{"id":38178,"date":"2009-04-12T11:52:53","date_gmt":"2009-04-12T11:52:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/04\/12\/homilia-do-bispo-do-porto-na-vigilia-pascal-2\/"},"modified":"2009-04-12T11:52:53","modified_gmt":"2009-04-12T11:52:53","slug":"homilia-do-bispo-do-porto-na-vigilia-pascal-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-porto-na-vigilia-pascal-2\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo do Porto na Vig\u00edlia Pascal"},"content":{"rendered":"<p>A salva\u00e7\u00e3o do mundo, na vida em que renascemos todos\u2026     <!--more--> Amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, que \u201clongo\u201d percurso fizemos nesta noite santa\u2026 Diferentemente dos nossos percursos habituais, n\u00e3o o definimos n\u00f3s, nem lhe marc\u00e1mos as etapas. Prepar\u00e1mo-lo decerto na Quaresma, em grande disponibilidade interior e consequente. Mas esta mesma disponibilidade nos trouxe aqui, para nos deixarmos guiar pela Luz de Cristo, em que toda a Palavra ouvida encontra a absoluta clareza. E assim foi: em escasso tempo, viemos da cria\u00e7\u00e3o ao \u00eaxodo e dos profetas \u00e0 nova cria\u00e7\u00e3o, em que agora renascemos\u2026 Longu\u00edssimo percurso, ali\u00e1s n\u00e3o feito ainda por grande parte da humanidade, nossa e alheia; longu\u00edssimo percurso que numa s\u00f3 vig\u00edlia nos \u00e9 oferecido por quem o perfez completamente: &#8211; Cristo, ressurrei\u00e7\u00e3o das nossas vidas baptizadas! N\u00e3o tem nada de meramente te\u00f3rico ou gen\u00e9rico o percurso que fizemos. \u00c9 t\u00e3o concreto e preciso como as vidas de cada um de n\u00f3s, que nele somos inscritos pelo Esp\u00edrito. A cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9, de facto, um relato antigo da cronologia inicial. Sabemos bem \u2013 e \u00e9 bom que o saibamos \u2013 que aquela separa\u00e7\u00e3o da luz e das trevas, aquela emerg\u00eancia da terra sobre as \u00e1guas, aquela profus\u00e3o de flora e fauna, aquela forma\u00e7\u00e3o da humanidade, complementarmente masculina e feminina, essencialmente familiar e sempre encarregada de guardar e desenvolver a cria\u00e7\u00e3o: tudo isto \u00e9 realidade e miss\u00e3o para todos n\u00f3s hoje em dia e para todo o homem e mulher enquanto o mundo for mundo. Como sempre acontecer\u00e1 positivamente, apenas e enquanto cada um de n\u00f3s e a humanidade em geral nos mantivermos unidos ao Criador e fi\u00e9is ao seu des\u00edgnio. Pelo contr\u00e1rio, tamb\u00e9m seriam nossas, por ac\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o, por causa ou consequ\u00eancia, as p\u00e1ginas seguintes, de pecado e desamor, para com Deus, com os outros e com o mundo. Mas ser\u00e3o nossas, sobretudo nossas, as etapas sucessivas deste percurso pascal.  Realizamos, mais do que as estrelas do c\u00e9u, a heran\u00e7a prometida a Abra\u00e3o. Somos libertados do \u201cEgipto\u201d dos nossos m\u00faltiplos cativeiros de corpo e esp\u00edrito, por muitos gestos maravilhosos de Deus. Somos exortados por tantos profetas, que retomam hoje as palavras dos antigos que escut\u00e1mos, para nos dizerem, com refor\u00e7ada evid\u00eancia, que a promessa de Deus j\u00e1 tem nome e figura, no Messias anunciado e finalmente oferecido. De tudo somos contempor\u00e2neos agora, na grande luz que nos amanheceu esta noite. Mais ainda: por tudo o que ouvimos, somos contempor\u00e2neos de Cristo, que na sua P\u00e1scoa resgata e conclui a cria\u00e7\u00e3o inteira. P\u00e1scoa de Cristo, luz da claridade plena, alma da caridade inteira, de Deus para n\u00f3s e de n\u00f3s para o mundo, que h\u00e1-de ver com os nossos olhos e assim renascer tamb\u00e9m. Ped\u00edamo-lo h\u00e1 pouco, pe\u00e7amo-lo sempre: \u201cDeus de infinita bondade, que fazeis resplandecer esta sacrat\u00edssima noite com a gl\u00f3ria da ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor, renovai na vossa Igreja o Esp\u00edrito da adop\u00e7\u00e3o filial, para que, renovados no corpo e na alma, nos entreguemos plenamente ao vosso servi\u00e7o\u201d. Servi\u00e7o que \u00e9 louvar a Deus, servi\u00e7o que \u00e9 \u201cressuscitar\u201d o mundo.   Assim pass\u00e1mos da obscuridade \u00e0 plena luz. Pass\u00e1mos a outra compreens\u00e3o das coisas, s\u00f3 poss\u00edvel nesta revela\u00e7\u00e3o conclu\u00edda e projectada, assimilada e convivida. E \u00e9 tudo t\u00e3o surpreendente que n\u00e3o o imaginar\u00edamos nunca, apesar das profecias. Assim sucedeu na madrugada pascal, do sepulcro vazio a que viemos \u00e0 certeza da vida que ocorreu.  Cristo est\u00e1 vivo, maravilhosamente vivo, como O reconhecemos entre n\u00f3s, como o souberam aquelas primeiras disc\u00edpulas, no meio de tanto susto\u2026 Vencida a morte, toda a esperan\u00e7a \u00e9 poss\u00edvel. Importa agora, irm\u00e3os e irm\u00e3s, importa especialmente a v\u00f3s, car\u00edssimos catec\u00famenos, assimilar e comunicar, pelos sentimentos e pelas vidas, a infinda actualidade pascal.  &#8211; E que quer isto dizer, na P\u00e1scoa de 2009, aqui onde estamos e ali, onde devemos chegar? H\u00e1-de significar, resumindo quanto ouvimos na sucess\u00e3o das leituras: guardar e fazer frutificar a cria\u00e7\u00e3o, sem a deteriorar nem distorcer a sua realidade pr\u00f3pria e o seu equil\u00edbrio geral; reconhecer e respeitar activamente a vida como dom de Deus, em cada pessoa, da concep\u00e7\u00e3o \u00e0 morte natural; tudo fazer para que as fam\u00edlias se constituam com responsabilidade e viabilidade, como c\u00e9lulas insubstitu\u00edveis duma sociedade inteiramente humana; conseguir que todos acedam ao trabalho que, al\u00e9m de necess\u00e1rio para ganhar o sustento, \u00e9 condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para a realiza\u00e7\u00e3o de cada ser humano; empenhar-se em tudo o que contribua para a justi\u00e7a e a paz num mundo que \u00e9 de todos e para todos, como Deus o criou e agora recupera em Cristo. Sim, irm\u00e3os e irm\u00e3s, tudo isto \u00e9 pr\u00f3prio de baptizados, quais sacramentos vivos da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, recriando no seu Esp\u00edrito este mundo que Deus ama e salva. E, quando a incerteza pesa sobre tantos concidad\u00e3os nossos, manifestar que a esperan\u00e7a tem nome e lugar certo, na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo e no testemunho de quantos sabem, a partir dela, que o futuro n\u00e3o se garante tanto por equil\u00edbrios fr\u00e1geis, quando n\u00e3o d\u00fabios e demasiadamente nossos, como pela disponibilidade de quem vive da caridade final. Quem est\u00e1 livre da morte \u00e9 infinitamente capaz de gerar vida: digo-o de Cristo e dos crist\u00e3os.  N\u00e3o nos diga respeito a cr\u00edtica dum fil\u00f3sofo oitocentista, que n\u00e3o acreditava nos crist\u00e3os por n\u00e3o parecerem disc\u00edpulos de um ressuscitado\u2026 Muito pelo contr\u00e1rio, haja em cada um de n\u00f3s a serenidade activa de quem sabe que tudo se pode reconstruir a partir da vida e do Esp\u00edrito de Cristo. No seu modo simples, como \u00e9 pr\u00f3prio da verdade de Deus, como \u00e9 pr\u00f3prio dos seus filhos tamb\u00e9m.  Bem sabemos e sentimos que a vis\u00e3o que nos damos do mundo, mais ou menos pr\u00f3ximo, quer atrav\u00e9s dos media quer pelo que n\u00f3s pr\u00f3prios dizemos uns aos outros, se fica mais pelo negativo do que pelo positivo. Falo em geral, mas verifico-o quase sempre assim\u2026 Contudo, irm\u00e3os e irm\u00e3s, o significado desta noite alumiada foi-nos dado no c\u00edrio aceso, dissipando as trevas com a luz de Cristo ressuscitado.  Nesta luz renascemos n\u00f3s e n\u00f3s para os outros, quais c\u00edrios vivos e preg\u00f5es constantes da vit\u00f3ria da caridade e da justi\u00e7a divinas. Por isso mesmo, a consequ\u00eancia desta vig\u00edlia \u00e9 uma outra perspectiva\u00e7\u00e3o das coisas, outra aprecia\u00e7\u00e3o delas, outra esperan\u00e7a comunicada, ainda nas situa\u00e7\u00f5es mais complexas, ainda perante factos objectivamente negativos. Nada fica fora da miseric\u00f3rdia divina, nada permanece opaco \u00e0 luz pascal. Sendo esta a nossa convic\u00e7\u00e3o mais profunda, tamb\u00e9m deve ser a nossa motiva\u00e7\u00e3o permanente. Grande e \u201cmuito grande\u201d, dizia o Evangelho, era a pedra que tapava o sepulcro de Cristo, como que escondendo para sempre o que restasse das suas promessas. Assim se nos deparam as dificuldades e contrafac\u00e7\u00f5es de que a vida \u2013 pessoal, familiar, social e at\u00e9 eclesial \u2013 poder\u00e1 sofrer. Mas, olhando melhor, olhando com a luz pascal que j\u00e1 iluminava aquelas tr\u00eas mulheres, veremos que a pedra foi removida, como removidos s\u00e3o, por Cristo ressuscitado, todos os obst\u00e1culos que se levantem \u00e0 vida, todas as resist\u00eancias que se oponham ao verdadeiro amor. Para isso tamb\u00e9m, car\u00edssimos catec\u00famenos, recebereis agora o Baptismo, o Crisma e a Eucaristia. Convosco, todos n\u00f3s retomaremos as promessas baptismais, nunca por demais lembradas. Mas, sobretudo, a promessa que Cristo inteiramente cumpriu e a sua ressurrei\u00e7\u00e3o agora distribui por n\u00f3s, para a salva\u00e7\u00e3o do mundo, na vida em que renascemos todos!       S\u00e9 do Porto, 11-12 de Abril de 2009 <i>+ Manuel Clemente<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A salva\u00e7\u00e3o do mundo, na vida em que renascemos todos\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[168,187,206,275,91,294],"class_list":["post-38178","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-do-porto","tag-familia","tag-pascoa","tag-quaresma","tag-sacramentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38178","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38178"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38178\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38178"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38178"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38178"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}