{"id":38324,"date":"2009-04-20T11:14:56","date_gmt":"2009-04-20T11:14:56","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/04\/20\/homilia-de-d-carlos-azevedo-na-peregrinacao-nacional-da-sociedade-de-sao-vicente-de-paulo-a-fatima\/"},"modified":"2009-04-20T11:14:56","modified_gmt":"2009-04-20T11:14:56","slug":"homilia-de-d-carlos-azevedo-na-peregrinacao-nacional-da-sociedade-de-sao-vicente-de-paulo-a-fatima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-carlos-azevedo-na-peregrinacao-nacional-da-sociedade-de-sao-vicente-de-paulo-a-fatima\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Carlos Azevedo na peregrina\u00e7\u00e3o nacional da Sociedade de S\u00e3o Vicente de Paulo a F\u00e1tima"},"content":{"rendered":"<p>Ao comemorar 150 anos de servi\u00e7o aos outros, quis a Sociedade de S\u00e3o Vicente de Paulo reunir-se aqui para dar gra\u00e7as ao Deus misericordioso por tantos dons do alto e para renovar a sua disponibilidade na dedica\u00e7\u00e3o aos mais carenciados. Os Bispos de Portugal alegram-se com a entrega generosa de tantas vidas, unem-se \u00e0 vossa determina\u00e7\u00e3o de ser rosto de bondade junto de tantos pobres. 1.A Palavra de Deus orienta os passos da nossa celebra\u00e7\u00e3o festiva. Nos Actos dos ap\u00f3stolos fazemos mem\u00f3ria da beleza da vida em comunidade, na igreja primitiva. Essa continua a ser a proposta crist\u00e3, o ideal a manter vivo, n\u00e3o obstante a grande mudan\u00e7a dos tempos e a hora dram\u00e1tica que a sociedade atravessa. Continua firme a provoca\u00e7\u00e3o: \u201cNingu\u00e9m chamava seu ao que lhe pertencia, mas tudo entre eles era comum\u201d. Na doutrina social da Igreja, o direito \u00e0 propriedade privada tem como fonte o princ\u00edpio do destino universal dos bens naturais, na fidelidade \u00e0 vontade do Criador. Deve facilitar-se a todos, indiv\u00edduos, fam\u00edlias e povos o acesso a alguma forma de propriedade, at\u00e9 como exig\u00eancia prim\u00e1ria do desenvolvimento econ\u00f3mico e progresso social. Este direito n\u00e3o \u00e9 por\u00e9m uma faculdade absoluta e intoc\u00e1vel. Porque a propriedade \u00e9 individual, mas n\u00e3o individualista. A individualidade est\u00e1 marcada radicalmente pelo valor social. A propriedade est\u00e1 subordinada \u00e1 necessidade comum e ao princ\u00edpio superior do destino universal dos bens. A propriedade individual procede do trabalho e do sal\u00e1rio e serve para o bem do pr\u00f3prio e da sua fam\u00edlia, mas aponta para o bem geral e para a justa reparti\u00e7\u00e3o da riqueza. Os bens pr\u00f3prios n\u00e3o s\u00e3o somente pr\u00f3prios, nem sequer principalmente pr\u00f3prios. A abertura dos bens ao uso do necessitado imp\u00f5e-se pela hierarquia de valores. O Magist\u00e9rio da Igreja ensina que perante Deus a propriedade privada \u00e9 na realidade administra\u00e7\u00e3o pessoal de bens comuns repartidos. Quer o direito aos bens quer o seu uso est\u00e3o limitados pelas necessidades do bem comum. De facto, quando vivida correctamente, a propriedade privada \u00e9 express\u00e3o da pessoa humana plena, concedendo-lhe ocasi\u00e3o para exercitar responsavelmente a sua fun\u00e7\u00e3o na comunidade pol\u00edtica e econ\u00f3mica, com liberdade e autonomia. O Estado \u00e9 chamado e intervir para harmonizar a propriedade privada com as exig\u00eancias do bem comum, sem arbitrariedades e coniv\u00eancias. Ao Estado compete regular, vigiar e fomentar a propriedade privada em ordem a garantir o bem comum. O destino universal dos bens temporais atinge ainda uma faixa enorme de situa\u00e7\u00f5es angustiantes, de graves necessidades. O pleno rem\u00e9dio par tanta indig\u00eancia humana s\u00f3 acontece pela caridade social, admir\u00e1vel terreno no qual trabalhais, car\u00edssimos vicentinos e vicentinas. Aqui vai-se al\u00e9m da fun\u00e7\u00e3o social da propriedade. O conv\u00edvio social pede uma interven\u00e7\u00e3o complementar insubstitu\u00edvel. A caridade social completa o trabalho que a justi\u00e7a social \u00e9 chamada a desenvolver na reforma da economia. Hoje, meus caros, um