{"id":384149,"date":"2025-07-13T09:31:28","date_gmt":"2025-07-13T08:31:28","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=384149"},"modified":"2025-07-12T20:16:59","modified_gmt":"2025-07-12T19:16:59","slug":"igreja-sociedade-estamos-perante-uma-crise-do-multilateralismo-domingos-fezas-vital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-sociedade-estamos-perante-uma-crise-do-multilateralismo-domingos-fezas-vital\/","title":{"rendered":"Igreja\/Sociedade: \u00abEstamos perante uma crise do multilateralismo\u00bb &#8211; Domingos Fezas Vital"},"content":{"rendered":"<p><em>O embaixador de Portugal na Santa S\u00e9, desde dezembro de 2021, foi exonerado do cargo este m\u00eas ap\u00f3s ter atingido o limite de idade. Mais de tr\u00eas anos de trabalho num posto de observa\u00e7\u00e3o privilegiado sobre todo o mundo s\u00e3o agora recordados em entrevista conjunta \u00e0 Renascen\u00e7a e \u00e0 Ag\u00eancia Ecclesia<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_384152\" aria-describedby=\"caption-attachment-384152\" style=\"width: 1080px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-09-at-13.23.20.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-384152 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-09-at-13.23.20.jpeg\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-09-at-13.23.20.jpeg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-09-at-13.23.20-400x267.jpeg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-09-at-13.23.20-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-09-at-13.23.20-768x512.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-09-at-13.23.20-391x260.jpeg 391w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-384152\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Vatican Media<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>Teve oportunidade de despedir-se do Papa Le\u00e3o XIV no \u00faltimo dia 5 de julho. Pergunto-te como correu este encontro e, sobretudo, que imagem guarda deste novo Papa? <\/em><\/p>\n<p>O encontro foi extremamente tocante para mim. Obviamente que uma despedida \u00e9 sempre um momento especial. O Santo Padre quis ser particularmente generoso, tendo-me recebido a mim, mas tamb\u00e9m \u00e0 minha mulher e \u00e0 minha fam\u00edlia, aos meus filhos e aos meus netos.<\/p>\n<p>Ele foi informado de que, no dia seguinte, a minha mulher e eu festejar\u00edamos os nossos 40 anos de casamento e, portanto, acedeu ao pedido que eu tinha feito para marcarmos essa data tamb\u00e9m com esta audi\u00eancia com ele, com esta audi\u00eancia de despedida. Foi, portanto, um momento muito importante, n\u00e3o s\u00f3 para mim, obviamente, mas para toda a fam\u00edlia, para todos n\u00f3s, para a minha mulher, para os meus filhos, para os meus netos e tamb\u00e9m para a minha sogra, que esteve connosco tamb\u00e9m nessa ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E ficou sensibilizado por essa dimens\u00e3o humana? \u00a0<\/em><\/p>\n<p>Absolutamente. E foi uma dimens\u00e3o muito presente no encontro. O Papa foi de uma enorme ternura com os meus netos, na forma como lidou com eles, de uma enorme simpatia e jovialidade na conversa connosco. Foi ele que nos colocou onde dev\u00edamos ficar para as fotografias, por exemplo, e depois, foi tamb\u00e9m de uma enorme generosidade, no imediato assentimento ao meu pedido, para que rez\u00e1ssemos todos em conjunto uma Ave Maria, pedindo a intercess\u00e3o de Nossa Senhora de F\u00e1tima pela paz no mundo. N\u00f3s rez\u00e1mos em conjunto, ele come\u00e7ou por me perguntar em que l\u00edngua \u00e9 que eu queria que a ora\u00e7\u00e3o fosse, e eu disse: Santo Padre, se puder ser em portugu\u00eas! E ele sorriu e disse-me, bom, mas a\u00ed ent\u00e3o ter\u00e1 de ser o embaixador a liderar e eu acompanho. Ele quis come\u00e7ar n\u00e3o com a Ave Maria, mas com o Pai Nosso. \u00a0Rez\u00e1mos um Pai Nosso e uma Ave Maria. Acompanhou muit\u00edssimo bem, num excelente portugu\u00eas, com um leve destaque brasileiro, mas muit\u00edssimo bem e foi um momento, obviamente, muito