{"id":38177,"date":"2009-04-12T11:40:10","date_gmt":"2009-04-12T11:40:10","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/04\/12\/mensagem-de-pascoa-de-bento-xvi\/"},"modified":"2009-04-12T11:40:10","modified_gmt":"2009-04-12T11:40:10","slug":"mensagem-de-pascoa-de-bento-xvi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-pascoa-de-bento-xvi\/","title":{"rendered":"Mensagem de P\u00e1scoa de Bento XVI"},"content":{"rendered":"<p>\u00abResurrectio Domini, spes nostra \u2013 a ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor \u00e9 a nossa esperan\u00e7a\u00bb <!--more--> Amados irm\u00e3os e irm\u00e3s de Roma e do mundo inteiro!  A todos v\u00f3s formulo cordiais votos de P\u00e1scoa com as palavras de Santo Agostinho: \u00abResurrectio Domini, spes nostra \u2013 a ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor \u00e9 a nossa esperan\u00e7a\u00bb (Agostinho, Serm\u00e3o 261, 1). Com esta afirma\u00e7\u00e3o, o grande Bispo explicava aos seus fi\u00e9is que Jesus ressuscitou para que n\u00f3s, apesar de destinados \u00e0 morte, n\u00e3o desesper\u00e1ssemos, pensando que a vida acaba totalmente com a morte; Cristo ressuscitou para nos dar a esperan\u00e7a (cf. ibid.).  Com efeito, uma das quest\u00f5es que mais angustia a exist\u00eancia do homem \u00e9 precisamente esta: o que h\u00e1 depois da morte? A este enigma, a solenidade de hoje permite-nos responder que a morte n\u00e3o tem a \u00faltima palavra, porque no fim quem triunfa \u00e9 a Vida. E esta nossa certeza n\u00e3o se funda sobre simples racioc\u00ednios humanos, mas sobre um dado hist\u00f3rico de f\u00e9: Jesus Cristo, crucificado e sepultado, ressuscitou com o seu corpo glorioso. Jesus ressuscitou para que tamb\u00e9m n\u00f3s, acreditando n\u2019Ele, possamos ter a vida eterna. Este an\u00fancio situa-se no cora\u00e7\u00e3o da mensagem evang\u00e9lica. Declara-o com vigor S\u00e3o Paulo: \u00abSe Cristo n\u00e3o ressuscitou, \u00e9 v\u00e3 a nossa prega\u00e7\u00e3o e v\u00e3 a nossa f\u00e9\u00bb. E acrescenta: \u00abSe t\u00e3o somente nesta vida esperamos em Cristo, somos os mais miser\u00e1veis de todos os homens\u00bb (1 Cor 15, 14.19). Desde a alvorada de P\u00e1scoa, uma nova primavera de esperan\u00e7a invade o mundo; desde aquele dia, a nossa ressurrei\u00e7\u00e3o j\u00e1 come\u00e7ou, porque a P\u00e1scoa n\u00e3o indica simplesmente um momento da hist\u00f3ria, mas o in\u00edcio duma nova condi\u00e7\u00e3o: Jesus ressuscitou, n\u00e3o para que a sua mem\u00f3ria permane\u00e7a viva no cora\u00e7\u00e3o dos seus disc\u00edpulos, mas para que Ele mesmo viva em n\u00f3s, e, n\u2019Ele, possamos j\u00e1 saborear a alegria da vida eterna.  Portanto a ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma teoria, mas uma realidade hist\u00f3rica revelada pelo Homem Jesus Cristo por meio da sua \u00abp\u00e1scoa\u00bb, da sua \u00abpassagem\u00bb, que abriu um \u00abcaminho novo\u00bb entre a terra e o C\u00e9u (cf. Heb 10, 20). N\u00e3o \u00e9 um mito nem um sonho, n\u00e3o \u00e9 uma vis\u00e3o nem uma utopia, n\u00e3o \u00e9 uma f\u00e1bula, mas um acontecimento \u00fanico e irrepet\u00edvel: Jesus de Nazar\u00e9, filho de Maria, que ao p\u00f4r do sol de Sexta-feira foi descido da cruz e sepultado, deixou vitorioso o t\u00famulo. De facto, ao alvorecer do primeiro dia depois do S\u00e1bado, Pedro e Jo\u00e3o encontraram o t\u00famulo vazio. Madalena e as outras mulheres encontraram Jesus ressuscitado; reconheceram-No tamb\u00e9m os dois disc\u00edpulos de Ema\u00fas ao partir o p\u00e3o; o Ressuscitado apareceu aos Ap\u00f3stolos \u00e0 noite no Cen\u00e1culo e depois a muitos outros disc\u00edpulos na Galileia.  