{"id":38175,"date":"2009-04-12T08:06:27","date_gmt":"2009-04-12T08:06:27","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/04\/12\/pascoa-das-tochas-floridas\/"},"modified":"2009-04-12T08:06:27","modified_gmt":"2009-04-12T08:06:27","slug":"pascoa-das-tochas-floridas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pascoa-das-tochas-floridas\/","title":{"rendered":"P\u00e1scoa das Tochas Floridas"},"content":{"rendered":"<p>Este Domingo de P\u00e1scoa, dia 12 de Abril, S\u00e3o Br\u00e1s de Alportel \u00e9 mais uma vez palco da secular Prociss\u00e3o de Aleluia, em honra de Cristo ressuscitado, onde os andores d\u00e3o lugar \u00e0s flores, que ornamentam um conjunto de tochas. Em nome da f\u00e9 e da tradi\u00e7\u00e3o, erguem-se as tochas ao alto e canta-se o refr\u00e3o sentido \u201cRessuscitou como disse! Aleluia! Aleluia! Aleluia.  A Prociss\u00e3o das Tochas, como ficou conhecida, \u00e9 a mais antiga em S\u00e3o Br\u00e1s de Alportel, par\u00f3quia da vigararia de Loul\u00e9, no Algarve, que foi a maior freguesia rural do pa\u00eds no princ\u00edpio do s\u00e9culo XX, facto que ditou mais tarde a sua religiosidade e a manuten\u00e7\u00e3o da tradicional prociss\u00e3o. Contava ent\u00e3o com cerca de 13 mil habitantes. Foi tamb\u00e9m o grande centro cat\u00f3lico do Algarve.    No s\u00e9c. XIX, \u201cpraticamente todas as aldeias organizavam esta prociss\u00e3o da Ressurrei\u00e7\u00e3o\u201d, onde as pessoas levavam nas m\u00e3os uma vela que na linguagem antiga \u201cera designada por tocha\u201d, conta \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA o p\u00e1roco Jos\u00e9 da Cunha Duarte.   Tamb\u00e9m conhecida como a Prociss\u00e3o das tr\u00eas Marias (em alus\u00e3o \u00e0s mulheres que se deslocaram ao t\u00famulo de Jesus na manh\u00e3 da Ressurrei\u00e7\u00e3o), as confrarias, respons\u00e1veis pela organiza\u00e7\u00e3o, eram ent\u00e3o obrigadas a levar uma tocha acesa ou lumin\u00e1ria e as opas vestidas. Posteriormente, a falta de cera levou ao aparecimento de paus pintados e ornamentados com flores, no cimo do qual se colocava uma pequena vela. Mais tarde, com o desaparecimento das confrarias, permanecem na prociss\u00e3o os paus enfeitados, as lanternas e as velas acesas ao lado do p\u00e1lio e as opas, que ainda hoje s\u00e3o trajadas pelos homens que transportam o p\u00e1lio.    Ao longo da prociss\u00e3o, cantavam-se hinos, responsos e o Aleluia, em honra da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor. Antigamente havia tamb\u00e9m um ou dois coros a cantar e o povo respondia, mas com o passar do tempo, a falta de clero e de cantores, levou a que o canto ficasse na boca do povo.   Com a implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica esta situa\u00e7\u00e3o que era comum em todas as par\u00f3quias alterou-se, pois as manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas foram proibidas. A tradi\u00e7\u00e3o das prociss\u00f5es esmoreceu. A t\u00edtulo de exemplo, o padre Jos\u00e9 da Cunha Duarte, relembra que em Lagos a primeira prociss\u00e3o apenas voltou em 1941.   Com a Rep\u00fablica \u201cpraticamente todas a confrarias foram extintas\u201d, os homens j\u00e1 n\u00e3o queriam participar nestas manifesta\u00e7\u00f5es, tornando-se \u201ctudo mais laico\u201d.   Com a ida do Padre Jos\u00e9 da Cunha Duarte para a par\u00f3quia, em 1981, esta tradi\u00e7\u00e3o nunca mais cessou. \u201cO Bispo de ent\u00e3o pediu-me para restaurar a tradi\u00e7\u00e3o\u201d e todos os anos se organiza a Prociss\u00e3o das Tochas \u201cem todo o seu esplendor\u201d, garante o p\u00e1roco.   A festa religiosa, que leva mais de seis mil devotos a S\u00e3o Br\u00e1s de Alportel, tem in\u00edcio pela manh\u00e3 de Domingo, com a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia na Igreja Matriz, local de onde parte a Prociss\u00e3o do Aleluia, uma hora depois.   