{"id":38152,"date":"2009-04-09T23:20:11","date_gmt":"2009-04-09T23:20:11","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/04\/09\/homilia-de-d-antonio-carrilho-na-missa-da-ceia-do-senhor\/"},"modified":"2009-04-09T23:20:11","modified_gmt":"2009-04-09T23:20:11","slug":"homilia-de-d-antonio-carrilho-na-missa-da-ceia-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-antonio-carrilho-na-missa-da-ceia-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Ant\u00f3nio Carrilho na Missa da Ceia do Senhor"},"content":{"rendered":"<p>Na noite da despedida, a Ceia do Amor    <!--more--> Com a solene celebra\u00e7\u00e3o do memorial da Ceia de Jesus, ao entardecer de Quinta-feira Santa, toda a Igreja \u00e9 introduzida no Tr\u00edduo Pascal e no seu singular dinamismo de Paix\u00e3o, Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o. Neste dia de Gra\u00e7a, celebramos o dom da Eucaristia, do Sacerd\u00f3cio e do mandamento novo do Amor. Desde sempre, ao longo dos s\u00e9culos, a Igreja, fiel ao Seu Senhor e Mestre, parte e reparte o P\u00e3o da Vida e o Vinho da Salva\u00e7\u00e3o, o Corpo e o Sangue de Cristo. A Eucaristia \u00e9 o sacrif\u00edcio da nova e eterna Alian\u00e7a no Sangue de Cristo, para a salva\u00e7\u00e3o do mundo, que se actualiza e renova, no hoje da hist\u00f3ria, em cada tempo e lugar. Milagre vivo do Amor  Os textos da Liturgia da Palavra, de grande densidade e riqueza teol\u00f3gica, relatam-nos os extraordin\u00e1rios eventos b\u00edblicos da poderosa interven\u00e7\u00e3o de Deus junto do seu Povo. A celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa era a festa por excel\u00eancia do povo judeu, que assim recordava a sua liberta\u00e7\u00e3o definitiva das m\u00e3os dos eg\u00edpcios. A Ceia do Amor, na noite da despedida, a \u201cHora\u201d ardentemente desejada por Jesus, est\u00e1 integrada na Ceia Pascal hebraica.  A primeira Carta de S. Paulo aos Cor\u00edntios, escrita por volta do ano 56, \u00e9 o relato mais antigo da celebra\u00e7\u00e3o da Ceia Eucar\u00edstica, nas primitivas comunidades crist\u00e3s. O Ap\u00f3stolo recorda as exig\u00eancias entre vida fraterna e comunh\u00e3o eclesial, que nascem da partilha da Ceia do Senhor. Quem come o Corpo do Senhor e bebe o Seu Sangue deve viver e testemunhar este Amor. Caros diocesanos, entremos no Cen\u00e1culo com Jesus e os Ap\u00f3stolos, para, \u00e0 luz do inef\u00e1vel Amor de Cristo, partilharmos dos Seus sentimentos e do memorial das Suas maravilhas. Jesus, de forma \u00edntima e decidida, chama \u00e0quele momento a Sua \u201cHora\u201d, que culmina com a glorifica\u00e7\u00e3o na Cruz. \u201cDesejei ardentemente comer esta P\u00e1scoa convosco, antes de padecer\u201d (Lc 22,14). O momento \u00e9 denso de significado, nos gestos inesperados do Mestre, que se oferece totalmente aos Seus disc\u00edpulos e a n\u00f3s, nas pessoas deles.  Na noite em que ia ser entregue, Jesus fez uma ora\u00e7\u00e3o de louvor e de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as (em grego, \u201ceucaristia\u201d), partiu o p\u00e3o e deu-o aos seus disc\u00edpulos, dizendo: \u201cIsto \u00e9 o meu Corpo\u201d. De igual modo, no fim da Ceia, tomou o c\u00e1lice com vinho, pronunciou a b\u00ean\u00e7\u00e3o e disse: \u201cEste \u00e9 o meu sangue, o Sangue da Nova e eterna Alian\u00e7a, que ser\u00e1 derramado por v\u00f3s\u201d. Com palavras de grande simplicidade, Jesus instituiu a Eucaristia, mist\u00e9rio admir\u00e1vel da f\u00e9 da Igreja. A partir deste momento, o povo da Nova Alian\u00e7a ser\u00e1 alimentado, na sua caminhada para Deus, com o P\u00e3o da Vida.  