{"id":38231,"date":"2009-04-14T15:16:02","date_gmt":"2009-04-14T15:16:02","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/04\/14\/zimbabue-um-pais-estrangulado-pelo-proprio-presidente\/"},"modified":"2009-04-14T15:16:02","modified_gmt":"2009-04-14T15:16:02","slug":"zimbabue-um-pais-estrangulado-pelo-proprio-presidente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/zimbabue-um-pais-estrangulado-pelo-proprio-presidente\/","title":{"rendered":"Zimbabu\u00e9, um pa\u00eds estrangulado pelo pr\u00f3prio presidente"},"content":{"rendered":"<p>\u201cEstamos a perder a pouca normalidade que t\u00ednhamos. Nas ruas, tr\u00eas tomates custam agora um d\u00f3lar e dois bocados de peixe, cinco d\u00f3lares.\u201d Assim ilustra a situa\u00e7\u00e3o que o Zimbabu\u00e9 atravessa D. Dieter B. Scholz, Bispo de Chinhoyi, que em Fevereiro de 2009 nos descreveu a terr\u00edvel mis\u00e9ria da popula\u00e7\u00e3o deste pa\u00eds africano. Actualmente, os cabe\u00e7alhos dos jornais n\u00e3o mencionam a ditadura do presidente Robert Mugabe, mas a catastr\u00f3fica conjuntura pol\u00edtica e econ\u00f3mica do pa\u00eds, originada por este regime, continua a ser a mesma.       O jornalista Wilf Mbanga, um antigo companheiro de Mugabe que actualmente vive exilado no Reino Unido, explicou numa entrevista a atitude do presidente: \u201cOs 28 anos no poder perturbaram-no totalmente, e o medo de perder o poder torna-o semelhante a um animal ferido. Actualmente, ele \u00e9 capaz de qualquer coisa. Inclusivamente de um genoc\u00eddio.\u201d       No fundo, isso j\u00e1 est\u00e1 a acontecer: Zimbabu\u00e9, o pa\u00eds outrora qualificado de celeiro de \u00c1frica pela sua riqueza agr\u00edcola enfrenta a fome. D. Scholz escreve: \u201cSinto-me invadido pela indigna\u00e7\u00e3o quando ou\u00e7o que os funcion\u00e1rios fi\u00e9is ao partido continuam a tentar intimidar os nossos p\u00e1rocos para os impedir de ajudar a quem apenas se alimenta de casca de \u00e1rvores, sementes e frutos selvagens. Mas n\u00f3s n\u00e3o vamos tolerar que nos roubem o direito de partilhar o nosso p\u00e3o com os famintos.\u201d       D. Scholz, um jesu\u00edta que trabalha h\u00e1 mais de quarenta anos no Zimbabu\u00e9, \u00e9 Bispo da Diocese de Chinhoyi, no Noroeste do pa\u00eds, desde 2006, e recebe apoio da Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre (AIS). Este sacerdote oriundo de Berlim trabalhou muitos anos em Silveira House um centro de educa\u00e7\u00e3o de adultos dos Jesu\u00edtas fundado em 1964 e situado a 20 km da capital de Harare. At\u00e9 aos dias de hoje, esta institui\u00e7\u00e3o de car\u00e1cter pastoral e social esfor\u00e7a-se por fortalecer as par\u00f3quias da regi\u00e3o. A sua oferta de forma\u00e7\u00e3o inclui cursos de preven\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria, agricultura, democracia e direitos humanos, assim como de cultura e l\u00ednguas nativas. O objectivo \u00e9 ajudar o povo do Zimbabu\u00e9 a ajudar-se a si mesmo.       No entanto na actual crise esta oferta j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 atractiva. As condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o miser\u00e1veis e as necessidades do povo, indescrit\u00edveis. As escolas e os hospitais fecham as suas portas. A economia nacional h\u00e1 muito tempo que se encontra devastada e a moeda do pa\u00eds n\u00e3o tem valor. As pessoas procuram conseguir divisas para sobreviver, mas muitos, ao n\u00e3o o conseguir, passam fome, procuram fugir como podem para um Estado vizinho ou, simplesmente, morrem. A fome, este brutal sofrimento capaz de afectar e acabar com fam\u00edlias inteiras, est\u00e1 presente em todo o lado. Nas palavras de um observador, \u00e9 t\u00e3o destruidora como \u201cum tsunami constante e silencioso\u201d.       \u00c0 grave car\u00eancia de alimentos seguiu-se uma epidemia de c\u00f3lera, em Agosto de 2008. Ainda que os dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) de Genebra indiquem que o n\u00famero de novos casos desceram de forma significativa, a OMS tamb\u00e9m advertiu no final de Mar\u00e7o que a epidemia n\u00e3o se extinguiu totalmente e que poderia voltar a desencadear-se. Segundo os dados, em Fevereiro de 2009 registaram-se cerca de 8.000 novos casos semanais, enquanto em Mar\u00e7o o n\u00famero desceu para 2.000. O \u00edndice de mortalidade entre os doentes tamb\u00e9m desceu quase 6% em Janeiro e 2,3% em meados de Mar\u00e7o. No total, a OMS calcula que desde o in\u00edcio da epidemia mais de 91.000 pessoas contra\u00edram c\u00f3lera, das quais cerca de 4.000 morreram.       Perante este cen\u00e1rio, D. Scholz explica numa conversa que manteve com colaboradores da AIS: \u201cDevemos recuperar a humanidade que perdemos.\u201d Este bispo jesu\u00edta, que em Janeiro e Fevereiro esteve na Alemanha com o objectivo de recolher ajuda para a popula\u00e7\u00e3o do Zimbabu\u00e9, sublinhou que n\u00e3o iria tolerar que os sacerdotes da sua diocese fossem proibidos de partilhar alimentos entre os famintos. Segundo explicou, os sacerdotes receberam amea\u00e7as e foram obrigados a prestar contas ante as autoridades          <i>Departamento de Informa\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o AIS  Foto: Miss\u00e3o Jesu\u00edta no Zimbabu\u00e9 <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEstamos a perder a pouca normalidade que t\u00ednhamos. Nas ruas, tr\u00eas tomates custam agora um d\u00f3lar e dois bocados de peixe, cinco d\u00f3lares.\u201d Assim ilustra a situa\u00e7\u00e3o que o Zimbabu\u00e9 atravessa D. Dieter B. 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