{"id":38157,"date":"2009-04-09T23:28:12","date_gmt":"2009-04-09T23:28:12","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/04\/09\/homilia-do-cardeal-patriarca-na-ceia-do-senhor\/"},"modified":"2009-04-09T23:28:12","modified_gmt":"2009-04-09T23:28:12","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-na-ceia-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-na-ceia-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do Cardeal-Patriarca na Ceia do Senhor"},"content":{"rendered":"<p>\u00abO rosto eucar\u00edstico de Cristo\u00bb <!--more--> 1. Toda a palavra precisa de um rosto. Nesta celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa, a primeira depois do S\u00ednodo dos Bispos sobre a Palavra, continuamos a olhar atentamente, com f\u00e9 e com amor, esse rosto de Cristo, para lhe captarmos cada mensagem, escutar cada palavra, deixarmo-nos envolver por cada olhar. Quantas vezes o olhar comunica o que n\u00e3o conseguimos dizer, e fixando nesse rosto o nosso olhar, podemos acolher o que nenhuma palavra nos conseguiu dizer. Nesta celebra\u00e7\u00e3o, se fixarmos em Cristo o nosso olhar, descobriremos nele um rosto eucar\u00edstico e intuiremos como a Eucaristia encerra o segredo de toda a nossa vida, o sentido novo da hist\u00f3ria que queremos construir, a vit\u00f3ria sobre todos os ego\u00edsmos e sobre a amea\u00e7a da solid\u00e3o.   2. Naquela Ceia Pascal, na v\u00e9spera da Sua paix\u00e3o, Cristo \u00e9 Eucaristia e n\u00e3o esque\u00e7amos que a palavra significa louvor e ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as. O louvor que \u00e9 devido a Deus pela humanidade atingiu em Cristo, naquela noite, a sua plenitude, na sua obedi\u00eancia filial, na generosidade da sua entrega, na intensidade de amor divino com que envolve a humanidade. Ele sabe que naquele momento tudo come\u00e7a de novo, o pecado e a morte s\u00e3o vencidos, a humanidade redimida pode retomar o caminho da intimidade e do louvor. Naquele momento, o louvor do Filho a seu Pai envolve essa nova humanidade resgatada. \u00c9 imposs\u00edvel que a intensidade desse louvor n\u00e3o se espelhasse no rosto de Cristo, que aparecia como rosto de louvor. J\u00e1 na sua vida p\u00fablica, captando simples sinais do acolhimento do amor do Pai pelos cora\u00e7\u00f5es simples, Ele exclama: \u201cGra\u00e7as Te dou, \u00f3 Pai, Senhor do C\u00e9u e da Terra, porque escondestes estas coisas aos s\u00e1bios e inteligentes e as revelastes aos pequeninos\u201d (Mt. 11,25). O seu olhar transmite-nos o seu desejo de comunicar aos disc\u00edpulos, \u00e0 sua Igreja, esta intensidade de louvor. Este louvor n\u00e3o pode cessar, nunca mais, at\u00e9 ao fim dos tempos, \u201cat\u00e9 que Ele venha\u201d, nem deixar\u00e1 de brotar da humanidade resgatada este louvor perfeito. Ele quer que a sua Igreja seja Eucaristia, Povo que presta a Deus o louvor perfeito e sabe que a Igreja s\u00f3 o poder\u00e1 ser, participando no seu pr\u00f3prio louvor. \u00c9 esta intensidade de desejo que faz brotar do cora\u00e7\u00e3o de Cristo a Eucaristia como memorial da sua P\u00e1scoa.   3. Cristo institui a Eucaristia por causa da Igreja. \u201cFazei isto em minha mem\u00f3ria\u201d! \u201cEu dei-vos o exemplo, para que assim como Eu fiz, v\u00f3s fa\u00e7ais tamb\u00e9m\u201d (Jo. 13,15). No rosto de Cristo, naquela noite, brilha a sua esperan\u00e7a na Igreja. Na sua P\u00e1scoa come\u00e7a um longo caminho de transforma\u00e7\u00e3o do mundo, que abra\u00e7a o que resta da hist\u00f3ria da humanidade, \u201cat\u00e9 que Ele venha\u201d. A sua P\u00e1scoa, com esta intensidade de esperan\u00e7a e de louvor s\u00f3 voltar\u00e1 a celebr\u00e1-la no fim, na Casa do Pai, com a humanidade reunida em assembleia da Eucaristia definitiva. Jesus sabe que os disc\u00edpulos s\u00e3o um \u201cpequenino rebanho\u201d, mas sabe tamb\u00e9m que se eles forem a P\u00e1scoa continuada, transformar\u00e3o o mundo. Que a Eucaristia inaugura a etapa definitiva da hist\u00f3ria, estava j\u00e1 simbolicamente anunciado na P\u00e1scoa judaica: \u201cNeste m\u00eas come\u00e7ar\u00e1 para v\u00f3s uma s\u00e9rie de meses\u201d; \u201cEsse dia festej\u00e1-lo-eis por todas as vossas gera\u00e7\u00f5es, como lei perp\u00e9tua\u201d (Ex. 12,14). No seu olhar, na intensidade da nova P\u00e1scoa, Cristo abarca a totalidade da hist\u00f3ria e do