{"id":3805,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/custo-de-vida-e-consumismo\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"custo-de-vida-e-consumismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/custo-de-vida-e-consumismo\/","title":{"rendered":"Custo de vida e consumismo"},"content":{"rendered":"<p>Francisco Sarsfield Cabral, (Director de Informa\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio Renascen\u00e7a) <!--more--> O custo de vida \u00e9 cada vez maior? \u00c9 verdade que os pre\u00e7os sobem \u2013 em Portugal aumentam hoje bastante menos do que h\u00e1 vinte anos, mas sobem. Importa, por\u00e9m, lembrar que, \u00e0s vezes, predomina a tend\u00eancia inversa, a que leva os pre\u00e7os a baixarem. Os riscos dessa continuada descida dos pre\u00e7os, a defla\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o menores do que os perigos de uma forte infla\u00e7\u00e3o. Basta lembrar a baixa geral de pre\u00e7os que se registou nos Estados Unidos durante a Grande Depress\u00e3o dos anos 30. Hoje, existe defla\u00e7\u00e3o no Jap\u00e3o, um pa\u00eds em profunda e prolongada crise econ\u00f3mica. E at\u00e9 h\u00e1 bem pouco, muita gente na Europa e na Am\u00e9rica receou que estiv\u00e9ssemos \u00e0 beira de uma defla\u00e7\u00e3o. Parece, por\u00e9m, que a infla\u00e7\u00e3o \u2013 embora baixa \u2013 continua a marcar as economias ocidentais.  H\u00e1 muitos factores que levam \u00e0 infla\u00e7\u00e3o, como os economistas ensinam. Mas n\u00e3o \u00e9 a subida dos pre\u00e7os que, por si s\u00f3, torna mais pesado o custo de vida. H\u00e1 que ter em conta os impostos que as pessoas pagam e, sobretudo, quanto ganham. Se e quando os sal\u00e1rios sobem mais do que a infla\u00e7\u00e3o, e isso tem acontecido em anos passados entre n\u00f3s, o poder de compra das pessoas e das fam\u00edlias melhora. Mas a quest\u00e3o do custo de vida n\u00e3o tem a ver apenas com o poder de compra: depende muito daquilo que as pessoas acham necess\u00e1rio comprar.  Necessidades novas E a\u00ed h\u00e1, como \u00e9 \u00f3bvio, uma enorme evolu\u00e7\u00e3o. H\u00e1 trinta ou quarenta anos os autom\u00f3veis n\u00e3o vinham equipados com ar condicionado. Agora, poucos estariam dispostos a comprar um carro novo sem ar condicionado. Nessa altura n\u00e3o havia telem\u00f3veis, logo ningu\u00e9m sentia necessidade deles; hoje, \u00e9 o que se sabe. E por a\u00ed fora. Ou seja, as pessoas precisam agora de mais dinheiro porque sentem ser indispens\u00e1vel adquirir mais coisas, sem as quais se sentiriam muito infelizes. E aqui entra o problema do consumismo, que (ironia das ironias!) assume a sua m\u00e1xima express\u00e3o nesta \u00e9poca de Natal. Julgo que o tema deve ser abordado com cuidado, para n\u00e3o se cair em demagogias baratas \u2013 como acontece quando aqueles a quem nada falta criticam os que, tendo sido muito pobres, j\u00e1 manifestam vontade de possuir autom\u00f3vel, por exemplo. As necessidades das pessoas n\u00e3o s\u00e3o sempre as mesmas, como vimos \u2013 v\u00e3o variando, e aumentando, no tempo. \u00c9 uma consequ\u00eancia do pr\u00f3prio desenvolvimento econ\u00f3mico. \u00c9 uma relativa novidade na hist\u00f3ria do mundo: n\u00e3o tem muito mais de tr\u00eas s\u00e9culos.