tocante, muito emocionante para todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No final, ele quis ter palavras muito simp\u00e1ticas para o meu mandato por aqui, pela forma como o tinha exercido e foi um pretexto para recordarmos alguns dos principais momentos que marcaram esse mandato e ele disse-me, nessa altura, que tinha estado em Portugal, na Jornada Mundial da Juventude, com o Papa Francisco e disse-me uma coisa que eu registo, que foi o seu desejo de poder voltar a Portugal logo poss\u00edvel. Foi aquilo tudo que eu queria ouvir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Portanto, ficou a\u00ed uma porta aberta, escancarada, para uma visita ao nosso pa\u00eds?<\/em><\/p>\n<p>Esse j\u00e1 foi por diversas vezes tema de conversa com ele e, portanto, ele sabe que h\u00e1 uma enorme vontade em Portugal de o acolher. De o acolher em Portugal, de o acolher em F\u00e1tima. N\u00f3s estamos a falar com um Papa profundamente mariano, um Papa que, a primeira ora\u00e7\u00e3o que ele pediu a quem o ouvia da varanda de S\u00e3o Pedro, da Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro, logo que eleito, foi o Ave Maria. Portanto, \u00e9 um Papa com uma fort\u00edssima dimens\u00e3o mariana e, portanto, F\u00e1tima \u00e9 para ele, obviamente, uma refer\u00eancia importante. Ouvi-lo dizer e confirmar essa vontade \u00e9 muito significativo.<\/p>\n<p>Eu lembro-me quando falei com ele a primeira vez, que foi nos cumprimentos do Corpo Diplom\u00e1tico, eu referi isso e disse-lhe: Santo Padre, Portugal, espera por si. E a resposta dele foi muito inteligente, porque foi a de algu\u00e9m que, n\u00e3o se podendo comprometer no momento, queria que eu sentisse que isso para ele era importante e a resposta foi um obrigado, obrigado. Desta vez foi mais longe e, portanto, a iniciativa foi dele, e foi a de me dizer que, e de me confirmar a sua vontade de visitar Portugal, de voltar a Portugal depois de l\u00e1 ter estado para essa ocasi\u00e3o extraordin\u00e1ria que foi a Jornada Mundial da Juventude, fazendo quest\u00e3o absoluta de dizer que eu estive em Portugal com o Papa Francisco.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>J\u00e1 teremos a oportunidade, mais \u00e0 frente, de falar um pouco mais aprofundadamente sobre a Jornada. Eu antes queria falar do in\u00edcio deste papado, porque desde o seu in\u00edcio, h\u00e1 cerca de dois meses, o Papa tem centrado as suas mensagens na necessidade da paz e da negocia\u00e7\u00e3o. Quando se fala cada vez mais em investimentos no armamento, qual \u00e9 o papel da diplomacia?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que h\u00e1, como diz e bem, eu acho que a palavra paz, o termo paz, \u00e9 recorrente em todos os pronunciamentos p\u00fablicos do Papa Le\u00e3o XIV, mas ele faz acompanhar muitas vezes esse apelo \u00e0 paz de um outro termo, que \u00e9 unidade. Eu julgo que s\u00e3o dois termos que para o Papa se complementam e que valem para o mundo, mas tamb\u00e9m para a Igreja. Ou seja, a unidade em torno de um prop\u00f3sito, que \u00e9 paz, e ele tem aquela express\u00e3o magn\u00edfica de, logo no in\u00edcio do seu pontificado, quando assoma \u00e0 varanda e tem a express\u00e3o: a paz esteja convosco, recordando a mensagem de Cristo ressuscitado, mas quando ele fala de uma paz desarmada e desarmante.<\/p>\n<p>Portanto, isto \u00e9 um apelo ao cora\u00e7\u00e3o dos homens, partindo da ideia de que a paz come\u00e7a no cora\u00e7\u00e3o de cada um. E o apelo \u00e9 feito ao mundo, mas \u00e9 um apelo que vale para a Igreja tamb\u00e9m, porque \u00e9 um apelo \u00e0 paz tamb\u00e9m no interior da Igreja, em prol da unidade, de prop\u00f3sito, tamb\u00e9m dentro do interior da Igreja. Portanto, \u00e9 um apelo que vale para todos e para cada um. Quanto ao papel da diplomacia; o papel da diplomacia do Vaticano sempre foi um papel discreto, que vale muito pela descri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Igreja faz sempre muito pouco alarde do seu papel diplom\u00e1tico, porque entende que essa \u00e9 a melhor forma de servir a causa da paz. E eu julgo que este Papa n\u00e3o fugir\u00e1 ao que tem sido esta forma de exercer a diplomacia por parte da Santa S\u00e9. A primeira coisa que ele fez foi mostrar a disponibilidade da Igreja. Servir como intermedi\u00e1rio, como mediador, quando as partes entenderem que isso pode servir \u00e0 causa da paz. Portanto, foi a primeira preocupa\u00e7\u00e3o que ele teve, desde logo. E de resto, vamos ver como correm as coisas.