{"id":379869,"date":"2025-06-12T11:29:09","date_gmt":"2025-06-12T10:29:09","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=379869"},"modified":"2025-06-12T11:29:09","modified_gmt":"2025-06-12T10:29:09","slug":"as-festas-populares-e-a-popularidade-das-festas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/as-festas-populares-e-a-popularidade-das-festas\/","title":{"rendered":"As festas populares e a popularidade das festas"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Diamantino Alva\u00edde, diocese de Lamego<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_369805\" aria-describedby=\"caption-attachment-369805\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-369805\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Diamantino-Alvaide_Padre-Lamego-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Diamantino-Alvaide_Padre-Lamego-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Diamantino-Alvaide_Padre-Lamego-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Diamantino-Alvaide_Padre-Lamego-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Diamantino-Alvaide_Padre-Lamego-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Diamantino-Alvaide_Padre-Lamego.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-369805\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/PR, Padre Diamantino Alva\u00edde<\/figcaption><\/figure>\n<p>A circularidade cronol\u00f3gica do tempo faz com que todos os anos, por esta altura, nos sintamos inevitavelmente arremessados para a celebra\u00e7\u00e3o efusiva das festas, daqueles que tradicionalmente se denominam de santos populares. Por devo\u00e7\u00e3o ou para divers\u00e3o, por convic\u00e7\u00e3o ou para conversa\u00e7\u00e3o, por obriga\u00e7\u00e3o ou para ora\u00e7\u00e3o, s\u00e3o v\u00e1rios os motivos e diferentes os objetivos que atraem os festeiros a t\u00e3o arreigadas celebra\u00e7\u00f5es. Cada um se apresenta, por sua vez, no mais distinto papel. Como participante ou mero assistente, como protagonista ou simples passageiro, como promotor ou somente consumidor, todos acabam por ter lugar num quadro pintado a v\u00e1rias cores, algumas bastante contrastantes, mas sempre emoldurado com o nome de um santo(a).<\/p>\n<p>N\u00e3o raras vezes nos detemos a considerar, com artilhada argumenta\u00e7\u00e3o, se os tempos idos ou os tempos vindos s\u00e3o os melhores ou os piores, os mais favor\u00e1veis ou os menos promissores, os mais inusitados ou os menos perigosos. E tamb\u00e9m aqui pesa o <em>idadismo<\/em>. Para os mais novos, tocados pelo brilho incandescente do desenvolvimento cientifico-tecnol\u00f3gico e de um futuro cronologicamente longo, o presente \u00e9 a melhor de todas as eras. Para os mais velhos, alvejados pelo saudosismo natural de quem j\u00e1 tem muitas mem\u00f3rias e pela certeza de um futuro cronologicamente curto, o passado \u00e9 o tempo que devia voltar.<\/p>\n<p>As festas populares que se avizinham s\u00e3o um dos acontecimentos que nos fazem recolocar nos pratos da balan\u00e7a temporal a essa mesma quest\u00e3o: eram as ontem que nos faziam transcender a opacidade humana, ou s\u00e3o as de hoje que nos alteiam o esp\u00edrito para as realidades ultramundanas? A pertin\u00eancia desta quest\u00e3o est\u00e1 exatamente na popularidade das festas populares. Aquelas que outrora foram pensadas para enaltecer as virtudes heroicas de um homem ou mulher a quem a Igreja reconheceu a dignidade dos altares est\u00e3o agora popularizadas por um sem n\u00famero de eventos culturais, recreativos e l\u00fadicos, que ocultam ou secundarizam o seu sentido original.<\/p>\n<p>O povo que, inicialmente, sentiu necessidade de honrar a mem\u00f3ria dos santos com ritos lit\u00fargicos (ora\u00e7\u00f5es, prociss\u00f5es, peregrina\u00e7\u00f5es, etc.) \u00e9 o mesmo povo que agora se serve dessas datas para que, atrav\u00e9s de ritos menos religiosos, se mantenha a converg\u00eancia das pessoas para o lugar da festa. Mesmo que as convic\u00e7\u00f5es celebrativas, hoje, sejam distintas das do passado sobressai a necessidade leg\u00edtima e salutar do encontro, do conv\u00edvio, do lazer, do descanso, do regresso \u00e0 terra, do retorno \u00e0 fam\u00edlia, etc. Mesmo que as peregrina\u00e7\u00f5es, as prociss\u00f5es ou as celebra\u00e7\u00f5es j\u00e1 n\u00e3o tenham o mesmo fulgor espiritual ressalta a procura interior de um contacto (por vezes atabalhoado ou individualizado) com a Transcend\u00eancia. Mesmo que a popularidade das festas de ent\u00e3o n\u00e3o seja garantida pelas mesmas raz\u00f5es ou motiva\u00e7\u00f5es de outrora, elas continuam a ser uma excelente oportunidade para a evangeliza\u00e7\u00e3o. \u201cExiste um patrim\u00f3nio de f\u00e9 e espiritualidade que est\u00e1 presente na religiosidade popular, nas festas e nos lugares particulares de culto, que, adequadamente evangelizado, pode tornar-se um momento eficaz de transmiss\u00e3o da f\u00e9\u00bb (<em>Atas do IV Conv\u00e9nio Eclesial Nacional, It\u00e1lia<\/em>).<\/p>\n<p>Em suma, mesmo que os frequentadores da liturgia sacramental das festas populares de hoje n\u00e3o nos pare\u00e7am t\u00e3o convictos e conscientes como os de ontem, s\u00e3o estes que precisam, anseiam e merecem que lhes seja anunciada a Salva\u00e7\u00e3o de que a Igreja continua a ser medianeira.<\/p>\n<p><em>Pe. Diamantino Alva\u00edde<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Diamantino Alva\u00edde, diocese de Lamego<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":369805,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-379869","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/379869","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=379869"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/379869\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/369805"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=379869"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=379869"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=379869"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}