{"id":38173,"date":"2009-04-12T01:08:46","date_gmt":"2009-04-12T01:08:46","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/04\/12\/homilia-de-bento-xvi-na-vigilia-pascal\/"},"modified":"2009-04-12T01:08:46","modified_gmt":"2009-04-12T01:08:46","slug":"homilia-de-bento-xvi-na-vigilia-pascal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-bento-xvi-na-vigilia-pascal\/","title":{"rendered":"Homilia de Bento XVI na Vig\u00edlia Pascal"},"content":{"rendered":"<p>Amados irm\u00e3os e irm\u00e3s!  Narra S\u00e3o Marcos no seu Evangelho que os disc\u00edpulos, ao descer do monte da Transfigura\u00e7\u00e3o, discutiam entre si o que queria dizer \u00abressuscitar dos mortos\u00bb (cf. Mc 9, 10). Antes, o Senhor tinha-lhes anunciado a sua paix\u00e3o e a ressurrei\u00e7\u00e3o tr\u00eas dias depois. Pedro tinha protestado contra o an\u00fancio da morte. Mas agora interrogavam-se acerca do que se poderia entender pelo termo \u00abressurrei\u00e7\u00e3o\u00bb. Porventura n\u00e3o acontece o mesmo tamb\u00e9m a n\u00f3s? O Natal, o nascimento do Deus Menino de certo modo \u00e9-nos imediatamente compreens\u00edvel. Podemos amar o Menino, podemos imaginar a noite de Bel\u00e9m, a alegria de Maria, a alegria de S\u00e3o Jos\u00e9 e dos pastores e o j\u00fabilo dos Anjos. Mas, a ressurrei\u00e7\u00e3o: o que \u00e9? N\u00e3o entra no \u00e2mbito das nossas experi\u00eancias, e assim a mensagem frequentemente acaba, em qualquer medida, incompreendida, algo do passado. A Igreja procura levar-nos \u00e0 sua compreens\u00e3o, traduzindo este acontecimento misterioso na linguagem dos s\u00edmbolos pelos quais nos seja poss\u00edvel de algum modo contemplar este facto impressionante. Na Vig\u00edlia Pascal, indica-nos o significado deste dia sobretudo atrav\u00e9s de tr\u00eas s\u00edmbolos: a luz, a \u00e1gua e o c\u00e2ntico novo do aleluia.  Temos, em primeiro lugar, a luz. A cria\u00e7\u00e3o por obra de Deus \u2013 acab\u00e1mos de ouvir a sua narra\u00e7\u00e3o b\u00edblica \u2013 come\u00e7a com as palavras: \u00abHaja luz!\u00bb (Gen 1, 3). Onde h\u00e1 luz, nasce a vida, o caos pode transformar-se em cosmos. Na mensagem b\u00edblica, a luz \u00e9 a imagem mais imediata de Deus: Ele \u00e9 todo Resplendor, Vida, Verdade, Luz. Na Vig\u00edlia Pascal, a Igreja l\u00ea a narra\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o como profecia. Na ressurrei\u00e7\u00e3o, verifica-se de modo mais sublime aquilo que este texto descreve como o in\u00edcio de todas as coisas. Deus diz de novo: \u00abHaja luz\u00bb. A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 uma irrup\u00e7\u00e3o de luz. A morte fica superada, o sepulcro escancarado. O pr\u00f3prio Ressuscitado \u00e9 Luz, a Luz do mundo. Com a ressurrei\u00e7\u00e3o, o dia de Deus entra nas noites da hist\u00f3ria. A partir da ressurrei\u00e7\u00e3o, a luz de Deus difunde-se pelo mundo e pela hist\u00f3ria. Faz-se dia. Somente esta Luz \u2013 Jesus Cristo \u2013 \u00e9 a luz verdadeira, mais verdadeira que o fen\u00f3meno f\u00edsico da luz. Ele \u00e9 a Luz pura: \u00e9 o pr\u00f3prio Deus, que faz nascer uma nova cria\u00e7\u00e3o no meio da antiga, transforma o caos em cosmos.  