{"id":38094,"date":"2010-03-31T17:45:34","date_gmt":"2010-03-31T17:45:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/03\/31\/a-paixao-de-cristo-na-poesia\/"},"modified":"2010-03-31T17:45:34","modified_gmt":"2010-03-31T17:45:34","slug":"a-paixao-de-cristo-na-poesia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-paixao-de-cristo-na-poesia\/","title":{"rendered":"A Paix\u00e3o de Cristo na poesia"},"content":{"rendered":"<p>Autores portugueses encontraram inspira\u00e7\u00e3o nos passos dolorosos da vida de Jesus. A sinfonia das suas palavras transporta-nos para o mist\u00e9rio da cruz <!--more--> <\/p>\n<p>Na hist&oacute;ria da poesia portuguesa s&atilde;o muitos os autores que calcorreiam com o leitor os passos dolorosos da vida de Jesus. A sinfonia das suas palavras transporta-nos para o mist&eacute;rio da cruz. A inspira&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios poetas mostra o olhar sofredor da M&atilde;e que segura e chora o seu Filho: <br \/><em>&laquo;Vejo-te ainda, M&atilde;e, de olhar parado, <br \/>Da Pedra e da tristeza, no teu canto, <br \/>Comigo ao colo, morto e nu, gelado <br \/>Embrulhado nas dobras do teu mando&raquo; <\/em>(Torga, Miguel) <\/p>\n<p><em>&laquo;&Oacute; vis&atilde;o, vis&atilde;o triste e piedosa! <br \/>Fita-me assim calada, assim chorosa&hellip; <br \/>E deixa-me sonhar a vida inteira&raquo; <\/em>(Quental, Antero de) <\/p>\n<p><em>&laquo;Oh Virgem de Nazar&eacute;, <br \/>Oh M&atilde;e de Jesus <br \/>L&iacute;rio aberto aos p&eacute;s da cruz, <br \/>Cujas p&eacute;talas de luz <br \/>Vertem l&aacute;grimas de f&eacute;&raquo; <\/em>(Conde de Monsaraz, [Papan&ccedil;a, Ant&oacute;nio Macedo]) <\/p>\n<p><em>&laquo;Junto da cruz, que estremecia ao v&ecirc;-la <br \/>Chorou, baixinho, a Mater Dolorosa: <br \/>E a terra, em volta, solu&ccedil;ou com ela&raquo; <\/em>(Oliveira, Ant&oacute;nio Correia de) <\/p>\n<p>O Sin&eacute;drio decretara a Sua morte. Nestes passos dram&aacute;ticos em direc&ccedil;&atilde;o &agrave; humilha&ccedil;&atilde;o, Jesus prepara-se para a doa&ccedil;&atilde;o total. Os doze esperam com &acirc;nsia uma palavra do Mestre. <br \/><em>&laquo;Levanta as m&atilde;os ao C&eacute;u vasto e piedoso <br \/>Vara-lhe o seio tenebroso espinho <br \/>Caem gotas, de sangue precioso, <br \/>De suor, nas violetas do caminho&raquo; <\/em>(Leal, A. Gomes) <\/p>\n<p>Mesmo de poetas descrentes, a beleza da sua linguagem exp&otilde;e um sentimento religioso. Ao longo dos s&eacute;culos, a Paix&atilde;o e Morte de Cristo s&atilde;o fonte inspiradora da poesia. Luis de Cam&otilde;es &ndash; uma das almas lusitanas &ndash; tem elegias onde canta a Paix&atilde;o do Filho do Homem. <br \/><em>&laquo;Aquele corpo tenro e delicado, <br \/>Sobre todos os santos sacrossanto, <br \/>De a&ccedil;outes rigorosos flagelados&raquo; <\/em>(Cam&otilde;es, Lu&iacute;s) <\/p>\n<p>O poeta limiano, Diogo Bernardes considera-se culpado daquela morte. A luminosidade das suas palavras como que formalizam um pedido de desculpas. O lirismo religioso deste poeta do s&eacute;culo XVI &eacute; marcado pela sinceridade. <br \/><em>&laquo;Eu vos crucifiquei, eu vos vendi, <br \/>Eu vos neguei mil vezes, que n&atilde;o tr&ecirc;s <br \/>Eu fui o que esse lado vos abri!