O an\u00fancio da ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor ilumina as zonas escuras do mundo em que vivemos. Refiro-me de modo particular ao materialismo e ao niilismo, \u00e0quela vis\u00e3o do mundo que n\u00e3o sabe transcender o que \u00e9 experimentalmente constat\u00e1vel e refugia-se desconsolada num sentimento de que o nada seria a meta definitiva da exist\u00eancia humana. \u00c9 um facto que, se Cristo n\u00e3o tivesse ressuscitado, o \u00abvazio\u00bb teria levado a melhor. Se abstra\u00edmos de Cristo e da sua ressurrei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 escapat\u00f3ria para o homem, e toda a sua esperan\u00e7a permanece uma ilus\u00e3o. Mas, precisamente hoje, prorrompe com vigor o an\u00fancio da ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor, que d\u00e1 resposta \u00e0 pergunta frequente dos c\u00e9pticos, referida nomeadamente pelo livro do Coeleth: \u00abH\u00e1 porventura qualquer coisa da qual se possa dizer: \/ Eis, aqui est\u00e1 uma coisa nova?\u00bb (Co 1, 10). Sim \u2013 respondemos \u2013, na manh\u00e3 de P\u00e1scoa, tudo se renovou. \u00abMors et vita \/ duello conflixere mirando: dux vitae mortuus \/ regnat vivus \u2013 Morte e vida defrontaram-se \/ num prodigioso combate: \/ O Senhor da vida estava morto; \/ mas agora, vivo, triunfa\u00bb. Esta \u00e9 a novidade! Uma novidade que muda a vida de quem a acolhe, como sucedeu com os santos. Assim aconteceu, por exemplo, com S\u00e3o Paulo.  No contexto do Ano Paulino, v\u00e1rias vezes tivemos ocasi\u00e3o de meditar sobre a experi\u00eancia do grande Ap\u00f3stolo. Saulo de Tarso, o renhido perseguidor dos crist\u00e3os, a caminho de Damasco encontrou Cristo ressuscitado e foi por Ele \u00abconquistado\u00bb. O resto j\u00e1 sabemos. Aconteceu em Paulo aquilo que ele h\u00e1-de escrever mais tarde aos crist\u00e3os de Corinto: \u00abSe algu\u00e9m est\u00e1 em Cristo, \u00e9 uma nova criatura. O que era antigo passou: tudo foi renovado!\u00bb (2 Cor 5, 17). Olhemos para este grande evangelizador que, com o audaz entusiasmo da sua ac\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, levou o Evangelho a muitos povos do mundo de ent\u00e3o. Que a sua doutrina e o seu exemplo nos estimulem a procurar o Senhor Jesus; nos animem a confiar n\u2019Ele, porque o sentido do nada, que tende a intoxicar a humanidade, j\u00e1 foi vencido pela luz e a esperan\u00e7a que dimanam da ressurrei\u00e7\u00e3o. J\u00e1 s\u00e3o verdadeiras e reais as palavras do Salmo: \u00abNem as trevas, para V\u00f3s, t\u00eam obscuridade \/ e a noite brilha como o dia\u00bb (139\/138, 12). J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o nada que envolve tudo, mas a presen\u00e7a amorosa de Deus. At\u00e9 o pr\u00f3prio reino da morte foi libertado, porque tamb\u00e9m aos \u00abinfernos\u00bb chegou o Verbo da vida, impelido pelo sopro do Esp\u00edrito (Sal 139\/138, 8).  Se \u00e9 verdade que a morte j\u00e1 n\u00e3o tem poder sobre o homem e sobre o mundo, todavia restam ainda muitos, demasiados sinais do seu antigo dom\u00ednio. Se, por meio da P\u00e1scoa, Cristo j\u00e1 extirpou a raiz do mal, todavia precisa de homens e mulheres que, em todo o tempo e lugar, O ajudem a consolidar a sua vit\u00f3ria com as mesmas armas d\u2019Ele: as armas da justi\u00e7a e da verdade, da miseric\u00f3rdia, do perd\u00e3o e do amor. Tal foi a mensagem que, por ocasi\u00e3o da recente viagem apost\u00f3lica aos Camar\u00f5es e a Angola, quis levar a todo o Continente Africano, que me acolheu com grande entusiasmo e disponibilidade de escuta. De facto, a \u00c1frica sofre desmedidamente