{"id":380551,"date":"2025-06-18T08:35:35","date_gmt":"2025-06-18T07:35:35","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=380551"},"modified":"2025-06-19T19:56:47","modified_gmt":"2025-06-19T18:56:47","slug":"solidariedade-a-saude-e-um-bem-publico-e-os-medicos-sem-fronteiras-nao-desistem-de-ninguem-joao-antunes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/solidariedade-a-saude-e-um-bem-publico-e-os-medicos-sem-fronteiras-nao-desistem-de-ninguem-joao-antunes\/","title":{"rendered":"Solidariedade: \u00abA sa\u00fade \u00e9 um bem p\u00fablico\u00bb e os M\u00e9dicos Sem Fronteiras \u00abn\u00e3o desistem de ningu\u00e9m\u00bb \u2013 Jo\u00e3o Antunes"},"content":{"rendered":"<p><em>Diretor geral da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental em Portugal, participou em 17 miss\u00f5es, conheceu as fragilidades dos cuidados de sa\u00fade \u00a0e afirma que todos, \u00e0 sua escala podem fazer a diferen\u00e7a num mundo \u00abhumanizado\u00bb<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_380525\" aria-describedby=\"caption-attachment-380525\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/joao-antunes2.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-380525 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/joao-antunes2.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/joao-antunes2.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/joao-antunes2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/joao-antunes2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/joao-antunes2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/joao-antunes2-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-380525\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lisboa, 18 jun 2025 (Ecclesia) &#8211; Jo\u00e3o Antunes, diretor-geral dos M\u00e9dicos sem Fronteiras (MSF) Portugal diz que a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental \u00e9 uma \u201ctestemunha direta\u201d em situa\u00e7\u00f5es de conflito e que n\u00e3o desiste das pessoas porque a \u201csa\u00fade \u00e9 um bem p\u00fablico\u201d.<\/p>\n<p>\u201cTrata-se da transmiss\u00e3o de solidariedade. Este importar-se por outro ser humano que passa por um momento dif\u00edcil, onde n\u00e3o h\u00e1 hospitais a funcionar, n\u00e3o h\u00e1 medicamentos numa dist\u00e2ncia de 300 e 400 quil\u00f3metros, n\u00e3o h\u00e1 estradas nem o m\u00ednimo para oferecer ou dizer, e continuas a sofrer dos mesmos males\u2026 trata-se de nos reconhecermos humanos\u201d, explica \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel diz que a organiza\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o desiste de ningu\u00e9m\u201d e em zonas de conflito recebe \u201ccidad\u00e3os da Ucr\u00e2nia e da R\u00fassia\u201d, tal como acontece na Faixa de Gaza ou e outros locais onde situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia m\u00e9dica s\u00e3o necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>A MSF \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria internacional criada em 1971, em Fran\u00e7a, por jovens profissionais da medicina e do jornalismo, que leva cuidados de sa\u00fade a pessoas afetadas por conflitos armados, desastres naturais, epidemias, migra\u00e7\u00f5es, ou sem qualquer acesso a assist\u00eancia m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Trata-se de uma ONG que afirma n\u00e3o estar \u201csubordinada a poderes pol\u00edticos, militares, econ\u00f3micos ou religiosos e tem liberdade de a\u00e7\u00e3o\u201d, vivendo de donativos.<\/p>\n<p>\u201cQuando sentimos que h\u00e1 um dano coletivo muito grande que est\u00e1 a ser imposto a uma popula\u00e7\u00e3o civil, quando a ajuda humanit\u00e1ria est\u00e1 a ser desviada para interesses espec\u00edficos, quando sentimos que com a pr\u00f3pria ajuda humanit\u00e1ria a situa\u00e7\u00e3o se est\u00e1 a prolongar, tornando-se numa crise cr\u00f3nica por falta de interesse pol\u00edtico em resolver, pois a\u00ed sim que a MSF toma uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica p\u00fablica\u201d, explica.