{"id":38146,"date":"2009-04-09T15:32:41","date_gmt":"2009-04-09T15:32:41","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/04\/09\/homilia-do-arcebispo-de-evora-nda-missa-crismal\/"},"modified":"2009-04-09T15:32:41","modified_gmt":"2009-04-09T15:32:41","slug":"homilia-do-arcebispo-de-evora-nda-missa-crismal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-arcebispo-de-evora-nda-missa-crismal\/","title":{"rendered":"Homilia do Arcebispo de \u00c9vora nda Missa Crismal"},"content":{"rendered":"<p>A celebra\u00e7\u00e3o da Missa Crismal, na qual se consagra o Santo Crisma e s\u00e3o benzidos os \u00f3leos dos Catec\u00famenos e dos Enfermos, \u00e9 uma das celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas onde melhor se exprime, de forma vis\u00edvel, a comunh\u00e3o sacramental que deve existir entre todos os membros do presbit\u00e9rio, eleitos por Deus para constitu\u00edrem uma unidade coesa entre si e com o bispo, que \u00e9 \u201cfundamento da unidade da Diocese\u201d (LG 23). Todos os sacerdotes s\u00e3o convidados a participar nesta celebra\u00e7\u00e3o. A sua presen\u00e7a f\u00edsica sublinha a ideia de unidade colegial e de comunh\u00e3o sinodal. A renova\u00e7\u00e3o das promessas sacerdotais ilustra o sentido profundo da voca\u00e7\u00e3o e do minist\u00e9rio presbiteral. O dom que cada um recebeu pela imposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os do bispo tem que ser reavivado permanentemente pela ades\u00e3o da vontade, pela ora\u00e7\u00e3o confiante e pelo exerc\u00edcio do minist\u00e9rio, em comunh\u00e3o com os outros membros do presbit\u00e9rio. Com efeito, nenhum de n\u00f3s actua isoladamente, pois somos membros do \u00fanico Corpo de Cristo que \u00e9 a Igreja. E todos estamos ao servi\u00e7o desse Corpo como \u201cservos da comunh\u00e3o eclesial\u201d. Mas, para servirmos a comunh\u00e3o eclesial, temos que ser antes construtores da comunh\u00e3o presbiteral: comunh\u00e3o dos presb\u00edteros entre si e dos presb\u00edteros com o bispo. Pois n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel estar ao servi\u00e7o da comunh\u00e3o na comunidade crist\u00e3 sem exercitar continuamente a arte da comunh\u00e3o no presbit\u00e9rio. E como podemos n\u00f3s exercitar essa arte de comunh\u00e3o? Antes de mais, inspirando-nos no mist\u00e9rio da comunh\u00e3o trinit\u00e1ria. \u00c9 na Trindade que se fundamenta o mist\u00e9rio da comunh\u00e3o eclesial que nos h\u00e1-de levar a dar visibilidade, pelo pr\u00f3prio modo de viver, a express\u00f5es concretas de comunh\u00e3o com os outros membros do presbit\u00e9rio, acolhendo-os e amando-os n\u00e3o apenas por motiva\u00e7\u00f5es humanas de ordem psicol\u00f3gica ou sentimental, mas com base na luz da f\u00e9 e com desejo sincero de cumprir a vontade de Deus (Mc 3,35), que tem muito mais valor e exerce mais for\u00e7a do que os la\u00e7os familiares. Cada um de n\u00f3s pode exercitar a arte da comunh\u00e3o eclesial e presbiteral considerando os \u201coutros como um dom para n\u00f3s\u201d, esfor\u00e7ando-nos por descobrir o seu lado positivo, concedendo-lhes o espa\u00e7o necess\u00e1rio \u00e0 sua realiza\u00e7\u00e3o pessoal e fazendo o que est\u00e1 ao nosso alcance para os conhecer melhor e para os ajudar a serem felizes, escutando-os, consultando-os e caminhando com eles. O exerc\u00edcio da comunh\u00e3o eclesial e presbiteral exige atitudes de vigil\u00e2ncia. Pois ningu\u00e9m, nem mesmo aqueles que foram eleitos por Deus para serem \u201cservos da comunh\u00e3o eclesial\u201d est\u00e3o isentos de tenta\u00e7\u00f5es. E s\u00e3o muitas as tenta\u00e7\u00f5es que podem