{"id":381883,"date":"2025-06-29T09:31:41","date_gmt":"2025-06-29T08:31:41","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=381883"},"modified":"2025-06-28T23:57:12","modified_gmt":"2025-06-28T22:57:12","slug":"pesca-nao-temos-pescadores-portugueses-para-andar-no-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pesca-nao-temos-pescadores-portugueses-para-andar-no-mar\/","title":{"rendered":"Pesca: \u00abN\u00e3o temos pescadores portugueses para andar no mar\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><em>No dia em que se celebra S\u00e3o Pedro, padroeiro dos pescadores, \u00e9 entrevistado da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia Carlos Cruz, o presidente da\u00a0 Apropesca &#8211; Organiza\u00e7\u00e3o de Produtores de Pesca Artesanal<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_381886\" aria-describedby=\"caption-attachment-381886\" style=\"width: 2000px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-25-at-11.28.29-2.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-381886 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-25-at-11.28.29-2.jpeg\" alt=\"\" width=\"2000\" height=\"1500\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-25-at-11.28.29-2.jpeg 2000w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-25-at-11.28.29-2-347x260.jpeg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-25-at-11.28.29-2-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-25-at-11.28.29-2-768x576.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/WhatsApp-Image-2025-06-25-at-11.28.29-2-1536x1152.jpeg 1536w\" sizes=\"(max-width: 2000px) 100vw, 2000px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-381886\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Paulo Teixeira<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>Como \u00e9 que a comunidade piscat\u00f3ria vive esta data em que a Igreja assinala o Mart\u00edrio dos Dois Ap\u00f3stolos, Pedro e Paulo, e se celebra em muitos lugares do pa\u00eds a festa de S\u00e3o Pedro, o padroeiro dos pescadores?<\/em><\/p>\n<p>Bem, antes de mais, queria agradecer o convite pela primeira vez estar aqui nas vossas instala\u00e7\u00f5es. \u00c9 uma honra e s\u00f3 tenho de agradecer por isso. N\u00f3s vivemos muito os Santos Populares, n\u00f3s vivemos, a pesca vive muito bem os Santos Populares.<\/p>\n<p>O Santo Ant\u00f3nio, n\u00e3o tanto, mas o S\u00e3o Jo\u00e3o e o S\u00e3o Pedro s\u00e3o festas marcante para o pescador. N\u00f3s aqui, em Vila do Conde, Caxinas, P\u00f3voa de Varzim, n\u00f3s vivemos intensamente as festas destes dois santos. \u00c9 para n\u00f3s \u00e9 muito importante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 conhecido \u00e0 forma especial como os pescadores e as suas fam\u00edlias vivem a f\u00e9, \u00e9 algo que est\u00e1 sempre presente ou vem s\u00f3 nos momentos de afli\u00e7\u00e3o?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, todo pescador que vai para o mar, vai sempre com f\u00e9, mesmo sabendo que n\u00e3o vai pescar, ou que pesca muito ou que pesca pouco, vai sempre com f\u00e9. N\u00e3o h\u00e1 nenhum pescador que v\u00e1 para o mar e diga assim, vou para o mar e vou sem f\u00e9. N\u00e3o, v\u00e3o sempre com f\u00e9.