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO discurso pol\u00edtico e a an\u00e1lise geoestrat\u00e9gica militar obviamente est\u00e1 presente, temos que o fazer no nosso trabalho; isso n\u00e3o nos pode moldar nem a n\u00edvel de discurso, nem a n\u00edvel de tomada de posi\u00e7\u00f5es. Temos que trabalhar em fun\u00e7\u00e3o daquilo que \u00e9 o melhor interesse das pessoas e o seu estado de sa\u00fade, e isso n\u00e3o tem cor pol\u00edtica\u201d, assume.<\/p><\/blockquote>\n<p>Com forma\u00e7\u00e3o em Economia e Gest\u00e3o, Jo\u00e3o Antunes pensou em redirecionar o seu estudo quando contactou com organiza\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento em Mo\u00e7ambique que estavam no terreno a trabalhar no setor da sa\u00fade mas percebeu a necessidade de trabalhadores de \u00e1reas diversas, de log\u00edstica a financeira, que ajudassem os profiss\u00f5es de emerg\u00eancia m\u00e9dica a ter condi\u00e7\u00f5es para prestar cuidados.<\/p>\n<p>De coordenador financeiro, na primeira miss\u00e3o no U\u00edge e em Luanda, Angola, rapidamente passou a coordenador de projeto em diversos contextos que, determinam por si o decorrer da miss\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um processo de readapta\u00e7\u00e3o no m\u00e9dico ou a enfermeira que est\u00e1 na linha da frente que lhe permite dar consultas, que est\u00e1 definido como uma zona de conforto: implica ter \u00e1gua, ter luz, ter limpeza num hospital, ter uma equipa que possa fazer turnos de 24 horas. As pessoas com quem trabalhamos s\u00e3o profissionais recrutados localmente, e \u00e9 preciso enquadrar-se numa equipa de trabalho, de oito, 10, 15 ou 20 pessoas, dependendo dos projetos em curso\u201d, conta.<\/p>\n<p>At\u00e9 2018, altura em que com os MSF Espanha e MSF Brasil iniciou a abertura dos MSF Portugal, Jo\u00e3o Antunes realizou 17 miss\u00f5es tendo estado, por per\u00edodos diferentes, em pa\u00edses como \u00cdndia, Guin\u00e9- Bissau, Serra Leoa, Ruanda, Angola, Nig\u00e9ria, Sud\u00e3o e Sud\u00e3o do sul, Senegal, Mali, Eti\u00f3pia, Z\u00e2mbia.<\/p>\n<p>Em 1999 a organiza\u00e7\u00e3o recebeu o Pr\u00e9mio Nobel da Paz \u2013 Jo\u00e3o Antunes aponta o reconhecimento como uma oportunidade para sublinhar o valor da \u201cpalavra\u201d que, apesar de \u201cn\u00e3o salvar vidas\u201d podia contrariar um \u201csil\u00eancio que mata\u201d.<\/p>\n<p>\u201cProcur\u00e1mos com o reconhecimento dar conta de testemunhos e den\u00fancias de situa\u00e7\u00f5es que est\u00e1vamos a viver e a presenciar \u2013 situa\u00e7\u00f5es de extremas injusti\u00e7as\u201d, d\u00e1 conta.<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel lamenta in\u00fameros conflitos e situa\u00e7\u00f5es em que os MSF s\u00e3o chamados, dado o seu caracter de emerg\u00eancia, que tantas vezes provocam uma \u201cavalanche de informa\u00e7\u00e3o\u201d que afasta as pessoas e as leva, mais do que rostos, a estat\u00edsticas: \u201cPerante tantos conflitos, o que posso eu fazer? Acho que as ONG mostram que s\u00e3o uma resposta que faz a diferen\u00e7a\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cN\u00e3o podemos perder as liga\u00e7\u00f5es entre n\u00f3s. A dist\u00e2ncia faz-nos mais infelizes, sentir mais limitados, faz-nos mais pequenos, faz-nos ficar mais virados em n\u00f3s mesmos. Eu acredito que uma das partes como ser humano \u00e9 a maneira como nos relacionamos, de abra\u00e7armos causas, de no reconhecermos, e isso pode ser a fazer voluntariado, trabalhar em organiza\u00e7\u00f5es ambientais, combater a xenofobia, qualquer apelo que nos leve a algo maior do que n\u00f3s\u201d, acrescenta.<\/p><\/blockquote>\n<p>A conversa com Jo\u00e3o Antunes pode ser acompanhada esta noite no programa ECCLESIA, emitido na Antena 1, pouco depois da meia-noite, ficando dispon\u00edvel no podcast \u00abAlarga a tua tenda\u00bb.<\/p>\n<p><em>LS <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diretor geral da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental em Portugal, participou em 17 miss\u00f5es, conheceu as fragilidades dos cuidados de sa\u00fade \u00a0e afirma que todos, \u00e0 sua escala podem fazer a diferen\u00e7a num mundo \u00abhumanizado\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":380525,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center 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