{"id":384450,"date":"2025-07-16T08:00:59","date_gmt":"2025-07-16T07:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=384450"},"modified":"2025-07-18T18:01:28","modified_gmt":"2025-07-18T17:01:28","slug":"cultura-a-experiencia-orante-e-poetica-de-jose-augusto-mourao-que-rui-vasconcelos-acredita-poder-alimentar-a-igreja-de-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cultura-a-experiencia-orante-e-poetica-de-jose-augusto-mourao-que-rui-vasconcelos-acredita-poder-alimentar-a-igreja-de-hoje\/","title":{"rendered":"Cultura: A experi\u00eancia orante e po\u00e9tica de Jos\u00e9 Augusto Mour\u00e3o que Rui Vasconcelos acredita poder \u00abalimentar\u00bb a Igreja de hoje"},"content":{"rendered":"<p><em>Investigador em Teologia Pr\u00e1tica, encontra no estudo paciente e na procura das palavras, \u00abmeios para dizer o mist\u00e9rio de Deus\u00bb<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_384452\" aria-describedby=\"caption-attachment-384452\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/rui-vasconcelos4.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-384452 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/rui-vasconcelos4.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/rui-vasconcelos4.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/rui-vasconcelos4-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/rui-vasconcelos4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/rui-vasconcelos4-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/rui-vasconcelos4-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-384452\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>isboa, 16 jul 2025 (Ecclesia) \u2013 Rui Vasconcelos, investigador em Teologia pr\u00e1tica, da obra do poeta e frade dominicano Jos\u00e9 Augusto Mor\u00e3o, disse que os poemas do frei, desaparecido em 2011, podem \u201calimentar pessoas e pequenos grupos\u201d que \u201cbuscam palavras para a sua ora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA poesia de Jos\u00e9 Augusto Mour\u00e3o surge no contexto da liturgia, na heran\u00e7a p\u00f3s-conciliar dos anos 70 e, para ele, \u00e9 fundamental a presen\u00e7a do corpo. A liturgia precisava de prepara\u00e7\u00e3o, de investimento. E a cria\u00e7\u00e3o po\u00e9tica para a liturgia era uma forma desse investimento. Ele detestava a improvisa\u00e7\u00e3o, era um textualista, ou seja, a poesia era trabalhada e retrabalhada e voltava a ser trabalhada, quer por ele, quer pela comunidade, privilegiando sempre a dic\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria\u201d, traduz o investigador, em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.<\/p>\n<p>Rui Vasconcelos defendeu uma tese de Doutoramento em Teologia, especialidade em Teologia Pr\u00e1tica, sobre o tema \u00abA constru\u00e7\u00e3o do discurso teol\u00f3gico na obra de Jos\u00e9 Augusto Mour\u00e3o\u00bb, autor que conheceu pela \u201cpoesia orante\u201d e pelo trabalho \u201cdepurado e dif\u00edcil das palavras\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO primeiro contato foi traum\u00e1tico, como qualquer primeiro contato com as homilias de Jos\u00e9 Augusto Mour\u00e3o deve ser traum\u00e1tico, mas depois uma pessoa vai percebendo as intui\u00e7\u00f5es, as frases fortes, e algu\u00e9m com o seu percurso biogr\u00e1fico, percebe o investimento\u201d, explica.<\/p>\n<p>Rui Vasconcelos lamenta o que apelida de \u201cliturgia fast-food\u201d, \u201cigual em cada par\u00f3quia e comunidade\u201d, sem investir \u201cnum corpo concreto, comunit\u00e1rio\u201d que se \u201cre\u00fane para fazer mem\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cQuando se participa numa celebra\u00e7\u00e3o, \u00e9 com as pessoas e para as pessoas. Entrar naquela igreja e no dia seguinte ir \u00e0 do lado, e participar exatamente no mesmo, como se fosse uma linha de produ\u00e7\u00e3o, trata-se de aplicar um padr\u00e3o \u2018standard\u2019 em qualquer contexto, em qualquer momento, com quaisquer pessoas. \u00c9 um empobrecimento muito grande do corpo. Entramos a\u00ed na l\u00f3gica do corpo presente. Jos\u00e9 Augusto Mour\u00e3o dizia isto: &#8216;procurando guardar as palavras, estamos a perder o sentido&#8217;\u201d, explica.