{"id":38158,"date":"2009-04-09T23:29:49","date_gmt":"2009-04-09T23:29:49","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/04\/09\/homilia-do-arcebispo-de-braga-na-missa-da-ceia-do-senhor\/"},"modified":"2009-04-09T23:29:49","modified_gmt":"2009-04-09T23:29:49","slug":"homilia-do-arcebispo-de-braga-na-missa-da-ceia-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-arcebispo-de-braga-na-missa-da-ceia-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do Arcebispo de Braga na Missa da Ceia do Senhor"},"content":{"rendered":"<p>Eucaristia, p\u00e3o partilhado para a esperan\u00e7a do mundo <!--more--> Continuamos a aproveitar esta Semana Santa para nos deixarmos encontrar pela Palavra que deve tomar conta de n\u00f3s. O gesto do Lava-p\u00e9s \u00e9 a s\u00edntese da Palavra anunciada e testemunhada; a institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia o Centro dum mist\u00e9rio que elucida quanto Deus nos ama, manifestando que a Palavra \u00e9 Vida de entrega e doa\u00e7\u00e3o.  Acolhendo S. Paulo devemos recolher consequ\u00eancias do seu dinamismo pastoral. Ele referia: \u201cEu recebi do Senhor o que tamb\u00e9m vos transmiti\u201d (1 Cor 11, 23). O facto de termos recebido a Eucaristia \u00e9 uma gra\u00e7a imerecida; o empenho de a transmitir aos outros come\u00e7a a ser uma quest\u00e3o fundamental para a Igreja.  N\u00e3o somos pessimistas mas teremos de aceitar o desafio de colocar \u00e0 volta da mesa do Senhor, em viv\u00eancia de f\u00e9 e n\u00e3o mero cumprimento dum preceito, todos quantos foram baptizados e um n\u00famero que cresce de n\u00e3o baptizados. Transmitir aos outros o que recebemos abriga a questionar, sacerdotes e leigos, sobre aquilo que fazem para que a Eucaristia seja alimento duma vida capaz de fomentar a f\u00e9 em Cristo. A f\u00e9 eucar\u00edstica j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma \u201cevid\u00eancia\u201d. Teremos de tornar as eucaristias mais performadoras duma mentalidade identificadora com Cristo que, como Palavra, levaremos a todos os recantos da vida humana.  O caminho est\u00e1 tra\u00e7ado. N\u00e3o reside nas condena\u00e7\u00f5es nem nos discursos estat\u00edsticos.  Est\u00e1 no continuar \u2013 Cristo \u2013 feito Palavra Viva.  \u201cCompreendeis o que vos fiz? V\u00f3s chamais-me Mestre e Senhor e dizeis bem, porque o sou. Se Eu, que sou Mestre e Senhor, Vos lavei os p\u00e9s, tamb\u00e9m v\u00f3s deveis lavar os p\u00e9s uns aos outros. Dei-vos o exemplo para que, assim como Eu fiz, v\u00f3s fa\u00e7ais tamb\u00e9m\u201d (Jo 13, 15).  A verdade da Eucaristia est\u00e1 em fazer o que Jesus fez atrav\u00e9s duma pluralidade de atitudes e compromissos que o gesto de lavar os p\u00e9s simboliza. S\u00f3 esta vida quotidiana d\u00e1 credibilidade \u00e0 Eucaristia e estimula para que muitos queiram participar.  Qual a Palavra de Deus que deve encontrar-se connosco nesta Quinta-feira Santa?  \u201cJesus levantou-se da mesa, tirou a manto e tomou uma toalha que p\u00f4s \u00e0 cintura\u201d (Jo 13, 8).  &#8211; \u00c9 chegada a hora de nos levantarmos da mesa que sacia as nossas devo\u00e7\u00f5es particulares e partirmos ao encontro da Palavra de Deus na sua integridade para numa liberdade radical e aderirmos a um projecto de vida que nos ultrapassa e transcende. \u00c9 f\u00e1cil instalar-se e contentar-se. O Evang\u00e9lico est\u00e1 no aceitar a novidade da mesa da Palavra que deve permear a vida toda sem recantos onde n\u00e3o chegue.  &#8211; Tirar o \u201cmanto\u201d pode querer dizer-nos que alguma novidade teremos de acolher deixando de lado costumes e tradi\u00e7\u00f5es. A mudan\u00e7a n\u00e3o pode deixar-nos insens\u00edveis e n\u00e3o permite que nos habituemos a cerim\u00f3nias cobertas por um \u201cmanto\u201d que pode mascarar e ocultar o rosto verdadeiro do cristianismo. N\u00e3o \u00e9 o estilo de aproveitar os outros, de busca da opul\u00eancia pessoal ou da Igreja, de reformas exteriores e cosm\u00e9ticas que nos motivam. Tirar o manto \u00e9, repito, encontrar-se com a autenticidade dum cristianismo que descobre o seu rosto na Palavra como ela \u00e9 e com a radicalidade que lhe \u00e9 peculiar.  &#8211; Tomar a toalha do servi\u00e7o aos outros \u00e9 o caminho a percorrer em nome de Cristo celebrado para que o mundo se encontre com Ele. Nada de humano nos \u00e9 estranho e a Eucaristia como encontro de intimidade com Cristo \u00e9 convite para que nos lancemos na aventura do encontro com todas as realidades humanas.  Da\u00ed que mergulhar, com entusiasmo e dedica\u00e7\u00e3o, na problem\u00e1tica hodierna \u00e9 o caminho tra\u00e7ado pela Eucaristia.  Por esta raz\u00e3o, quero recordar outro gesto de Cristo que coloca os disc\u00edpulos na obriga\u00e7\u00e3o de multiplicar os p\u00e3es em favor daqueles que tinham fome (Mc 6, 34-44). Jesus quer que os disc\u00edpulos d\u00eaem de comer; os disc\u00edpulos esperam uma resposta miraculosa. Jesus manifesta miseric\u00f3rdia para quem \u00e9 necessitado; os disc\u00edpulos analisam o facto mostrando insensibilidade. Jesus acolhe o problema, os disc\u00edpulos desejam mandar embora pela solu\u00e7\u00e3o mais f\u00e1cil. Jesus quer colocar-se na l\u00f3gica do dar; os disc\u00edpulos acenam os c\u00e1lculos do comprar como algo de dif\u00edcil ou imposs\u00edvel. Jesus condivide e experimenta a fome de quem h\u00e1 muitos dias j\u00e1 n\u00e3o saboreia a alegria duma refei\u00e7\u00e3o; os disc\u00edpulos continuam na l\u00f3gica do cada um pensa e si e que importa mandar embora para que cuide das suas coisas.  Outras refer\u00eancias poder\u00edamos enumerar. Basta para que a Palavra de Deus feita p\u00e3o na Eucaristia se torne motivadora de vidas mais solid\u00e1rias e comprometidas com os outros. Impressiona-me a orienta\u00e7\u00e3o dado no Velho Testamento do cordeiro pascal ser comido em fam\u00edlia e de alargar essa fam\u00edlia a outros, quando necess\u00e1rio. \u201cJunte-se ao vizinho mais pr\u00f3ximo\u201d (Ex 12, 4) para comer o cordeiro. Tamb\u00e9m hoje a Eucaristia sup\u00f5e uma redescoberta da humanidade como fam\u00edlia para nos sentarmos \u00e0 mesa com os vizinhos que conhecemos na sua vida de alegria e tristeza. Temos necessidade de levar para a Eucaristia a nossa vida para que a Palavra e o P\u00e3o a elucidem e iluminem. Mas precisamos, tamb\u00e9m, de tornar as Eucaristias momentos de encontro com toda a humanidade, nomeadamente, aquela que sofre ou necessita dos gestos que s\u00f3 o amor consegue individualizar.  N\u00e3o compete \u00e0 igreja encontrar solu\u00e7\u00f5es para todos os problemas que afectam a sociedade. Muito ela j\u00e1 realizou e muito mais ter\u00e1 de realizar. Comungar Cristo na Eucaristia pode n\u00e3o ser dif\u00edcil. Ir ao Seu encontro e concentrar-se, sozinho ou dum modo associado, na comunh\u00e3o da vida dos outros \u00e9 o caminho que a Eucaristia obriga a percorrer. Pode parecer que, em determinados momentos da hist\u00f3ria, Deus abandone o Seu povo. O olhar sol\u00edcito dos crist\u00e3os, mesmo com gestos que parecem insignificantes, demonstra que Deus caminha connosco e nada nos mete medo.  Da\u00ed que a Quinta-feira Santa seja um motivo de esperan\u00e7a para acreditar que a Eucaristia pode tornar-se um fermento de fraternidade e solidariedade. Os problemas poder\u00e3o continuar com a sua gravidade ou talvez ainda maior. Cristo e a Sua Palavra podem tranquilizar-nos e dar tranquilidade. Saibamos colocar a toalha do servi\u00e7o e comamos o cordeiro Pascal com os vizinhos e poderemos acreditar que uma nova aurora pode raiar.   <i>\u2020 Jorge Ortiga, A.P.   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eucaristia, p\u00e3o partilhado para a esperan\u00e7a do mundo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[172,206,308,314],"class_list":["post-38158","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-braga","tag-familia","tag-semana-santa","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38158","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38158"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38158\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38158"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}