{"id":38361,"date":"2009-04-21T11:22:01","date_gmt":"2009-04-21T11:22:01","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/04\/21\/cristao-lider-por-dom-do-espirito\/"},"modified":"2009-04-21T11:22:01","modified_gmt":"2009-04-21T11:22:01","slug":"cristao-lider-por-dom-do-espirito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cristao-lider-por-dom-do-espirito\/","title":{"rendered":"Crist\u00e3o lider por dom do Esp\u00edrito"},"content":{"rendered":"<p>Sede bons administradores da gra\u00e7a que Deus vos concedeu e cada um de v\u00f3s ponha ao servi\u00e7o dos outros os dons que recebeu \u2013 exorta S\u00e3o Pedro os crist\u00e3os destinat\u00e1rios da sua primeira carta dispersos por v\u00e1rias regi\u00f5es do Imp\u00e9rio. Ilustra a sua recomenda\u00e7\u00e3o com os exemplos do an\u00fancio da palavra e com a dedica\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o.  A mensagem transmitida faz parte de um conjunto de atitudes que expressam e fomentam a esperan\u00e7a activa, a rela\u00e7\u00e3o m\u00fatua, o estilo s\u00f3brio de vida, a doa\u00e7\u00e3o rec\u00edproca por amor. Constitui um bom ponto de refer\u00eancia para o tema que me foi pedido: as lideran\u00e7as na miss\u00e3o da Igreja, e est\u00e1 em conson\u00e2ncia com outros textos do novo testamento e com o pensar do magist\u00e9rio p\u00f3s-conciliar do Vaticano II. 1. Todos os fi\u00e9is recebem dons que devem saber gerir com ousadia prudente. N\u00e3o apenas para proveito pessoal, mas para utilidade comum. N\u00e3o apenas atendendo ao presente, mas abrindo-se confiadamente ao futuro. \u00c9 o pr\u00f3prio Deus quem os concede, por meio do Seu Esp\u00edrito. Uma boa gest\u00e3o glorifica o Senhor e serve os irm\u00e3os. Esta forma de actua\u00e7\u00e3o constitui a lideran\u00e7a fundamental por gra\u00e7a do Esp\u00edrito Santo.  Importa, por isso, descobrir e reconhecer a sua qualidade, apreciar e difundir o seu alcance inovador, promover com dilig\u00eancia as m\u00faltiplas formas que reveste e, tantas vezes, redimensiona os dotes naturais e adquiridos comuns a tantas pessoas de boa vontade. A t\u00edtulo ilustrativo, basta lembrar os crist\u00e3os na fam\u00edlia e no voluntariado de vizinhan\u00e7a, nos espa\u00e7os socioculturais, econ\u00f3micos e pol\u00edticos, nas miss\u00f5es humanit\u00e1rias, nas corpora\u00e7\u00f5es de bombeiros e nas respostas de emerg\u00eancia.  Nem sempre esta forma de liderar mostra o dinamismo que d\u00e1 sentido \u00e0 vida e seus acontecimentos; tamb\u00e9m raramente \u00e9 devidamente considerada e apreciada; apenas esporadicamente desperta a aten\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o que preferem noticiar a insignific\u00e2ncia da presen\u00e7a crist\u00e3 na sociedade, o apagamento da institui\u00e7\u00e3o ou o epis\u00f3dico de alguma situa\u00e7\u00e3o. A imagem elaborada e \u201cpublicada\u201d surge desfigurada da realidade e avoluma a \u201cimpress\u00e3o\u201d de que os crist\u00e3os est\u00e3o ausentes da vida na sociedade e a f\u00e9 n\u00e3o provoca qualquer impacto p\u00fablico.  