{"id":38167,"date":"2009-04-10T23:14:53","date_gmt":"2009-04-10T23:14:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/04\/10\/homilia-do-arcebispo-de-braga-na-celebracao-da-paixao-e-morte-do-senhor\/"},"modified":"2009-04-10T23:14:53","modified_gmt":"2009-04-10T23:14:53","slug":"homilia-do-arcebispo-de-braga-na-celebracao-da-paixao-e-morte-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-arcebispo-de-braga-na-celebracao-da-paixao-e-morte-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do Arcebispo de Braga na celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o e Morte do Senhor"},"content":{"rendered":"<p>Para que o perfume da Palavra chegue a todos os ambientes   <!--more--> Na proclama\u00e7\u00e3o do relato da paix\u00e3o n\u00e3o percorremos uma Via-sacra \u00fanica e exclusiva de Cristo. Estivemos numa estrada real onde Cristo caminhou connosco at\u00e9 \u00e0 cruz, morrendo crucificado entre dois homens. N\u00e3o se trata dum relato ou duma recorda\u00e7\u00e3o de algo do passado. Aqui e agora, Ele continua no meio das dores humanas, assumindo-as, para lhes dar sentido e significado.  Sabemos que o mundo hodierno nos apresenta situa\u00e7\u00f5es dum realismo tal que lhe podemos aplicar as palavras de Isa\u00edas. O meu servo estava \u201ct\u00e3o desfigurado que o seu rosto tinha perdido toda a apar\u00eancia dum ser humano\u201d (Is 52). Ningu\u00e9m ignora a verdade destas palavras aplicadas a tantas vidas dos nossos contempor\u00e2neos. Existem situa\u00e7\u00f5es que incomodam e n\u00e3o gostar\u00edamos de ver. Parecem irreais mas est\u00e3o a\u00ed ao nosso lado e nas cr\u00f3nicas dos nossos \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social.  \u00c9 in\u00fatil ignorar ou acreditar em discursos que parecem distrair-nos do quotidiano portugu\u00eas. Muitos nossos irm\u00e3os percorrem a estrada da exist\u00eancia com cruzes pesadas a provocar muita dor e sangue.  A Carta aos Hebreus dirigiu-nos a palavra que deve \u201cencontrar-nos\u201d. \u201cMaltratado, humilhou-se voluntariamente e n\u00e3o abriu a boca. Foi eliminado por senten\u00e7a in\u00edqua, mas quem se preocupa com a sua sorte\u201d (Heb 5, 8). Se muitos sofrem, h\u00e1 outros que nem conseguem abrir a boca por raz\u00f5es que n\u00e3o deveriam existir mas persistem. \u201cQuem se preocupa com a sua sorte\u201d. Eis a interpela\u00e7\u00e3o que Sexta-feira Santa repete anualmente. Preocupar-se com a sorte de quem sofre e constituir-se Cireneu que acompanha, pode n\u00e3o destruir a cruz mas alivia. O Cristo em que acreditamos n\u00e3o \u00e9 \u201cum sumo sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas\u201d. Com Ele e por Ele teremos de nos tornar \u201ccausa de salva\u00e7\u00e3o eterna\u201d (Heb 4 e 5), dando sentido e esperan\u00e7a.  A morte de Cristo coloca-nos perante a certeza de quanto nos recordava Isa\u00edas. \u201cO meu servo cresceu diante do Senhor como um rebento, como raiz numa terra \u00e1rida\u201d. (Is 52 e 53). Aqui teremos de nos situar. Importa ver Cristo sem beleza para atrair o olhar, sem aspecto agrad\u00e1vel que possa cativar-nos, como homem das dores, desprezado e repelido por todos, castigado e humilhado, ferido e esmagado, sobre quem parece ter ca\u00eddo o castigo. Tudo isto e muito mais descortinados, aqui e agora, com outros nomes mas com a mesma densidade de dores que nem sempre se consegue explicar.  \u00c9 no meio destes contrastes e nega\u00e7\u00f5es da dignidade humana que a Igreja e os crist\u00e3os devem tornar-se uma raiz dum mundo novo que surge nesta terra \u00e1rida e ressequida. Ter\u00edamos raz\u00f5es para atribuir a muitos e \u00e0 sociedade, nas suas autoridades, a responsabilidade pelos males que conhecemos e pelas dores que ignoramos. A cruz de Cristo obriga-nos a outra atitude: fazer florir desertos e acreditar firmemente que a esperan\u00e7a voltar\u00e1 a ter espa\u00e7o e o amor reinar\u00e1 como luz que vence as trevas.  Outra proposta que a Paix\u00e3o do Senhor nos deixa.  No meio de tudo isto encontramos o exemplo de Jos\u00e9 de Arimateia que d\u00e1 o seu melhor para um Cristo morto e, com isso, vai tornar-se a causa de que a pedra grande que escondia a realeza de Cristo se retire e Ele volte com novo esplendor, na manh\u00e3 da Ressurrei\u00e7\u00e3o.  