<\/p>\n<p>E h\u00e1 pescadores que manifestam a sua f\u00e9, na forma como se comportam no barco. Toda a embarca\u00e7\u00e3o que largue a primeira arte ao mar, as palavras que saem sempre da boca de um pescador, \u00e9 sempre: &#8220;vai na hora de Deus&#8221;. E quando \u00e9 para recolher a rede, usa sempre essa palavra na primeira entrada do peixe, pode entrar a primeira rede, mas se n\u00e3o v\u00ea a peixe, n\u00e3o usa esta palavra, entrando primeiro o peixe, diz: &#8220;louvado seja nosso Senhor, Jesus Cristo. Obrigado, meu Deus&#8221;, sempre, estas palavras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o bastante portuguesa e que me leva \u00e0 segunda pergunta, que tem a ver com o envelhecimento da frota e das tripula\u00e7\u00f5es. N\u00f3s sabemos que h\u00e1 uma dram\u00e1tica falta de m\u00e3o de obra, temos agora indon\u00e9sios e guineenses que t\u00eam evitado que os barcos fiquem em terra, mas as condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o as melhores, e aqui a pergunta \u00e9 se a pesca sustent\u00e1vel, em particular a pesca artesanal, est\u00e1 em risco?<\/em><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o considero que esteja em risco, o peixe nunca vai acabar, o peixe temos n\u00f3s no mar, o que temos problemas \u00e9 com as cotas. Posso dar aqui exemplos de barcos do Espadarte, que s\u00e3o barcos que requerem uma certa despesa e algum cuidado nesta quest\u00e3o de irem para o mar. Por exemplo, come\u00e7am o ano e depois da primeira viagem de um m\u00eas ou dois meses, o m\u00e1ximo tr\u00eas meses; a seguir n\u00e3o t\u00eam mais cota para trabalhar durante o ano todo. O maior problema na pesca \u00e9 as cotas. A pesca artesanal, n\u00e3o considero que esteja em risco, s\u00f3 estar\u00e1 em risco, n\u00e3o \u00e9 por causa do peixe, mas em risco de falta de m\u00e3o de obra, e a\u00ed n\u00f3s tivemos de recorrer aos estrangeiros, indon\u00e9sios. Ainda bem que eles vieram, e s\u00e3o pessoas que sabem trabalhar, s\u00e3o pessoas que chegaram e n\u00e3o nos deixaram mal, ainda bem, porque se eles n\u00e3o tivessem chegado, se n\u00e3o fosse esta m\u00e3o de obra indon\u00e9sia, as nossas embarca\u00e7\u00f5es, a maioria das embarca\u00e7\u00f5es, estavam paradas, e isso n\u00e3o era bom para a pesca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 exagerado afirmar-se que a pesca em Portugal depende da chegada de m\u00e3o de obra estrangeira e de m\u00e3o de obra emigrante?<\/em><\/p>\n<p>E um dia que isto falhe, que haja algu\u00e9m que trave isto, n\u00f3s estamos mesmo condenados. A\u00ed acaba a pesca, mas \u00e9 por falta de m\u00e3o de obra, n\u00e3o por falta de peixe. Falta de peixe n\u00e3o h\u00e1, nunca vai existir a falta de peixe. Temos a falta da m\u00e3o de obra e a falta de cotas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Numa embarca\u00e7\u00e3o, qual \u00e9 a percentagem de m\u00e3o de obra nacional e de m\u00e3o de obra estrangeira?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s, no anterior governo, t\u00ednhamos uma legisla\u00e7\u00e3o que nos obrigava a ter 60% de trabalhadores portugueses e 40% de trabalhadores estrangeiros.<\/p>\n<p>Os 60% de trabalhadores portugueses era para que se salvaguardasse que tiv\u00e9ssemos sempre trabalho para os portugueses. A verdade \u00e9 que os portugueses que existiam, aqueles que ainda andavam no mar, desistiram da pesca e foram \u00e0 procura de outras oportunidades, nos transportes, em particular como motoristas, e a verdade \u00e9 que poucos restam. Muitos j\u00e1 foram para a reforma, e a verdade \u00e9 que n\u00e3o se v\u00ea como antigamente os pescadores, aqueles jovens pescadores, virem \u00e0 procura da arte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 uma desmotiva\u00e7\u00e3o da pesca em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>Antigamente um jovem pescador gostava, quando se formasse, gostava logo de ir para o mar. Atualmente n\u00e3o