com os cru\u00e9is e infind\u00e1veis conflitos \u2013 frequentemente esquecidos \u2013 que dilaceram e ensanguentam v\u00e1rias das suas Na\u00e7\u00f5es e com o n\u00famero crescente dos seus filhos e filhas que acabam v\u00edtimas da fome, da pobreza, da doen\u00e7a. A mesma mensagem repetirei com vigor na Terra Santa, onde terei a alegria de me deslocar daqui a algumas semanas. A reconcilia\u00e7\u00e3o dif\u00edcil mas indispens\u00e1vel, que \u00e9 premissa para um futuro de seguran\u00e7a comum e de pac\u00edfica conviv\u00eancia, n\u00e3o poder\u00e1 tornar-se realidade sen\u00e3o gra\u00e7as aos esfor\u00e7os incessantes, perseverantes e sinceros em prol da composi\u00e7\u00e3o do conflito israelita-palestiniano. Da Terra Santa, o olhar estende-se depois para os pa\u00edses lim\u00edtrofes, o M\u00e9dio Oriente, o mundo inteiro. Num tempo de global escassez de alimento, de desordem financeira, de antigas e novas pobrezas, de preocupantes altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, de viol\u00eancias e mis\u00e9ria que constringem muitos a deixar a pr\u00f3pria terra \u00e0 procura duma sobreviv\u00eancia menos incerta, de terrorismo sempre amea\u00e7ador, de temores crescentes perante a incerteza do amanh\u00e3, \u00e9 urgente descobrir perspectivas capazes de devolverem a esperan\u00e7a. Ningu\u00e9m deserte nesta pac\u00edfica batalha iniciada com a P\u00e1scoa de Cristo, o Qual \u2013 repito-o \u2013 procura homens e mulheres que O ajudem a consolidar a sua vit\u00f3ria com as suas pr\u00f3prias armas, ou seja, as armas da justi\u00e7a e da verdade, da miseric\u00f3rdia, do perd\u00e3o e do amor.  Resurrectio Domini, spes nostra \u2013 a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e9 a nossa esperan\u00e7a! \u00c9 isto que a Igreja proclama hoje com alegria: anuncia a esperan\u00e7a, que Deus tornou inabal\u00e1vel e invenc\u00edvel ao ressuscitar Jesus Cristo dos mortos; comunica a esperan\u00e7a, que ela traz no cora\u00e7\u00e3o e quer partilhar com todos, em todo o lugar, especialmente onde os crist\u00e3os sofrem persegui\u00e7\u00e3o por causa da sua f\u00e9 e do seu compromisso em favor da justi\u00e7a e da paz; invoca a esperan\u00e7a capaz de suscitar a coragem do bem, mesmo e sobretudo quando custa. Hoje a Igreja canta \u00abo dia que o Senhor fez\u00bb e convida \u00e0 alegria. Hoje a Igreja suplica, invoca Maria, Estrela da Esperan\u00e7a, para que guie a humanidade para o porto seguro da salva\u00e7\u00e3o que \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o de Cristo, a V\u00edtima pascal, o Cordeiro que \u00abredimiu o mundo\u00bb, o Inocente que \u00abnos reconciliou a n\u00f3s, pecadores, com o Pai\u00bb. A Ele, Rei vitorioso, a Ele crucificado e ressuscitado, gritamos com alegria o nosso Aleluia!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abResurrectio Domini, spes nostra \u2013 a ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor \u00e9 a nossa esperan\u00e7a\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[101,106,113,120,187,275,317],"class_list":["post-38177","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-africa","tag-angola","tag-ano-paulino","tag-bento-xvi","tag-diocese-do-porto","tag-pascoa","tag-terra-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38177","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38177"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38177\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38177"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38177"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38177"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}