{"id":382,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/revisitemos-o-codigo\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"revisitemos-o-codigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/revisitemos-o-codigo\/","title":{"rendered":"Revisitemos o C\u00f3digo"},"content":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Santos, Jornalista <!--more--> \u00abPara que seja garantido ao Homem o direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, \u00e0 igualdade, \u00e0 cultura, ao gozo dos bens da civiliza\u00e7\u00e3o, \u00e0 dignidade pessoal e social, \u00e9 preciso paz. Onde esta perde o seu equil\u00edbrio e a sua efici\u00eancia, os direitos do Homem tornam-se prec\u00e1rios e comprometidos; onde n\u00e3o h\u00e1 paz o direito perde o seu rosto humano. L\u00e1 onde n\u00e3o h\u00e1 respeito, defesa e promo\u00e7\u00e3o dos direitos do Homem \u2013 l\u00e1 onde se pratica a viol\u00eancia, ou a fraude \u00e0s suas liberdades inalien\u00e1veis, onde se ignora ou degrada a sua personalidade, onde se exercitam as discrimina\u00e7\u00f5es, a escravid\u00e3o, a intoler\u00e2ncia \u2013 n\u00e3o pode haver verdadeira Paz. Porque Paz e Direito s\u00e3o reciprocamente causa e efeito um do outro; a Paz favorece o Direito; e, por sua vez, o Direito favorece a Paz.\u00bb S\u00e3o palavras de Paulo VI na Mensagem para a Jornada Mundial da Paz 1969. Socorro-me desta s\u00edntese admir\u00e1vel do Grande Papa Paulo VI e tomo-a como ponto de partida para uma breve reflex\u00e3o sobre a express\u00e3o que essas mesmas palavras possam ter ou n\u00e3o, passados mais de 30 anos, em meios de comunica\u00e7\u00e3o social portugueses. Haver\u00e1 jornalismo ao servi\u00e7o da paz em Redac\u00e7\u00f5es onde a intoler\u00e2ncia ganha espa\u00e7o? Estar\u00e3o empresas de comunica\u00e7\u00e3o social ao servi\u00e7o da paz quando entre des\u00edgnios de audi\u00eancias e de lideran\u00e7as se subvertem valores e espezinham direitos de jornalistas e de leitores? Mais: haver\u00e1 jornalismo ao servi\u00e7o da paz em meios de comunica\u00e7\u00e3o social alinhados com a guerra e de forma incondicional favor\u00e1veis a interven\u00e7\u00f5es militares ao arrepio do Direito? Teremos jornalismo ao servi\u00e7o da paz em meios de comunica\u00e7\u00e3o social onde jornalistas n\u00e3o respeitem direitos de jornalistas e de leitores? Redac\u00e7\u00f5es e meios de comunica\u00e7\u00e3o social onde se reflecte pouco e se perdeu a capacidade de autocr\u00edtica poder\u00e3o desenvolver um jornalismo criativo? Empresas e Redac\u00e7\u00f5es onde se tolera mal a ac\u00e7\u00e3o de sindicatos e a interven\u00e7\u00e3o de conselhos de redac\u00e7\u00e3o poder\u00e3o ser arautos da paz? Espa\u00e7os de trabalho onde, para eventualmente conseguir um emprego, jovens licenciados colaboram a tempo inteiro, durante meses e sem qualquer remunera\u00e7\u00e3o, alguma vez poder\u00e3o ser comunidades humanas e de paz? Poder\u00e3o desenvolver-se rela\u00e7\u00f5es de paz, de s\u00e3 e plural conviv\u00eancia em empresas onde jornalistas, por serem inc\u00f3modos, s\u00e3o postos na prateleira e cargos de lideran\u00e7a s\u00e3o preenchidos por crit\u00e9rios de compadrio?  Com alguma frequ\u00eancia lemos, ouvimos e vemos parangonas racistas, de \u00f3dio, viol\u00eancia e intoler\u00e2ncia em p\u00e1ginas de jornais, aos microfones de r\u00e1dios e em esta\u00e7\u00f5es de televis\u00e3o. Mesmo quando se trata de reportar a realidade, ser\u00e1 que nesses relatos se vislumbram crit\u00e9rios de paz?  Quando factos se confundem com opini\u00f5es e opini\u00f5es escondem ou se travestem de factos, estaremos diante de um jornalismo ao servi\u00e7o da paz? O chamado jornalismo de fontes estar\u00e1 ao servi\u00e7o do jornalismo ou das fontes? Ser\u00e1 que esta rela\u00e7\u00e3o, por vezes perigosa, \u00e9 atravessada por des\u00edgnios de paz? Os conte\u00fados publicados em meios de comunica\u00e7\u00e3o social ser\u00e3o todos produzidos e editados por jornalistas? Que crit\u00e9rios de justi\u00e7a e paz justificar\u00e3o t\u00e9nues fronteiras de propaganda e desinforma\u00e7\u00e3o? O individualismo e o salve-se quem puder, ou o deixa-me estar quietinho no meu canto para n\u00e3o me comprometer, muito em voga em redac\u00e7\u00f5es de diferentes meios de comunica\u00e7\u00e3o social, emanar\u00e3o de crit\u00e9rios de justi\u00e7a e de paz? O medo e a auto-censura favorecem crit\u00e9rios de liberdade e de justi\u00e7a, no seio dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social?  