{"id":38191,"date":"2009-04-13T11:42:19","date_gmt":"2009-04-13T11:42:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/04\/13\/homilia-do-bispo-do-porto-no-domingo-de-pascoa\/"},"modified":"2009-04-13T11:42:19","modified_gmt":"2009-04-13T11:42:19","slug":"homilia-do-bispo-do-porto-no-domingo-de-pascoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-porto-no-domingo-de-pascoa\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo do Porto no Domingo de P\u00e1scoa"},"content":{"rendered":"<p>Sejamos P\u00e1scoa para a multid\u00e3o que nos espera!      <!--more--> Cheg\u00e1mos \u00e0 P\u00e1scoa, amados irm\u00e3os e irm\u00e3s. E, concluindo estes dias absolutos, um sentimento devemos ter e uma pergunta devemos fazer-nos. O sentimento s\u00f3 pode ser de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as. E a pergunta \u00e9 esta: &#8211; Como fic\u00e1mos n\u00f3s, tendo ouvido o que ouvimos e celebrado o que celebr\u00e1mos? Ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, antes, durante e depois de tudo, em perp\u00e9tua Eucaristia, que as gra\u00e7as de Deus s\u00f3 eternamente se agradecem. Entre tantos acontecimentos e perplexidades que nos tocam de perto ou de longe e nos deixam, como pessoas deste tempo e deste mundo, entre a expectativa e o desengano, as perspectivas ou a falta delas; entre realidades de variados \u00e2mbitos que nos poderiam deixar interrogativos ou inquietos: fomos vivendo em tr\u00eas intens\u00edssimos dias, espiritualmente ligados a uma multid\u00e3o de crist\u00e3os que o fizeram connosco nas mais diversas situa\u00e7\u00f5es por esse mundo al\u00e9m, o que Cristo nos ofereceu com a sua Paix\u00e3o, Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o, de h\u00e1 dois mil\u00e9nios para sempre. E o que Cristo nos deu, nas palavras que guard\u00e1mos e nos gestos que liturgicamente reproduzimos, resume-se a uma realidade total: &#8211; Ele mesmo! Sim, amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, na paix\u00e3o, entre tanta atrocidade que sofreu, foi Ele pr\u00f3prio que se ofereceu, da Ceia \u00e0 Cruz. Mesmo no sepulcro, era a sua oferta tamb\u00e9m, qual semente lan\u00e7ada \u00e0 terra para germinar em vida, a nossa vida. Porque a sua vida ressuscitada \u00e9-nos oferecida agora, come\u00e7ando em cada baptizado a \u00faltima novidade do mundo. Precisamente a que celebramos nesta manh\u00e3 pascal que, ao contr\u00e1rio das habituais, n\u00e3o tem amanh\u00e3: \u00e9 j\u00e1 o oitavo dia, o \u201cDomingo que n\u00e3o tem ocaso\u201d. Por isso nos atrai tanto, como s\u00f3 a realidade total efectivamente atrai. Porque o sabemos, agradecemos. Porque muitos ainda n\u00e3o o sabem \u2013 ou j\u00e1 \u201cesqueceram\u201d, porque realmente o n\u00e3o souberam \u2013 faremos da nossa vida um \u201cevangelho\u201d, sentindo, falando e agindo unicamente a partir da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. E n\u00e3o nos pare\u00e7a demasiado, porque \u00e9 apenas o come\u00e7o. Indispens\u00e1vel e urgente, como boa nova para a esperan\u00e7a do mundo, onde esteja gasto e sofrido.  Retomemos as palavras ouvidas, para nos retomarmos precisamente a partir delas. Leiamo-las devagar, para que cada uma delas se inscreva nos cora\u00e7\u00f5es, tanto ou mais do que a escrita do Sinai se gravou na antiga pedra. Maria Madalena foi de manh\u00e3zinha, ainda escuro, ao sepulcro\u2026 Tudo aconteceu connosco: a urg\u00eancia de Madalena, antes de mais, pois quem mais ama \u00e9 quem mais v\u00ea e mais depressa. Deixara ela a Magdala onde vivia, para seguir e servir o Rabi da Galileia, que nunca mais deixou. At\u00e9 \u00e0 cruz e agora ao sepulcro, onde julgava encontrar o seu cad\u00e1ver. Por que o julgava, ainda estava \u201c\u00e0s escuras\u201d, que assim estar\u00edamos n\u00f3s, se n\u00e3o soub\u00e9ssemos da ressurrei\u00e7\u00e3o acontecida. Nem a pedra retirada lhe deu a compreens\u00e3o imediata do que sucedera, t\u00e3o inaudito era de facto. Correu a chamar Pedro e o outro disc\u00edpulo, julgando que lhe tinham levado o Senhor\u2026 Correram estes ao sepulcro e viram apenas as ligaduras e o sud\u00e1rio, tudo dum modo que dava que pensar\u2026 Viu-o especialmente \u201co disc\u00edpulo\u201d, que viu e acreditou.  