2. Os dons do Esp\u00edrito especificam-se conforme as fun\u00e7\u00f5es e os minist\u00e9rios ao servi\u00e7o daquela lideran\u00e7a fundamental. O exemplo de Jesus testemunha-o de forma expressiva. Os ensinamentos de S\u00e3o Paulo s\u00e3o muito claros. Quem recebe um dom assume uma responsabilidade. Nas v\u00e1rias \u00e1reas da miss\u00e3o da Igreja, designadamente da anima\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o pastoral. Sirvam de refer\u00eancia os l\u00edderes de grupos, os animadores de equipas, movimentos e associa\u00e7\u00f5es, os facilitadores da comunica\u00e7\u00e3o entre comunidades e da busca da melhor solu\u00e7\u00e3o para o desempenho da miss\u00e3o, os encarregados da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ou da gest\u00e3o de obras apost\u00f3licas em comunh\u00e3o com a hierarquia, embora com relativa autonomia.  Este conjunto representa uma vasta \u00e1rea de anima\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o. Basta mencionar a rede de quantos se dedicam a quem pretende libertar-se da mis\u00e9ria e ganhar possibilidades e confian\u00e7a para se auto-governar e ajudar outros que se encontram em condi\u00e7\u00f5es semelhantes: confer\u00eancias vicentinas, organiza\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento, miseric\u00f3rdias, agrupamentos de escuteiros, associa\u00e7\u00f5es de fam\u00edlias.  3. H\u00e1 um tipo de l\u00edderes que merece uma refer\u00eancia especial: as comunidades de vida consagrada, em si mesmas e no agir da maioria dos seus membros. A sua lideran\u00e7a \u00e9 not\u00e1vel pela influ\u00eancia positiva nas causas a que se dedica, provocando forte impacto social, mas sobretudo pelo que representam &#8211; a for\u00e7a do modelo a que todos estamos chamados: ser pessoa em comunh\u00e3o, respeitando as diferen\u00e7as, convergindo nos esfor\u00e7os, servindo por amor de doa\u00e7\u00e3o, caminhando na santidade a que Deus, por Jesus Cristo, nos chama. Constituem um espa\u00e7o humano em que a Igreja pode rever, de forma qualificada, a sua voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o.  4. O l\u00edder que interage de forma participativa, animando pessoas e coordenando projectos ou programas, h\u00e1-de ter uma vis\u00e3o clara da sua fun\u00e7\u00e3o e saber situ\u00e1-la no \u00e2mbito da miss\u00e3o da Igreja e no contexto social envolvente. Ser l\u00edder \u00e9 ter capacidade de motivar, de exercer uma influ\u00eancia positiva, de acolher propostas e de estabelecer parcerias, de captar o dinamismo e o sentido das mudan\u00e7as, de gerar consensos, de infundir esperan\u00e7a.   O l\u00edder coordenador deve ser realista, conhecer a situa\u00e7\u00e3o da equipa e da comunidade, cultivar atitudes de serenidade e confian\u00e7a, evitar o pessimismo e a ansiedade, prosseguir os objectivos tra\u00e7ados, dedicando especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas. Na par\u00e1bola do Bom Pastor, encontram-se outros elementos significativos.   Forjar um bom coordenador exige o uso de meios adequados, designadamente a integra\u00e7\u00e3o efectiva na comunidade de que faz parte, a experi\u00eancia de membro de equipa, a capacidade de intervir com acerto, de acolher e de gerar consensos. Pode assim captar com mais facilidade as necessidades e experimentar o ritmo de grupo com o qual caminha. (Coordenadores \u201cdesencarnados\u201d da realidade correm o risco de ser t\u00e9cnicos especializados e n\u00e3o pessoas de comunh\u00e3o).  