temos, e n\u00e3o vemos essa procura. H\u00e1 pessoas, mesmo pais, que n\u00e3o gostam que os filhos, mesmo tendo embarca\u00e7\u00f5es, n\u00e3o gostam que os filhos sigam a profiss\u00e3o dos seus pais, porque n\u00e3o encontram um futuro risonho. \u00c9 a falta de cotas, restri\u00e7\u00f5es, mais restri\u00e7\u00f5es, mais restri\u00e7\u00f5es na pesca, isto desmotiva muito e n\u00e3o se v\u00ea um pai a incentivar um filho para ir para a pesca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ent\u00e3o neste momento, Carlos, numa embarca\u00e7\u00e3o pode haver 50% de pescadores nacionais e 50% de trabalhadores estrangeiros, por exemplo?<\/em><\/p>\n<p>Sim, este governo agora alterou a lei, mas n\u00e3o chega. N\u00e3o chega, porque n\u00f3s neste momento temos embarca\u00e7\u00f5es, e eu posso dizer, h\u00e1 \u00e0 volta de 110 a 115 embarca\u00e7\u00f5es em que 80 a 90% t\u00eam mais indon\u00e9sios do que os portugueses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o ilegal\u2026<\/em><\/p>\n<p>Estamos, estamos, mas eles sabem, eles sabem. Por isso mesmo \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 motivo para que n\u00f3s fic\u00e1ssemos contentes e satisfeitos, n\u00f3s estamos mesmo saturados. Se houver uma inspe\u00e7\u00e3o rigorosa que queira mexer com o setor, que queira confrontar o setor, e que\u00a0queira que a gente cumpra a lei, e n\u00e3o h\u00e1 forma de a cumprirmos, hoje vai haver a parte da fiscaliza\u00e7\u00e3o e amanh\u00e3 est\u00e1 o setor todo parado, n\u00e3o h\u00e1 volta a dar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa preocupa\u00e7\u00e3o, n\u00f3s temos falado muito dela por um motivo, me parece que \u00e9 bastante simples de entender, o discurso pol\u00edtico dos \u00faltimos meses tem ido muito no sentido das cr\u00edticas e da resist\u00eancia \u00e0 chegada dos imigrantes. Ainda h\u00e1 pouco dizia que se algu\u00e9m travar isto, relativamente \u00e0 chegada de trabalhadores estrangeiros a situa\u00e7\u00e3o torna-se muito complicada. Imagino que esteja preocupado com mudan\u00e7as da legisla\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida alguma. Se isso acontecer, o setor est\u00e1 mesmo condenado. N\u00e3o h\u00e1 outra volta a dar. N\u00f3s neste momento queremos mesmo que o nosso governo, que nos ajude, e que reconhe\u00e7a as c\u00e9dulas dos trabalhadores estrangeiros indon\u00e9sios, porque eles trazem as c\u00e9dulas deles. N\u00f3s fazemos aqui o registo na Seguran\u00e7a Social e eles t\u00eam todas as condi\u00e7\u00f5es, n\u00f3s damos as melhores condi\u00e7\u00f5es ao trabalhador da Indon\u00e9sia que chega aqui.<\/p>\n<p>Damos a estadia, damos a alimenta\u00e7\u00e3o. \u00c9 verdade que no in\u00edcio eles acabavam por dormir nos barcos, mas aten\u00e7\u00e3o neste momento isso n\u00e3o acontece.\u00a0 Eu tenho 110 a 115 armadores, e n\u00e3o tem um a dormir em barco.\u00a0Dormem no barco como dormem os portugueses, quando v\u00e3o para o mar, aqueles 5, 6, 7, 8, 9, 10 horas, dormem. Mas quando regressam t\u00eam uma casa, t\u00eam um apartamento e eles t\u00eam as melhores condi\u00e7\u00f5es. Neste momento o que \u00e9 que n\u00f3s queremos que o governo nos ajude? \u00c9 precisamente certificar, dar o reconhecimento da c\u00e9dula deles, a c\u00e9dula da origem deles. S\u00e3o pessoas que se adaptam muito bem \u00e0 pesca, eles chegam aqui, n\u00e3o ficam parados para aprender, eles sabem trabalhar. Eles v\u00eam de pesca, eles t\u00eam pesca como n\u00f3s, e sabem trabalhar. E n\u00f3s queremos que o governo nos ajude a certificar, a reconhecer a c\u00e9dula deles.