bem a repartir \u00e9 o trabalho. Os empres\u00e1rios crist\u00e3os s\u00e3o chamados a manter e se poss\u00edvel a criar emprego, dentro da viabilidade realista e cedendo a lucros desmedidos. Quem tem multi-emprego deve repartir, renunciando tamb\u00e9m ao n\u00edvel de vida a que se habituou. Imp\u00f5e-se a redu\u00e7\u00e3o dos absorventes conselhos de administra\u00e7\u00e3o que desnecessariamente sugam rendimentos. Conv\u00e9m que demos conta de que o emprego nunca mais vai ser como anteriormente. N\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias tantas pessoas, em virtude do desenvolvimento tecnol\u00f3gico e da globaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o. Urge mudar estilos de vida, criar modos alternativos de viv\u00eancia comunit\u00e1ria, com op\u00e7\u00e3o pela austeridade e simplicidade de vida. Importa reinventar a solidariedade. 2. Caros irm\u00e3os e irm\u00e3s: a comunidade crist\u00e3 mostra a verdade destes princ\u00edpios no terreno vis\u00edvel do bem, na evid\u00eancia dos gestos. \u00c9 que como Tom\u00e9 os nossos contempor\u00e2neos querem ver a doutrina feita verdade de vida. Se as pessoas n\u00e3o v\u00eaem, n\u00e3o d\u00e3o cr\u00e9dito \u00e0s palavras bonitas. Tom\u00e9 n\u00e3o s\u00f3 quer ver nas m\u00e3os de Jesus os sinais dos cravos, mas quer meter o dedo no seu lado aberto.  Quer verificar pelos sentidos para se certificar que n\u00e3o \u00e9 engano, ilus\u00e3o. Quer controlo f\u00edsico, que n\u00e3o reprovamos. Jesus oferece-lhe a possibilidade de comprovar e avan\u00e7ar na f\u00e9. Somos todos convidados a aprofundar esta credibiliza\u00e7\u00e3o da f\u00e9. Nem todos s\u00e3o como Jo\u00e3o que v\u00ea os len\u00e7\u00f3is do t\u00famulo e, sem ter visto, acredita. Nem todos s\u00e3o como Madalena que v\u00ea e reconhece Jesus quando chamada pelo nome. Nem todos s\u00e3o como os disc\u00edpulos que v\u00eaem e acreditam. Tom\u00e9 quer ver e tocar para chegar depois aquela express\u00e3o clara de f\u00e9: Meu Senhor e meu Deus. Jesus \u00e9 Senhor, o crucificado foi exaltado. \u00c9 Jesus de Deus As palavras de Tom\u00e9 s\u00e3o a voz do povo iluminado pelo Esp\u00edrito que afirma e confirma a nova alian\u00e7a: Jesus \u00e9 Senhor, Jesus \u00e9 de Deus. A profundidade da f\u00e9 cresce com as d\u00favidas postas, renasce gra\u00e7as \u00e0 experi\u00eancia dos dedos metidos na doa\u00e7\u00e3o de Jesus, representada pelos cravos e pelo cora\u00e7\u00e3o aberto pela lan\u00e7a. A comunidade primitiva continuava a ser express\u00e3o o Corpo do ressuscitado. Nas comunidades vivas dos seguidores de Jesus demonstra-se a aten\u00e7\u00e3o e doa\u00e7\u00e3o aos necessitados. Quem quisesse tocar a viv\u00eancia real da f\u00e9 e dissipar as d\u00favidas podia ter acesso \u00e0 partilha fraterna dos bens. Quem podia ponha em comum com quem precisava. Assim continua a acontecer. Crist\u00e3os que entregam bens e dizem aos respons\u00e1veis das comunidades: \u201cdisponha para o que vir mais necessitado\u201d. \u00c9 este hoje o Corpo do ressuscitado. \u00c9 este hoje o lugar dos cravos, dos sinais da entrega, a revelar aos que duvidam, a verdade da f\u00e9, a alegria da esperan\u00e7a, a bem-aventuran\u00e7a dos puros de cora\u00e7\u00e3o entregues, com rectid\u00e3o, \u00e0 fantasia da caridade, na vida real. Cristo de h\u00e1 2000 anos continua vivo no simples quotidiano de hoje.  Aumentemos as respostas prontas para as necessidades novas e veremos entrar-nos na comunidade os que andam \u00e0 procura de sinais de comunh\u00e3o de um Deus cheio de miseric\u00f3rdia, que muito os ama. <i>D. Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa, presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Pastoral Social<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao comemorar 150 anos de servi\u00e7o aos outros, quis a Sociedade de S\u00e3o Vicente de Paulo reunir-se aqui para dar gra\u00e7as ao Deus misericordioso por tantos dons do alto e para renovar a sua disponibilidade na dedica\u00e7\u00e3o aos mais carenciados. 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