{"id":38110,"date":"2009-04-08T09:59:44","date_gmt":"2009-04-08T09:59:44","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/04\/08\/ser-padre-portugues-em-roma\/"},"modified":"2009-04-08T09:59:44","modified_gmt":"2009-04-08T09:59:44","slug":"ser-padre-portugues-em-roma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ser-padre-portugues-em-roma\/","title":{"rendered":"Ser padre portugu\u00eas em Roma"},"content":{"rendered":"<p>P. Jos\u00e9 Cordeiro \u00e9 reitor do Col\u00e9gio Pontif\u00edcio Portugu\u00eas, casa que acolhe os presb\u00edteros portugueses que estudam na \u00abcidade eterna\u00bb  <!--more--> H\u00e1 muito que Roma acolhe os padres portugueses para aprofundamento intelectual, espiritual e humano de cada sacerdote e para um maior enriquecimento de cada diocese. Em 1900, o Papa Le\u00e3o XIII fundou o Pontif\u00edcio Col\u00e9gio Portugu\u00eas para o acolhimento dos presb\u00edteros lusitanos sublinhando a import\u00e2ncia da institui\u00e7\u00e3o na Bula de funda\u00e7\u00e3o \u201cRei Catholicae apud Lusitanos\u201d: \u201cPara maior gl\u00f3ria de Deus, aumento da religi\u00e3o (\u2026) fundamos e institu\u00edmos em Roma, sob a Nossa autoridade e tutela e dos Nossos sucessores, o Col\u00e9gio Eclesi\u00e1stico Portugu\u00eas e queremos que ele goze dos mesmos privil\u00e9gios de que gozam os outros Col\u00e9gios Pontif\u00edcios Eclesi\u00e1sticos de Roma\u201d. Durante estes cento e nove anos, passaram pelo col\u00e9gio imensos sacerdotes, muitos deles das dioceses de Bragan\u00e7a-Miranda e Vila Real que se especializaram em diversas \u00e1reas da Teologia. E \u00e9, precisamente um transmontano, que preside \u00e0 direc\u00e7\u00e3o do Col\u00e9gio Pontif\u00edcio Portugu\u00eas. O P. Jos\u00e9 Manuel Garcia Cordeiro, sacerdote da diocese de Bragan\u00e7a-Miranda, assumiu desde h\u00e1 quatro anos as fun\u00e7\u00f5es de reitor apoiado pelo P. Jos\u00e9 Caldas Esteves, presb\u00edtero da diocese de Viana do Castelo.  Em Roma, presb\u00edtero de Bragan\u00e7a O P. Jos\u00e9 Cordeiro est\u00e1 h\u00e1 dez anos em Roma e foi enviado pelo D. Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Rafael, bispo de Bragan\u00e7a-Miranda da altura para estudar Liturgia. O sacerdote refere que j\u00e1 \u00e9 uma longa hist\u00f3ria e tamb\u00e9m uma longa aventura.\u201cD. Ant\u00f3nio Rafael pediu-me para vir por um ano, depois passou para dois, depois de dois para tr\u00eas\u2026 Na passagem do D. Ant\u00f3nio Rafael para o D. Ant\u00f3nio Montes veio o pedido para ficar de vice-reitor que assumi durante quatro anos e depois disso assumi a fun\u00e7\u00e3o de reitor que desempenho h\u00e1 quatro anos \u201d, afirmou.  Apesar de j\u00e1 estar em Roma h\u00e1 dez anos, o P. Jos\u00e9 Cordeiro n\u00e3o se sente romano. \u201cMesmo assim n\u00e3o me considero romano, estou sim a prestar um servi\u00e7o \u00e0 diocese que perten\u00e7o, a Bragan\u00e7a-Miranda\u201d. O reitor do Col\u00e9gio Portugu\u00eas considera-se ainda um padre do presbit\u00e9rio de Bragan\u00e7a. \u201cPor isso vou l\u00e1 no Natal, na P\u00e1scoa, no Ver\u00e3o e sempre que posso. Sou de Bragan\u00e7a n\u00e3o s\u00f3 a n\u00edvel afectivo mas tamb\u00e9m efectivo. Sinto-me membro do presbit\u00e9rio com todos os direitos e deveres\u201d, sublinhou. O