<\/p>\n<p>Sentir que existe essa disponibilidade e que essa forma de exercer a diplomacia se mant\u00e9m, essa forma discreta de exercer a diplomacia se mant\u00e9m, \u00e9 uma garantia para qualquer parte envolvida em conflito quanto ao papel da Igreja, um papel positivo e construtivo da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O trabalho na Santa S\u00e9 implica contacto com embaixadores de quase duas centenas de pa\u00edses. Quando quem nos est\u00e1 a ouvir recorda cen\u00e1rios como aquele que se v\u00ea em Gaza ou o prolongamento da guerra da Ucr\u00e2nia, que est\u00e1 subentendida na sua resposta anterior, h\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o do fracasso das institui\u00e7\u00f5es internacionais? <\/em><\/p>\n<p>Eu acho que existe a consci\u00eancia de que estamos perante uma crise do multilateralismo, e isso \u00e9 extremamente grave. Grave porque o multilateralismo \u00e9 sempre um instrumento fundamental para resolver quest\u00f5es que dizem respeito a v\u00e1rios pa\u00edses, mas porque os problemas s\u00e3o tamb\u00e9m cada vez mais globais.<\/p>\n<p>Portanto, faz cada vez menos sentido que possamos estar a passar por uma crise do multilateralismo quando as quest\u00f5es s\u00e3o cada vez mais globais. Aqui a Igreja \u00e9 um ponto que temos em comum com as prioridades da pol\u00edtica externa portuguesa, e que \u00e9 exatamente a import\u00e2ncia que quer a Santa S\u00e9, quer Portugal, atribuem ao multilateralismo. E, portanto, h\u00e1 resolu\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es num quadro multilateral.<\/p>\n<p>E \u00e9 um facto, \u00e9 um facto que todos reconhecemos, que o multilateralismo est\u00e1 a atravessar um momento dif\u00edcil. A Santa S\u00e9 tem feito, por variad\u00edssimas vezes, apelos a que haja um regresso ao multilateralismo. Provavelmente um multilateralismo que, para se refor\u00e7ar, tem tamb\u00e9m que se reinventar, de alguma maneira, para que possa, de uma maneira mais clara, refletir o que s\u00e3o as realidades geoestrat\u00e9gicas do mundo de hoje; o\u00a0peso respetivo de cada pa\u00eds na tomada de decis\u00f5es no mundo de hoje. Mas isso \u00e9 um ponto em comum que temos, quer Portugal, quer a Santa S\u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em maio participou na primeira audi\u00eancia que Le\u00e3o XIV concedeu ao Corpo Diplom\u00e1tico e apontou a uma liga\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima com Portugal. O que \u00e9 que podemos esperar da colabora\u00e7\u00e3o bilateral? Quais s\u00e3o as suas prioridades? <\/em><\/p>\n<p>Eu julgo que este Papa \u00e9 um Papa que escuta. Todos os que o conhecem melhor, dizem que tem, por caracter\u00edstica, a capacidade de escuta. Portanto, \u00e9 algu\u00e9m colegial, \u00e9 algu\u00e9m que procura ouvir a opini\u00e3o dos outros antes de formar a sua opini\u00e3o, de tomar as suas decis\u00f5es. Isso \u00e9 extremamente importante no di\u00e1logo com a Santa S\u00e9, porque \u00e9 uma forma de estar que acaba por contaminar toda a m\u00e1quina diplom\u00e1tica da Santa S\u00e9.\u00a0 \u00c9 uma m\u00e1quina diplom\u00e1tica que, no geral, j\u00e1 \u00e9 uma m\u00e1quina diplom\u00e1tica muito aberta \u00e0 escuta, \u00e0 consulta de opini\u00f5es diversas, aberta \u00e0s opini\u00f5es de todos, na forma\u00e7\u00e3o da sua pr\u00f3pria ideia.<\/p>\n<p>A m\u00e1quina diplom\u00e1tica da Santa S\u00e9, muitas vezes isto n\u00e3o \u00e9 sabido, \u00e9 a segunda m\u00e1quina diplom\u00e1tica do mundo, depois dos Estados Unidos, em n\u00famero de miss\u00f5es diplom\u00e1ticas. E h\u00e1 muito mais embaixadores acreditados, por exemplo, junto da Santa S\u00e9 do que junto de It\u00e1lia, o pa\u00eds onde est\u00e1 o Estado do Vaticano.