{"id":38210,"date":"2009-04-14T11:24:08","date_gmt":"2009-04-14T11:24:08","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/04\/14\/o-santo-condestavel-nao-contestavel\/"},"modified":"2009-04-14T11:24:08","modified_gmt":"2009-04-14T11:24:08","slug":"o-santo-condestavel-nao-contestavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-santo-condestavel-nao-contestavel\/","title":{"rendered":"O Santo Condest\u00e1vel n\u00e3o contest\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p>Bag\u00e3o F\u00e9lix considera que Nuno \u00c1lvares Pereira \u00e9 \u00abexemplo num tempo em que o valor da exemplaridade escasseia\u00bb <!--more--> No meio da parafern\u00e1lia de pequenas, m\u00e9dias e grandes not\u00edcias sobre quase tudo e quase nada, foi com alegria que recebi a not\u00edcia da canoniza\u00e7\u00e3o de D. Nuno \u00c1lvares Pereira, o Santo Condest\u00e1vel. Como cat\u00f3lico e como portugu\u00eas. E tamb\u00e9m pelo facto de a este processo de canoniza\u00e7\u00e3o estar associado o Cardeal portugu\u00eas D. Saraiva Martins, de quem, h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos, tive a honra de apresentar o livro \u201cComo se faz um Santo\u201d.  \u00c9 claro que esta simb\u00f3lica distin\u00e7\u00e3o que muito honra a portugalidade no Mundo \u2013 mesmo que analisada apenas fora do contexto religioso \u2013 n\u00e3o faz manchetes, como fazem \u00e0 profus\u00e3o as distin\u00e7\u00f5es de um bom jogador de futebol, de um consagrado autor, de um artista de telenovela ou de um empres\u00e1rio de sucesso fulminante.   O que anima certos meios de opini\u00e3o liofilizada e quase sempre desconhecedores da religi\u00e3o \u00e9 a discuss\u00e3o (?) sobre a natureza do milagre que est\u00e1 associado \u00e0 canoniza\u00e7\u00e3o do Beato Nuno. Mas o povo, na sua sabedoria genu\u00edna e despolu\u00edda, j\u00e1 h\u00e1 muito o havia consagrado como o Santo Condest\u00e1vel. Isso mesmo: santo carmelita e condest\u00e1vel chefe militar e primeiro dignit\u00e1rio do Reino!  Agora que os Santos parecem estar \u201cfora de moda\u201d numa sociedade de \u201czapping\u201d, comportamentalmente hedonista, moralmente relativista e subjugada \u00e0 \u201cditadura das banalidades\u201d, o que vem \u00e0 li\u00e7a \u00e9 minimizar a espiritualidade e a transcend\u00eancia associadas \u00e0 santidade. Da\u00ed que, nesta onda em que \u00e9 quase compulsivo em certos meios p\u00f4r em causa tudo o que emerge no seio da Igreja, o Santo Condest\u00e1vel seja depreciado por alguns como um \u201ccontest\u00e1vel santo\u201d\u2026  O que \u00e9 certo \u00e9 que D. Nuno \u00c1lvares Pereira, cuja vida de verdadeiro patriota n\u00e3o \u00e9 de todo contest\u00e1vel e nos habitu\u00e1mos a respeitar, \u00e9 um exemplo num tempo em que o valor da exemplaridade escasseia. N\u00e3o apenas na sua vida mais religiosa quando ap\u00f3s a morte da sua mulher e despojado de todas as propriedades, t\u00edtulos e honrarias, se tornou carmelita e viveu um tempo totalmente dedicado aos mais pobres entre os pobres, mas igualmente como not\u00e1vel general de uma guerra que nos garantiu a independ\u00eancia seriamente amea\u00e7ada.  Ser santo &#8211; como o demonstra a vida de Nuno \u00c1lvares Pereira &#8211; sempre representou uma forma de subvers\u00e3o, traduzida em cada \u00e9poca de modo diverso e como regra vivida na aus\u00eancia de qualquer forma de poder, que \u00e9 onde se revela toda a for\u00e7a da presen\u00e7a de Deus.   Na sociedade contempor\u00e2nea em que, no plano da rela\u00e7\u00e3o com Deus, clamamos muito mas obedecemos pouco, o Santo \u00e9 uma esp\u00e9cie de novo insurrecto sinalizador e modelo da pureza, da harmonia, da espiritualidade levada \u00e0 sua mais bela singeleza.  No fundo, somos reconduzidos \u00e0 mais forte constata\u00e7\u00e3o: a de que para se ser santo \u00e9 necess\u00e1rio praticar e, acima de tudo, concretizar o Evangelho. Assim se atinge a perfei\u00e7\u00e3o da caridade entendida como a mais elevada medida de amor para com o Criador e para com o pr\u00f3ximo. S\u00e3o Paulo haveria de sintetiz\u00e1-la numa curt\u00edssima express\u00e3o: n\u00e3o vivo mais eu, mas Cristo vive em mim.  