Este disc\u00edpulo, que a tradi\u00e7\u00e3o identifica como Jo\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 nomeado. Diz-se apenas que era \u201co disc\u00edpulo predilecto de Jesus\u201d. Not\u00e1vel refer\u00eancia \u00e9 esta, amados irm\u00e3os, porque exactamente assim nos inclui a n\u00f3s. \u00c9 a predilec\u00e7\u00e3o do Senhor que nos evidencia a sua presen\u00e7a, tanto mais quanto lhe correspondamos em constante procura e profunda devo\u00e7\u00e3o. \u201cVemos\u201d, realmente vemos, os sinais da sua vida ressuscitada, como o disc\u00edpulo viu as ligaduras no ch\u00e3o; mas o cora\u00e7\u00e3o alonga-nos infinitamente a vista e evidencia-nos a sua presen\u00e7a total e arrebatadora. \u00c9 outra luz, luz que nos traz ainda mais vida do que o sol a traz \u00e0 terra quando desponta. Pe\u00e7amo-la de novo. Com a ora\u00e7\u00e3o da Missa: \u201cConcedei-nos Senhor do universo que, celebrando a solenidade da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, renovados pelo vosso Esp\u00edrito, ressuscitemos para a luz da vida\u201d.  Se quis\u00e9ssemos resumir agora, para projectar na vida, o que acab\u00e1mos de ouvir, talvez o pud\u00e9ssemos fazer nestes termos: \u00e9 no amor que vemos Cristo e Cristo faz-nos testemunhas do seu amor.  N\u00e3o nos admirar\u00e1 esta asser\u00e7\u00e3o, pois sabemos por experi\u00eancia pr\u00f3pria que s\u00f3 conhecemos realmente aqueles que amamos. Sem disponibilidade e benevol\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos outros, nunca os compreenderemos bem, nem em si mesmos nem na inten\u00e7\u00e3o do que digam ou fa\u00e7am. Cristo, que inteiramente nos ama, numa predilec\u00e7\u00e3o onde cabemos um por um, conhece-nos absolutamente. A Cristo conhec\u00ea-lo-emos mais e mais, na medida em que guardarmos a sua palavra e retivermos os seus gestos, na leitura, na ora\u00e7\u00e3o e na vida sacramental. De tudo ressaltar\u00e1 uma presen\u00e7a, em tudo se experimentar\u00e1 vida nova.  Tanto mais que, como aconteceu com Madalena, Pedro e o disc\u00edpulo, tamb\u00e9m acontecer\u00e1 connosco em Igreja e na proximidade dos outros ou em rela\u00e7\u00e3o aos outros. A vida ressuscitada de Cristo alarga e oferece em toda a parte a comunh\u00e3o plena com Deus e com os outros, e com Deus \u201catrav\u00e9s\u201d dos outros. \u00c9 quando estamos reunidos em nome de Cristo que mais experimentamos a sua presen\u00e7a no meio de n\u00f3s. Foi esta a sua promessa, por ela somos Igreja. Tamb\u00e9m \u00e9 no servi\u00e7o aos outros que o servimos a ele, pois se identifica com a cruz inteira do mundo, que fez sua, para dela e da morte ressuscitar, ficando ainda mais connosco. Podemos e devemos concluir que ver as coisas a esta luz faz-nos peregrinos da ressurrei\u00e7\u00e3o no mundo, em caridade ressuscitadora.  Abre-se agora o tempo pascal, que devemos viver com particular empenho nas actuais circunst\u00e2ncias. O Evangelho falava-nos da perplexidade dos que \u201cainda n\u00e3o tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos\u201d. Dois mil\u00e9nios depois, \u00e9 a experi\u00eancia certa da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo que nos faz entender as Escrituras, precisamente a partir dela, e nos faz perspectivar a vida a partir da vit\u00f3ria de Cristo sobre a morte. Morte \u00e9 a n\u00e3o vida, sendo seus sinais, trist\u00edssimos sinais, todos os actos ou omiss\u00f5es, pessoais e colectivos que eliminem ou diminuam a exist\u00eancia humana e a harmonia do mundo. V\u00e3o do desrespeito pela vida, quando esta n\u00e3o \u00e9 considerada na sua inteireza, da concep\u00e7\u00e3o \u00e0 morte natural, ao desprezo pela dignidade de cada um, que s\u00f3 