<\/p>\n<p>\u00c9 uma m\u00e1quina diplom\u00e1tica vast\u00edssima e, para l\u00e1 disso, conta tamb\u00e9m para a forma\u00e7\u00e3o de opini\u00e3o, para a forma\u00e7\u00e3o do processo de decis\u00e3o, conta tamb\u00e9m com outro tipo de mecanismos de escuta, que n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 as suas miss\u00f5es diplom\u00e1ticas: S\u00e3o todas as escolas, hospitais e quem l\u00e1 est\u00e1, que s\u00e3o geridos pela Igreja. Muitas vezes n\u00e3o se sabe, mas cerca de 60% das institui\u00e7\u00f5es de ensino e de assist\u00eancia social no mundo, que n\u00e3o s\u00e3o dos Estados, s\u00e3o geridas pela Igreja. Portanto, isto d\u00e1-lhe uma enorme capacidade de recolha de informa\u00e7\u00e3o que \u00e9 preciosa para a forma\u00e7\u00e3o de opini\u00e3o.<\/p>\n<p>Estamos\u00a0a falar, para qualquer diplomata que aqui esteja, de um interlocutor privilegiado, quanto mais n\u00e3o seja por essa capacidade de recolha de informa\u00e7\u00e3o. Algu\u00e9m particularmente bem informado sobre aquilo que se passa no mundo. Muitas vezes n\u00f3s esquecemos que em certos cen\u00e1rios de conflito, a \u00fanica presen\u00e7a que l\u00e1 est\u00e1, que n\u00e3o \u00e9 das partes diretamente envolvidas, \u00e9 a Igreja.\u00a0S\u00e3o os sacerdotes, s\u00e3o os mission\u00e1rios, s\u00e3o as religiosas que l\u00e1 est\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E que muitas vezes s\u00e3o os \u00faltimos a sair, n\u00e3o \u00e9?\u00a0 <\/em><\/p>\n<p>E que s\u00e3o os \u00faltimos a sair. S\u00e3o os primeiros a prestar assist\u00eancia, os \u00faltimos a prestar assist\u00eancia e, como muito bem diz, muitas vezes pagando, ali\u00e1s, com a sua pr\u00f3pria vida, em muitos casos, essa aposta no apoio aos outros. Esta \u00e9 uma coisa que \u00e0s vezes deveria ser mais referida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos aqui a recordar os anos em que esteve ao servi\u00e7o junto da Santa S\u00e9. Nesses dois anos acompanhou o Funerais dos Dois Papas, a elei\u00e7\u00e3o de Le\u00e3o XIV. Acredito que foram momentos muito marcantes, naturalmente, mas tenho quase a certeza que o momento mais marcante foi esta oportunidade de acompanhar a prepara\u00e7\u00e3o e a realiza\u00e7\u00e3o da JMJ 2023 em Lisboa.<\/em><\/p>\n<p><em>Pergunto se este foi um bom exemplo da coopera\u00e7\u00e3o Igreja-Estado, que ali\u00e1s este termo coopera\u00e7\u00e3o est\u00e1 consagrado na concordante?\u00a0\u00a0 <\/em><\/p>\n<p>Eu julgo que para todos n\u00f3s isso \u00e9 uma evid\u00eancia. A Jornada Mundial da Juventude de Lisboa continua aqui a ser referida na Santa S\u00e9 e n\u00e3o s\u00f3 como um exemplo de sucesso a todos os t\u00edtulos. N\u00e3o s\u00f3 em termos log\u00edsticos, que aos olhos das pessoas pode parecer o mais \u00f3bvio, mas mesmo em termos de mobiliza\u00e7\u00e3o espiritual. A quantidade de jovens que tivemos em Lisboa e a forma como eles viveram esses dias em Portugal, porque n\u00e3o foi s\u00f3 em Lisboa, como todos sabemos. Muitos deles estiveram espalhados pelo pa\u00eds, houve um trabalho de prepara\u00e7\u00e3o para as Jornadas que envolveu todas as nossas dioceses e a forma como foram vividos esses dias e essa prepara\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre referido aqui como um exemplo absolutamente extraordin\u00e1rio que para a Igreja foi um momento de mostrar o seu vigor, a sua for\u00e7a no cora\u00e7\u00e3o de cada um.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o posso esquecer esses dias e se tivesse que referir grandes momentos deste mandato que aqui tive, destes tr\u00eas anos e meio que aqui vivi, obviamente que a Jornada Mundial da Juventude foi um momento extraordin\u00e1rio. Absolutamente extraordin\u00e1rio.