{"id":3806,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/gostar-da-vida\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"gostar-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/gostar-da-vida\/","title":{"rendered":"Gostar da Vida"},"content":{"rendered":"<p>Mary Anne d\u2019Avillez, Enfermeira <!--more--> Ao reflectir sobre este ano que passou fiquei maravilhada com o facto de ter sido um ano cheio de vida nova. Vivemos intensamente as gravidezes e os nascimentos da nossa primeira neta e de tr\u00eas sobrinhas-netas \u2013 foi de facto um ano muito feminista. A primeira, em Janeiro, foi a Caroline, filha de um sobrinho. A nossa filha beneficiou muito de ser a segunda pois, durante a gravidez, foi recebendo da m\u00e3e da Caroline, uma s\u00e9rie de livros que explicavam detalhadamente o desenvolvimento do beb\u00e9. Fomos sabendo que \u00e0s 20 semanas a Leonor j\u00e1 ouvia, que pod\u00edamos falar com ela e que ela aprendia a reconhecer as nossas vozes. Menos informada em 1973, lembro-me de me ter assustado quando, gr\u00e1vida de seis meses, durante uma festa o meu beb\u00e9 come\u00e7ou a \u201cdan\u00e7ar\u201d. De facto, nos \u00faltimos vinte anos o desenvolvimento da tecnologia ecogr\u00e1fica abriu uma janela para o mundo do beb\u00e9 ainda por nascer. Desde o princ\u00edpio os pais acompanham o crescimento do seu filho\/a visualmente. Do excitamento de ouvir, ou mesmo ver, o cora\u00e7\u00e3o a bater a partir da sexta semana, passam pela antecipa\u00e7\u00e3o de conhecerem o sexo da crian\u00e7a a partir do terceiro m\u00eas de gravidez, embora os \u00f3rg\u00e3os reprodutores j\u00e1 tenham come\u00e7ado a ser formados a partir da nona semana. Lembro-me de ler que no S\u00e9culo XV e XVI, em Inglaterra, muitos pais n\u00e3o punham nome ao primeiro filho at\u00e9 ele atingir um ano de idade. A taxa de mortalidade infantil era t\u00e3o alta que n\u00e3o \u201cvalia a pena\u201d p\u00f4r um \u201cnome de fam\u00edlia\u201d a uma crian\u00e7a que provavelmente ia morrer para depois, mais tarde, se p\u00f4r o mesmo nome a outro filho. Hoje em dia damos nome aos beb\u00e9s e, portanto identidade, muito antes do seu nascimento. Assim, quando a Leonor, nossa neta, nasceu em Mar\u00e7o j\u00e1 tinha nome, j\u00e1 sab\u00edamos que era uma rapariga de peso m\u00e9dio, s\u00f3 nos faltava ver a cara. Numa noite de tempestade, com trov\u00f5es, rel\u00e2mpagos e chuva torrencial a bater na clarab\u00f3ia do hospital, n\u00f3s, os av\u00f3s e padrinho, fomos apresentados a uma menina de olhos bem abertos que olhava para n\u00f3s com uma serenidade comovente. A seguir vinha a Maria, filha de outro sobrinho. Sab\u00edamos que, com aproximadamente oito semanas de vida intra-uterina, j\u00e1 tinha um sistema nervoso e \u00f3rg\u00e3os digestivos primitivos e que se estavam a formar os dedos das m\u00e3os e dos p\u00e9s, mas ainda faltavam mais oito semanas para a pele engrossar e se distinguirem as impress\u00f5es digitais e plantares. Apanh\u00e1mos um susto a certa altura quando se p\u00f4s a hip\u00f3tese de a Maria ter sido afectada por um v\u00edrus que poderia ter passado o \u201cfiltro\u201d da placenta, mas a Maria continuou a desenvolver bem, nasceu no \u00faltimo dia de Outubro e foi hoje (dia 13 de Dezembro) baptizada. Agora s\u00f3 faltava nascer a Matilde, filha de uma das minhas sobrinhas. A Matilde resolveu adiantar-se e nasceu um m\u00eas antes do tempo, em meados de Novembro. Podia ter sido causa de afli\u00e7\u00e3o