{"id":38317,"date":"2009-04-19T08:12:45","date_gmt":"2009-04-19T08:12:45","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/04\/19\/4-anos-de-bento-xvi\/"},"modified":"2009-04-19T08:12:45","modified_gmt":"2009-04-19T08:12:45","slug":"4-anos-de-bento-xvi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/4-anos-de-bento-xvi\/","title":{"rendered":"4 anos de Bento XVI"},"content":{"rendered":"<p>\u00daltimo ano de pontificado marcado por um conjunto de viagens simb\u00f3licas, pela preocupa\u00e7\u00e3o com a grave crise econ\u00f3mica e por longas pol\u00e9micas  <!--more--> Bento XVI completa este Domingo o seu quarto ano de pontificado, marcado por um conjunto de viagens simb\u00f3licas, pela preocupa\u00e7\u00e3o com a grave crise econ\u00f3mica e financeira que alastra pelo mundo e por um conjunto de pol\u00e9micas que desgastaram a imagem do Papa e da sua equipa.  Este \u00faltimo ano foi de grande actividade \u2013 foram publicadas cerca de 700 not\u00edcias na Ag\u00eancia ECCLESIA relacionadas com Bento XVI \u2013 e teve passagens por quatro Continentes, com as viagens aos EUA (Abril de 2008), Austr\u00e1lia (Julho de 2008, Fran\u00e7a (Setembro de 2008), Angola e Camar\u00f5es (Mar\u00e7o de 2009).  Bento XVI l\u00edder espiritual dos mais de mil milh\u00f5es de cat\u00f3licos em todo o mundo, continua fiel \u00e0 linha definida desde o in\u00edcio do pontificado, centrado em devolver Jesus ao mundo, com tudo o que isso implica. Se no come\u00e7o da sua miss\u00e3o, era o Papa \u201cinvis\u00edvel\u201d o alvo das cr\u00edticas, hoje j\u00e1 se multiplicam as teorias e mesmo alguns mitos em torno das suas palavras e gestos.  Considerado por muitos como um Papa \u201ceurope\u00edsta\u201d, Joseph Ratzinger aprendeu a fazer do mundo a sua casa, como se viu na recente viagem a \u00c1frica \u2013 com den\u00fancias \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e \u00e0 condi\u00e7\u00e3o das mulheres, apelos aos governantes locais e \u00e0 comunidade internacional. O contexto de crise financeira serviu para pedir uma nova ordem internacional, ajuda aos pa\u00edses mais pobres e protec\u00e7\u00e3o para os trabalhadores, como se viu na mensagem enviada \u00e0 Cimeira do G20, em Londres, ou para o Dia Mundial da Paz 2009.  Praticamente todas as crises internacionais j\u00e1 mereceram, por parte de Bento XVI, um apelo em favor da paz, da reconcilia\u00e7\u00e3o e do di\u00e1logo. O mesmo aconteceu em v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es de cat\u00e1strofe natural ou humana, com destaque para o recente sismo em L\u2019Aquila, localidade que o Papa dever\u00e1 visitar em Maio, m\u00eas em que se desloca \u00e0 Terra Santa e dever\u00e1 provar que pode ser um elemento a ter em conta na dif\u00edcil equa\u00e7\u00e3o da paz no M\u00e9dio Oriente.  Em qualquer situa\u00e7\u00e3o, contudo, n\u00e3o se deve esperar uma atitude diferente daquela que ele enunciou na homilia da Missa crismal, de Quinta-feira Santa, onde apresentou aos presentes uma reflex\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da verdade na vida de um sacerdote. \u00c9 a preocupa\u00e7\u00e3o com a verdade, no meio do relativismo reinante, que faz destacar a figura do actual Papa, embora nem sempre isso lhe traga os maiores elogios.  Para o porta-voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, o actual pontificado sintetiza-se de forma muito simples: &#8220;Levar Deus aos homens e os homens a Deus, o Deus que se manifestou no rosto de Cristo, e traduzir a f\u00e9 em di\u00e1logo, em for\u00e7a de unidade e de testemunho de caridade activa&#8221;.  <b>Ano de tormentas<\/b> A elei\u00e7\u00e3o do Cardeal Joseph Ratzinger como sucessor de Jo\u00e3o Paulo II foi recebida com uma boa dose de cepticismo em v\u00e1rios sectores da Igreja e da sociedade. Alguns epis\u00f3dios pol\u00e9micos servem, sistematicamente, para alimentar os cr\u00edticos. Como j\u00e1 referi noutras ocasi\u00f5es, se aos 80 anos de Jo\u00e3o Paulo II muitos exigiam a sua ren\u00fancia, a Bento XVI exige-se uma viragem radical, promovendo mudan\u00e7as de fundo. Na recente viagem a \u00c1frica, com a pol\u00e9mica gerada pela posi\u00e7\u00e3o do Papa a respeito do uso do preservativo \u2013 \u201cn\u00e3o se pode superar este problema da SIDA s\u00f3 com dinheiro, mesmo se necess\u00e1rio; mas, se n\u00e3o h\u00e1 a alma, se os africanos n\u00e3o ajudam (assumindo a responsabilidade pessoal), n\u00e3o se pode super\u00e1-lo com a distribui\u00e7\u00e3o de preservativos: ao contr\u00e1rio, aumentam o problema\u201d \u2013 surgiram mesmo posi\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que defendiam o silenciamento de Bento XVI. A \u201crecrimina\u00e7\u00e3o\u201d do parlamento belga chega mesmo a ser incompreens\u00edvel, com o Vaticano a reagir duramente, falando numa \u201cclara inten\u00e7\u00e3o de intimidar e de dissuadir o Papa de se expressar sobre determinados temas de \u00f3bvia relev\u00e2ncia moral e relacionados com o ensino da doutrina da Igreja\u201d. Este epis\u00f3dio serve para perceber melhor o que est\u00e1 em causa: o Papa est\u00e1 condenado a ser julgado, quase em perman\u00eancia, na base de uma s\u00e9rie de clich\u00e9s &#8211; conservador, duro, retr\u00f3grado, eurocentrista, etc. Boa parte da imprensa deste lado do mundo ficou presa no &#8220;caso&#8221; do preservativo \u2013 ao contr\u00e1rio do que aconteceu em \u00c1frica, porque a viagem foi muito aos Camar\u00f5es e Angola foi muito mais. A ideia de fundo que se aplica a todas as mat\u00e9rias abordadas \u00e9 sempre a mesma: se os africanos n\u00e3o assumirem as suas responsabilidades, n\u00e3o se sentirem protagonistas, n\u00e3o s\u00e3o ajudas vindas de fora que ir\u00e3o resolver o problema. Mais surpreendentes ainda do que as reac\u00e7\u00f5es \u00e0s considera\u00e7\u00f5es do Papa sobre o uso do preservativo no combate \u00e0 SIDA &#8211; sente-se em muitos meios uma estranha necessidade de criticar Bento XVI &#8211; foram as avalia\u00e7\u00f5es que menorizavam as interven\u00e7\u00f5es papais em solo africano sobre temas centrais: guerras civis, pobreza, tribalismo e rivalidades \u00e9tnicas, m\u00e1 governa\u00e7\u00e3o, corrup\u00e7\u00e3o e viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos, desigualdade entre sexos e marginaliza\u00e7\u00e3o das mulheres, pr\u00e1ticas desumanas e explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais por uma globaliza\u00e7\u00e3o injusta. Apesar do desgaste provocada por esta pol\u00e9mica, ter\u00e1 sido o caso da remiss\u00e3o da excomunh\u00e3o aos 4 Bispos consagrados pelo Arcebispo  Lefebvre, em Janeiro deste ano, que mais incomodou o Papa. De facto, na carta enviada em Mar\u00e7o aos Bispos da Igreja Cat\u00f3lica a prop\u00f3sito desta quest\u00e3o, aparece um Bento XVI preocupado e mesmo magoado ao constara feridas antigas, falta de paz e inclusive hostilidade para com o Papa. &#8220;Fiquei triste pelo facto de inclusive cat\u00f3licos &#8211; que no fundo, poderiam saber melhor como tudo se desenrola &#8211; se sentirem no dever de atacar-me e com uma virul\u00eancia de lan\u00e7a em riste\u201d, escreve. Por outro lado, Bento XVI reafirma que n\u00e3o tinha conhecimento das posi\u00e7\u00f5es negacionistas do Bispo Williamson, mas admite que no futuro a Santa S\u00e9 dever\u00e1 estar mais atenta \u00e0 Internet, como \u201cfonte de not\u00edcias\u201d.  <i>Casos<\/i> A dan\u00e7a em volta das responsabilidades em rela\u00e7\u00e3o a Richard Williamson tamb\u00e9m foi problem\u00e1tica: O Cardeal Dar\u00edo Castrill\u00f3n, presidente da Comiss\u00e3o Pontif\u00edcia Ecclesia Dei, defendeu-se das acusa\u00e7\u00f5es de que teria escondido de Bento XVI as declara\u00e7\u00f5es negacionistas do bispo da Fraternidade S\u00e3o Pio X e atacou o porta-voz da Santa S\u00e9 (Pe. Federico Lombardi, que antes negara qualquer desentendimento com o Cardeal colombiano), defendendo que este n\u00e3o deve dizer que um Cardeal tem de saber algo que ele n\u00e3o tem obriga\u00e7\u00e3o de saber e remetendo responsabilidades para a Congrega\u00e7\u00e3o para os Bispos. Um epis\u00f3dio semelhante aconteceu na troca de acusa\u00e7\u00f5es entre o arcebispo do Recife, D. Jos\u00e9 Cardoso Sobrinho, e o arcebispo Rino Fisichella, presidente da Academia Pontif\u00edcia  para a Vida, em torno do aborto de uma menina brasileira de 9 anos, gr\u00e1vida de g\u00e9meos. O Arcebispo italiano escreveu no Osservatore Romano que \u201cantes de pensar na excomunh\u00e3o, era necess\u00e1rio e urgente salvaguardar sua vida inocente e recoloc\u00e1-la num n\u00edvel de humanidade da qual n\u00f3s, homens de Igreja, devemos ser anunciadores e mestres\u201d. A arquidiocese do Recife, em comunicado, acusou este respons\u00e1vel de falar sem conhecimento de causa, assegurando que a fam\u00edlia e a crian\u00e7a foram acompanhadas a todo o momento. Na \u00c1ustria, mais um caso coloca em quest\u00e3o o funcionamento da \u201cm\u00e1quina\u201d que rodeia Bento XVI: o padre Gerhard Wagner \u00e9 nomeado Bispo auxiliar de Linz. A Confer\u00eancia Episcopal do pa\u00eds reagem em comunicado \u00e0 escolha de um sacerdote conhecida pelas suas posi\u00e7\u00f5es pol\u00e9micas e este acaba por renunciar \u00e0 ordena\u00e7\u00e3o. J\u00e1 em 2007, houvera um epis\u00f3dio semelhante, em volta da nomea\u00e7\u00e3o do Arcebispo de Vars\u00f3via, quando o,escolhido pelo Papa, D. Stanislaw Wielgus, apresentou a ren\u00fancia ao cargo na sequ\u00eancia de acusa\u00e7\u00f5es de colaboracionismo com o antigo regime comunista polaco.  <i>C\u00faria Romana<\/I> A actual C\u00faria Romana &#8211; o conjunto dos dicast\u00e9rios e dos organismos que coadjuvam o Papa no exerc\u00edcio da sua miss\u00e3o &#8211; tem j\u00e1 muitos homens da confian\u00e7a de Bento XVI, a come\u00e7ar pelo seu Secret\u00e1rio de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone. Nas presid\u00eancias das nove Congrega\u00e7\u00f5es est\u00e3o seis escolhas do actual Papa e mesmo nos Conselhos Pontif\u00edcios, s\u00e3o j\u00e1 mais de metade os presidentes nomeados por Bento XVI: seis em onze.  Actualmente, al\u00e9m do Secret\u00e1rio de Estado do Vaticano, tr\u00eas dos presidentes das nove Congrega\u00e7\u00f5es da C\u00faria Romana s\u00e3o italianos: O Cardeal Giovanni Battista Re e os Arcebispo Angelo Amato e Antonio Maria Vegli\u00f2. As outras Congrega\u00e7\u00f5es s\u00e3o presididas por um polaco, um brasileiro, um norte-americano, um indiano, um esloveno e um argentino. A estes tr\u00eas Cardeais italianos juntam-se o Cardeal Attilio Nicora, presidente da Administra\u00e7\u00e3o do Patrim\u00f3nio da S\u00e9 Apost\u00f3lica; o Arcebispo Velasio De Paolis, presidente da Prefeitura dos Assuntos Econ\u00f3micos da Santa S\u00e9 e o Cardeal Giovanni Lajolo, presidente do Governatorato da Cidade do Vaticano. A tend\u00eancia acentua-se no caso dos Conselhos Pontif\u00edcios: o Cardeal Renato Martino, o Cardeal Ennio Antonelli e os Arcebispos Francesco Coccopalmerio, Gianfranco Ravasi e Claudio Maria Celli. As outras seis presid\u00eancias cabem a dois alem\u00e3es, um franc\u00eas, um espanhol e dois polacos. Nos pr\u00f3ximos meses \u00e9 poss\u00edvel que se venha a assistir a mais mudan\u00e7as na C\u00faria, dado que tr\u00eas Cardeais t\u00eam j\u00e1 mais de 75 anos: Walter Kasper, Renato Martino e James F. Stafford. Esta idade \u00e9 o limite estabelecido pelo Direito Can\u00f3nico para exercer os seus cargos e o Papa poder\u00e1 aceitar a sua ren\u00fancia a qualquer momento.  <b>Confian\u00e7a<\/b> Apesar de todas as dificuldades, as multid\u00f5es que se juntaram em volta do Papa em \u00c1frica ou que continuam a acompanh\u00e1-lo no Vaticano s\u00e3o um sinal de confian\u00e7a.  Em Portugal, o Bispo de Vila Real escreveu que \u201cestes quatro anos revelaram um homem atento e corajoso, delicado e firme. Fez v\u00e1rias visitas pastorais, sem pressa, \u00e0s par\u00f3quias de Roma, a sua diocese como bispo diocesano, e \u00e0 It\u00e1lia, e como Supremo Pastor da Igreja fez visitas demoradas a outros pa\u00edses distantes e estruturas cient\u00edficas e de poder pol\u00edtico\u201d.  \u201cO seu estilo \u00e9 o que poderemos chamar uma linguagem substantiva, onde as palavras s\u00e3o somente as necess\u00e1rias, escolhidas, com rigor e afecto. Afasta do seu discurso os adornos rom\u00e2nticos e ret\u00f3ricos, mas n\u00e3o exclui os sentimentos protocolares e a mem\u00f3ria do cora\u00e7\u00e3o. Neste aspecto tem surpreendido pela positiva, ultrapassando o estilo da reflex\u00e3o teol\u00f3gica acad\u00e9mica e de an\u00e1lise disciplinar de muitos anos\u201d, refere D. Joaquim Gon\u00e7alves. J\u00e1 D. Il\u00eddio Leandro, Bispo de Viseu, reagiu \u00e0s especula\u00e7\u00f5es m volta da alegada solid\u00e3o de Bento XVI escrevendo que \u201ctodos os Crist\u00e3os \u2013 Leigos, Religiosos, Sacerdotes, Bispos ou Cardeais \u2013 temos a no\u00e7\u00e3o do sentido e da import\u00e2ncia da miss\u00e3o do Papa na Igreja e do apoio, respeito, aten\u00e7\u00e3o, unidade e comunh\u00e3o que lhe devemos. Temos a certeza, tamb\u00e9m, da presen\u00e7a e da assist\u00eancia do Esp\u00edrito de Deus que acompanha, orienta e guia as pessoas que, de cora\u00e7\u00e3o aberto, vivem, com amor, o Evangelho como a Boa Nova para os tempos e as pessoas de cada hoje\u201d.  \u201cNunca est\u00e1 s\u00f3 porque, para al\u00e9m desta assist\u00eancia divina e sobrenatural, tem todos os canais interm\u00e9dios de corresponsabilidade e de comunh\u00e3o, criados pelo Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico do Vaticano II, que o Papa re\u00fane, ouve e respeita\u201d, acrescenta. A expectativa para os pr\u00f3ximos meses passa, sobretudo, pela viagem \u00e0 Terra Santa, pela publica\u00e7\u00e3o da anunciada enc\u00edclica social \u2013 necessariamente revista ap\u00f3s a crise financeira e econ\u00f3mica que se instalou no mundo &#8211;  e do segundo volume do livro \u201cJesus de Nazar\u00e9\u201d. O interesse em volta dos gestos e das palavras do Papa \u2013 mais de 50 discursos contabilizados pelo Vaticano, desde o in\u00edcio de 2009 \u2013 n\u00e3o tem desmorecido, embora nem sempre seja bem entendido. N\u00e3o se deve esperar, contudo, qualquer inflex\u00e3o dram\u00e1tica ou viragem espectacular num homem que se orienta por convic\u00e7\u00f5es profundas a que n\u00e3o ir\u00e1 renunciar.  <B>Not\u00edcias relacionadas<\/B>  <a href=\"noticia.asp?noticiaid=67745\">\u2022 Revista do ano 2008<\/a>  <a href=\"noticia.asp?noticiaid=59051\">\u2022 Cronologia dos 3 primeiros anos de pontificado<\/a>     <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00daltimo ano de pontificado marcado por um conjunto de viagens simb\u00f3licas, pela preocupa\u00e7\u00e3o com a grave crise econ\u00f3mica e por longas 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