{"id":38135,"date":"2009-04-09T12:02:10","date_gmt":"2009-04-09T12:02:10","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/04\/09\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-missa-crismal-2\/"},"modified":"2009-04-09T12:02:10","modified_gmt":"2009-04-09T12:02:10","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-missa-crismal-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-missa-crismal-2\/","title":{"rendered":"Homilia do Cardeal-Patriarca de Lisboa na Missa Crismal"},"content":{"rendered":"<p>\u00abO rosto eclesial de Jesus Cristo\u00bb <!--more--> 1. Na Mensagem que os Padres Sinodais dirigiram a toda a Igreja na conclus\u00e3o dos trabalhos do S\u00ednodo sobre \u201cA Palavra de Deus na vida e na miss\u00e3o da Igreja\u201d, \u00e9-nos lembrado que Jesus Cristo, o Verbo eterno de Deus feito homem \u00e9, o rosto da Palavra. Na \u00faltima das catequeses quaresmais desenvolvi este tema. Toda a palavra sugere um rosto, porque \u00e9 sempre palavra de algu\u00e9m. Na Sagrada Escritura e na Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, trata-se da Palavra amorosa de Deus dirigida aos Seu Povo. Jesus Cristo \u00e9 o rosto humano de uma Palavra divina. Nela contemplamos nesse rosto humano, antes de mais, o rosto do Filho de Deus. O rosto de Cristo abre-nos para o insond\u00e1vel mist\u00e9rio da Sant\u00edssima Trindade. Mas como afirmei na conclus\u00e3o dessa Catequese, as celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas da P\u00e1scoa permitir-nos-\u00e3o contemplar outros olhares, outros aspectos desse rosto ador\u00e1vel de Jesus Cristo: o Seu rosto eclesial, o Seu rosto eucar\u00edstico, o Seu rosto doloroso, o Seu rosto glorioso. Se celebrarmos bem a P\u00e1scoa perceberemos que \u00e9 sempre o mesmo rosto, onde podemos ver reflectidos todos os passos da Sua miss\u00e3o e todos os aspectos da nossa caminhada exigente de identifica\u00e7\u00e3o com Ele. Em todos esses olhares \u00e9-nos sempre transmitida a Palavra amorosa de Deus a iluminar cada momento da nossa caminhada de f\u00e9, em Igreja. \t \t2. Nesta celebra\u00e7\u00e3o sobressai o \u201crosto eclesial\u201d do Senhor. Esta \u00e9 a grande dignidade da Igreja: quem a v\u00ea, v\u00ea o rosto de Jesus Cristo. J\u00e1 o Profeta Isa\u00edas o profetizava acerca do Povo da Alian\u00e7a, renovado pelo Esp\u00edrito: \u201cQuantos os virem ter\u00e3o de os reconhecer como ra\u00e7a que o Senhor aben\u00e7oou\u201d. Na reflex\u00e3o da Igreja primitiva sobre a presen\u00e7a de Cristo no mundo, em tempos de miss\u00e3o, sobressai, sobretudo nos textos do Ap\u00f3stolo Paulo, a identifica\u00e7\u00e3o entre Cristo e a Igreja. Esta identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 afirmada, antes de mais, ao n\u00edvel do ser: a Igreja \u00e9 o Corpo de Cristo. \u00c9 esta identifica\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel do ser que permite uma outra, no plano da igualdade numa rela\u00e7\u00e3o de amor. Esta sup\u00f5e sempre, por natureza, a igualdade das pessoas que se amam. Quando essa igualdade n\u00e3o \u00e9 reconhecida, a rela\u00e7\u00e3o de amor torna-se imposs\u00edvel. Cristo ama a Igreja como uma esposa, o que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel devido \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o profunda do ser da Igreja com o ser de Jesus