em condi\u00e7\u00f5es normais de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, trabalho, justi\u00e7a e participa\u00e7\u00e3o cultural e c\u00edvica se pode realizar, do plano local ao internacional. Vida \u00e9 n\u00e3o morte, ou melhor, \u00e9 cumprimento de todos num saud\u00e1vel colectivo que tem em Deus uno e trino a sua origem e o seu destino feliz. \u201cTempo pascal\u201d s\u00e3o dias preenchidos de caridade, amor novo que o Esp\u00edrito de Cristo derrama em nossos cora\u00e7\u00f5es, como primeiro dom do Ressuscitado: n\u00e3o temos outro sinal nem certifica\u00e7\u00e3o de que as nossas vidas s\u00e3o pascais tamb\u00e9m e por isso mesmo renovadas e livres. Mas este mesmo nos basta, para abrirmos em P\u00e1scoa todo o tempo que se segue e florirmos em esperan\u00e7a cada local e circunst\u00e2ncia que integremos. Nestes dias sair\u00e1 o \u201ccompasso\u201d, levando por ruas e casas o an\u00fancio da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, para que a\u00ed mesmo ressuscitem as vidas. E \u00e9 urgente que, nos tempos que correm, esse an\u00fancio leve esperan\u00e7a e coragem a quantos est\u00e3o tristes ou deprimidos pelas mais diversas raz\u00f5es, da doen\u00e7a ao desemprego, da solid\u00e3o ao cansa\u00e7o. Como urgente \u00e9 tamb\u00e9m que, recolhido o compasso, ele continue na vida e no testemunho de todos os disc\u00edpulos do Ressuscitado, pois n\u00e3o lhes faltar\u00e1 vida para partilharem nem luz para iluminarem quem dela care\u00e7a. E o que agora temos \u201cem vez\u201d dos outros \u00e9 exactamente o que temos \u201cpara\u201d os outros, pois gra\u00e7as s\u00e3o encargos.   Tempo pascal \u00e9 geralmente tempo de \u201ccomunh\u00f5es\u201d, primeiras ou outras, onde a vida ressuscitada de Cristo nos \u00e9 sacramentalmente, realmente, oferecida. Pois que sejam fervorosas, para serem socialmente consequentes, em aut\u00eantica \u201cpr\u00e1tica\u201d. O tempo pascal conclui-se em Pentecostes, irradia\u00e7\u00e3o universal do Esp\u00edrito de Cristo. Uma antiga tradi\u00e7\u00e3o fazia deste tempo ocasi\u00e3o de mais fraternidade e partilha. Nalgumas terras portuguesas ou da nossa di\u00e1spora, mant\u00eam-se ou retomam-se, da P\u00e1scoa ao Pentecostes, festejos tradicionais ou renovados, onde se reconciliam e aproximam pessoas, se partilham refei\u00e7\u00f5es e se aclama o Esp\u00edrito. E muito bom ser\u00e1 se, do mesmo modo que a Quaresma est\u00e1 plena de sugestivos motivos de convers\u00e3o e penit\u00eancia ligados \u00e0 Paix\u00e3o de Cristo, t\u00e3o compartilhada por sua M\u00e3e Sant\u00edssima, n\u00f3s conseguirmos preencher tamb\u00e9m os cinquenta dias pascais de motivos pr\u00f3prios de caridade e paz, no Esp\u00edrito do Ressuscitado. H\u00e1 aqui algo a recriar, tamb\u00e9m como Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o. Na verdade, car\u00edssimos irm\u00e3os e irm\u00e3s, tudo quanto celebr\u00e1mos neste Sagrado Tr\u00edduo \u00e9 demasiado importante e necess\u00e1rio a todos, para que fique apenas na recorda\u00e7\u00e3o dalguns:  &#8211; Sejamos P\u00e1scoa para a multid\u00e3o que nos espera!         S\u00e9 do Porto, 12 de Abril de 2009 <i>+ Manuel Clemente   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sejamos P\u00e1scoa para a multid\u00e3o que nos espera!<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[168,187,193,261,268,275,91],"class_list":["post-38191","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-do-porto","tag-educacao","tag-missoes","tag-nova-evangelizacao","tag-pascoa","tag-quaresma"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38191","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38191"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38191\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38191"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38191"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38191"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}