insinuar-se na vida dos presb\u00edteros. A tenta\u00e7\u00e3o do individualismo, da ostenta\u00e7\u00e3o e do isolamento auto-suficiente que podem levar \u00e0 incapacita\u00e7\u00e3o para a comunh\u00e3o presbiteral. A tenta\u00e7\u00e3o do autoritarismo para a qual S. Pedro nos adverte na sua primeira carta (5,3), com palavras s\u00e1bias e inspiradas: n\u00e3o exer\u00e7ais o poder \u201ccomo donos daqueles que vos foram confiados, mas como modelos do rebanho\u201d. A tenta\u00e7\u00e3o da demiss\u00e3o que leva \u00e0 neglig\u00eancia, por pregui\u00e7a ou por medo de desagradar. N\u00e3o \u00e9 aos homens que temos de agradar mas sim a Deus. Por essa dificuldade tamb\u00e9m S. Paulo passou, mas ele soube venc\u00ea-la. Ou\u00e7amos o que escreveu aos crist\u00e3os da Gal\u00e1cia (1,10): \u201cporventura procuro aprova\u00e7\u00e3o dos homens? Se eu procurasse agradar aos homens n\u00e3o seria servo de Cristo\u201d. Como ele, tamb\u00e9m n\u00f3s, se queremos ser servos de Cristo, n\u00e3o podemos reger-nos por crit\u00e9rios humanos. O nosso ideal n\u00e3o pode ser agradar aos homens mas estar ao servi\u00e7o dos homens nossos irm\u00e3os e, de modo especial, estar ao servi\u00e7o daqueles que s\u00e3o membros do mesmo presbit\u00e9rio. A natureza sinodal da Igreja, que servimos ministerialmente, desafia-nos a que caminhemos juntos na hist\u00f3ria para o reino, se queremos viver a comunh\u00e3o em autenticidade. A sinodalidade da Igreja vive-se caminhando juntos, em atitude de entreajuda franca e sincera: os fi\u00e9is com os presb\u00edteros, os presb\u00edteros com os presb\u00edteros, os presb\u00edteros com o bispo, o bispo diocesano com o bispo de Roma.  Dar as m\u00e3os, abrir os cora\u00e7\u00f5es, partilhar as responsabilidades e viver a lei evang\u00e9lica do amor, tal como Jesus Cristo no-la deixou, ser\u00e1 sem d\u00favida o grande sinal de credibilidade que n\u00f3s os presb\u00edteros podemos dar aos crist\u00e3os e a todos os homens e mulheres do nosso tempo. Como seria consolador se os fi\u00e9is das nossas comunidades reconhecessem na vida fraterna dos presb\u00edteros um modelo de vida evang\u00e9lica e fossem levados a dizer o que se dizia dos primeiros crist\u00e3os: Vede como eles se amam! Caros presb\u00edteros, como verdadeiro col\u00e9gio presbiteral, esfor\u00e7ai-vos por realizar toda a vossa actividade pastoral em verdadeira atitude sinodal. E v\u00f3s, estimados fi\u00e9is, iluminados pela f\u00e9, colaborai generosamente com os presb\u00edteros, para que o Reino de Deus aconte\u00e7a nas vossas par\u00f3quias. <i>+Jos\u00e9, Arcebispo de \u00c9vora<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A celebra\u00e7\u00e3o da Missa Crismal, na qual se consagra o Santo Crisma e s\u00e3o benzidos os \u00f3leos dos Catec\u00famenos e dos Enfermos, \u00e9 uma das celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas onde melhor se exprime, de forma vis\u00edvel, a comunh\u00e3o sacramental que deve existir entre todos os membros do presbit\u00e9rio, eleitos por Deus para constitu\u00edrem uma unidade coesa entre [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[175],"class_list":["post-38146","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-evora"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38146","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38146"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38146\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38146"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38146"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38146"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}