Procuremos compreender isto um pouco melhor ainda. Porque \u00e9 que Cristo \u00e9 Luz? No Antigo Testamento, a Torah era considerada como a luz vinda de Deus para o mundo e para os homens. Aquela separa, na cria\u00e7\u00e3o, a luz das trevas, isto \u00e9, o bem do mal. Aponta ao homem o caminho justo para viver de modo aut\u00eantico. Indica-lhe o bem, mostra-lhe a verdade e conduz-lo para o amor, que \u00e9 o seu conte\u00fado mais profundo. Aquela \u00e9 \u00abl\u00e2mpada\u00bb para os passos, e \u00abluz\u00bb no caminho (cf. Sal 119\/118, 105). Ora, os crist\u00e3os sabiam que, em Cristo est\u00e1 presente a Torah: a Palavra de Deus est\u00e1 presente n\u2019Ele como Pessoa. A Palavra de Deus \u00e9 a verdadeira Luz de que o homem necessita. Esta Palavra est\u00e1 presente n\u2019Ele, no Filho. O Salmo 19 comparara a Torah ao sol, que, nascendo, manifesta a gl\u00f3ria de Deus visivelmente em todo o mundo. Os crist\u00e3os compreendem: sim, na ressurrei\u00e7\u00e3o, o Filho de Deus surgiu como Luz sobre o mundo. Cristo \u00e9 a grande Luz, da qual prov\u00e9m toda a vida. Ele faz-nos reconhecer a gl\u00f3ria de Deus de um extremo ao outro da terra. Indica-nos a estrada. Ele \u00e9 o dia de Deus que agora, crescendo, se difunde por toda a terra. Agora, vivendo com Ele e por Ele, podemos viver na luz.  Na Vig\u00edlia Pascal, a Igreja representa o mist\u00e9rio da luz de Cristo no sinal do c\u00edrio pascal, cuja chama \u00e9 simultaneamente luz e calor. O simbolismo da luz est\u00e1 ligado com o do fogo: resplendor e calor, resplendor e energia de transforma\u00e7\u00e3o contida no fogo. Verdade e amor andam juntos. O c\u00edrio pascal arde e deste modo se consuma: cruz e ressurrei\u00e7\u00e3o s\u00e3o insepar\u00e1veis. Da cruz, da autodoac\u00e7\u00e3o do Filho nasce a luz, prov\u00e9m o verdadeiro resplendor sobre o mundo. No c\u00edrio pascal, todos acendemos as nossas velas, sobretudo as dos neo-baptizados, aos quais, neste sacramento, a luz de Cristo \u00e9 colocada no fundo do cora\u00e7\u00e3o. A Igreja Antiga designou o Baptismo como fotismos, como sacramento da ilumina\u00e7\u00e3o, como uma comunica\u00e7\u00e3o de luz e ligou-o inseparavelmente com a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. No Baptismo, Deus diz ao baptizando: \u00abHaja luz\u00bb. O baptizando \u00e9 introduzido dentro da luz de Cristo. Cristo divide agora a luz das trevas. N\u2019Ele reconhecemos o que \u00e9 verdadeiro e o que \u00e9 falso, o que \u00e9 o resplendor e o que \u00e9 a escurid\u00e3o. Com Ele, surge em n\u00f3s a luz da verdade e come\u00e7amos a compreender. Uma vez quando Cristo viu a gente que se congregara para O escutar e esperava d\u2019Ele uma orienta\u00e7\u00e3o, sentiu compaix\u00e3o por ela, porque eram como ovelhas sem pastor (cf. Mc 6, 34). No meio das correntes contrastantes do seu tempo, n\u00e3o sabiam a quem dirigir-se. Quanta compaix\u00e3o deve Ele sentir tamb\u00e9m do nosso tempo, por causa de todos os grandes discursos por tr\u00e1s dos quais, na realidade, se esconde uma grande desorienta\u00e7\u00e3o! Para onde devemos ir? Quais s\u00e3o os valores, segundo os