<\/p>\n<p>Porque se essa documenta\u00e7\u00e3o, a c\u00e9dula deles, que \u00e9 da origem que eles trazem, se for reconhecida, n\u00f3s teremos o nosso problema resolvido. J\u00e1 o podemos matricular como marinheiros pescadores. Neste momento n\u00f3s matriculamos, e fazemos tudo o que temos de fazer, e a verdade \u00e9 que ao lev\u00e1-los para o barco, eles s\u00f3 podem estar a ver os outros a trabalhar. Mas a ver quem a trabalhar? E se for l\u00e1 \u00e0s autoridades, dizem que eles n\u00e3o podem estar a trabalhar, s\u00f3 podem estar a ver. Mas isto cabe na cabe\u00e7a de algu\u00e9m? N\u00f3s n\u00e3o podemos andar aqui a atirar areia para os olhos de ningu\u00e9m. Isto \u00e9 a verdade. N\u00f3s temos um problema e temos de o resolver. Ponto final. Isto n\u00e3o \u00e9 esconder ningu\u00e9m. Eu sempre disse isso em v\u00e1rias reuni\u00f5es que temos tido com o anterior governo, com este governo, temos debatido isto. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 esta. N\u00f3s n\u00e3o andamos legais no mar. E n\u00e3o andamos legais no mar porque uma embarca\u00e7\u00e3o, para poder ir para o mar, tem de ter o m\u00ednimo de seguran\u00e7a. E n\u00f3s n\u00e3o temos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A altera\u00e7\u00e3o de regras, o apertar de regras, vai ainda dificultar mais essa integra\u00e7\u00e3o, dessa m\u00e3o de obra que \u00e9 fundamental para que o setor permane\u00e7a e sobreviva?<\/em><\/p>\n<p>Quando voc\u00ea me faz a primeira pergunta, E eu disse qual era a percentagem dos portugueses e dos estrangeiros, eu disse que era 40% de estrangeiros e 60% de portugueses. Agora \u00e9 metade de cada um.\u00a0 Mas n\u00e3o chega. N\u00e3o chega. N\u00e3o chega.<\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o temos pescadores. N\u00e3o temos pescadores portugueses para andar no mar. E o problema \u00e9 mesmo reconhecer, fazer o reconhecimento da c\u00e9dula, deles que se fazem pescadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Para quem est\u00e1 a ouvir e n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o familiarizado com o trabalho dos pescadores, acredito que para muitas pessoas a ideia das comunidades portuguesas ainda est\u00e1 muito associada, das comunidades piscat\u00f3rias, ainda est\u00e1 muito associada \u00e0 pobreza. Isto \u00e9 uma ideia que persiste das bolsas de pobreza ligadas \u00e0s comunidades piscat\u00f3rias ou \u00e9 um trabalho que pode efetivamente assegurar a qualidade de vida de quem l\u00e1 est\u00e1?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, eu n\u00e3o considero agora que, neste momento que estamos a viver, que a nossa comunidade que passe por pobreza. N\u00e3o, n\u00f3s estamos bem, estamos est\u00e1veis.<\/p>\n<p>Vamos para o mar, ganhamos dinheiro. N\u00e3o vamos dizer que estamos aqui a passar a fome. O nosso problema aqui \u00e9 precisamente deixem-nos trabalhar, deem-nos cota para trabalhar porque o peixe tem no mar e o peixe nunca vai faltar. N\u00e3o vai faltar peixe. \u00c9 s\u00f3 isso que tenho a dizer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00f3s estamos a celebrar os 40 anos da integra\u00e7\u00e3o de Portugal na Uni\u00e3o Europeia. Faz uma avalia\u00e7\u00e3o positiva da forma como a pesca teve acesso e foram usados, por exemplo, os fundos comunit\u00e1rios no setor?