&raquo; &hellip; <br \/>&laquo;Por eles (os meus pecados), meu senhor, te vejo estar <br \/>Crucificado nesse duro lenho&raquo;<\/em> (Bernardes, Diogo) <\/p>\n<p>Partindo das palavras do Evangelho de S. Jo&atilde;o (19, 1-3), o poeta da Arr&aacute;bida ilustra a paix&atilde;o de Jesus com a luminosidade de um m&iacute;stico. Frei Agostinho da Cruz assume a culpa do sofrimento e morte de Jesus. <br \/><em>&laquo;Eu fui, eu sou Senhor, o que vos pus <br \/>Nesse duro madeiro pendurado, <br \/>Donde morreis por mim, doce Jesus&raquo; <\/em>(Cruz, Frei Agostinho) <\/p>\n<p>Quando medita nas chagas de Cristo, Diogo Bernardes pede mesmo &agrave; sua alma que, por amor delas, se arrependa dos seus pecados e d&ecirc; in&iacute;cio a uma vida nova. <br \/><em>&laquo;Quando meus olhos nessas chagas ponho <br \/>E n&atilde;o me vejo em l&aacute;grimas banhado <br \/>Corrido fico, todo me envergonho&raquo; <\/em>(Bernardes, Diogo) <\/p>\n<p>Jos&eacute; R&eacute;gio aborda os &uacute;ltimos passos de Jesus num registo diferente. Lamenta ter nascido tarde, mas considera que Ele foi crucificado pelos homens. <br \/><em>&laquo;Por isso choro em mim a m&aacute;goa verdadeira <br \/>De ter nascido tarde, e s&oacute; te vir achar, <br \/>Feito em marfim, metal, pedra madeira, <br \/>No cimo dum altar&raquo; <br \/>&hellip;&hellip; <br \/>&laquo;O Cristo, ao alto, alonga os magros bra&ccedil;os nus <br \/>Por sobre a escurid&atilde;o do rancho desolado <br \/>Que segue, ao som da marcha, o seu Jesus <br \/>Por n&oacute;s crucificado&raquo; <\/em>(R&eacute;gio, Jos&eacute;) <\/p>\n<p>Preso e atado &agrave; cruz, a multid&atilde;o gritava: Crucifica, crucifica. A humilha&ccedil;&atilde;o estava patente naquele rosto. Andr&eacute; Dias explica a crueldade daquela morte. Este poeta dos s&eacute;culos XIV e XV (1348-1437) coloca nas suas palavras a injusti&ccedil;a daquele tribunal. <br \/><em>&laquo;E todos bradavam com grande voz e alta: <br \/>&#8211; Crucifica! Crucifica este falso profeta <br \/>E morra sobre a cruz morte cruel e feia, <br \/>Que jamais n&atilde;o engane toda a nossa gente&raquo; <\/em>(Dias, Andr&eacute;) <\/p>\n<p>Depois de saber que tudo estava consumado, Jesus disse: &laquo;Tenho sede&raquo;. Teve como bebida, o amargo vinagre. <br \/><em>&laquo;Mas tem sede o Rabi. Um, mais cruel, <br \/>uma esponja, em cani&ccedil;o pontiagudo, <br \/>toda em fel ensopou. &ndash; Ora, este fel <br \/>amarga mais o mestre do que tudo&raquo; <\/em>(Leal, A. Gomes) <\/p>\n<p>Do alto da cruz, os seus olhos sem brilho contemplavam Jerusal&eacute;m. Ap&oacute;s ter tomado o vinagre, Jesus exclamou: &laquo;Tudo est&aacute; consumado&raquo;. E, inclinando a cabe&ccedil;a, rendeu o Esp&iacute;rito. <br \/><em>&laquo;Filhos de Cristo, consumou-se agora <br \/>O horrendo crime de Israel, na cruz. <br \/>Tr&eacute;mula se abre a terra; o sol descora <br \/>A igreja chora, &#8211; que morreu Jesus&raquo; <\/em>(Ribeiro, Tom&aacute;s) <\/p>\n<p>A noite ia tombando de hora a hora cheia de assombro e c&oacute;smica tristeza. Esta morte foi vida. Foi um rasg&atilde;o no tempo. <br \/><em>&laquo;Tu morreste por n&oacute;s na cruz da afronta <br \/>E o sangue derradeiro <br \/>Derramaste do alto do madeiro, <br \/>Jesus, filho de Deus, Deus Verdadeiro <br \/>Aos crimes do homem n&atilde;o lan&ccedil;aste a conta <br \/>Inocente cordeiro <br \/>Quando foste no alto do madeiro <br \/>Lavar com sangue o &uacute;ltimo e o primeiro&raquo;<\/em> (Garret, Almeida.) <\/p>\n<p>Com a morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o, a lanterna da vida brilha e alimenta a &aacute;rvore frondosa do cristianismo. <br \/><em>&laquo;Meu Deus, aqui me tens aflito e retirado <br \/>Como quem deixa &agrave; porta o saco para o p&atilde;o. <br \/>Enche-o do que quiseres. Estou firme e preparado. <br \/>O que for, assim seja, &agrave; tua m&atilde;o <br \/>Tua vontade se fa&ccedil;a, a minha n&atilde;o&raquo;<\/em> (Nem&eacute;sio, Vitorino)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autores portugueses encontraram inspira\u00e7\u00e3o nos passos dolorosos da vida de Jesus. 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