A santidade de Nuno \u00c1lvares Pereira simboliza a purifica\u00e7\u00e3o da heroicidade do simples e \u00e9 a express\u00e3o vitoriosa do homem de e para todos os tempos sobre o homem do instante.   A santidade sempre foi entendida como a express\u00e3o da Gra\u00e7a Divina, mas tamb\u00e9m da condi\u00e7\u00e3o livre de se ser pessoa. O Santo Condest\u00e1vel representa, na Hist\u00f3ria de Portugal e do Mundo, este tra\u00e7o de uni\u00e3o entre o passado e o futuro, entre a mem\u00f3ria e o exemplo, entre a vida p\u00fablica e a consagra\u00e7\u00e3o a Deus.  O Beato Nuno de Santa Maria \u00e9 um exemplo de uma vida ao servi\u00e7o do outro, alicer\u00e7ada numa f\u00e9 inabal\u00e1vel e num esp\u00edrito de radical caridade. Atrav\u00e9s dele poderemos entender melhor o caminho da santidade pelo qual a caridade \u00e9, ao mesmo tempo, o cora\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia e a intelig\u00eancia do cora\u00e7\u00e3o, e que s\u00f3 a partir do nosso interior se pode transformar o que nos \u00e9 exterior.   Se h\u00e1 quem congregue sem ensinar e quem ensine sem congregar, o novo santo portugu\u00eas ensinou pela universalidade do seu exemplo e congregou na perfei\u00e7\u00e3o das suas virtudes. Parafraseando S.S. o Papa Bento XVI, D. Nuno viveu profundamente consciente que \u201cse Deus n\u00e3o est\u00e1 presente tudo se torna completamente insuficiente\u201d.   Neste momento em que escrevo, n\u00e3o posso deixar de registar, no plano institucional e pol\u00edtico, uma atitude e uma omiss\u00e3o.   A atitude de o Senhor Presidente da Rep\u00fablica, como o mais alto magistrado da Na\u00e7\u00e3o, se ter congratulado, em nome de Portugal, e considerado D. Nuno \u201cuma figura maior da nossa hist\u00f3ria que, no passado e no presente, deve inspirar os portugueses na busca de um futuro melhor\u201d.   A omiss\u00e3o e o sil\u00eancio do lado do Governo e de alguns partidos pol\u00edticos, sempre t\u00e3o pr\u00f3digos e r\u00e1pidos em felicitar outras personagens nem sempre significantes e em formular votos de congratula\u00e7\u00e3o por d\u00e1 c\u00e1 aquela palha.   \u00c9 recorrente nestas alturas usar-se e abusar-se do argumento da separa\u00e7\u00e3o compulsiva entre o Estado e a Igreja. A louv\u00e1vel e imperativa neutralidade religiosa do Estado n\u00e3o pode, por\u00e9m, transformar este num Estado anti-religi\u00e3o.  A laicidade do Estado n\u00e3o implica a laicidade da sociedade. A sociedade \u00e9 plural no sentido religioso e \u00e9 perigoso confundir sistematicamente, neste plano, Estado e Sociedade. A separa\u00e7\u00e3o do Estado e da Igreja tamb\u00e9m n\u00e3o significa neutralidade por omiss\u00e3o, indiferen\u00e7a, absten\u00e7\u00e3o, ignor\u00e2ncia ou desconhecimento dos fen\u00f3menos religiosos e muito menos hostilidade.  Mas no caso de D. Nuno \u00c1lvares Pereira n\u00e3o se exige do Estado que o homenageie como santo cat\u00f3lico. Apenas, que o sinalize para as gera\u00e7\u00f5es vindouras como grande, ilustre e exemplar portugu\u00eas. A Hist\u00f3ria faz parte do presente e do futuro, embora, como um dia escreveu Miguel Torga, \u201cos nossos governantes n\u00e3o querem saber da Hist\u00f3ria. Para eles tudo come\u00e7a na hora em que assumem o poder\u201d  Em suma: o Beato Nuno \u00e9 agora consagrado universalmente como o S\u00e3o Nuno de Santa Maria. O povo v\u00ea assim confirmado pelo Papa o nome de um incontest\u00e1vel Santo Condest\u00e1vel!  <i>Ant\u00f3nio Bag\u00e3o F\u00e9lix<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bag\u00e3o F\u00e9lix considera que Nuno \u00c1lvares Pereira \u00e9 \u00abexemplo num tempo em que o valor da exemplaridade escasseia\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[120,199,300],"class_list":["post-38210","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-bento-xvi","tag-espiritualidade","tag-santo-condestavel"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38210","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38210"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38210\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38210"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38210"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38210"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}