quais podemos regular-nos? Os valores segundo os quais podemos educar os jovens, sem lhes dar normas que talvez n\u00e3o subsistam nem exigir coisas que talvez n\u00e3o lhes devam ser impostas? Ele \u00e9 a Luz. A vela baptismal \u00e9 o s\u00edmbolo da ilumina\u00e7\u00e3o que nos \u00e9 concedida no Baptismo. Assim, nesta hora, tamb\u00e9m S\u00e3o Paulo nos fala de modo muito imediato. Na Carta aos Filipenses, diz que, no meio de uma gera\u00e7\u00e3o m\u00e1 e perversa, os crist\u00e3os deveriam brilhar como astros no mundo (cf. Fil 2, 15). Pe\u00e7amos ao Senhor que a pequena chama da vela, que Ele acendeu em n\u00f3s, a luz delicada da sua palavra e do seu amor no meio das confus\u00f5es deste tempo n\u00e3o se apague em n\u00f3s, mas torne-se cada vez mais forte e mais resplendorosa. Para que sejamos com Ele pessoas do dia, astros para o nosso tempo.  O segundo s\u00edmbolo da Vig\u00edlia Pascal \u2013 a noite do Baptismo \u2013 \u00e9 a \u00e1gua. Esta aparece, na Sagrada Escritura e consequentemente tamb\u00e9m na estrutura \u00edntima do sacramento do Baptismo, com dois significados opostos. De um lado, temos o mar que se apresenta como o poder antagonista da vida sobre a terra, como a sua cont\u00ednua amea\u00e7a, \u00e0 qual, por\u00e9m, Deus colocou um limite. Por isso o Apocalipse, ao falar do mundo novo de Deus, diz que l\u00e1 o mar j\u00e1 n\u00e3o existir\u00e1 (cf. 21, 1). \u00c9 o elemento da morte. E assim torna-se a representa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da morte de Jesus na cruz: Cristo desceu aos abismos do mar, \u00e0s \u00e1guas da morte, como Israel penetrou no Mar Vermelho. Ressuscitado da morte, Ele d\u00e1-nos a vida. Isto significa que o Baptismo n\u00e3o \u00e9 apenas um banho, mas um novo nascimento: com Cristo, como que descemos ao mar da morte para dele subirmos como criaturas novas.  O outro significado com que encontramos a \u00e1gua \u00e9 como nascente fresca, que d\u00e1 a vida, ou tamb\u00e9m como o grande rio donde prov\u00e9m a vida. Segundo o ordenamento primitivo da Igreja, o Baptismo devia ser administrado com \u00e1gua fresca de nascente. Sem \u00e1gua, n\u00e3o h\u00e1 vida. Impressiona a grande import\u00e2ncia que t\u00eam na Sagrada Escritura os po\u00e7os. S\u00e3o lugares donde brota a vida. Junto do po\u00e7o de Jacob, Cristo anuncia \u00e0 Samaritana o po\u00e7o novo, a \u00e1gua da vida verdadeira. Manifesta-Se a ela como o novo e definitivo Jacob, que abre \u00e0 humanidade o po\u00e7o que esta aguarda: aquela \u00e1gua que d\u00e1 a vida que jamais se esgota (cf. Jo 4, 5-15). S\u00e3o Jo\u00e3o narra-nos que um soldado feriu com uma lan\u00e7a o lado de Jesus e que, do lado aberto \u2013 do seu cora\u00e7\u00e3o trespassado \u2013, saiu sangue e \u00e1gua (cf. Jo 19, 34). Nisto, a Igreja Antiga viu um s\u00edmbolo do Baptismo e da Eucaristia, que brotam do cora\u00e7\u00e3o trespassado de Jesus. Na morte, Jesus mesmo Se tornou a nascente. Numa vis\u00e3o, o profeta Ezequiel tinha visto o Templo novo, do qual jorra uma nascente que se torna um grande rio que d\u00e1 a vida (cf. Ez 47, 1-12); para uma Terra que sempre sofria com a seca e a