Cristo. Esta dupla abordagem da identifica\u00e7\u00e3o de Cristo com a Igreja faz com que no rosto humano da Igreja resplande\u00e7a o mist\u00e9rio de Cristo e a sua Palavra amorosa. Devido a essa identifica\u00e7\u00e3o, a Palavra da Igreja \u00e9 a Palavra de Cristo, deve ser uma Palavra de amor, o que faz da Igreja, no dizer da referida Mensagem Sinodal, a casa da Palavra, o lugar humano onde Cristo, Palavra de Deus, \u00e9 proclamada a todo o mundo como Palavra de amor. Este \u00e9 o contexto da exig\u00eancia da fidelidade da Igreja: seguir de tal modo o seu Senhor de modo a que os homens, ao contemplarem a realidade humana da Igreja, possam contemplar nela o rosto de Cristo.   \t3. Esta celebra\u00e7\u00e3o p\u00f5e em realce v\u00e1rios aspectos desta dignidade da Igreja, de se tornar, no seu ser e na miss\u00e3o de amor, o rosto vivo de Jesus Cristo, o rosto da Palavra. Antes de mais, a afirma\u00e7\u00e3o expl\u00edcita da dignidade sacerdotal da Igreja: \u201cAquele que nos ama, que, pelo Seu sangue, nos libertou do pecado e fez de n\u00f3s um Reino de sacerdotes para o Seu Deus e Seu Pai\u201d (cf. 1,6). \u00c9 a mais profunda e englobante identifica\u00e7\u00e3o entre Cristo e a Igreja: ela, como Povo do Senhor, participa do sacerd\u00f3cio de Jesus Cristo. E o sacerd\u00f3cio de Cristo, dimens\u00e3o da Sua humanidade, abrange toda a sua miss\u00e3o: louvor de Deus, reden\u00e7\u00e3o do homem pela oferta sacrificial, reuni\u00e3o do Povo do Senhor que o pecado tinha dispersado. Na antiga Alian\u00e7a, havia sacerdotes; na nova Alian\u00e7a h\u00e1 um povo sacerdotal, que participa plenamente no sacerd\u00f3cio do \u00fanico sacerdote, Jesus Cristo. Este Povo sacerdotal exerce o seu sacerd\u00f3cio sempre em profunda uni\u00e3o com Cristo sacerdote: com Ele orienta tudo o que h\u00e1 de bom no mundo para o louvor de Deus Seu Pai; com Ele continua a oferecer o sacrif\u00edcio redentor; com Ele valoriza os momentos de gra\u00e7a em que se actualiza a reden\u00e7\u00e3o dos homens. \tTemos de purificar tanta coisa na Igreja real que somos, para que no rosto da Igreja os homens possam contemplar o rosto de Cristo sacerdote. A valoriza\u00e7\u00e3o, ao longo dos s\u00e9culos, do sacerd\u00f3cio ministerial, transmitiu a ideia de que, como no Antigo Testamento, na Igreja h\u00e1 sacerdotes, e n\u00e3o um \u00fanico sacerdote, que se identifica com o Povo sacerdotal. O sacerd\u00f3cio ministerial \u00e9 apenas uma dimens\u00e3o estruturante do Povo sacerdotal, uma forma de Cristo sacerdote se identificar com a Igreja, no ser e na ac\u00e7\u00e3o. A velha quest\u00e3o do lugar dos leigos na Igreja \u00e9 muito mais que uma quest\u00e3o organizativa ou de efic\u00e1cia da miss\u00e3o. O verdadeiro sujeito do ser e da miss\u00e3o da Igreja \u00e9 o Povo sacerdotal: todo o Povo louva o Senhor, todo ele celebra os sacramentos, ele \u00e9 o sujeito do an\u00fancio da Palavra. \u00c9 um erro pensar que a valoriza\u00e7\u00e3o da Igreja como Povo sacerdotal possa relativizar a import\u00e2ncia dos sacerdotes ordenados. Antes pelo contr\u00e1rio: a especificidade do seu minist\u00e9rio sacerdotal ganha todo o relevo no tornar poss\u00edvel que o sacerd\u00f3cio da Igreja se identifique com o sacerd\u00f3cio de Cristo. \tQueridos Padres! O vosso sacerd\u00f3cio ministerial encontra a sua verdade no servi\u00e7o do Povo sacerdotal. Se a Igreja n\u00e3o se assumir como rosto de Cristo sacerdote, o sacerd\u00f3cio ministerial perde o seu sentido, transforma-se em poder, torna-se incompreens\u00edvel aos olhos do mundo.  \t4. Nesta celebra\u00e7\u00e3o ressalta igualmente a identifica\u00e7\u00e3o da Igreja com Cristo, na abund\u00e2ncia do poder sacramental. Ela \u00e9, verdadeiramente, o rosto da fecundidade salv\u00edfica de Jesus Cristo. A Igreja perdoa os pecados, regenera os cora\u00e7\u00f5es, comunica o Esp\u00edrito Santo, cura os doentes, realiza a santidade. Em toda esta fecundidade, a Palavra \u00e9 protagonista como o foi na cria\u00e7\u00e3o. Deus disse e fez-se. A Igreja pronuncia a Palavra e realiza o que anuncia. E isso acontece porque a palavra que ela pronuncia \u00e9 a Palavra eterna, \u00e9 Jesus Cristo Palavra humanizada. Na fecundidade da Igreja, Cristo \u00e9, verdadeiramente, o rosto da Palavra. Em nenhum outro momento resplandece o rosto de Cristo, como na fecundidade sacramental. \u00c9 esta que faz a Igreja, a transforma cada vez mais no Povo do Senhor, que, presente no mundo, anuncia o rosto do Senhor. Quando a Igreja, na sua realidade humana, n\u00e3o anuncia o rosto de Cristo, \u00e9 porque h\u00e1 nela as marcas da infidelidade \u00e0 Palavra. \u00c9 Cristo que garante \u00e0 Palavra da Igreja o rosto que a humaniza e a torna aud\u00edvel como Palavra de Deus. \tEm toda a nossa ac\u00e7\u00e3o, n\u00f3s, os sacerdotes, somos servidores da Palavra: quando pregamos, quando a anunciamos, referindo-a \u00e0 vida concreta dos crist\u00e3os, fonte de sentido para a convers\u00e3o e para o aprofundamento da f\u00e9; sobretudo quando a pronunciamos em nome da Igreja, para ela realizar eficazmente a obra da salva\u00e7\u00e3o. N\u00f3s temos esse poder: a Palavra pronunciada por n\u00f3s torna-se criadora.  \t5. Esta celebra\u00e7\u00e3o s\u00f3 acontece na Catedral. A Igreja re\u00fane-se no seu rosto mais vivo. \u00c9 o Povo sacerdotal na variedade dos seus dons, que todos convergem para a realiza\u00e7\u00e3o dessa maravilha que s\u00f3 ser\u00e1 definitiva na p\u00e1tria definitiva: a identifica\u00e7\u00e3o perfeita e total entre Cristo e o Povo que Ele conquistou com o Seu sangue. S\u00f3 quando a Igreja for totalmente o rosto de Cristo ela ser\u00e1 comunh\u00e3o perfeita na comunh\u00e3o das Pessoas divinas, e a Palavra eterna ser\u00e1 o que \u00e9 desde o princ\u00edpio: o Verbo estava em Deus, o Verbo era Deus, uma Palavra que pronunciada pelo Pai, ecoa na imensid\u00e3o da humanidade resgatada, comunidade de filhos, de \u201cfilhos no Filho\u201d. S\u00e9 Patriarcal, 9 de Abril de 2009  <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abO rosto eclesial de Jesus Cristo\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[295,127,275,91,294],"class_list":["post-38135","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-biblia","tag-catequese","tag-pascoa","tag-quaresma","tag-sacramentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38135","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38135"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38135\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38135"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38135"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38135"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}