De acordo com a tradi\u00e7\u00e3o, as tochas s\u00e3o levadas apenas por homens, vestidos a rigor, cabendo-lhes a tarefa de abrir o caminho entre o mar de gente, as varandas engalanadas e as colchas estendidas nas janelas.   Antigamente o aparato nas ruas era maior. As casas mais humildes apareciam enfeitadas com grinaldas de flores, enquanto que as fam\u00edlias com mais posses mandavam erguer grandes arcos de verdura, flores e fitas coloridas. A prociss\u00e3o sa\u00eda ap\u00f3s as laudes, com os sinos a repicarem e o coro cantava \u201cO Senhor ressuscitou no sepulcro. Aleluia, aleluia, aleluia!\u201d Quando a prociss\u00e3o retornava \u00e0 igreja, para nova celebra\u00e7\u00e3o da missa, os homens retiram as flores das tochas e espalham pelo ch\u00e3o onde o andor vai passar, \u201cacto que j\u00e1 n\u00e3o se realiza\u201d.   Ao longo da prociss\u00e3o formam-se grupos de amigos que pelo caminho v\u00e3o cantando \u201cAleluia, aleluia!\u201d, num percurso que se estende, \u201cporque embora seja pequeno as pessoas v\u00e3o parando \u00e0 medida que se canta, por isso tem de haver sempre quem v\u00e1 na frente a puxar o cortejo\u201d, conta o p\u00e1roco. Com a tradi\u00e7\u00e3o restaurada tem-se ganho tamb\u00e9m \u201cem respeito. Todos colaboram e os homens v\u00e3o todos \u00e0 frente, as mulheres seguem a tr\u00e1s, todos a cantar na prociss\u00e3o\u201d, conta o Pe. Jos\u00e9 da Cunha Duarte. Com o objectivo de valorizar este acto p\u00fablico, juntaram durante o percurso crian\u00e7as, que v\u00e3o encenando quadros b\u00edblicos.   O tapete de flores que se estende \u201cpor quase dois quil\u00f3metros\u201d d\u00e1 um cariz particular a esta tradi\u00e7\u00e3o. Para construir esta obra de arte, s\u00e3o precisas 3 toneladas de flores, num trabalho que resulta de um centena de volunt\u00e1rios. Com uma semana de anteced\u00eancia se come\u00e7am a preparar as flores. Pede-se \u00e0s estufas que colaborem, \u201cmisturamos as cores com a verdura\u201d, conta o p\u00e1roco e lan\u00e7am-se ao trabalho na Sexta e no S\u00e1bado.   Tem havido, nos \u00faltimos anos, uma preocupa\u00e7\u00e3o de ressurgir a tradi\u00e7\u00e3o, que manda atapetar as ruas com alecrim, rosmaninho, alfazema e flores silvestres.   A festa prolonga-se pela tarde e noite dentro, seguindo-se um cariz mais profano das celebra\u00e7\u00f5es, com a atribui\u00e7\u00e3o de pr\u00e9mios aos vencedores das tochas floridas. \u201cCom isto pretendemos valorizar as tochas, o empenho das pessoas e premiar a criatividade para que nos pr\u00f3ximos anos estas iniciativas continuem\u201d, explica o p\u00e1roco.   Para que a festa n\u00e3o se limite \u00e0 parte religiosa e porque em S\u00e3o Br\u00e1s de Alportel se vive a festa da P\u00e1scoa como a festa do concelho e da fam\u00edlia, \u201ctodos os s\u00e3o-brasenses, mesmos os que vivem fora, regressam por estes dias \u00e0 terra para festejar esta data em fam\u00edlia\u201d. Assim de tarde, depois do almo\u00e7o, todos se juntam para ouvir artistas, ranchos folcl\u00f3ricos, \u201cnuma grande festa cultural\u201d.   A par da m\u00fasica, os doces regionais como o folar e as am\u00eandoas tenras s\u00e3o habituais. O grande dia de toda a celebra\u00e7\u00e3o da Semana Santa \u00e9 de facto \u201co dia de Domingo, quando todas as fam\u00edlias se re\u00fanem e se concentram\u201d, finaliza o p\u00e1roco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este Domingo de P\u00e1scoa, dia 12 de Abril, S\u00e3o Br\u00e1s de Alportel \u00e9 mais uma vez palco da secular Prociss\u00e3o de Aleluia, em honra de Cristo ressuscitado, onde os andores d\u00e3o lugar \u00e0s flores, que ornamentam um conjunto de tochas. 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