P. Jos\u00e9 Cordeiro mant\u00e9m a liga\u00e7\u00e3o \u00e0 sua terra por diversos meios mas confessa que \u00e9 muito mais f\u00e1cil quando est\u00e3o em Roma outros padres brigantinos como por exemplo \u201cquando esteve o P. Calado e agora o P. Jos\u00e9 Carlos\u201d. \u201cQuando estive s\u00f3, sabia a maior parte das not\u00edcias atrav\u00e9s do Mensageiro\u201d, confessou. A vida em \u00abcom-unidade\u00bb         Os membros do col\u00e9gio s\u00e3o presb\u00edteros das v\u00e1rias dioceses bem como de diversos pa\u00edses. No entanto, os sacerdotes v\u00e3o para Roma por indica\u00e7\u00e3o dos bispos das respectivas dioceses. \u201cN\u00e3o h\u00e1 nenhum padre que venha para o col\u00e9gio que n\u00e3o seja apresentado e proposto pelo seu bispo, ali\u00e1s faz parte dos estatutos. Por vezes s\u00e3o tamb\u00e9m enviados pelas institui\u00e7\u00f5es de investiga\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica tal como semin\u00e1rios e faculdades. Por norma \u00e9 o bispo que selecciona, certamente deposita uma enorme esperan\u00e7a naquele padre que vai enriquecer o todo do seu presbit\u00e9rio\u201d, disse o P. Jos\u00e9 Cordeiro. Apesar da import\u00e2ncia na forma\u00e7\u00e3o especializada dos sacerdotes, n\u00e3o est\u00e3o todas as dioceses portuguesas representadas no col\u00e9gio. Dos 37 sacerdotes a viverem no col\u00e9gio, h\u00e1 apenas 14 portugueses, sendo que h\u00e1 vinte de l\u00edngua portuguesa. \u201cInfelizmente n\u00e3o est\u00e3o todas as dioceses portugueses aqui representadas. J\u00e1 a Bula da cria\u00e7\u00e3o deste col\u00e9gio dizia que pelo menos estivessem dois padres de cada diocese. Hoje pod\u00edamos dizer que viesse um por diocese, j\u00e1 n\u00e3o era mau. Os sacerdotes portugueses que actualmente est\u00e3o aqui n\u00e3o representam metade das dioceses portuguesas\u201d, afirmou o reitor. Relativamente \u00e0 presen\u00e7a de padres de outras nacionalidades no Col\u00e9gio Pontif\u00edcio Portugu\u00eas, o P. Jos\u00e9 Cordeiro fala em \u00ababertura \u00e0 universalidade\u00bb. \u201c\u00c9 uma voca\u00e7\u00e3o dos portugueses de abertura \u00e0 universalidade. Podemos denomin\u00e1-lo como um col\u00e9gio cat\u00f3lico no verdadeiro sentido latino, pessoas que vivem em comum \u201d, frisou. A proposta de um tipo de vida O P. Jos\u00e9 Cordeiro afirma que quando se fala em col\u00e9gio normalmente as pessoas falam num lugar onde se selecciona o que n\u00e3o acontece no Col\u00e9gio Portugu\u00eas. \u201c\u00c9 uma resid\u00eancia que \u00e9 presbiteral e depois conforme os cursos para que foram enviados, os padres estudam nas diversas universidades romanas. Esta \u00e9 tamb\u00e9m uma casa onde \u00e9 proposto um tipo de vida comunit\u00e1rio mas tamb\u00e9m assente no essencial para que cada um \u00e9 respons\u00e1vel, adulto e livre, por isso cada um deve organizar a sua vida a partir da sua base, do ser presb\u00edtero\u201d, sublinhou. No entanto, a casa que \u00e9 propriedade da Comiss\u00e3o Episcopal Portuguesa prop\u00f5e algumas actividades para al\u00e9m daquelas que as universidades oferecem como a n\u00edvel da liturgia, cultural, espiritual e da vida em comum. Orientar numa perspectiva de servi\u00e7o O servi\u00e7o \u00e9, para o sacerdote de Bragan\u00e7a, a base onde assenta a