Jesus, que amanh\u00e3 vai ser sacrificado na Cruz, antecipa, na Ceia, de forma misteriosa e sacramental, o Seu sacrif\u00edcio pela reden\u00e7\u00e3o do mundo. No mist\u00e9rio eucar\u00edstico, Jesus entrega-Se totalmente a n\u00f3s, como se n\u00e3o tivesse em conta as nossas fraquezas e fragilidades! \u00c9 o milagre vivo do Amor do Filho de Deus, obediente at\u00e9 \u00e0 morte, que, pelas m\u00e3os do sacerdote, se oferece no Corpo entregue e no Sangue derramado, quando sobre os nossos altares \u00e9 celebrada a Eucaristia.  O mandamento novo do Amor O Evangelista Jo\u00e3o, num relato vivo, de impressionante despedida e confidencial bondade, escreve, ao fazer mem\u00f3ria daquela Ceia inesquec\u00edvel: \u201cAntes da festa da P\u00e1scoa, sabendo Jesus que chegara a Sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele que amara os Seus que estavam no mundo, amou-os at\u00e9 ao fim\u201d(Jo 13,1).  Na ambi\u00eancia afectuosa e grave da \u00faltima Ceia, Jesus abre inteiramente o Cora\u00e7\u00e3o aos Seus, e comunica a novidade e singularidade do Seu Amor: \u201cDou-vos um mandamento novo. Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei\u201d(Jo 13,34). Chama-lhe Mandamento \u201cnovo\u201d, porque Ele pr\u00f3prio \u00e9 a norma \u00faltima e absoluta desse Amor infinito. E, sendo Ele o primeiro a amar, tamb\u00e9m os disc\u00edpulos dever\u00e3o amar os seus irm\u00e3os at\u00e9 ao fim, at\u00e9 mesmo os pr\u00f3prios inimigos. S\u00f3 quem se sente plenamente amado, pode, na verdade, amar os outros.  Amar, com o Amor de Jesus, transcende qualquer simples manifesta\u00e7\u00e3o de amizade humana. Pela for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, o disc\u00edpulo entra no dinamismo mesmo do Amor, assumindo at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias o Mandamento \u201cnovo\u201d, isto \u00e9: dar continuidade \u00e0 obra de Jesus, ser sinal da Sua presen\u00e7a e at\u00e9 oferecer a pr\u00f3pria vida pelos irm\u00e3os, como suprema prova de amor. Lavar os p\u00e9s, o servi\u00e7o do Amor  Dentro de instantes, procederemos \u00e0 cerim\u00f3nia do \u201clava-p\u00e9s\u201d. Esta cerim\u00f3nia, de comovente humildade e indescrit\u00edvel amor, \u00e9 um gesto que simboliza a entrega da pr\u00f3pria vida e o servi\u00e7o dispensado por Jesus, o Servo de Deus por excel\u00eancia, \u00e0 Humanidade e \u00e0 Igreja. Sem f\u00e9 e sem Amor, \u00e9 imposs\u00edvel captar a profundidade do gesto de Jesus, na Ceia da despedida: Deus, na pessoa do Verbo Incarnado, ajoelha diante do homem, para lhe \u201clavar os p\u00e9s\u201d, Ele, o Mestre e o Senhor do mundo. \u201cSe Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os p\u00e9s, tamb\u00e9m v\u00f3s deveis lavar os p\u00e9s uns dos outros\u201d(Jo 13,14). Um gesto vale mais que mil palavras. O Amor de Jesus \u00e9 humilde e a Sua humildade \u00e9 a superabund\u00e2ncia do Amor.  Configurados com Cristo Sacerdote O sacerd\u00f3cio ministerial foi institu\u00eddo por Jesus, na noite da Ceia Pascal, quando, depois da refei\u00e7\u00e3o, convidou os Ap\u00f3stolos a repetirem o que Ele fez: \u201cEste c\u00e1lice \u00e9 a nova alian\u00e7a no Meu Sangue. Todas as vezes que o beberdes fazei-o em mem\u00f3ria de Mim\u201d (1Cor 11,25). Pelo poder do Esp\u00edrito Santo, os ministros ordenados, aqueles que receberam o Sacramento da Ordem, t\u00eam o poder de consagrar o p\u00e3o e o vinho, transformando-os no Corpo e Sangue de Cristo e de os distribuir \u00e0 comunidade eclesial. Diz o Conc\u00edlio Vaticano II: \u201cOs presb\u00edteros, em virtude da sagrada ordena\u00e7\u00e3o e da miss\u00e3o que recebem das m\u00e3os dos Bispos, s\u00e3o colocados ao servi\u00e7o de Cristo Mestre, Sacerdote e Rei, de cujo minist\u00e9rio participam e mediante o qual a Igreja continuamente \u00e9 edificada em Povo de Deus, Corpo de Cristo e templo do Esp\u00edrito Santo\u201d (Presbyterorum Ordinis, 1). \u201cO sacerd\u00f3cio \u00e9 um servi\u00e7o de Amor\u201d, recorda-nos Santo Agostinho. Hoje de manh\u00e3, celebrei a Missa Crismal, com os sacerdotes, seminaristas e demais povo de Deus, evocando a unidade do Presbit\u00e9rio e de toda a Diocese, em torno do seu Bispo. Com sincero afecto, lembro \u00e0 querida comunidade diocesana do Funchal, algumas das palavras que, ent\u00e3o, proferi: amai os vossos sacerdotes, que presidem na f\u00e9 e na caridade \u00e0s nossas comunidades e servi\u00e7os pastorais; rezai por eles e pelas voca\u00e7\u00f5es sacerdotais; com esp\u00edrito de servi\u00e7o e amor \u00e0 Igreja, sede seus colaboradores sinceros e din\u00e2micos; e, se alguma vez, por motivos de fraqueza, idade ou doen\u00e7a n\u00e3o corresponderem \u00e0quilo que a Igreja deles espera, amparai-os com a vossa amizade, compreens\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o.     O nosso reconhecimento Lembramos, agora, nesta celebra\u00e7\u00e3o, al\u00e9m dos nossos sacerdotes, todo o Povo de Deus, que \u00e9 chamado a participar activamente nas celebra\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas. Tamb\u00e9m quero recordar, com sincera estima e reconhecimento, os fi\u00e9is que atrav\u00e9s dos diversos servi\u00e7os e minist\u00e9rios, como os ministros da comunh\u00e3o, os ac\u00f3litos, os grupos corais, as equipas de acolhimento e, ainda, os que, \u201cem gesto de lava-p\u00e9s\u201d, desempenham humildes servi\u00e7os escondidos, mas n\u00e3o menos importantes: as pessoas que confeccionam as h\u00f3stias, as que limpam e ornamentam as nossas Igrejas e outras, tornando assim mais dignas e belas as nossas celebra\u00e7\u00f5es. Para todos vai o nosso apre\u00e7o e a nossa gratid\u00e3o! Ano sacerdotal  Por ocasi\u00e3o dos 150 anos da morte do Santo Cura d\u2019Ars, o humilde sacerdote franc\u00eas, exemplo de aut\u00eantico Pastor, Bento XVI anunciou a convoca\u00e7\u00e3o de um \u201cano sacerdotal\u201d especial, de 19 de Junho de 2009 a 19 de Junho de 2010, que ter\u00e1 como tema: &#8220;Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote&#8221;. O objectivo deste ano, diz o Papa, \u00e9 \u201cajudar a perceber cada vez mais a import\u00e2ncia do papel e da miss\u00e3o do sacerdote na Igreja e na sociedade contempor\u00e2nea\u201d. O dom do sacerd\u00f3cio \u00e9 o grande e admir\u00e1vel dom de Cristo Sacerdote \u00e0 Sua Igreja. O maior tesouro Car\u00edssimos diocesanos: a Eucaristia \u00e9 a Fonte, o centro da vida crist\u00e3, o sacramento por excel\u00eancia do mist\u00e9rio Pascal e a antecipa\u00e7\u00e3o do Banquete escatol\u00f3gico. Levemos para a nossa vida a for\u00e7a e a luz do P\u00e3o da Palavra e da Eucaristia, traduzidos em gestos concretos de paz, perd\u00e3o, solidariedade e amor. A Eucaristia \u00e9, verdadeiramente, o maior tesouro espiritual da Igreja!  S\u00e9 do Funchal, 9 de Abril de 2009  <i>\u2020 Ant\u00f3nio Carrilho, Bispo do Funchal <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na noite da despedida, a Ceia do Amor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[98,114,120,144,186,246,275,314],"class_list":["post-38152","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-acolitos","tag-ano-sacerdotal","tag-bento-xvi","tag-concilio-vaticano-ii","tag-diocese-do-funchal","tag-liturgia","tag-pascoa","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38152","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38152"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38152\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38152"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38152"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38152"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}