crescimento dessa semente lan\u00e7ada \u00e0 terra que \u00e9 o seu corpo imolado, e a intensidade do seu louvor abarca toda essa longa hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o. Se contemplarmos o rosto eucar\u00edstico de Cristo, perceberemos que a Eucaristia encerra a esperan\u00e7a de um futuro positivo para a humanidade. No encerramento do Jubileu do Ano 2000, Jo\u00e3o Paulo II exprimiu assim essa esperan\u00e7a: \u201cN\u00e3o sabemos os acontecimentos que nos reserva o mil\u00e9nio que est\u00e1 a come\u00e7ar, mas temos a certeza de que este permanecer\u00e1 firmemente nas m\u00e3os de Cristo, o \u00abRei dos reis e Senhor dos senhores\u00bb (Ap 19,16); e, celebrando precisamente a sua P\u00e1scoa n\u00e3o s\u00f3 uma vez por ano mas todos os domingos, a Igreja continuar\u00e1 a indicar a cada gera\u00e7\u00e3o \u00abo eixo fundamental da hist\u00f3ria, ao qual fazem refer\u00eancia o mist\u00e9rio das origens e o do destino final do mundo\u00bb\u201d[1]. Cristo, naquela noite, sente intensamente que s\u00f3 a sua P\u00e1scoa transformar\u00e1 a hist\u00f3ria, ama a Igreja, povo peregrino de todos os tempos, e louva o Senhor por essa aventura fecunda da Igreja atrav\u00e9s dos tempos. Na sua intensidade est\u00e1 presente a densidade da Igreja como povo peregrino, a densidade da Eucaristia que celebra, como diz Jo\u00e3o Paulo II: \u201cH\u00e1 dois mil anos que o tempo crist\u00e3o \u00e9 marcado pela recorda\u00e7\u00e3o daquele primeiro dia depois do s\u00e1bado, quando Cristo ressuscitado trouxe aos Ap\u00f3stolos o dom da paz e do Esp\u00edrito\u201d[2]. A Eucaristia encerra o sentido da rela\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os com o tempo e com a hist\u00f3ria. Mas o Senhor sabe que a Igreja s\u00f3 aguentar\u00e1 essa densidade se celebrar continuamente com Ele a sua P\u00e1scoa. \u00c9 esta que \u00e9 perene e definitiva, e que n\u00e3o cessa de celebrar-se neste tempo da transforma\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria. Em cada Eucaristia da Igreja, resplandece o rosto eucar\u00edstico de Cristo. Em cada Eucaristia a Palavra eterna de Deus continua a ser criadora. \u00c9 na Eucaristia que a Igreja se torna a \u201ccasa da Palavra\u201d.   4. Mas a Igreja s\u00f3 ser\u00e1 a \u201ccasa da Palavra\u201d se for a \u201ccasa da comunh\u00e3o\u201d, da profunda comunh\u00e3o com Cristo, na mesma Eucaristia. Na sua experi\u00eancia de amor, a pr\u00f3pria Igreja adquire um \u201crosto eucar\u00edstico\u201d. Mais uma vez, Jo\u00e3o Paulo II: \u201cAo congregar semanalmente os crist\u00e3os como fam\u00edlia de Deus \u00e0 volta da mesa da Palavra e do P\u00e3o de vida, a Eucaristia dominical \u00e9 tamb\u00e9m o ant\u00eddoto mais natural contra o isolamento; \u00e9 o lugar privilegiado, onde a comunh\u00e3o \u00e9 constantemente anunciada e fomentada. Precisamente, atrav\u00e9s da participa\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, o dia do Senhor torna-se tamb\u00e9m o dia da Igreja, a qual poder\u00e1 assim desempenhar de modo eficaz a sua miss\u00e3o de sacramento de unidade\u201d[3]. A comunh\u00e3o de amor \u00e9 a for\u00e7a que transforma o mundo, porque \u00e9 experi\u00eancia e an\u00fancio da comunh\u00e3o definitiva em Deus, futuro grandioso da humanidade. Na Igreja, comunh\u00e3o de amor, resplandece o rosto eucar\u00edstico de Cristo, a Palavra de amor com que Deus continua a iluminar a humanidade. S\u00e9 Patriarcal, 9 de Abril de 2009  <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/i>  NOTAS:  [1] Jo\u00e3o Paulo II, Novo Millennio Ineunte, n\u00ba 35 [2] Ibidem [3] Ibidem, n\u00ba 36  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abO rosto eucar\u00edstico de Cristo\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[206,237,275,311],"class_list":["post-38157","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-familia","tag-joao-paulo-ii","tag-pascoa","tag-sinodo-dos-bispos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38157","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38157"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38157\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38157"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38157"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38157"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}