falta de \u00e1gua, esta era uma grande vis\u00e3o de esperan\u00e7a. A cristandade dos prim\u00f3rdios compreendeu: em Cristo, realizou-se esta vis\u00e3o. Ele \u00e9 o Templo verdadeiro, o Templo vivo de Deus. E \u00e9 tamb\u00e9m a nascente de \u00e1gua viva. D\u2019Ele brota o grande rio que, no Baptismo, faz frutificar e renova o mundo; o grande rio de \u00e1gua viva \u00e9 o seu Evangelho que torna fecunda a terra. Mas, num discurso durante a Festa das Tendas, Jesus profetizou uma coisa ainda maior: \u00abDo seio daquele que acreditar em Mim, correr\u00e3o rios de \u00e1gua viva\u00bb (Jo 7, 38). No Baptismo, o Senhor faz de n\u00f3s n\u00e3o s\u00f3 pessoas de luz, mas tamb\u00e9m nascentes das quais brota \u00e1gua viva. Todos n\u00f3s conhecemos tais pessoas que nos deixam de algum modo restaurados e renovados; pessoas que s\u00e3o como que uma fonte de \u00e1gua fresca borbotante. N\u00e3o devemos necessariamente pensar a pessoas grandes como Agostinho, Francisco de Assis, Teresa de \u00c1vila, Madre Teresa de Calcut\u00e1 e assim por diante, pessoas atrav\u00e9s das quais verdadeiramente rios de \u00e1gua viva penetraram na hist\u00f3ria. Gra\u00e7as a Deus, encontramo-las continuamente mesmo no nosso dia a dia: pessoas que s\u00e3o uma nascente. Com certeza, conhecemos tamb\u00e9m o contr\u00e1rio: pessoas das quais emana um odor parecido com o dum charco com \u00e1gua estagnada ou mesmo envenenada. Pe\u00e7amos ao Senhor, que nos concedeu a gra\u00e7a do Baptismo, para podermos ser sempre nascentes de \u00e1gua pura, fresca, saltitante da fonte da sua verdade e do seu amor.   O terceiro grande s\u00edmbolo da Vig\u00edlia Pascal \u00e9 de natureza muito particular; envolve o pr\u00f3prio homem. \u00c9 a entoa\u00e7\u00e3o do c\u00e2ntico novo: o aleluia. Quando uma pessoa experimenta uma grande alegria, n\u00e3o pode guard\u00e1-la para si. Deve manifest\u00e1-la, transmiti-la. Mas que sucede quando a pessoa \u00e9 tocada pela luz da ressurrei\u00e7\u00e3o, entrando assim em contacto com a pr\u00f3pria Vida, com a Verdade e com o Amor? Disto, n\u00e3o pode limitar-se simplesmente a falar; o falar j\u00e1 n\u00e3o basta. Ela tem de cantar. Na B\u00edblia, a primeira men\u00e7\u00e3o do acto de cantar encontra-se depois da travessia do Mar Vermelho. Israel libertou-se da escravid\u00e3o. Subiu das profundezas amea\u00e7adoras do mar. \u00c9 como se tivesse renascido. Vive e \u00e9 livre. A B\u00edblia descreve a reac\u00e7\u00e3o do povo a este grande acontecimento da salva\u00e7\u00e3o com a frase: \u00abO povo acreditou no Senhor e em Mois\u00e9s, seu servo\u00bb (Ex 14, 31). Segue-se depois a segunda reac\u00e7\u00e3o que nasce, por uma esp\u00e9cie de necessidade interior, da primeira: \u00abEnt\u00e3o Mois\u00e9s e os filhos de Israel cantaram este c\u00e2ntico ao Senhor\u2026\u00bb. Na Vig\u00edlia Pascal, ano ap\u00f3s ano, n\u00f3s, crist\u00e3os, depois da terceira leitura entoamos este c\u00e2ntico, cantamo-lo como o nosso c\u00e2ntico, porque tamb\u00e9m n\u00f3s, pelo poder de Deus, fomos tirados para fora da \u00e1gua e libertos para a vida verdadeira.  