivais: a Igreja n\u00e3o \u00e9 a sua comunidade e a sua fam\u00edlia, colocada no centro dos seus interesses e da sua vida, com a qual e para a qual se procura viver, mas \u00e9 antes uma prestadora de servi\u00e7os e bens para quando convier. Muitos crist\u00e3os n\u00e3o s\u00e3o disc\u00edpulos de Cristo e membros da Igreja, s\u00e3o clientes da Igreja, que n\u00e3o se interessam da Igreja, nem se importam de viver em comunh\u00e3o com a Igreja, e que, quando muito bem lhes interessar, batem \u00e0 porta da Igreja para obterem bens ou servi\u00e7os religiosos e espirituais para consumo individual, sacramentos para reunir a fam\u00edlia e os amigos (temos crist\u00e3os que pedem batismos e matrim\u00f3nios e nunca mais aparecem), porque toda a oportunidade de fazer festa \u00e9 imperd\u00edvel e fica mal n\u00e3o cumprir a tradi\u00e7\u00e3o, ou para solicitarem qualquer outra coisa para ultrapassar dificuldades e problemas. S\u00e3o crist\u00e3os que se servem da Igreja, mas n\u00e3o querem ser e viver em Igreja.<\/p>\n<p>Tudo isto \u00e9 uma grave deturpa\u00e7\u00e3o da viv\u00eancia da f\u00e9 crist\u00e3. Jesus Cristo quer uma Igreja de disc\u00edpulos, que verdadeiramente o querem amar e seguir todos os dias e se disp\u00f5em a viver em comunh\u00e3o com Ele e uns com os outros, e n\u00e3o uma Igreja de clientes, que querem bens de Deus para comodamente viverem para si, sem vontade e disposi\u00e7\u00e3o de caminhar e viver em comunh\u00e3o com os outros. \u00c9 preciso acabar com o esp\u00edrito clientelista dentro da Igreja.<\/p>\n<p>A Igreja \u00e9 para todos, todos, todos, mas para todos que de facto queiram ser disc\u00edpulos de verdade de Jesus Cristo, ser membros comprometidos na vida da Igreja, todos que queiram fazer do Evangelho a fonte e alimento da sua vida e que est\u00e3o dispostos a colaborar na miss\u00e3o da Igreja.<\/p>\n<p>Pe. V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila Real<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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