{"id":384361,"date":"2025-07-16T09:58:36","date_gmt":"2025-07-16T08:58:36","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=384361"},"modified":"2025-07-15T10:01:13","modified_gmt":"2025-07-15T09:01:13","slug":"carta-a-um-jovem-presbitero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/carta-a-um-jovem-presbitero\/","title":{"rendered":"Carta a um jovem presb\u00edtero"},"content":{"rendered":"<p><em>Jorge Teixeira da Cunha, Diocese do Porto<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-321545 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>Fa\u00e7o parte de um conjunto de padres que j\u00e1 olham o entardecer da vida, tendo j\u00e1 passaram \u201co peso do dia e o seu calor\u201d. Posso dizer, em nome da maioria, que muito folgamos com a tua chegada ao servi\u00e7o presbiteral. Quando vemos que o fen\u00f3meno da voca\u00e7\u00e3o sacerdotal ainda vai dando frutos, no tempo incerto em que vivemos, muito felizes nos sentimos. Um dia, tamb\u00e9m n\u00f3s fomos tocados pela centelha de divino que constitui a voca\u00e7\u00e3o e, no meio de dificuldades e d\u00favidas, aceit\u00e1mos avan\u00e7ar. Por isso, s\u00ea bem-vindo. Esperamos que algum exemplo que deixamos possa ser-te \u00fatil para o caminho que agora come\u00e7as e esperamos que seja longo e feliz.<\/p>\n<p>N\u00e3o quero dar-te conselhos. Mas h\u00e1s-de consentir-me que te d\u00ea um breve testemunho, assente nas mais de quatro d\u00e9cadas de experi\u00eancia de vida presbiteral. A nossa forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi melhor do que a tua. Tivemos talvez uma vantagem: como a nossa sociedade e a nossa Igreja viviam uma prodigiosa explos\u00e3o de esperan\u00e7a, no \u00faltimo ter\u00e7o do s\u00e9culo passado, foi-nos talvez mais f\u00e1cil partir de baterias carregadas para a longa estiagem que se seguiu. Era o tempo que se seguiu ao Conc\u00edlio Vaticano II e \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o do 25 de Abril. Interioriz\u00e1mos intensamente o gosto da vida sacerdotal, num tempo em que gost\u00e1vamos mais de ser sacerdotes do que de parec\u00ea-lo. Mas n\u00e3o fiques a lamentar o tempo que te \u00e9 dado viver. Os desafios de hoje s\u00e3o talvez maiores do que os do meu tempo. Na nossa juventude fic\u00e1vamos extenuados para atender o povo de Deus que comparecia massivamente \u00e0s nossas celebra\u00e7\u00f5es. Hoje tudo \u00e9 diferente.<\/p>\n<p>Tal como n\u00f3s, ter\u00e1s de alimentar o teu sacerd\u00f3cio numa empatia sem tr\u00e9guas com o mist\u00e9rio pascal de Jesus. Sem essa experi\u00eancia m\u00edstica e orante, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a perseveran\u00e7a. Repara que isso n\u00e3o se consegue num dia, nem num ano, nem em todo o tempo da forma\u00e7\u00e3o que te foi proporcionado. \u00c9 um longo exerc\u00edcio de escuta do rumor da vida, em ti e naqueles que contigo se cruzam. Espero que tenhas bons encontros, aqueles encontros que, se estiveres atento, te s\u00e3o proporcionados pela Provid\u00eancia que age misteriosamente pelos interst\u00edcios da espuma dos dias. Tens de ser um orante sem ser um rezador. Nunca me esque\u00e7o o que um antigo professor de teologia, que nem era grande coisa, mas me ensinou a diferente entre a ora\u00e7\u00e3o e o psitacismo. Esta \u00faltima palavra, pouco frequente, exprime uma disfun\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica que consiste na separa\u00e7\u00e3o entre a mente e a linguagem. A ora\u00e7\u00e3o come\u00e7a tarde na vida, como testemunham os m\u00edsticos. Mas \u00e9 necess\u00e1rio n\u00e3o descuidar a manh\u00e3 da vida, mesmo na secura da espera. N\u00e3o esque\u00e7as que o afecto \u00e9 a porta de entrada na condi\u00e7\u00e3o de sujeito da vida divina e da vida humana que s\u00e3o a mesma vida. Por isso, n\u00e3o te deixes desligar da fonte que n\u00e3o deixa de correr.<\/p>\n<p>Se um conselho te posso dar \u00e9 que ligues o teu sacerd\u00f3cio ao grupo dos 72 disc\u00edpulos, de prefer\u00eancia ao grupo dos 12. Os 12 Ap\u00f3stolos s\u00e3o evidentemente importantes como estrutura da miss\u00e3o da Igreja. Mas os 72, de que fala Lucas, s\u00e3o os mission\u00e1rios invis\u00edveis e informais que assinalam a conquista da realidade, com o destino do sal. Mas \u00e9 deles que o Cristo diz que s\u00e3o eficazes na precipita\u00e7\u00e3o de Satan\u00e1s como um raio em c\u00e9u sereno. Isso quer dizer que participam invisivelmente na cria\u00e7\u00e3o e reden\u00e7\u00e3o. S\u00e3o esses que fundam um esp\u00edrito sacerdotal como ele deve ser: uma causalidade s\u00f3 manifesta no efeito, um poder que s\u00f3 vem do cora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o do bast\u00e3o.<\/p>\n<p>Enfim, se ainda tens paci\u00eancia, ainda te digo uma coisa mais. Espero que a tua seguran\u00e7a como sacerdote te venha de seres sentinela e n\u00e3o de seres cortes\u00e3o. Sei que hoje vives um pouco inquieto quando ao modo de fundar o teu sacerd\u00f3cio e a tua perseveran\u00e7a. Espero que n\u00e3o confies na placagem psicol\u00f3gica que tanto te pode vir da ala progressista como da conservadora. N\u00e3o cedas ao impulso de apoucar a tua dignidade pela vulgaridade com que serves o povo de Deus nem de a tentar acrescentar pelos adere\u00e7os, um pouco rid\u00edculos, de um passado que n\u00e3o foi nada do que parece. Com os olhos postos Naquele que \u00e9 a cabe\u00e7a da Igreja, nunca culpes o teu povo pela falta de f\u00e9 e pela aus\u00eancia na pr\u00e1tica religiosa. Quanto mais sozinho estiveres na tua celebra\u00e7\u00e3o mais te concentra na ac\u00e7\u00e3o que realizas. Chora os teus pecados em vez de chorar os que julgas que s\u00e3o do povo que te \u00e9 dado servir.<\/p>\n<p>Aceita um abra\u00e7o dos mais velhos que te sa\u00fadam fraternalmente.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Teixeira da Cunha, Diocese do Porto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":321545,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-384361","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/384361","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=384361"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/384361\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/321545"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=384361"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=384361"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=384361"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}