Para a hist\u00f3ria do c\u00e2ntico de Mois\u00e9s depois da liberta\u00e7\u00e3o de Israel do Egipto e depois da subida do Mar Vermelho, h\u00e1 um paralelismo surpreendente no Apocalipse de S\u00e3o Jo\u00e3o. Antes de iniciarem os \u00faltimos sete flagelos impostos \u00e0 terra, aparece ao vidente \u00abuma esp\u00e9cie de mar de cristal misturado com fogo. Sobre o mar de cristal, estavam de p\u00e9 os vencedores do Monstro, da sua imagem e do n\u00famero do seu nome. Tinham na m\u00e3o harpas divinas e cantavam o c\u00e2ntico de Mois\u00e9s, o servo de Deus, e o c\u00e2ntico do Cordeiro\u2026\u00bb (Ap 15, 2s). Com esta imagem, \u00e9 descrita a situa\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos de Jesus em todos os tempos, a situa\u00e7\u00e3o da Igreja na hist\u00f3ria deste mundo. Considerada humanamente, tal situa\u00e7\u00e3o \u00e9 contradit\u00f3ria em si mesma. Por um lado, a comunidade encontra-se no \u00caxodo, no meio do Mar Vermelho. Num mar que, paradoxalmente, \u00e9 ao mesmo tempo gelo e fogo. E n\u00e3o deve porventura a Igreja caminhar sempre sobre o mar atrav\u00e9s do fogo e do frio? Humanamente falando, deveria afundar. Mas n\u00e3o, e enquanto caminha ainda no meio deste Mar Vermelho, ela canta \u2013 entoa o c\u00e2ntico de louvor dos justos: o c\u00e2ntico de Mois\u00e9s e do Cordeiro, no qual concordam a Antiga e a Nova Alian\u00e7a. Enquanto, na realidade deveria afundar, a Igreja entoa o c\u00e2ntico de agradecimento dos redimidos. Est\u00e1 sobre as \u00e1guas de morte da hist\u00f3ria e todavia j\u00e1 est\u00e1 ressuscitada. Cantando, ela agarra-se \u00e0 m\u00e3o do Senhor, que a sustenta por cima das \u00e1guas. E sabe que deste modo \u00e9 guindada fora da for\u00e7a de gravidade da morte e do mal \u2013 uma for\u00e7a da qual, sem tal interven\u00e7\u00e3o, n\u00e3o haveria caminho algum de fuga \u2013 guindada e atra\u00edda para dentro da nova for\u00e7a de gravidade de Deus, da verdade e do amor. De momento, ela encontra-se ainda entre os dois campos gravitacionais. Mas desde que Jesus ressuscitou, a gravita\u00e7\u00e3o do amor \u00e9 mais forte que a do \u00f3dio; a for\u00e7a de gravidade da vida \u00e9 mais forte que a da morte. Porventura n\u00e3o \u00e9 esta a situa\u00e7\u00e3o da Igreja de todos os tempos? Sempre d\u00e1 a impress\u00e3o que ela deva afundar, e todavia j\u00e1 est\u00e1 salva. S\u00e3o Paulo ilustrou esta situa\u00e7\u00e3o com as palavras: \u00abSomos considerados (\u2026) como agonizantes, embora estejamos com vida\u00bb (2 Cor 6, 9). A m\u00e3o salvadora do Senhor nos sustenta e assim podemos cantar j\u00e1 agora o c\u00e2ntico dos redimidos, o c\u00e2ntico novo dos ressuscitados: Aleluia! Amen.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amados irm\u00e3os e irm\u00e3s! Narra S\u00e3o Marcos no seu Evangelho que os disc\u00edpulos, ao descer do monte da Transfigura\u00e7\u00e3o, discutiam entre si o que queria dizer \u00abressuscitar dos mortos\u00bb (cf. Mc 9, 10). Antes, o Senhor tinha-lhes anunciado a sua paix\u00e3o e a ressurrei\u00e7\u00e3o tr\u00eas dias depois. Pedro tinha protestado contra o an\u00fancio da morte. 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