{"id":38360,"date":"2009-04-21T11:20:59","date_gmt":"2009-04-21T11:20:59","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/04\/21\/menos-padres-mais-vocacoes\/"},"modified":"2009-04-21T11:20:59","modified_gmt":"2009-04-21T11:20:59","slug":"menos-padres-mais-vocacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/menos-padres-mais-vocacoes\/","title":{"rendered":"Menos padres, mais voca\u00e7\u00f5es?"},"content":{"rendered":"<p>A Igreja Cat\u00f3lica celebra, de 26 de Abril a 3 de Maio, a 46\u00aa semana de ora\u00e7\u00e3o pelas voca\u00e7\u00f5es, num contexto de quebra estat\u00edstica no n\u00famero de ordena\u00e7\u00f5es sacerdotais, no nosso pa\u00eds, que \u00e9 confirmado pelo rec\u00e9m-publicado \u201cguia\u201d da Igreja Cat\u00f3lica em Portugal confirma, na sua edi\u00e7\u00e3o de 2009.  D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro e Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal Voca\u00e7\u00f5es e Minist\u00e9rio, refere na sua mensagem para este ano que, durante d\u00e9cadas, a Igreja \u201cse habituou a ver a procura numerosa de candidatos ao sacerd\u00f3cio e \u00e0 vida consagrada. Somos, muitos de n\u00f3s, do tempo de Semin\u00e1rios cheios e de Institutos Religiosos a crescer em n\u00famero e em estruturas de servi\u00e7os novos, dia-a-dia\u201d.  \u201cTemos agora dificuldade em conviver com novas situa\u00e7\u00f5es e diferentes realidades. E o mais grave \u00e9 que perante uma envolvente cultura de crise fix\u00e1mo-nos dolorosamente nas an\u00e1lises estat\u00edsticas e alguns sentiram-se submergidos pela tirania do medo de falar de voca\u00e7\u00e3o\u201d, alerta.  Por seu lado, Bento XVI, no texto que dirige a todos os fi\u00e9is, considera que h\u00e1 zonas do mundo com uma \u201cpreocupante car\u00eancia\u201d e pede \u00e0s comunidades cat\u00f3licas que rezem por \u201ctodos quantos sentem o chamamento de Deus para caminhar pela senda do sacerd\u00f3cio ministerial ou da vida consagrada\u201d.  A Ag\u00eancia ECCLESIA procurou, com a ajuda do Pe. Georgino Rocha, entender o perfil de l\u00edder, na Igreja. Este respons\u00e1vel diz que \u201co l\u00edder coordenador deve ser realista, conhecer a situa\u00e7\u00e3o da equipa e da comunidade, cultivar atitudes de serenidade e confian\u00e7a, evitar o pessimismo e a ansiedade, prosseguir os objectivos tra\u00e7ados, dedicando especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas\u201d.  Outra an\u00e1lise chega da boca de Ant\u00f3nio Pinto Leite, vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 de Empres\u00e1rios e Gestores, que na abertura do IV Congresso Nacional da Associa\u00e7\u00e3o frisava que \u201cos nossos padres gastam muito tempo em tarefas administrativas e de intend\u00eancia. \u00c9 preciso libert\u00e1-los dessas tarefas, libert\u00e1-los para a sua voca\u00e7\u00e3o\u201d.  \u201cSe conseguirmos libertar mais 25% do tempo dos nossos padres para a vida pastoral e para o bem comum, havendo cerca de 4000 padres, \u00e9 como se se gerassem mais 1000 padres\u201d, disse.  A melhor gest\u00e3o de recursos e a predisposi\u00e7\u00e3o para partilhar tarefas pode gerar, efectivamente, um conjunto significativo de \u201cnovas voca\u00e7\u00f5es\u201d. O vice-presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, D. Ant\u00f3nio Marto, referia nas \u00faltimas Jornadas Pastorais do Episcopado que \u201co melhor investimento da Igreja, hoje, \u00e9 em recursos humanos: a Igreja precisa de gente intelectual e espiritualmente muito bem preparada para a sua miss\u00e3o no mundo novo de hoje com desafios in\u00e9ditos\u201d.  Para este respons\u00e1vel, acabou o tempo da par\u00f3quia e do p\u00e1roco auto-suficientes, que respondiam sozinhos a todas as situa\u00e7\u00f5es e a todos os problemas. \u201cIsto exige uma reorganiza\u00e7\u00e3o e reconfigura\u00e7\u00e3o das comunidades crist\u00e3s atrav\u00e9s duma pastoral integrada e integral\u201d, defendeu.  Esta pastoral integral procura integrar os v\u00e1rios sujeitos (pessoas, grupos, movimentos) e os v\u00e1rios minist\u00e9rios dentro dum projecto pastoral comum, valorizando recursos e sensibilidades.  <i>N\u00fameros<\/i> De 2000 a 2006, o n\u00famero de sacerdotes diocesanos baixou de 3159 para 2894 (menos 8,4%), enquanto que o clero religioso manteve praticamente o mesmo n\u00famero. A situa\u00e7\u00e3o de 2006 mostrava ainda que por cada dois padres que morrem (nesse ano foram 80), apenas um \u00e9 ordenado (37 novos sacerdotes). Os seminaristas de filosofia e teologia tamb\u00e9m s\u00e3o menos, segundo os \u00faltimos dados dispon\u00edveis: de 547, entre diocesanos e religiosos, em 2000 passou-se para 475 em 2006.  Apesar desta quebra no n\u00famero de padres, a maioria das 4366 par\u00f3quias est\u00e3o confiadas \u00e0 administra\u00e7\u00e3o sacerdotal e apenas 20 par\u00f3quias s\u00e3o administradas pastoralmente por di\u00e1conos, religiosas e leigos.  Importa perceber se, \u00e0 falta de padres para todas as par\u00f3quias, se deve responder um aumento das \u201coutras voca\u00e7\u00f5es\u201d, com redefini\u00e7\u00f5es do papel a desempenhar, por exemplo, pelas mulheres ou pelos homens casados na lideran\u00e7a das comunidades cat\u00f3licas. Uma figura recuperada pelo II Conc\u00edlio do Vaticano, a do di\u00e1cono permanente, ainda est\u00e1 por definir de forma conveniente, em muitos casos, junto das pr\u00f3prias comunidades a cujo servi\u00e7o se destina.    <b>Antigos Seminaristas<\/b> No \u00e2mbito do programa do I Congresso de Antigos Alunos dos Semin\u00e1rios de Portugal, que decorreu em F\u00e1tima, foram apresentados os resultados de um inqu\u00e9rito levado a cabo pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opini\u00e3o (CESOP) da Universidade Cat\u00f3lica.   Sobre o papel dos semin\u00e1rios na vida da sociedade actual, 78% dos padres e 44% dos leigos sublinham a import\u00e2ncia do trabalho que desenvolvem estas institui\u00e7\u00f5es para o discernimento vocacional dos seminaristas, e, em segundos n\u00edveis, \u00e9 tamb\u00e9m reconhecido como factor de relevo o facto de os semin\u00e1rios proporcionarem a descoberta do sentido do outro e da miss\u00e3o da Igreja e possibilitarem o desenvolvimento cr\u00edtico e a capacidade de realiza\u00e7\u00e3o.  Em rela\u00e7\u00e3o aos inquiridos que seguiram o sacerd\u00f3cio, 81% real\u00e7am como aspectos positivos da sua experi\u00eancia no semin\u00e1rio a camaradagem, a amizade e a vida em comunidade e tamb\u00e9m possibilidade de discernimento e crescimento da f\u00e9 e da voca\u00e7\u00e3o. Como aspectos negativos 32% falam da disciplina, da austeridade e do rigor.  Quanto aos leigos, e em rela\u00e7\u00e3o aos aspectos negativos, 21% falam do isolamento, 18% da disciplina e austeridade, e de forma positiva sublinha a qualidade de estudo e do ensino.  Os leigos antigos seminaristas inquiridos s\u00e3o professores (19%), gestores ou empres\u00e1rios (13%), advogados, ju\u00edzes, magistrados, procuradores (total de 10% nesta profiss\u00f5es na \u00e1rea do Direito) e, entre outras profiss\u00f5es menos representadas, banc\u00e1rios (9%).  Chamados a reflectir sobre aquilo que pensam da actual organiza\u00e7\u00e3o da Igreja, 47% dos leigos e 32% dos padres consideram-na \u201cdemasiado centralista\u201d e 36% inadequada \u00e0s realidades do mundo contempor\u00e2neo.   Mais de 67 mil portugueses devem a sua forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica aos Semin\u00e1rios.   D. Ant\u00f3nio Marto disse, no decorrer do Congresso, que esta foi uma oportunidade para homenagear uma institui\u00e7\u00e3o que \u201ccontribuiu para formar pastores para o Povo de Deus\u201d e ofereceu \u00e0 sociedade \u201cgente com as mais diversas compet\u00eancias\u201d, em diversos \u00e2mbitos.  Para este respons\u00e1vel, o semin\u00e1rio n\u00e3o falha quando n\u00e3o forma padres, porque \u201cforma homens, cidad\u00e3os, forma padres\u201d. Que por ali passa leva consigo um importante \u201ccapital humano e espiritual\u201d.   <B>Not\u00edcias relacionadas<\/B> <a href=\"noticia.asp?noticiaid=72107\">\u2022 Crist\u00e3o lider por dom do Esp\u00edrito<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Igreja Cat\u00f3lica celebra, de 26 de Abril a 3 de Maio, a 46\u00aa semana de ora\u00e7\u00e3o pelas voca\u00e7\u00f5es, num contexto de quebra estat\u00edstica no n\u00famero de ordena\u00e7\u00f5es sacerdotais, no nosso pa\u00eds, que \u00e9 confirmado pelo rec\u00e9m-publicado \u201cguia\u201d da Igreja Cat\u00f3lica em Portugal confirma, na sua edi\u00e7\u00e3o de 2009. D. 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