{"id":38180,"date":"2009-04-12T12:19:16","date_gmt":"2009-04-12T12:19:16","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/04\/12\/homilia-do-cardeal-patriarca-no-pontifical-da-ressurreicao\/"},"modified":"2009-04-12T12:19:16","modified_gmt":"2009-04-12T12:19:16","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-no-pontifical-da-ressurreicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-no-pontifical-da-ressurreicao\/","title":{"rendered":"Homilia do Cardeal-Patriarca no Pontifical da Ressurrei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>\u201cO rosto glorioso de Jesus Cristo\u201d <!--more--> 1. Cristo \u00e9 o rosto da Palavra de Deus, afirmaram os Padres Sinodais na sua Mensagem ao Povo de Deus. A densidade de mensagem que nos transmite o rosto de Cristo tinha j\u00e1 sido maravilhosamente apresentada por Jo\u00e3o Paulo II, na Novo Millennio Ineunte em que prop\u00f5e o dinamismo para a Igreja do terceiro mil\u00e9nio. Seguindo a intui\u00e7\u00e3o desses documentos ousei meditar sobre as diversas dimens\u00f5es desse rosto da Palavra que queremos escutar e proclamar aos homens do nosso tempo. A Solenidade da Ressurrei\u00e7\u00e3o convida-nos a meditar sobre o rosto glorioso de Jesus Cristo. Introduzo o tema com as pr\u00f3prias palavras de Jo\u00e3o Paulo II: \u201cComo em Sexta-Feira e S\u00e1bado Santo, a Igreja n\u00e3o cessa de contemplar este rosto ensanguentado, no qual se esconde a vida de Deus e se oferece a salva\u00e7\u00e3o do mundo. Mas a contempla\u00e7\u00e3o do rosto de Cristo n\u00e3o pode deter-se na imagem do Crucificado. Ele \u00e9 o Ressuscitado!Se assim n\u00e3o fosse, seria v\u00e3 a nossa prega\u00e7\u00e3o e a nossa f\u00e9\u201d (cf. 1Co. 15,14) [1].  \t2. A Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e9 o mist\u00e9rio dos mist\u00e9rios, alicerce s\u00f3lido e indispens\u00e1vel da nossa f\u00e9 e da f\u00e9 da Igreja. Ela \u00e9, antes de mais, a afirma\u00e7\u00e3o suprema da justi\u00e7a de Deus para com o seu Filho, cujo sacrif\u00edcio aceitou para reden\u00e7\u00e3o da humanidade. \u00c9 a resposta de Deus Pai \u00e0 obedi\u00eancia do Filho. Por isso, Cristo tornou-se para todos os que se unem a Ele, na f\u00e9, \u201cjusti\u00e7a de Deus\u201d, ou seja, fonte da salva\u00e7\u00e3o, como diz a Carta aos Hebreus: \u201cApesar de Filho de Deus, aprendeu a obedecer, sofrendo, e uma vez atingida a perfei\u00e7\u00e3o, tornou-se para todos os que Lhe obedecem fonte de salva\u00e7\u00e3o eterna\u201d (Heb. 5,8-9). \t\u00c9 por isso que no rosto do Ressuscitado se reflecte o verdadeiro rosto da Igreja como Povo que acredita na ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor e nela bebe, continuamente, a gra\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o. As leituras que acab\u00e1mos de escutar falam-nos da f\u00e9 da Igreja, que enquadra a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo como seu fundamento e ponto de partida para a vida renovada. O testemunho do Ap\u00f3stolo S\u00e3o Jo\u00e3o, discreto porque a ele pessoalmente se referia, aponta a atitude decisiva: \u201cEntrou tamb\u00e9m o outro disc\u00edpulo que chegara primeiro ao Sepulcro. Viu e acreditou\u201d (Jo. 20,8). Viu os factos, que eram sinais, e n\u00e3o procurou explica\u00e7\u00f5es humanas; acreditou. O pr\u00f3prio testemunho de Pedro, \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o da f\u00e9 da Igreja, cujo fundamento \u00e9 a ressurrei\u00e7\u00e3o: \u201cdepois de ter ressuscitado dos mortos Jesus mandou-nos pregar ao Povo e testemunhar que Ele foi constitu\u00eddo por Deus juiz dos vivos e dos mortos\u201d. No rosto com que a Igreja se apresenta ao mundo deve reflectir-se a luz do ressuscitado. Luz dos Povos, porque no seu rosto se reflecte a luz de Cristo, disse-nos o Conc\u00edlio Vaticano II. A f\u00e9 no Ressuscitado \u00e9 exig\u00eancia primordial da fidelidade e da autenticidade da Igreja.  \t3. Nesse rosto glorioso de Cristo que se reflecte no rosto da Igreja, brilha, antes de mais, a surpresa da sua actualidade. A Igreja n\u00e3o vive do passado, mas da actualidade surpreendente da Ressurrei\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o significa apenas a actualidade perene de Cristo ressuscitado, mas a actualidade da ressurrei\u00e7\u00e3o vivida pelos crentes. Paulo na Carta aos Colossenses afirma: \u201cSe ressuscitastes com Cristo aspirai \u00e0s coisas do alto\u201d (Col. 3,1). O Ap\u00f3stolo n\u00e3o se refere aqui \u00e0 nossa ressurrei\u00e7\u00e3o futura, mas \u00e0 nossa participa\u00e7\u00e3o actual na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. A nossa vida nova \u00e9 j\u00e1 participa\u00e7\u00e3o na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, e