<\/p><\/blockquote>\n<p>\u201cO dep\u00f3sito da f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 algo et\u00e9reo que temos na mente; a nossa f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 algo que temos na nossa mente e que depois podemos dizer de qualquer maneira. O modo como se diz as palavras, importa. E temos um discurso t\u00e3o corrido, t\u00e3o desvalorizado no sentido inflacionado com tantas palavras, que perdemos a import\u00e2ncia e o saber de cada palavra. Jos\u00e9 Augusto Mour\u00e3o ensinou-me isso\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Num tempo de sinodalidade, Rui Vasconcelos quer acreditar que a poesia do frade dominicano poder\u00e1 \u201calimentar pessoas e pequenos grupos, que buscam, de facto, palavras para a sua ora\u00e7\u00e3o\u201d, mas evidencia a \u201cretra\u00e7\u00e3o\u201d e a op\u00e7\u00e3o pela \u201cmanuten\u00e7\u00e3o de estruturas\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cAs pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00f3 a Igreja, est\u00e3o em fase de retraimento, de encolhimento de meios, de pessoas, o que torna ainda mais dif\u00edcil haver espa\u00e7o para aventuras pessoais para biografias pessoais de explora\u00e7\u00e3o, de descoberta, de risco. O mais f\u00e1cil \u00e9 manter a estrutura, quem somos, o que temos\u201d, reconhece.<\/p><\/blockquote>\n<p>O investigador evidencia o tempo, a paci\u00eancia, o estudo necess\u00e1rio para se caminhar na Teologia, contrariando o contexto atual de velocidade: \u201cJos\u00e9 Augusto Mour\u00e3o passou a sua vida no confronto com os textos, com as obras. N\u00f3s vivemos com muitas fun\u00e7\u00f5es, com muitas responsabilidades, muitos trabalhos, o que nos retira essa disponibilidade para o confronto com o texto, que \u00e9 um confronto muito paciente, muito lento, muito dif\u00edcil\u201d.<\/p>\n<p>Rui Vasconcelos explica ainda o processo que Jos\u00e9 Augusto Mour\u00e3o desencadeia no leitor, \u201clibertando o texto\u201d e confrontando o leitor com as palavras \u201csem inten\u00e7\u00f5es do autor\u201d.<\/p>\n<p>O investigador, que iniciou o estudo da Teologia aos 19 anos, procura as palavras para compreender o \u201cmist\u00e9rio\u201d.<\/p>\n<p>\u201cComecei o estudo da Teologia, e ficou at\u00e9 hoje. Procurar as palavras para o mist\u00e9rio de Deus, para o nosso mist\u00e9rio, como pessoas, para a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, a hist\u00f3ria b\u00edblica, para perceber que a experi\u00eancia religiosa \u00e9 abra\u00e2mica, porque partimos para uma terra, a qual n\u00e3o conhecemos, j\u00e1 somos velhos, j\u00e1 muito carregados. O estudo da Teologia obriga-me a procurar essas palavras\u201d, indica.<\/p>\n<p>A conversa com Rui Vasconcelos pode ser acompanhada no programa ECCLESIA, esta noite, na Antena 1, e disponibilizada no podcast \u00abAlarga a tua tenda\u00bb.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: As palavras e os poemas de Jos\u00e9 Augusto Mour\u00e3o e a \u00absoleira\u00bb que Rui Vasconcelos persegue\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/1ls4OpWPDJunQjnvmGOVrc?si=itWRfyX2QWqcNSclPHqy6g&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Investigador em Teologia Pr\u00e1tica, encontra no estudo paciente e na procura das palavras, \u00abmeios para dizer o mist\u00e9rio de 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