mas, de facto, foi um al\u00edvio para todos n\u00f3s, pois a gravidez da Matilde tinha se tornado complicada. Entre o quarto e o quinto m\u00eas o m\u00e9dico notou que havia um bloqueio no intestino da Matilde, o que foi confirmado nas ecografias seguintes, e a gravidez passou a ser considerada de risco. Enquanto a Matilde n\u00e3o nascia o problema n\u00e3o era muito significante, pois os beb\u00e9s n\u00e3o nascidos alimentam-se atrav\u00e9s do cord\u00e3o umbilical. No entanto, no s\u00e9timo m\u00eas, o beb\u00e9 j\u00e1 engole l\u00edquido amni\u00f3tico e chucha no dedo (uma aprendizagem essencial para que possa mamar ap\u00f3s o nascimento) e, neste caso, a absor\u00e7\u00e3o do l\u00edquido podia ser afectada pelo bloqueio, e uma parte do intestino ficar dilatada, o que iria dificultar a cirurgia necess\u00e1ria ap\u00f3s o seu nascimento. Previa-se que a Matilde teria de ser operada poucas horas ap\u00f3s o parto e que teria de ficar internada durante seis semanas. O seu primeiro Natal seria passado num hospital, se tudo corresse bem. N\u00e3o foi necess\u00e1rio com a Matilde, mas h\u00e1 beb\u00e9s que j\u00e1 s\u00e3o operados in utero. Por vezes detectam-se problemas que poderiam amea\u00e7ar a vida do beb\u00e9 ap\u00f3s o nascimento, mas s\u00e3o pass\u00edveis de correc\u00e7\u00e3o cir\u00fargica. A barriga da m\u00e3e \u00e9 aberta, o beb\u00e9 \u00e9 operado e recolocado dentro do \u00fatero. Nunca esquecerei ter visto uma fotografia tirada durante uma opera\u00e7\u00e3o a um beb\u00e9 com cerca de cinco meses de gravidez, em que se via a m\u00e3o m\u00ednima do beb\u00e9 agarrada ao dedo mindinho do cirurgi\u00e3o. A partir das vinte semanas a m\u00e3o do beb\u00e9 j\u00e1 pode segurar com firmeza. Os m\u00e9dicos da Matilde resolveram que seria melhor provocar o parto a partir do momento que se provasse que o seu organismo estava suficientemente \u201cmaduro\u201d (por volta do oitavo m\u00eas), para que o intestino n\u00e3o dilatasse mais. Foi feita uma ecografia e com espanto e alegria notou-se que o bloqueio tinha desaparecido. Nova ecografia confirmou este facto, mas, provavelmente devido ao stress sentido durante estes meses pelos pais da Matilde, no dia seguinte a Matilde nasceu s\u00e3 e escorreita, embora muito pequenina. Novos exames provaram que tudo estava bem. Vamos partilhar o nosso Natal de fam\u00edlia com quatro meninas que o vivem pela primeira vez. Vamos pensar em todas aquelas m\u00e3es (e pais) que vivem a sua gravidez em solid\u00e3o ou desespero por variad\u00edssimas raz\u00f5es. E porqu\u00ea n\u00e3o tentarmos todos estar atentos ao que se passa \u00e0 nossa volta, e estendermos a m\u00e3o \u00e0quelas mulheres que, descobrindo que est\u00e3o gr\u00e1vidas, n\u00e3o v\u00eam uma luz ao fundo do t\u00fanel?  Mary Anne d\u2019Avillez, Enfermeira  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mary Anne d\u2019Avillez, Enfermeira<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[154,206,267],"class_list":["post-3806","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-crianca","tag-familia","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3806","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3806"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3806\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3806"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3806"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3806"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}