essa realidade deve brilhar no rosto da Igreja. No pensamento do Ap\u00f3stolo a morte foi antecipada em n\u00f3s, pelo pecado. Vencido o pecado, essa primeira morte \u00e9 vencida, e somos ressuscitados com Cristo. \u201cPorque v\u00f3s morrestes e a vossa vida est\u00e1 escondida com Cristo em Deus\u201d. \tNo rosto do Ressuscitado reflecte-se, pois, o mist\u00e9rio da vida crist\u00e3. Agora \u00e9 para Cristo ressuscitado que a Igreja olha. Como Paulo, fascinado por Cristo vivo na Estrada de Damasco, a Igreja pode exclamar: \u201cPara mim viver \u00e9 Cristo e morrer \u00e9 lucro\u201d (Fil. 1,21) [2]. Diz-nos Jo\u00e3o Paulo II: \u201cPassados dois mil anos destes acontecimentos, a Igreja revive-os como se tivessem sucedido hoje. No rosto de Cristo, ela \u2014 a Esposa \u2014 contempla o seu tesouro, a sua alegria. \u00ab Dulcis Iesu memoria, dans vera cordis gaudia \u00bb: \u00abComo \u00e9 doce a recorda\u00e7\u00e3o de Jesus, fonte de verdadeira alegria do cora\u00e7\u00e3o!\u00bb. Confortada por esta experi\u00eancia revigoradora, a Igreja retoma agora o seu caminho para anunciar Cristo ao mundo no in\u00edcio do terceiro mil\u00e9nio: Ele \u00ab\u00e9 o mesmo ontem, hoje e sempre\u00bb (Heb 13,8)\u201d [3].  \t4. Se o rosto da Igreja transmitir a luz do rosto do Ressuscitado, nela brilha a alegria da salva\u00e7\u00e3o. O rosto glorioso \u00e9 um rosto jubiloso. O pr\u00f3prio Jesus, na sua ora\u00e7\u00e3o, diz ao Pai que anunciou a sua Palavra aos disc\u00edpulos, \u201cpara que eles tenham em si mesmos a minha alegria em plenitude\u201d (Jo. 17,13). O Papa Paulo VI, na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica sobre a alegria crist\u00e3, escreveu: \u201cOs disc\u00edpulos, bem como todos os demais que vierem a acreditar em Cristo, s\u00e3o chamados a participar nesta alegria. Jesus deseja que eles tenham em si pr\u00f3prios a sua mesma alegria em plenitude: \u00abEu dei-lhes a conhecer o teu nome e dar-lho-ei a conhecer ainda, para que o amor com que me amaste esteja neles e eu esteja neles\u00bb\u201d [4]. \tA alegria crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 uma alegria qualquer. \u00c9 exigente, porque brota da salva\u00e7\u00e3o a acontecer. Coexiste com a dureza da caminhada, \u00e9 participa\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria alegria de Jesus Cristo. Ou\u00e7amos ainda Paulo VI: \u201cEsta alegria de permanecer no amor de Deus, come\u00e7a j\u00e1 aqui, a partir deste mundo. \u00c9 a alegria do Reino de Deus. No entanto, ela \u00e9 concedida enquanto se percorre ainda um caminho \u00edngreme, caminhada que requer uma confian\u00e7a total no Pai e no Filho e, ao mesmo tempo, uma prefer\u00eancia dada ao Reino. (\u2026) \tAssim, sucede que, neste mundo, a alegria do Reino tornado realidade n\u00e3o pode brotar sen\u00e3o da celebra\u00e7\u00e3o conjunta da morte e da ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor. \u00c9 o aspecto paradoxal da condi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, que ilumina de maneira singular o da condi\u00e7\u00e3o humana considerada em geral: nem as prova\u00e7\u00f5es, nem os sofrimentos s\u00e3o eliminados deste mundo; mais, estas realidades assumem um sentido novo, sob a luz da certeza de que podem ser participa\u00e7\u00e3o na reden\u00e7\u00e3o operada pelo Senhor, e meio para vir a compartilhar a sua gl\u00f3ria\u201d . \tA alegria \u00e9 um dom do Esp\u00edrito; \u00e9 a for\u00e7a e a plenitude do Ressuscitado que se reflecte no rosto da Igreja. \u00c9 for\u00e7a na adversidade, luz na obscuridade, resist\u00eancia na caminhada, paz interior na intimidade com o Senhor. Toda a Igreja e cada crist\u00e3o recebem o sentido da sua exist\u00eancia desse rosto luminoso, rosto da Palavra que nos anuncia a salva\u00e7\u00e3o.  S\u00e9 Patriarcal, 12 de Abril de 2009  <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/i>  NOTAS: 1 -Jo\u00e3o Paulo II, Novo Millennio Ineunte, n\u00ba 28 2 &#8211;  Ibidem 3 &#8211; Ibidem 4- Paulo VI, Exultate in Domino, pg. 30<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO rosto glorioso de Jesus Cristo\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[144,237],"class_list":["post-38180","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-concilio-vaticano-ii","tag-joao-paulo-ii"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38180","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38180"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38180\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38180"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38180"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38180"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}