Recordo alguns pormenores da leitura da Paix\u00e3o. Jos\u00e9 de Arimateia \u201cpediu licen\u00e7a a Pilatos para levar o corpo de Jesus\u201d; \u201cenvolveram-nos em ligaduras juntamente com perfumes, como \u00e9 costume sepultar entre os judeus\u201d. \u201cNo jardim havia um sepulcro novo, no qual ainda ningu\u00e9m fora sepultado\u201d. A\u00ed o depositaram. (Jo 19, 39-42).  Neste ambiente sereno de contempla\u00e7\u00e3o da morte de Cristo, torna-se necess\u00e1rio fazer sil\u00eancio para que nos deixemos \u201cencontrar pela Palavra\u201d que solicitar\u00e1 novidade de vida como novo era o sepulcro onde depositaram o corpo de Cristo. Esta novidade deve acontecer no cora\u00e7\u00e3o das pessoas e na vida das comunidades. Nestas nem sempre a pastoral est\u00e1 possu\u00edda pela Palavra e continuamos persuadidos de que o fundamental \u00e9 subsistir no meio das hostilidades com um \u00e2nimo de desalento e desencanto. S\u00f3 com caminhos ainda n\u00e3o percorridos, como o sepulcro de Cristo que n\u00e3o tinha sido usado por ningu\u00e9m, a Palavra chegar\u00e1 a todos e a todos os ambientes. Na verdade, os ambientes profissionais e de vida reclamam que a Palavra seja l\u00e1 colocada para que readquiram alma e n\u00e3o tropecem nos desenganos de doutrinas err\u00f3neas e mal entendidas a impor-se no desrespeito pela dignidade de muitas pessoas, na pouca considera\u00e7\u00e3o pela vida que nasce ou que chega ao seu termo, na confus\u00e3o de conviv\u00eancias humanas que pretendem estatutos ocupados cultural e antropologicamente por outras realidades, na prolifera\u00e7\u00e3o de leis que permitem interpreta\u00e7\u00f5es subjectivas a provocar adiamentos judiciais incompreens\u00edveis ou injusti\u00e7as a favor dos mais poderosos, no espa\u00e7o da educa\u00e7\u00e3o onde se imp\u00f5e um relativismo \u00e9tico e moral em substitui\u00e7\u00e3o dum apontar caminhos de valores. Estas e outras realidades s\u00e3o os novos desafios onde a novidade de Cristo deve chegar.  Em simult\u00e2neo, Cristo, como todos os outros judeus, \u00e9 perfumado excessivamente com os gastos inerentes a quem o considera como o Ungido, o Enviado do pai. Aqui, na sua austeridade testemunhal dos tempos actuais onde a Igreja deve cortar despesas desnecess\u00e1rias, descortina a for\u00e7a de novos meios a usar para que a Palavra ecoe de modo convincente. Nem todos os gastos com o an\u00fancio da Palavra s\u00e3o materiais. A prepara\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dum estudo persistente, o tempo reservado para uma compreens\u00e3o interior dos conte\u00fados, uma aten\u00e7\u00e3o aos sinais dos tempos a facilitar respostas oportunas se o seu conhecimento acontecer em esp\u00edrito cr\u00edtico, um aprender com a linguagem das novas t\u00e9cnicas e, particularmente, uma nova alma no primeiro an\u00fancio, na catequese, na forma\u00e7\u00e3o permanente, nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, no servi\u00e7o aos mais carenciados, no esp\u00edrito de comunh\u00e3o familiar, tudo isto e muito mais pode ser o perfume que n\u00e3o custa, a n\u00e3o ser mais dedica\u00e7\u00e3o e empenho de todos.  Neste sepulcro novo que acolheu o Corpo de Cristo gostaria de colocar o desalento de muitos e os problemas de quem sofre para que os crist\u00e3os acordem para um compromisso mais solid\u00e1rio. Mas gostaria, particularmente, de solicitar ao Senhor que entregou a Vida para gerar um novo povo, que Ele torne a pastoral de Arquidiocese como experi\u00eancia de Jesus-Palavra, dom agrad\u00e1vel a todos que connosco vivem e procuram, com s\u00e9rias dificuldades, a felicidade no viver.  <i>\u2020 Jorge Ortiga, A.P. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para que o perfume da Palavra chegue a todos os ambientes<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[127,172,193,312],"class_list":["post-38167","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-catequese","tag-diocese-de-braga","tag-educacao","tag-snec"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38167","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38167"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38167\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38167"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38167"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38167"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}