Os julgamentos p\u00fablicos e sum\u00e1rios de cidad\u00e3os an\u00f3nimos ou de personalidades p\u00fablicas feitos nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social ser\u00e3o express\u00e3o de jornalismo ao servi\u00e7o da paz? As interroga\u00e7\u00f5es que aqui coloco evidenciam uma outra: o jornalismo hoje em Portugal faz-se ao servi\u00e7o de que verdade? Certamente n\u00e3o ser\u00e1 de uma, mas de muitas verdades\u2026 O neo-liberalismo e a globaliza\u00e7\u00e3o naquilo que \u00e9 a sua pior express\u00e3o tomaram conta de muitas empresas de comunica\u00e7\u00e3o social, anestesiaram o esp\u00edrito colectivo das redac\u00e7\u00f5es e desvalorizaram, sen\u00e3o mesmo chegam a penalizar, qualquer manifesta\u00e7\u00e3o nesse sentido.  Jornalismo ao servi\u00e7o da paz realiza-se no compromisso com a verdade e a justi\u00e7a. No confronto e no respeito pela diferen\u00e7a e pelo pluralismo. Para isso \u00e9 preciso que os jornalistas reconquistem as Redac\u00e7\u00f5es e as transformem em verdadeiros espa\u00e7os de liberdade. A Redac\u00e7\u00e3o de um \u00f3rg\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o deve ser desalinhada, ruidosa, inquieta, inconformada. Onde cada um e todos os jornalistas t\u00eam lugar privilegiado pelo discernimento e pela interven\u00e7\u00e3o que a sua voca\u00e7\u00e3o lhes imp\u00f5e. Jornalismo ao servi\u00e7o da paz realiza-se pela assump\u00e7\u00e3o e cumprimento pleno do C\u00f3digo Deontol\u00f3gico do Jornalista em vigor desde 1993.  Perante a crise e grande confus\u00e3o que por a\u00ed vai, por ocasi\u00e3o do 37.\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, apetece-me pegar nesta pequena j\u00f3ia que temos como jornalistas \u2013 o C\u00f3digo Deontol\u00f3gico \u2013 e nela buscar alento para prosseguir a caminhada. \u00ab1. O jornalista deve relatar os factos com rigor e exactid\u00e3o e interpret\u00e1-los com honestidade\u2026 2. O jornalista deve combater a censura e o sensacionalismo\u2026 3. O jornalista deve lutar contra as restri\u00e7\u00f5es no acesso \u00e0s fontes de informa\u00e7\u00e3o\u2026 4. O jornalista deve utilizar meios legais para obter informa\u00e7\u00f5es\u2026 5. O jornalista deve assumir a responsabilidade por todos os seus trabalhos\u2026 6. O jornalista deve usar como crit\u00e9rio fundamental a identifica\u00e7\u00e3o das fontes\u2026 7. O jornalista deve salvaguardar a presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia dos arguidos at\u00e9 a senten\u00e7a transitar em julgado\u2026 8. O jornalista deve rejeitar o tratamento discriminat\u00f3rio das pessoas\u2026 9. O jornalista deve respeitar a privacidade dos cidad\u00e3os\u2026 10. O jornalista deve recusar fun\u00e7\u00f5es, tarefas e benef\u00edcios suscept\u00edveis de comprometer o seu estatuto de independ\u00eancia e a sua integridade profissional\u2026 Fica a s\u00edntese do dec\u00e1logo. Revisitemos o C\u00f3digo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Santos, Jornalista<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[140,168],"class_list":["post-382","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-comunicacoes-sociais","tag-diocese-da-guarda"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/382","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=382"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/382\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=382"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=382"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=382"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}