{"id":38308,"date":"2009-04-18T11:17:38","date_gmt":"2009-04-18T11:17:38","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/04\/18\/o-papel-imprescindivel-dos-cristaos-leigos\/"},"modified":"2009-04-18T11:17:38","modified_gmt":"2009-04-18T11:17:38","slug":"o-papel-imprescindivel-dos-cristaos-leigos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-papel-imprescindivel-dos-cristaos-leigos\/","title":{"rendered":"O papel imprescind\u00edvel dos Crist\u00e3os Leigos"},"content":{"rendered":"<p>Gosto de recordar as comunidades crist\u00e3s primitivas, tal como s\u00e3o referidas nos escritos neotestament\u00e1rios e nos documentos posteriores dos primeiros s\u00e9culos: comunidade de Jerusal\u00e9m, &#8211; a primeira de todas -, de Antioquia, de Filipos, de \u00c9feso, de Roma, de Alexandria e outras. Os seus membros eram conhecidos simplesmente como \u201ccrist\u00e3os\u201d (Act 12,26). Alguns assumiam determinados minist\u00e9rios ou servi\u00e7os: eram os bispos, os presb\u00edteros e os di\u00e1conos. Outros ainda, sem fun\u00e7\u00f5es hier\u00e1rquicas, eram chamados a realizar tarefas no campo da liturgia, do ensino e do servi\u00e7o aos irm\u00e3os. S. Agostinho viria a escrever mais tarde uma frase que se tornou c\u00e9lebre e que traduzia bem o esp\u00edrito generalizado na \u00e9poca: \u201cconvosco s\u00e3o crist\u00e3o, para v\u00f3s sou bispo\u201d. A grande maioria, por\u00e9m, ou, antes, a quase totalidade era constitu\u00edda pelos crist\u00e3os que viviam a sua f\u00e9 na vida quotidiana: na esfera familiar, no sector do trabalho e na vida social. Eram o que hoje chamamos os \u201cleigos\u201d. Todos os membros da comunidade tinham um tra\u00e7o comum: apresentavam-se como disc\u00edpulos de Jesus Cristo; viviam num clima de fraternidade; participavam na Eucaristia dominical, no ensino da mensagem crist\u00e3 e na ajuda m\u00fatua. Se quisermos perceber bem o que significa ser leigo, \u00e9 bom recordar esses tempos primordiais do cristianismo. O testemunho, por vezes her\u00f3ico, dos crist\u00e3os leigos, ao lado, obviamente, dos bispos e dos presb\u00edteros, foi determinante para o r\u00e1pido e espectacular crescimento da Igreja. N\u00e3o desconhecemos os aspectos negativos que sempre existiram, desde a primeira hora, nas comunidades, as suas fragilidades, os seus pecados e esc\u00e2ndalos; mas uma coisa \u00e9 certa: os crist\u00e3os representavam uma for\u00e7a espiritual e moral, uma novidade de vida, capaz de atrair as pessoas e transformar as sociedades a partir dos alicerces. Devemos acrescentar no panorama da Igreja das origens uma outra realidade que pouco a pouco foi surgindo e crescendo. Referimo-nos \u00e0queles crist\u00e3os e crist\u00e3s que se sentiam interpelados por Deus a seguir outras formas de viv\u00eancia da f\u00e9, na ora\u00e7\u00e3o, na contempla\u00e7\u00e3o, na penit\u00eancia, quer na linha erem\u00edtica, quer na linha cenob\u00edtica ou de comunidade religiosa. A Igreja cresceu e estendeu os seus ramos a todo o mundo, para usar a imagem da par\u00e1bola evang\u00e9lica. Cada \u00e9poca revelou novas virtualidades e obrigou a constantes renova\u00e7\u00f5es. No que se refere ao tema que nos ocupa, o papel dos leigos, importa sublinhar que, no decorrer dos s\u00e9culos, sobretudo a partir da Idade M\u00e9dia, assistir-se-\u00e1 a um acentuado relevo atribu\u00eddo ao lugar da hierarquia e dos religiosos no seio da Igreja, ficando os leigos numa situa\u00e7\u00e3o teologicamente pouco definida e sem o pleno reconhecimento da sua miss\u00e3o eclesial. Isto n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o tenham existido sempre leigos e leigas verdadeiramente exemplares, bem como not\u00e1veis formas associativas do laicado, de que s\u00e3o exemplo as confrarias, as ordens, as irmandades. Coube, por\u00e9m, ao s\u00e9culo XX assistir \u00e0 redescoberta do laicado como parte essencial do Povo de Deus, juntamente com os sectores hier\u00e1rquico e religioso. Para isso, muito contribuiu a Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica e outros movimentos e associa\u00e7\u00f5es laicais, e o progresso da teologia dos leigos, como componente da eclesiologia. O Conc\u00edlio Vaticano II viria a representar o momento alto desta ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, deixando-nos uma doutrina clara, solidamente fundamentada e fecunda sobre os leigos. Esta doutrina encontra-se, antes de mais, na constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica L\u00famen Gentium, a que se deve ajuntar o decreto Apostolicam Actuositatem. \u00c9 numa perspectiva global da Igreja como Mist\u00e9rio e como Povo de Deus que se definem a natureza e a miss\u00e3o dos leigos. O documento depois de apresentar a Igreja como Povo de Deus a que todos os crist\u00e3os pertencem pelo baptismo, dedica um cap\u00edtulo a cada uma das suas componentes: a hierarquia, os leigos e os religiosos. Todos formam uma \u00fanica Igreja. Esta \u00e9 a sua imagem verdadeira, tanto na sua dimens\u00e3o universal, como nas suas dimens\u00f5es mais restritas da diocese ou da par\u00f3quia. O reconhecimento te\u00f3rico e pr\u00e1tico da voca\u00e7\u00e3o dos leigos, a sua cuidada forma\u00e7\u00e3o integral, a sua inser\u00e7\u00e3o na vida das comunidades, e, acima de tudo, como tra\u00e7o espec\u00edfico e distintivo, o seu empenhamento de crist\u00e3os na vida familiar, social, econ\u00f3mica, cultural e pol\u00edtica constituem tarefa inalien\u00e1vel deste tempo hist\u00f3rico da Igreja. Aos passos j\u00e1 dados nesse sentido, \u00e9 urgente dar novos e corajosos passos, como recomendava o Papa Bento XVI \u00e0 Igreja em Portugal, atrav\u00e9s dos seus Bispos, durante a \u00faltima visita ad limina.  <i>+ Maur\u00edlio de Gouveia, Arcebispo Em\u00e9rito de \u00c9vora <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gosto de recordar as comunidades crist\u00e3s primitivas, tal como s\u00e3o referidas nos escritos neotestament\u00e1rios e nos documentos posteriores dos primeiros s\u00e9culos: comunidade de Jerusal\u00e9m, &#8211; a primeira de todas -, de Antioquia, de Filipos, de \u00c9feso, de Roma, de Alexandria e outras. Os seus membros eram conhecidos simplesmente como \u201ccrist\u00e3os\u201d (Act 12,26). 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