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Queria terminar esta nossa conversa com o alerta da Comiss\u00e3o da Liberdade Religiosa que recentemente aludiu a sinais de intoler\u00e2ncia perante algumas comunidades em Portugal, sublinhando o direito \u00e0 liberdade de culto.Pensa que pode estar em causa o patrim\u00f3nio de di\u00e1logo e entendimento que tem sido uma das marcas do pa\u00eds nas \u00faltimas d\u00e9cadas?<\/em><\/p>\n<p>Eu espero que n\u00e3o. Todos n\u00f3s somos pessoas que sabem do que tem sido a experi\u00eancia dos nossos compatriotas por esse mundo fora. Portugal \u00e9 associado, para bem de todos n\u00f3s, a uma imagem de abertura e toler\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E todos temos a ganhar com isso. O pa\u00eds tem a ganhar com isso. N\u00f3s, como diplomatas, quando estamos fora e temos que representar o nosso pa\u00eds, sabemos bem como essa imagem de toler\u00e2ncia \u00e9 um fator positivo, que nos ajuda a representar o nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Portanto, eu quero crer que n\u00e3o estar\u00e1 em causa e que saberemos estar \u00e0 altura dessa excelente imagem de que beneficiamos, por esse mundo fora, de sermos um pa\u00eds capaz de, pelo contr\u00e1rio, construir pontes entre pessoas, entre na\u00e7\u00f5es. \u00c9 isso que, muitas vezes, faz com que Portugal, o seu peso diplom\u00e1tico, seja bastante maior do que aquilo que a nossa realidade econ\u00f3mica e geogr\u00e1fica poderia fazer supor.<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s sabemos dos sucessos que temos tido por esse mundo fora, de sucessos diplom\u00e1ticos, e como os devemos a essa capacidade que todos reconhecem em Portugal e nos portugueses de sermos construtores de pontes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas essa imagem de toler\u00e2ncia que temos n\u00e3o tem sido minimamente beliscada com os movimentos, vou chamar-lhe assim, mais populistas, que tamb\u00e9m t\u00eam crescido no nosso pa\u00eds?<\/em><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o queria fazer muitos coment\u00e1rios sobre a nossa realidade pol\u00edtica nacional. N\u00f3s vivemos em democracia, e os portugueses com certeza que escolher\u00e3o aquilo que entendem que melhor representa as suas aspira\u00e7\u00f5es, os seus interesses, no momento em que s\u00e3o chamados a pronunciar-se. E na sua vida de todos os dias, pois somos uma sociedade democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Enquanto diplomata, enquanto representante do meu pa\u00eds, junto de outros Estados e de organismos internacionais, o que eu posso dizer \u00e9 que a imagem de Portugal e dos portugueses como um povo especialmente apto para construir pontes de que as pessoas gostam e em quem confiam, porque n\u00e3o t\u00eam agendas que n\u00e3o sejam as do interesse da paz e da constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor, s\u00f3 nos beneficia. E enquanto profissional, como diplomata, eu tenho constatado isso variad\u00edssimas vezes.\u00a0Portanto, essa excelente imagem que n\u00f3s desfrutamos \u00e9 uma enorme vantagem no campo diplom\u00e1tico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O embaixador de Portugal na Santa S\u00e9, desde dezembro de 2021, foi exonerado do cargo este m\u00eas ap\u00f3s ter atingido o limite de idade. Mais de tr\u00eas anos de trabalho num posto de observa\u00e7\u00e3o privilegiado sobre todo o mundo s\u00e3o agora recordados em entrevista conjunta \u00e0 Renascen\u00e7a e \u00e0 Ag\u00eancia Ecclesia<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":384152,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[974,482,297],"class_list":["post-384149","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-leao-xiv","tag-portugal","tag-santa-se"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/384149","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=384149"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/384149\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/384152"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=384149"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=384149"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=384149"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}