{"id":380143,"date":"2025-06-16T09:14:09","date_gmt":"2025-06-16T08:14:09","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=380143"},"modified":"2025-06-16T12:06:58","modified_gmt":"2025-06-16T11:06:58","slug":"a-liberdade-religiosa-e-a-imigracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-liberdade-religiosa-e-a-imigracao\/","title":{"rendered":"A liberdade religiosa e a imigra\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Jorge Teixeira da Cunha, Diocese do Porto<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_270870\" aria-describedby=\"caption-attachment-270870\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-270870\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jorge-teixeira-da-cunha.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-270870\" class=\"wp-caption-text\">Jorge Teixeira da Cunha<br \/>Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/LFS<\/figcaption><\/figure>\n<p>A presen\u00e7a no nosso pa\u00eds de grupos significativos de imigrantes de religi\u00e3o mu\u00e7ulmana (e de outros grupos) tem dado origem a alguns debates e at\u00e9 a alguma hostilidade por parte de grupos crist\u00e3os. Foi o que aconteceu recentemente no Porto. A autarquia portuense tinha inten\u00e7\u00e3o de ceder edif\u00edcios para a pr\u00e1tica do culto isl\u00e2mico. Por\u00e9m, perante o debate que o assunto despertou, decidiu deixar a proposta para ocasi\u00e3o futura. Como colocar esta quest\u00e3o, sem se deixar levar pela emo\u00e7\u00e3o descontrolada ou pelo tolerantismo puro e simples? Ambos os racioc\u00ednios carecem da devida pondera\u00e7\u00e3o que deve acompanhar o assunto.<\/p>\n<p>Est\u00e1 fora de d\u00favida que deve haver uma pol\u00edtica de imigra\u00e7\u00e3o, para que a chegada indiscriminada de pessoas n\u00e3o torne imposs\u00edvel a devida hospitalidade e a garantia das condi\u00e7\u00f5es de vida a quem demanda o nosso pa\u00eds. Em linha de princ\u00edpio, \u00e9 conveniente eleger fontes de imigra\u00e7\u00e3o que sejam mais f\u00e1ceis de integrar, pela afinidade cultural, hist\u00f3rica e religiosa. Este debate est\u00e1 por fazer e, por isso, a chegada de imigrantes tem sido relativamente ca\u00f3tica, n\u00e3o sendo de excluir algum cinismo por parte de decisores pol\u00edticos, pouco cuidadosos com defender o bem de quem est\u00e1 e o bem de quem chega.<\/p>\n<p>Quando os imigrantes j\u00e1 est\u00e3o entre n\u00f3s, temos de os receber de maneira conveniente. Ora, do ponto de vista que nos interessa, trata-se de os incluir nas garantias e nos deveres consignados na lei da liberdade religiosa. Esta implica que as institui\u00e7\u00f5es estatais se pensem a si mesmas na base da justi\u00e7a devida a todas as comunidades e n\u00e3o noutras ideias. Reparemos que o princ\u00edpio da igualdade implica que os grupos religiosos sejam tratados segundo as diferen\u00e7as que s\u00e3o relevantes para isso. A antiguidade e o m\u00e9rito n\u00e3o podem ser completamente ignoradas. O direito de associa\u00e7\u00e3o pac\u00edfica tamb\u00e9m n\u00e3o pode sofrer limites injustos. Por isso, n\u00e3o est\u00e1 proibido que o Estado ou as autarquias provejam condi\u00e7\u00f5es para que, segundo a justi\u00e7a, seja garantida a possibilidade da associa\u00e7\u00e3o religiosa. O fen\u00f3meno religioso tem uma grande import\u00e2ncia para o equil\u00edbrio individual e social das pessoas. Longe vai o tempo em que se hostilizava a religi\u00e3o como factor nocivo. Reparemos que a lei da liberdade religiosa implica direitos e deveres para as comunidades e, portanto, \u00e9 uma forma de integrar e de responsabilizar as comunidades imigrantes antigas e novas.<\/p>\n<p>N\u00e3o apenas o Estado, mas tamb\u00e9m as comunidades t\u00eam um papel decisivo no bom funcionamento das rela\u00e7\u00f5es entre religi\u00f5es. A elas compete iluminar a sua cren\u00e7a e a sua \u00e9tica, \u00e0 luz da raz\u00e3o e da tradi\u00e7\u00e3o. Uma vigil\u00e2ncia cont\u00ednua \u00e9 necess\u00e1ria. N\u00f3s europeus ensai\u00e1mos o princ\u00edpio da laicidade que nos garante a conviv\u00eancia plural e pac\u00edfica. Quem decide viver entre n\u00f3s tem de ser inclu\u00eddo na base da aceita\u00e7\u00e3o e da exig\u00eancia do respeito. A tradi\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana tem muito que crescer neste cap\u00edtulo. Mas n\u00e3o est\u00e1 dito que esse crescimento n\u00e3o possa vir a acontecer. Por nossa vez, os que somos crist\u00e3os de velha tradi\u00e7\u00e3o, temos de crescer na advert\u00eancia da import\u00e2ncia da nossa f\u00e9 para a constru\u00e7\u00e3o da paz e da democracia. N\u00e3o \u00e9 com movimentos irracionais e populistas que seremos dignos da nossa tradi\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, n\u00f3s crist\u00e3os necessitamos de um ensaio cont\u00ednuo da toler\u00e2ncia robusta, do di\u00e1logo iluminador, do testemunho l\u00facido perante as outras religi\u00f5es que come\u00e7am a viver entre n\u00f3s. Seremos capazes disso? A escuta de Deus nunca est\u00e1 acabada. Temos de o testemunhar e de o exigir, na conviv\u00eancia entre religi\u00f5es. Mas temos de ser capazes de mostrar a viv\u00eancia de Jesus Cristo como um caminho de inicia\u00e7\u00e3o do ser humano \u00e0 f\u00e9 de uma forma incompar\u00e1vel. Temos tamb\u00e9m de saber escutar o ponto de vista das outras religi\u00f5es, como formas de escuta do divino e de o confrontar com o nosso.<\/p>\n<p>Devem as nossas institui\u00e7\u00f5es estatais ceder edif\u00edcios e meios para garantir a pr\u00e1tica religiosa? Sim, desde que o fa\u00e7am no contexto da lei da liberdade religiosa, a qual implica fazer justi\u00e7a a todos: tratar de forma igual o que \u00e9 igual e de forma diferente o que \u00e9 diferente.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Teixeira da Cunha, Diocese do Porto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":321545,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-380143","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/380143","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=380143"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/380143\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/321545"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=380143"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=380143"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=380143"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}