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 fundos comunit\u00e1rios que podem ser mais bem aproveitados e \u00e0s vezes n\u00f3s deixamos fugir essas oportunidades. N\u00f3s temos aqui assoreamentos nas Barras, aqui da P\u00f3voa de Varzim e Vila do Conde, que s\u00e3o as que eu tenho mais acesso direto e j\u00e1 vai a caminho de dois anos que n\u00e3o temos uma interven\u00e7\u00e3o. E esses portos precisam de manuten\u00e7\u00e3o, para as entradas e sa\u00eddas. Como sabe n\u00f3s temos aqui no Norte um mar mais agitado que n\u00e3o se compara com o Algarve. Mas a verdade \u00e9 que n\u00f3s, por vezes, temos de aproveitar estes fundos e \u00e0s vezes estamos a deixar passar aquilo que pod\u00edamos aproveitar. Neste momento vai para caminho de dois anos que aqui ao Norte n\u00e3o h\u00e1 uma interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E essa manuten\u00e7\u00e3o devia ser anual?<\/em><\/p>\n<p>Sim, todos os anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E h\u00e1 fundos comunit\u00e1rios para o efeito?<\/em><\/p>\n<p>E h\u00e1 fundos comunit\u00e1rios, a verdade \u00e9 que n\u00e3o s\u00e3o aproveitados. Na minha maneira de ver, n\u00e3o s\u00e3o bem aproveitados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Na mensagem para o \u00faltimo Dia Mundial da Pesca, o Vaticano apelava \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos pequenos neg\u00f3cios. Eu pergunto, tamb\u00e9m para encerrarmos esta conversa, se esse \u00e9 um desafio, a prote\u00e7\u00e3o do pequeno neg\u00f3cio e desta pesca artesanal, num setor que \u00e9 cada vez mais global?<\/em><\/p>\n<p>Tudo isto depende de poder de compra, de fazer uma boa gest\u00e3o na pesca, um poder de compra, e para que tudo corra bem tamb\u00e9m n\u00e3o esquecer que temos embarca\u00e7\u00f5es aqui obsoletas, temos embarca\u00e7\u00f5es muito obsoletas, temos algumas embarca\u00e7\u00f5es boas, mas temos a maioria obsoleta, todo o pescador que gosta do mar, tamb\u00e9m para andar ao mar tem de ter uma seguran\u00e7a, e para ter seguran\u00e7a a pessoa olha para a embarca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Temos embarca\u00e7\u00f5es aqui muito obsoletas, repito. Embarca\u00e7\u00f5es j\u00e1 com bastantes anos, embarca\u00e7\u00f5es que os pais querem deixar as embarca\u00e7\u00f5es para os filhos, e os filhos tamb\u00e9m dizem assim, \u00e9 com isto que eu vou para o mar? \u00c9 com isto que tenho a seguran\u00e7a? Isto serviu enquanto foi nova na m\u00e3o dele! Agora, passar aquela embarca\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 tem uns certos anos, para um filho, \u00e9 preciso medir bem o perigo que pode acontecer aqui, porque a embarca\u00e7\u00e3o com 30 anos n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa como uma embarca\u00e7\u00e3o nova, quando o pai a adquiriu. \u00c9 preciso bem medir isso agora. Tudo isto ser\u00e1 um bom neg\u00f3cio para todos, se houver uma boa gest\u00e3o e haver um poder de compra, porque toda a gente ganha nisto, mas para isto temos de ter as melhores condi\u00e7\u00f5es, por isso eu penso que temos um futuro aqui, se o nosso governo quiser nos ajudar, temos um futuro que pode ser risonho para toda a gente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"ujr940nDIs\"><p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/apostolado-do-mar-vaticano-lembra-trabalhadores-invisiveis-e-pede-combate-as-desigualdades-laborais\/\">Apostolado do Mar: Vaticano lembra \u00abtrabalhadores invis\u00edveis\u00bb e pede combate \u00e0s \u00abdesigualdades\u00bb laborais<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"&#8220;Apostolado do Mar: Vaticano lembra \u00abtrabalhadores invis\u00edveis\u00bb e pede combate \u00e0s \u00abdesigualdades\u00bb laborais&#8221; 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