{"id":38037,"date":"2010-03-29T11:22:26","date_gmt":"2010-03-29T11:22:26","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/03\/29\/musica-para-a-semana-santa-2\/"},"modified":"2010-03-29T11:22:26","modified_gmt":"2010-03-29T11:22:26","slug":"musica-para-a-semana-santa-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/musica-para-a-semana-santa-2\/","title":{"rendered":"M\u00fasica para a Semana Santa"},"content":{"rendered":"<p>Os grandes autores da hist\u00f3ria n\u00e3o ficaram \u00e0 margem dos momentos lit\u00fargicos destes dias. YouTube ajuda a conhecer estas obras-primas <!--more--> <\/p>\n<p>Falar de obras musicais para a Semana Santa pode parecer um contra-senso para quem pensa nestes dias como a &ldquo;semana dolorosa&rdquo;. A m&uacute;sica, contudo, n&atilde;o se esgota dentro da Igreja como express&atilde;o de alegria e, como n&atilde;o h&aacute; P&aacute;scoa sem Paix&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; ressurrei&ccedil;&atilde;o sem morte. <\/p>\n<p>A m&uacute;sica exprime louvor, ac&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as, exulta&ccedil;&atilde;o e j&uacute;bilo, mas tamb&eacute;m s&uacute;plica, lamento, trag&eacute;dia ou arrependimento. O ano lit&uacute;rgico, que percorre todos os mist&eacute;rios da vida de Cristo, desafia a m&uacute;sica a exprimir intensamente todos estes passos e sentimentos da vida crist&atilde; e &eacute; no espa&ccedil;o lit&uacute;rgico da comunidade crist&atilde; que muitas das pe&ccedil;as encontram o seu total significado e o fim para que foram criadas. <\/p>\n<p>A Semana Santa, de modo especial, est&aacute; ligada a um mundo de sentimentos e de tradi&ccedil;&otilde;es muito particulares, que procuram apresentar o mist&eacute;rio da reden&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Os grandes autores da hist&oacute;ria n&atilde;o ficaram &agrave; margem dos momentos lit&uacute;rgicos destes dias, como se pode ver nas hist&oacute;rias sacras de Giacomo Carisimi ou nas hist&oacute;rias da paix&atilde;o de Heinrich Sch&uuml;tz (segundo S&atilde;o Mateus ou segundo S&atilde;o Marcos) e a sua hist&oacute;ria da ressurei&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>De Portugal destacamos Frei Manuel Cardoso (1566-1650) e a &ldquo;Aquam quam ego dabit&rdquo;, uma colec&ccedil;&atilde;o de motetes para v&aacute;rias festas lit&uacute;rgicas que antecedem a P&aacute;scoa, culminando numa s&eacute;rie de li&ccedil;&otilde;es e respons&oacute;rios da Semana Santa que se podem encontrar no Livro de v&aacute;rios motetes, publicado em Lisboa por Craesbeeck em 1649. <\/p>\n<p>Manuel Lu&iacute;s (n. Turquel, Alcoba&ccedil;a, 8 Jul.1926; m. Lisboa, 5 Jul. 1981) foi o grande impulsionador da m&uacute;sica lit&uacute;rgica em portugu&ecirc;s, ap&oacute;s a abertura da liturgia &agrave;s l&iacute;nguas comuns, com o Concilio Vaticano II. Musicou, em 1966, textos para cantar na Semana Santa, como &ldquo;Povo meu que te fiz eu&rdquo; para a adora&ccedil;&atilde;o da cruz, salmos para a Vig&iacute;lia Pascal. <\/p>\n<p>De lembrar ainda os respons&oacute;rios da Semana Santa, de Manuel Faria, talvez o maior expoente da m&uacute;sica sacra em Portugal no s&eacute;culo XX. <\/p>\n<p><strong>Itiner&aacute;rio musical<\/strong> <\/p>\n<p>O Domingo de Ramos, com a sua entrada triunfal em Jerusal&eacute;m, poderia convidar a ouvir obras como a Missa em R&eacute; Maior de Beethoven, ou a Missa em R&eacute; menor de Cherubini. Obrigat&oacute;rio &eacute; o &ldquo;Christus am Oelberge&rdquo; (Cristo no Jardim das Oliveiras), op. 75 de Ludwig van Beethoven (1770-1827), o &uacute;nico orat&oacute;rio composto pelo g&eacute;nio alem&atilde;o. Est&aacute; escrito para 3 solistas (Soprano, Tenor e Baixo), coro e orquestra, baseando-se nos relatos evang&eacute;licos que antecedem a Paix&atilde;o de Cristo.<\/p>\n<p>Para estes dias, muitas s&atilde;o as interpreta&ccedil;&otilde;es musicais da vida de Cristo, as Paix&otilde;es, com base nos Evangelhos. Inesgot&aacute;vel &eacute; tamb&eacute;m o mundo do Gregoriano, com os seus cantos da Semana Santa e P&aacute;scoa. <\/p>\n<p>A Ter&ccedil;a-feira Santa come&ccedil;a com as &ldquo;Lamenta&ccedil;&otilde;es de Jeremias&#8221; (&ldquo;O vos omnes&rdquo;, Lam 1,12), elaboradas de forma not&aacute;vel entre os s&eacute;culos XV-XVIII, quando numerosos compositores escreveram &#8220;Lamenta&ccedil;&otilde;es&#8221;, &#8220;a capella&#8221; (Thomas Tallis, Tom&aacute;s Lu&iacute;s de Victoria, Marc-Antoine Charpentier, Fran&ccedil;ois Ciuperin, Igor Stravinsky), com particular brilho no caso de Palestrina e de William Byrd.