{"id":38093,"date":"2009-04-07T10:12:24","date_gmt":"2009-04-07T10:12:24","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/04\/07\/o-conserto-dos-vinte\/"},"modified":"2009-04-07T10:12:24","modified_gmt":"2009-04-07T10:12:24","slug":"o-conserto-dos-vinte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-conserto-dos-vinte\/","title":{"rendered":"O conserto dos Vinte"},"content":{"rendered":"<p>Sabemos que as coisas n\u00e3o est\u00e3o bem. Que possivelmente nunca estar\u00e3o bem. Pelo menos no nosso tempo. Sabemos que todas as pessoas, institui\u00e7\u00f5es, iniciativas, das cobardes \u00e0s her\u00f3icas, sempre longe do infinito, padecem duma limita\u00e7\u00e3o, tornando mais vis\u00edvel o mal feito que o bem escondido Mas que existe. Entretanto continua a fazer not\u00edcia a metade do copo sem \u00e1gua, a mancha m\u00ednima sobre a alvura extensa, as dist\u00e2ncias que faltam, sem olhar as percorridas. Vendo bem as coisas a imperfei\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais na forma como se olha aquilo que se faz. O estado de alma \u00e9 o primeiro grande factor da \u00f3ptica que temos sobre o mundo.  Que h\u00e1 pois a fazer? Parece que antes de mais se coloca a urg\u00eancia de purificar o olhar. Nada escapa aos olhos turvados de lodo que tudo mancham, sem a mais pequena nostalgia da limpidez. Dir-se-\u00e1 que s\u00e3o os factos na sua brutalidade que nos pro\u00edbem qualquer tipo de an\u00e1lise benigna sem a marca do fatal e irremiss\u00edvel. O mundo \u00e9 o que \u00e9, o homem n\u00e3o tem conserto, a natureza continua brutal \u2013 agravada pelas viol\u00eancias a que todos os \u201cprogressos\u201d recentes t\u00eam condenado. Crises sobre crises oferecem novos repastos de desencanto \u00e0 an\u00e1lise voluptuosa dos cronistas que mais cidades n\u00e3o conhecem no planeta que Sodoma e Gomorra. Entre n\u00f3s cresceu avassaladoramente o mundo dos analistas que noite e dia nos enchem o cora\u00e7\u00e3o de rancor. N\u00e3o se pede uma esponja que iluda, em lavagem r\u00e1pida, as m\u00e1culas evidentes do nosso tempo, ou de outros tempos. Mas n\u00e3o se cr\u00ea saud\u00e1vel uma quase obsess\u00e3o pelo espect\u00e1culo da trag\u00e9dia, da intriga, do conflito, da n\u00e1usea. Perigosa \u00e9 a rampa que reduz cada cap\u00edtulo da hist\u00f3ria a uma al\u00ednea depressiva, deixando apenas em hip\u00f3tese long\u00ednqua, o benef\u00edcio da bondade.  A Cimeira dos Vinte poderia ter trazido mais plangeres sobre o muito caldo derramado na economia, distribui\u00e7\u00e3o dos bens, recome\u00e7o duma actividade de troca e partilha do p\u00e3o por todos. Ao de cima veio o instinto que convocou o m\u00ednimo de consensos Onum problema que, causado por poucos, \u00e9 de todos. N\u00e3o sabemos se h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o \u00e0 vista. Mas h\u00e1 dados de entendimento poss\u00edvel em mat\u00e9rias essenciais para uma nova fase da esperan\u00e7a do p\u00e3o repartido no planeta. N\u00e3o s\u00e3o santos nem inocentes. Mas assumem a responsabilidade de lan\u00e7ar os dados para que se possa come\u00e7ar de novo. Nada adianta votar ao desprezo estes sinais de que podemos em muitas mat\u00e9rias, recome\u00e7ar mais e melhor.Com mais uma li\u00e7\u00e3o aprendida. <i>Ant\u00f3nio Rego<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sabemos que as coisas n\u00e3o est\u00e3o bem. Que possivelmente nunca estar\u00e3o bem. Pelo menos no nosso tempo. Sabemos que todas as pessoas, institui\u00e7\u00f5es, iniciativas, das cobardes \u00e0s her\u00f3icas, sempre longe do infinito, padecem duma limita\u00e7\u00e3o, tornando mais vis\u00edvel o mal feito que o bem escondido Mas que existe. 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