sua orienta\u00e7\u00e3o. O P. Jos\u00e9 Cordeiro salienta que est\u00e1 em nome da diocese e sob a orienta\u00e7\u00e3o da Conferencia Episcopal Portuguesa e \u00e9 um trabalho de equipa e com acompanhamento da Congrega\u00e7\u00e3o para a  Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica. \u201cN\u00e3o \u00e9 uma tarefa dif\u00edcil porque \u00e0 partida h\u00e1 essa base presbiteral que nos une a todos. Da nossa parte \u00e9 propor um quadro de vida que facilite a presen\u00e7a dos sacerdotes em Roma e que n\u00e3o seja apenas na vertente intelectual mas que sejam contempladas todas as dimens\u00f5es da forma\u00e7\u00e3o permanente: humana, espiritual, pastoral e sobretudo uma pastoral da intelig\u00eancia e de catolicidade, de abertura aos outros\u201d, referiu. O P. Jos\u00e9 Cordeiro afirma que tem sido uma experi\u00eancia feliz, no seu todo. \u201cTalvez a mais feliz nos dois anos que estive como aluno e que procure aprender o mais que pude n\u00e3o s\u00f3 no contacto com a faculdade mas com todas as realidades eclesiais presentes em Roma. Estar em Roma j\u00e1 \u00e9 meio curso. No resto \u00e9 um percurso que tamb\u00e9m aprendi, sobretudo o mart\u00edrio da paci\u00eancia, do estar em Igreja e num servi\u00e7o \u00e0 medida de Jesus Cristo que tamb\u00e9m \u00e9 servo e esposo da Igreja. Num servi\u00e7o e amor concreto \u00e0s pessoas que est\u00e3o c\u00e1 no col\u00e9gio.\u201d, frisou. A direc\u00e7\u00e3o do col\u00e9gio conta ainda com o apoio incondicional das Irm\u00e3s Franciscanas de Nossa Senhora das Vit\u00f3rias que j\u00e1 h\u00e1 35 anos que servem aquela casa com enorme dedica\u00e7\u00e3o tal como o administrador, o Dr. Oliveira.  Comunidades presbiterais nas dioceses O P. Jos\u00e9 Cordeiro considera que a vida em comunidade do col\u00e9gio n\u00e3o \u00e9 nenhum modelo para implementar em qualquer diocese. Isto porque, para o reitor, as comunidades presbiterais ter\u00e3o de nascer no contexto de cada diocese. \u201cSou entusiasta das comunidades presbiterais mas depois h\u00e1 que ver o modelo que mais se adapta a cada realidade. Isto n\u00e3o quer dizer que os padres vivam juntos mas podem ter algumas actividades em conjunto \u201d, sublinhou.   Apesar da dist\u00e2ncia, o reitor do Col\u00e9gio Pontif\u00edcio Portugu\u00eas em Roma deixa uma mensagem de esperan\u00e7a a todos os leitores. \u201cEstamos a viver uma crise financeira (a pior desde 1929), devida ao elevado d\u00e9bito. Esta crise que \u00e9 tamb\u00e9m efeito da crise dos valores humanos e crist\u00e3os fundamentais. Oxal\u00e1 n\u00e3o falte aos respons\u00e1veis dos governos e a cada um de n\u00f3s a coragem da esperan\u00e7a para a enfrentar e ultrapassar. No entanto, podemos tomar o sentido original da palavra &#8216;crise&#8217; que n\u00e3o indica s\u00f3 a queda ou a cat\u00e1strofe, mas uma situa\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7a em que \u00e9 necess\u00e1rio tomar uma decis\u00e3o. Devemos, por isso, entender a crise como um desafio \u00e0 coragem e \u00e0 confian\u00e7a. A luz da P\u00e1scoa renove a esperan\u00e7a do cora\u00e7\u00e3o de todos os homens de boa vontade\u201d, concluiu.  <i>Alberto Pais <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P. 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