{"id":37968,"date":"2009-03-31T17:27:40","date_gmt":"2009-03-31T17:27:40","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/03\/31\/a-terapia-do-olhar\/"},"modified":"2009-03-31T17:27:40","modified_gmt":"2009-03-31T17:27:40","slug":"a-terapia-do-olhar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-terapia-do-olhar\/","title":{"rendered":"A terapia do olhar"},"content":{"rendered":"<p>Entre os progressos da medicina e as exig\u00eancias da gest\u00e3o, um debate sobre dignidade de doentes, profissionais e volunt\u00e1rios no hospital <!--more--> \u00abA dignidade de doentes, profissionais e volunt\u00e1rios, no cruzamento dos progressos m\u00e9dicos e das novas exig\u00eancias de gest\u00e3o\u00bb foi o tema de um dos pain\u00e9is no II Semin\u00e1rio Nacional Espiritualidade do Hospital a decorrer no Hospital de S. Jo\u00e3o, Porto, de 31 de Mar\u00e7o a 1 de Abril. Em Medicina, os processos \u201cs\u00e3o dif\u00edceis\u201d e o \u201cmais dif\u00edcil \u00e9 saber onde est\u00e1 a fronteira entre o benef\u00edcio e o desperd\u00edcio\u201d \u2013 disse o m\u00e9dico Jos\u00e9 Barros.  Na sua interven\u00e7\u00e3o, este profissional de sa\u00fade real\u00e7a que \u201cas pessoas querem viver com dignidade e n\u00e3o morrer com dignidade\u201d. A pr\u00e1tica cl\u00ednica n\u00e3o deve atender somente \u00e0 \u201cvertente t\u00e9cnica\u201d, mas ao lado humano. \u201c\u00c9 poss\u00edvel preservar o lado humanista da medicina\u201d. Quem tem a responsabilidade de gerir os hospitais deve olhar para a gest\u00e3o dos recursos, mas tamb\u00e9m para o lado humanista. Quando o \u201cgan\u00e2ncia e individualismo\u201d dominam a sociedade, o m\u00e9dico Jos\u00e9 Barros pede para que se olhe com mais intensidade para a humaniza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os hospitalares. No painel referido, o enfermeiro Delfim Oliveira, chefe do servi\u00e7o de neurologia do Hospital S. Jo\u00e3o, frisou que \u201csem forma\u00e7\u00e3o humana n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ser enfermeiro\u201d. No exerc\u00edcio desta profiss\u00e3o, Delfim Oliveira apela \u00e0s rela\u00e7\u00f5es inter-pessoais entre os profissionais de sa\u00fade e os doentes. \u201cDevo-lhe a vida e fez-me renascer\u201d s\u00e3o express\u00f5es que estes profissionais de sa\u00fade ouvem com frequ\u00eancia. Motivos de alegria. Neste semin\u00e1rio, subordinado ao tema \u00abHospital, lugar de esperan\u00e7a\u00bb, Maria Aurora Matias, assistente social do IPO em Lisboa, refere que todos beneficiam dos desenvolvimentos t\u00e9cnicos, mas tal \u201cn\u00e3o acontece noutras formas de conhecimento\u201d sobre a pessoa. \u201cA aplica\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia n\u00e3o pode prescindir dos valores\u201d \u2013 frisou. E acrescenta: \u201cos computadores n\u00e3o podem aplicar a medicina\u201d.  A ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 suficiente para tratar os doentes. \u201cEsquecemos que os sistemas foram criados pelos homens\u201d \u2013 disse a assistente social. O homem isolado n\u00e3o sobrevive. \u201cA pessoa n\u00e3o \u00e9 um rosto deformado\u201d porque \u201cfica sempre nela algo de belo\u201d \u2013 salientou. O que \u00e9 a dignidade? \u201c\u00c9 o direito a ser respeitado, mas a dignidade n\u00e3o tem pre\u00e7o\u201d \u2013 respondeu Dulce Pacheco, volunt\u00e1ria do Hospital de S. Jo\u00e3o. A sa\u00fade integral \u00e9 mais do que o corpo. Aos cerca de 300 participantes, a volunt\u00e1ria sustentou a sua afirma\u00e7\u00e3o: \u201cas pessoas s\u00e3o mais do que os n\u00fameros\u201d. Nenhuma m\u00e1quina substitui o \u201colhar carinhoso\u201d do profissional de sa\u00fade. \u201cO carinho tamb\u00e9m faz parte da terapia\u201d \u2013 finalizou. Ao fazer refer\u00eancia ao papel do volunt\u00e1rio, Dulce Pacheco frisa que este \u201c\u00e9 um ser para o outro\u201d e \u201cum rio que leva a \u00e1gua fresca\u201d.  A tecnologia avan\u00e7a a olhos vistos. \u201cMuitas vezes ao tratar-se do corpo magoa-se a alma\u201d. Am\u00e9rico Azevedo, utente do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade (SNS), pede aos profissionais de Sa\u00fade para que n\u00e3o tornem as \u201crela\u00e7\u00f5es frias\u201d. E acrescenta Am\u00e9rico Azevedo: \u201cA doen\u00e7a s\u00f3 \u00e9 doen\u00e7a quando entre dois homens n\u00e3o h\u00e1 cora\u00e7\u00e3o\u201d. Na rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico\/doente, \u201co amor no tratamento vale mais do que a tecnologia\u201d. Este utente do SNS alerta: \u201cvamos alimentar o sonho que as dores espirituais podem ser sempre cuidadas\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre os progressos da medicina e as exig\u00eancias da gest\u00e3o, um debate sobre dignidade de doentes, profissionais e volunt\u00e1rios no hospital<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[187,199],"class_list":["post-37968","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-diocese-do-porto","tag-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37968","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37968"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37968\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37968"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37968"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37968"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}