5. A lideran\u00e7a pastoral tem em conta o que acaba de ser referido, mas lan\u00e7a as suas ra\u00edzes mais profundas no minist\u00e9rio ordenado, fruto de um carisma especial celebrado num sacramento e configurado num m\u00fanus. Da\u00ed, brota o servi\u00e7o dos pastores e daqueles que, por delega\u00e7\u00e3o ou especial mandato, s\u00e3o responsabilizados por fun\u00e7\u00f5es reconhecidas de \u201cutilidade\u201d eclesial. Todo o minist\u00e9rio ordenado est\u00e1 ao servi\u00e7o da comunh\u00e3o e da miss\u00e3o, agindo em nome de Jesus Cristo. Radica na Trindade que se expressa na unidade das leg\u00edtimas diversidades. Reconhece e fomenta os dons concedidos pelo Esp\u00edrito em ordem ao bem comum. A pr\u00e1tica pastoral tem de ser coerente e consequente.  Ser respons\u00e1vel pela pr\u00e1tica da comunh\u00e3o na Igreja (cf. ChL 31) e nas suas m\u00faltiplas institui\u00e7\u00f5es e comunidades significa o empenho total para que haja uma correcta compreens\u00e3o da comunh\u00e3o, se fomente a correspondente cultura comunional e se superem antagonismos e divis\u00f5es. Envolve ainda o apre\u00e7o por aquilo que \u00e9 diferente e o reconhecimento do que \u00e9 comum e a todos irmana e congrega.   A miss\u00e3o decorre da comunh\u00e3o e edifica-a. O minist\u00e9rio da Palavra, o servi\u00e7o da Liturgia e a pr\u00e1tica da Caridade constituem as vias normais por onde circula a seiva revigorante da comunh\u00e3o.  O servi\u00e7o dos pastores \u00e0 miss\u00e3o configura o seu perfil e marca o estilo da sua lideran\u00e7a pastoral. As rela\u00e7\u00f5es fraternas na Igreja favorecem e alimentam o estilo de vida que testemunha a novidade do Evangelho: &#8220;Vede como se amam&#8221;. &#8220;Pai, que todos sejam um como N\u00f3s somos um a fim de que o mundo creia&#8221;.   Edificar a comunh\u00e3o eclesial como sinal de evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 prioridade constante, mas sobretudo no nosso tempo com marcas de acentuada fragmenta\u00e7\u00e3o e de crit\u00e9rios relativistas.  A lideran\u00e7a dos pastores realiza-se n\u00e3o apenas no minist\u00e9rio, mas, e de modo peculiar, no modo como o minist\u00e9rio \u00e9 exercido. N\u00e3o pode pretender em abstracto a gl\u00f3ria de Deus e esquecer a pessoa humana, a vida em abund\u00e2ncia que o Senhor Jesus lhe quer transmitir.  6. A sinodalidade da Igreja surge como o legado mais precioso para o exerc\u00edcio adequado deste minist\u00e9rio e como a via mais qualificada para suscitar a consci\u00eancia comum da miss\u00e3o que a todos foi confiada, das fun\u00e7\u00f5es diferentes que cabe a cada um, da complementaridade que enriquece a comunh\u00e3o. Este modo de ser Igreja sinodal expressa a sua dimens\u00e3o de peregrina em busca da verdade mediante o discernimento pessoal e comunit\u00e1rio, realiza-se em assembleias peri\u00f3dicas e estrutura-se em \u00f3rg\u00e3os permanentes: as inst\u00e2ncias de participa\u00e7\u00e3o. A lideran\u00e7a dos pastores, sendo fun\u00e7\u00e3o pessoal e colegial, est\u00e1 muito condicionada pela capacidade de constituir e gerir estes \u00f3rg\u00e3os sinodais em articula\u00e7\u00e3o com o sentir do povo de Deus e em solidariedade com o mundo, espa\u00e7o onde os sinais dos tempos apontam caminhos a seguir com sabedoria. Tamb\u00e9m aqui s\u00e3o necess\u00e1rias novas e ousadas iniciativas. <i>Pe. Georgino Rocha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sede bons administradores da gra\u00e7a que Deus vos concedeu e cada um de v\u00f3s ponha ao servi\u00e7o dos outros os dons que recebeu \u2013 exorta S\u00e3o Pedro os crist\u00e3os destinat\u00e1rios da sua primeira carta dispersos por v\u00e1rias regi\u00f5es do Imp\u00e9rio. 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