\u00a0\u00a0  Antes da revolu\u00e7\u00e3o industrial, quem nascia pobre morria em regra pobre. A sociedade, com as suas r\u00edgidas regras sobre a posi\u00e7\u00e3o social de cada um, e a economia, com um fraco ou nulo crescimento, eram ent\u00e3o est\u00e1ticas. Tudo isso mudou e ainda bem. No mundo moderno, as pessoas, os pa\u00edses, as sociedades aspiram a melhorar de n\u00edvel de vida. Quem \u00e9 pobre procura ser menos pobre e tem uma razo\u00e1vel esperan\u00e7a de o conseguir. Por isso, aqueles parcos recursos econ\u00f3micos que deixariam satisfeita uma fam\u00edlia do tempo de Jesus, h\u00e1 dois mil anos (ou, se quisermos, muitos habitantes da \u00c1frica de hoje), seriam agora considerados totalmente insuficientes pela maioria dos que vivem no mundo desenvolvido. \u00c9 natural e positivo.  Press\u00e3o sobre o consumo Mas \u00e9 ineg\u00e1vel existir uma excessiva press\u00e3o no sentido de comprar \u2013 \u00e9 o consumismo. A publicidade movimenta bili\u00f5es e procura levar-nos a sentir como necess\u00e1rio aquilo que porventura o n\u00e3o \u00e9 tanto. Os \u201cmedia\u201d, da televis\u00e3o \u00e0s revistas do \u201cjet set\u201d, apontam como ideal de vida uma exist\u00eancia abastada, com todas os luxos e comodidades. Os bens possu\u00eddos \u2013 o carro, a casa, etc. \u2013 s\u00e3o s\u00edmbolos de \u201cranking\u201d social. E, a\u00ed, n\u00e3o conta apenas aquilo que se tem: conta, sobretudo, a compara\u00e7\u00e3o com o que tem o vizinho ou o amigo. E, depois, o consumo surge para muitos como uma compensa\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica: para esquecer a falta de outros valores, a aus\u00eancia de realiza\u00e7\u00e3o pessoal ou profissional, o isolamento e a solid\u00e3o numa sociedade individualista, etc., o \u201crem\u00e9dio\u201d f\u00e1cil (para quem tenha para tal, recursos) \u00e9 comprar coisas. Tanto mais que a compra proporciona uma gratifica\u00e7\u00e3o imediata, nesta \u00e9poca de falta de tempo em que andamos todos a correr e ningu\u00e9m quer esperar.  Todos estes factores jogam no sentido de mais consumo, mais compras. E como o dinheiro nem sempre chega para tais solicita\u00e7\u00f5es, muita gente sente-se hoje pobre, embora viva talvez melhor do que um aristocrata do s\u00e9culo XV.\u00a0 Por isso, o consumismo \u2013 no que ele tem de negativo \u2013 \u00e9 um dos grandes respons\u00e1veis pela sensa\u00e7\u00e3o generalizada de que o custo de vida \u00e9 incomport\u00e1vel. O consumismo, n\u00e3o o consumo, deve ser combatido. Sem hipocrisia (do tipo: os outros, que antes eram pobres, \u00e9 que s\u00e3o consumistas&#8230;) e sem primarismos ideol\u00f3gicos, como os que atribuem \u00e0 publicidade poderes ilimitados na lavagem dos nossos c\u00e9rebros, fazendo das pessoas meros \u201cc\u00e3ezinhos de Pavlov\u201d. Mas um pouco mais de sobriedade aquisitiva, da parte dos que n\u00e3o s\u00e3o mesmo pobres, contribuiria certamente para aumentar a felicidade nas nossas sociedades.\u00a0  Francisco Sarsfield Cabral, (Director de Informa\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio Renascen\u00e7a) <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Sarsfield Cabral, (Director de Informa\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio Renascen\u00e7a)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[101,104,191,203,206,267],"class_list":["post-3805","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-africa","tag-america","tag-economia","tag-europa","tag-familia","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3805","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3805"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3805\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3805"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3805"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3805"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}