<\/p>\n<p>Na Quarta-feira Santa &eacute; poss&iacute;vel ouvir o Of&iacute;cio de Trevas de Marco Antonio Charpentier, um dos leg&iacute;timos representantes do que foi a &#8220;revolu&ccedil;&atilde;o&#8221; est&eacute;tica na m&uacute;sica religiosa francesa do s&eacute;culo XVIII. As suas &ldquo;Le&ccedil;ons de T&eacute;n&egrave;bres&rdquo; (Li&ccedil;&otilde;es das Trevas) s&atilde;o de uma grande sensibilidade, beleza e inven&ccedil;&atilde;o mel&oacute;dica.<\/p>\n<p><strong>Tr&iacute;duo Pascal<\/strong><\/p>\n<p>O in&iacute;cio do Tr&iacute;duo Pascal &eacute; altura de ouvir uma obra-prima da m&uacute;sica mundial, a &ldquo;Paix&atilde;o segundo S. Mateus&rdquo; de Johann Sebastian Bach. A beleza intimista dos seus imensos corais, a intensidade espiritual das &aacute;rias, o dramatismo dos recitativos e o seu comovente coro final merecem uma aten&ccedil;&atilde;o especial.<\/p>\n<p>Diogo Dias Melgaz (1638-1700), o &uacute;ltimo de uma s&eacute;rie de grandes mestres da S&eacute; de &Eacute;vora apresenta-nos as suas &ldquo;Lamenta&ccedil;&otilde;es para a Quinta-Feira Santa&rdquo;: <\/p>\n<p>  <object width=\"425\" height=\"344\" data=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/LpSRrzPE-5U&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x2b405b&amp;color2=0x6b8ab6<param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/LpSRrzPE-5U&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x2b405b&amp;color2=0x6b8ab6\" \/><param name=\"allowfullscreen\" value=\"true\" \/><\/object> <\/p>\n<p>Na Sexta-feira Santa, o dia come&ccedil;a com o &ldquo;Of&iacute;cio de Trevas&rdquo;, que preparam a Paix&atilde;o do Redentor. Esta celebra-se com as &ldquo;sete palavras de Cristo&rdquo; de Joseph Haydn ou de Heinrich Schutz. <\/p>\n<p>Depois da hora t&eacute;rcia, quando a terra estremece, a dor de Maria &eacute; acompanhada com o &ldquo;Stabat Mater&rdquo; (os mais famosos s&atilde;o os de Giovani Pergolesi, Giacomo Rossini, Joseph Haydn, Palestrina e Vivaldi). Os penitenciais f&uacute;nebres &ldquo;Miserete mei Deus&rdquo;, o &ldquo;Dies Irae&rdquo; de Jean Batista Lully, e o Salmo &ldquo;De Profundis&rdquo; de Andr&eacute; Campra, M. A. Charpentier e Michael Richard Delalande t&ecirc;m lugar no esp&iacute;rito deste dia.<\/p>\n<p>O S&aacute;bado Santo, dia alit&uacute;rgico, pede um &ldquo;requiem&rdquo; pelo Senhor no sepulcro. O Requiem de Mozart, com a sua extraordin&aacute;ria &ldquo;Lacrymosa&rdquo; &eacute; uma op&ccedil;&atilde;o, como o de Jean Gilles (1774), ou o sereno Requiem para vozes masculinas de Lorenzo Perosi.<\/p>\n<p>De Duarte L&ocirc;bo (c.1565&ndash;1646), o mais famoso compositor portugu&ecirc;s da &eacute;poca do Renascimento tardio e barroco inicial, deixamos o &ldquo;Introitus&rdquo; do seu Requiem.<\/p>\n<p>Antes da Vig&iacute;lia Pascal pode ouvir-se a &ldquo;Sinfonia ao Santo Sepulcro&rdquo;, de Vivaldi, ou a obra &ldquo;et expecto resurrectionen mortuorum&rdquo;, de Olivier Messiaen. <\/p>\n<p>  <object width=\"425\" height=\"344\" data=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/UXDnKx5tuMY&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x2b405b&amp;color2=0x6b8ab6<param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/UXDnKx5tuMY&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x2b405b&amp;color2=0x6b8ab6\" \/><param name=\"allowfullscreen\" value=\"true\" \/><\/object> <\/p>\n<p>Para fechar este ciclo, quando as trevas ficam para tr&aacute;s, caber&aacute; a Missa Solene de Beethoven, provavelmente a maior afirma&ccedil;&atilde;o de f&eacute; que algum compositor escreveu alguma vez na hist&oacute;ria. Bento XVI, ali&aacute;s, considera-a &ldquo;um tocante testemunho de f&eacute;&rdquo;, defendendo que a obra mostra que &ldquo;se o homem est&aacute; diante de Deus, s&oacute; a palavra n&atilde;o basta&rdquo;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os grandes autores da hist\u00f3ria n\u00e3o ficaram \u00e0 margem dos momentos lit\u00fargicos destes dias. 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